A Pombagira Dama da Noite é uma falange do feminino de Exu com registro em pesquisa acadêmica, citada por Reginaldo Prandi e encontrada em campo num terreiro de Minas Gerais. O nome também é um apelido antigo da pombagira em geral. Boa parte do que circula sobre ela não tem fonte, como cor única, par fixo e história de morte.
Este guia junta o que a pesquisa registra e mostra onde as casas divergem. Assim você chega ao terreiro sabendo o que perguntar.
Quem é a Pombagira Dama da Noite
Dama da Noite é uma falange, uma linha de trabalho dentro do feminino de Exu. Muitas entidades atendem pelo mesmo nome, e cada casa conhece a sua. O conceito geral está no guia sobre quem é a Pombagira.
Reginaldo Prandi, da USP, lista a Pombagira Dama da Noite entre as mais conhecidas. Ela aparece ao lado de Maria Padilha, Sete Saias, Maria Molambo e Cigana. No texto Pombagira e as faces inconfessas do Brasil, ele escreve que as pombagiras são muitas, “cada qual com nome, aparência, preferências, símbolos e cantigas particulares”.
O registro de campo mais recente vem de Minas. A Dama da Noite está na dissertação de Fábio da Silva Gonçalves, da UFMG e da Unimontes. Ela é uma das dez pombagiras cultuadas no terreiro de umbanda Zambi-Iris, em Bocaiuva.
Para Prandi, pombagira é “um Exu-mulher, como ela mesma gosta de ser chamada”. É entidade de trabalho da quimbanda e da linha de esquerda da umbanda. Na casa de Bocaiuva, a própria Dama da Noite, incorporada, falou ao pesquisador sobre quem culpa as pombagiras pelo que deseja em segredo:
”[…] acabam terceirizando os seus desejos secretos promíscuos e nos culpando.”
Pombagira Dama da Noite, em registro de campo de Gonçalves (UFMG, 2017)
Por que o nome Dama da Noite
“Dama da noite” também descreve a pombagira em geral. Prandi resume o retrato que o imaginário faz dela: às vezes “a grande dama, fina e requintada, mas sempre dama da noite”. A Wikipédia lê os símbolos da boemia, dos cigarros e do champanhe como reflexo do arquétipo das “damas da noite”.
Por isso muita característica “da Dama da Noite” que aparece na internet é, na verdade, característica de qualquer pombagira.
A planta de mesmo nome confunde. “Dama-da-noite” é nome popular de várias espécies, como Cestrum nocturnum e Ipomoea alba. As do gênero Cestrum são tóxicas por ingestão. Um boletim técnico da Uniderp registra dano ao fígado em animais intoxicados. Não entram em chá nem em bebida.
Nenhuma fonte forte liga a falange à planta. A ideia de que ela chega com o perfume da flor só aparece em sites de espiritualidade.
Com qual Exu a Dama da Noite trabalha
Não existe par fixo com fonte. O Exu que acompanha a Dama da Noite é fundamento da casa e muda de terreiro para terreiro.
O único par documentado em pesquisa vem de uma casa só. No Zambi-Iris, a comida da Dama da Noite foi servida junto com a do Exu Gato Preto. Isso mostra como aquela casa organiza o trabalho. Não serve de regra para as outras.
Quem procura a resposta no Google encontra a falange em par com vários exus: Tiriri, Caveira, Capa Preta, Veludo, Marabô, Morcego e Meia-Noite. A lista longa já responde. Se sete exus aparecem como o par dela, nenhum é o par de todas as casas. Quem diz qual trabalha na sua é o dirigente.
Cores, dia e saudação: o que varia
Natureza: falange de Pombagira | Cores de base da pombagira: vermelho e preto | Dia de gira mais citado: sexta-feira | Saudação: Laroyê, Dama da Noite
As cores de base e a sexta-feira valem para pombagira em geral. Prandi registra roupas vermelhas e pretas e giras “muito tarde da noite, geralmente às sextas-feiras”. A saudação segue a forma que Gonçalves anotou em campo: Laroyê seguido do nome, e o nome seguido de “é Mojubá”.
Sobre a Dama da Noite em particular, as fontes divergem:
| Item | O que circula |
|---|---|
| Cores | Preto e azul-escuro num terreiro de BH; roxo, preto e dourado num site de tarô; rosas vermelhas, brancas ou amarelas num centro de Maringá |
| Dia | Nenhum dia próprio com fonte; a sexta é de pombagira em geral |
| Exu | Gato Preto numa casa pesquisada, e outros sete nas buscas |
| Linha | Sites dizem que ela trabalha para Oxum, sem fonte que sustente |
Quando alguém apresenta uma dessas cores como a certa, está falando do costume da casa dele. É legítimo, desde que dito com esse nome.
O que a Dama da Noite gosta de ganhar
O mesmo que as outras pombagiras. No terreiro onde Gonçalves pesquisou, as oferendas das dez pombagiras “não são muito diferenciadas”. Não há cardápio próprio da Dama da Noite com fonte.
O registro de Prandi para pombagira inclui estes itens:
- Rosas vermelhas abertas, nunca botões
- Perfume, joias e bijuterias
- Champanhe ou cidra, que ele chama de “champanhe barata feita de maçã”
- Cigarrilha
- Velas vermelhas e pretas
No Zambi-Iris, a pombagira bebe o espumante e despeja um pouco na taça que fica no assentamento. Melina Sousa Gomes, da UFC, registra a mesma régua de bebida fina. Champanhe e vermute ficam com as pombagiras, e cachaça e uísque com os exus. O detalhe por entidade está em bebida de Pombagira.

Onde, quando e como se entrega é decisão da casa. A regra do terreiro pesquisado serve em qualquer lugar: recolher o material oferendado quando possível. Os cuidados de entrega estão em oferenda para Exu.
As histórias contadas e o que não se pede
As histórias de vida da Dama da Noite não batem entre si. Uma fala de uma mulher morta por um homem num salão. Outra, de uma mulher rica e bonita. Nenhuma tem autoria. Prandi lembra que muitas pombagiras são tidas como espíritos de mortos, “alguns de biografia mítica bem popular”.
Nomes como Dama da Noite das Almas e Dama da Noite da Encruzilhada também circulam, sem fundamento explicado nos sites que os usam. E perfil de filho da Dama da Noite não se tira de lista de internet.
Este guia não trata de amarração nem de trabalho com promessa de resultado. O assentamento de Pombagira também fica fora do faça você mesmo. Na quimbanda, os assentamentos se mantêm reservados, e quem conduz o rito precisa ser iniciado. Emerson Giumbelli e Leonardo Oliveira de Almeida registram isso na Revista de Antropologia.
Perguntas frequentes
Quem foi a Pombagira Dama da Noite?
Dama da Noite é nome de falange. As histórias de vida que circulam sobre ela se contradizem e não têm autoria. Prandi registra que muitas pombagiras carregam “biografia mítica bem popular”. Essas narrativas pertencem à devoção de cada casa e não contam a vida de uma mulher documentada.
A Dama da Noite trabalha no cemitério?
Nenhuma fonte fecha isso. O nome Dama da Noite das Almas circula, e Prandi registra que despachos de pombagira vão a encruzilhadas, cemitérios e outros locais, conforme o trabalho. O lugar de cada falange é fundamento da casa, e só o dirigente responde.
O que a Pombagira Dama da Noite bebe?
As fontes registram bebida fina para pombagira em geral: champanhe, espumante, vinho branco, cidra e vermute. No terreiro pesquisado em Bocaiuva, as oferendas das pombagiras quase não se diferenciam por nome. Nenhuma bebida exclusiva da Dama da Noite tem fonte.
O teste do Exu mostra a Dama da Noite?
Não. O teste do seu Exu é uma porta de entrada e tem resultados de Pombagira, mas não aponta falange. A entidade que trabalha com você se conhece na gira, com o dirigente da casa.
Onde comprar artigos para a Pombagira
Na Joia Mística Laroyê você encontra o que a sua casa usa na linha de esquerda:
- Imagens de Pombagira em resina, em modelos e tamanhos variados
- Velas vermelhas e pretas, de palito e de sete dias
- Perfumes e essências para o altar
- Taças e espelhos para a mesa da Pombagira
- Guias montadas nas cores que a sua casa usa
Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.
Referências
- Reginaldo Prandi: Pombagira e as faces inconfessas do Brasil, 1996
- Fábio da Silva Gonçalves: a comida nos terreiros de Bocaiuva, UFMG, 2017
- Giumbelli e Almeida: O enigma da quimbanda, USP, 2021
- Melina Sousa Gomes: bebida em terreiro de umbanda, ABA, 2016
- Wikipédia: Pombajira