Os nomes de Exu se dividem em dois grupos: os do orixá, como Bará, Lonã e Elegbara, e os dos Exus guardiões, como Tranca Ruas, Marabô e Caveira. Os primeiros vêm do candomblé e do batuque; os outros, da umbanda e da quimbanda. No candomblé há menos de uma dezena de nomes; na umbanda, legiões com dezenas. A diferença entre as duas camadas está em quem é Exu.
Os nomes do orixá Exu
No candomblé, Exu é o orixá mensageiro, e os nomes dele são qualidades do mesmo orixá.
- Bará: “o dono dos movimentos do corpo humano”, na lista de Reginaldo Prandi. No Rio Grande do Sul, Pelotas instituiu em 2022 o Dia do Orixá Bará, em 13 de junho. O Bará do batuque tem artigo em Bará, orixá do batuque.
- Lonã, ou Olonam: o senhor dos caminhos.
- Odara: o dono da felicidade e da harmonia.
- Elegbara, ou Legba: o nome do poder de transformação e do movimento.
- Lalu: nome registrado por Pierre Verger, que também tem ponto cantado numa casa de umbanda de Curitiba.
Exus da encruzilhada e dos caminhos
Na umbanda, os exus são entendidos como espíritos de pessoas desencarnadas, que trabalham na linha de esquerda. Os da encruzilhada são os mais conhecidos.
- Tranca Ruas: está entre os sete Exus que comandam as linhas da quimbanda na pesquisa de Sulivan Barros. Numa casa de Curitiba, tem três caminhos com ponto próprio: das Almas, de Embaé e da Encruzilhada.
- Sete Encruzilhadas: na quimbanda gaúcha, é o Exu Rei das Sete Encruzilhadas, o “Seu Sete”, que ajudou a criar o modelo do Exu de capa e bengala a partir dos anos 1960. Em 2018, um terreiro de Viamão (RS) fez a festa dele.
- Marabô: um dos poucos nomes das duas camadas, avatar de Exu no candomblé e chefe de linha na quimbanda.
- Tiriri: Verger o registra entre os nomes de Exu no Brasil, e Barros o põe no comando de uma linha da quimbanda. Num Ilê de Bocaiuva (MG), o assentamento dele fica na porteira da casa.
- Veludo: o ponto dele numa casa de Curitiba diz que veio “da Quimbanda” para “salvar filhos de Umbanda”.
Exus das almas e do cemitério
Na literatura umbandista reunida por Prandi, um grupo de Exus responde a Omulu, o senhor dos cemitérios. O sobrenome “das Almas”, que vários deles carregam, tem artigo próprio em Exu das Almas.
- Caveira: ligado a Omulu nessa literatura. Numa casa de São Francisco do Sul (SC), é quem orienta os trabalhos de cura.
- Meia-Noite: o nome é a “hora grande” da umbanda, quando os exus trabalham. Aparece ao lado de Caveira no grupo de Omulu.
- Morcego: o nome está nos livros umbandistas desde pelo menos 1989. Numa casa de Curitiba, o ponto dele diz que “bateu asas na Calunga”, o cemitério.
- Tata Caveira e Sete Catacumbas: Tata Caveira é o nome mais conhecido do grupo de Omulu, e os dois têm ponto numa casa de Curitiba.

Exus de outras falanges
Estes nomes não têm, em fonte forte, uma linha única.
- Capa Preta: numa casa de umbanda de Feira de Santana (BA), tem festa anual em janeiro e chega de terno preto, chapéu e bengala.
- Do Lodo: para o antropólogo Vagner Gonçalves da Silva, muitos nomes de Exu falam de estados intermediários, “lodo, lama, sombra”.
- Do Ouro: culto recente; numa das casas que o cultuam, a primeira manifestação registrada é de 2007.
- Sete Facadas: a ficha separa este Exu da Pombagira de mesmo número.
- Gato Preto: duas pesquisas o encontraram em casas reais, e numa delas a comida dele foi servida com a da Pombagira Dama da Noite.
Exus mirins
A linha de esquerda da umbanda reúne exus, pombagiras e exus mirins. Numa casa estudada em Portugal, nenhuma entidade mirim se definiu como criança. O perfil está em Exu Mirim. Quem busca Pimentinha procura um Exu Mirim, mas nenhuma fonte aberta descreve a entidade.
Outros nomes, sem ficha
Estes nomes existem nos livros umbandistas ou em pontos de casa, mas sem fato próprio em fonte séria. Por isso ficam aqui como verbete:
- Gira Mundo, Mangueira, Brasa e Ventania: nomes nos livros umbandistas desde pelo menos 1989.
- Pinga Fogo, Pimenta, Pantera Negra, Arranca Toco e Sete da Lira: têm ponto cantado numa casa de umbanda de Curitiba.
Para ler o ponto de um guardião, veja pontos riscados de Exu. Para o orixá e seus iniciados, filhos de Exu, e para as plantas ligadas a ele, ervas de Exu.
Por que Exu tem tantos nomes
Exu se multiplica. Para Prandi, cada casa, rua e cidade tem seu guardião, e cada pessoa tem o seu Exu, assentado e com nome. A maioria dos nomes fala de lugar de passagem, do limite entre vivos e mortos ou de estado intermediário, como “Encruzilhadas”, “Caveira”, “Catacumba” e “Lodo”.
Na quimbanda gaúcha, a partir dos anos 1960, surgiu o Exu rei, e daí tanto “Rei” e “Rainha” nos nomes. A lista que circula na internet vem de livros umbandistas de 1989 e 1990, que ligaram cada nome a uma figura da tradição europeia. É registro de estigma, e não a identidade das entidades.
“Sendo o próprio movimento, Exu se multiplica ao infinito, pois cada casa, cada rua, cada cidade, cada mercado etc. tem seu guardião.”
Reginaldo Prandi, Revista USP, 2001
A Pombagira é Exu feminino, com nomes próprios, em quem é Pombagira. A estrutura da quimbanda por reinos está em reinos da quimbanda, e os tipos de Exu que as casas reconhecem, em Exu de guarda.
Perguntas frequentes
Quais são os nomes de Exu mais conhecidos?
Entre os guardiões, Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Marabô, Tiriri e Caveira, que aparecem em pesquisas e nas casas. Entre os nomes do orixá, Bará, Lonã e Elegbara. Na umbanda são dezenas, e cada casa trabalha com os seus.
De qual orixá é cada Exu?
Não há resposta única. Na literatura umbandista, um grupo de Exus responde a Omulu. Para a maioria dos nomes, a regência muda de casa para casa, e quem define é o dirigente.
Como saber qual é o meu Exu?
Quem diz o Exu de cada pessoa é a casa onde ela se desenvolve. O teste de Exu e Pombagira do site mostra afinidade, e não substitui a casa.
Referências
- Reginaldo Prandi: Exu, de mensageiro a diabo, Revista USP, 2001
- Vagner Gonçalves da Silva: Exu do Brasil, Revista de Antropologia, 2012
- Giumbelli e Almeida: O enigma da quimbanda, Revista de Antropologia, 2021
- Carvalho e Bairrão: umbanda e quimbanda, Psicologia USP, 2019
- Sulivan Charles Barros: umbanda x quimbanda, Caminhos, 2007
- Fábio da Silva Gonçalves: a comida nos terreiros de Bocaiuva, dissertação, UFMG e Unimontes, 2017
- Pablício Barbosa: Exu e um samba na umbanda em Feira de Santana, dissertação, UFRB, 2022
- Hasselmann, Meira e Bandeira: a umbanda e o patrimônio da saúde, RBHR, 2024
- Beatriz Minghelli: estudo com as entidades mirins da umbanda, PLURA, 2025
- Terreiro de Umbanda Pai Maneco: letras dos pontos