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Exu Gato Preto: quem é, onde trabalha e o que as casas dizem

Exu Gato Preto é um Exu da linha de esquerda registrado em casas de SP, MG e PR. Veja o que ele faz, o par com a Dama da Noite e por que a lenda não tem fonte.

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Alguidar de barro com padê de farofa amarela sobre chão de terra numa encruzilhada à noite, com uma vela preta e uma vela vermelha acesas e uma lua cheia no céu.

Resumo

Exu Gato Preto é um Exu guardião da linha de esquerda, registrado por pesquisadores em casas de umbanda e quimbanda de Ribeirão Preto (SP), Bocaiuva (MG) e Pato Branco (PR). Nas casas estudadas, ele atende consulentes e é chamado para proteção e tarefas pesadas.

Numa casa de Minas Gerais, a comida dele foi servida junto com a da Pombagira Dama da Noite. O nome remete ao imaginário da feitiçaria usado contra os terreiros e ao gato preto como animal da noite nas casas de esquerda.

Nenhuma fonte séria diz de qual orixá, falange ou reino ele é, e a história que circula na internet não tem documento. Quem responde isso é a casa onde ele trabalha.

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Exu Gato Preto é um Exu guardião da linha de esquerda, registrado por pesquisadores em casas de umbanda e quimbanda de Ribeirão Preto (SP), Bocaiuva (MG) e Pato Branco (PR). Nas casas estudadas, ele atende consulentes e é chamado para proteção e para as tarefas mais pesadas. A lenda de origem que circula na internet não tem documento.


Quem é Exu Gato Preto

Exu Gato Preto é um dos Exus guardiões, e não o orixá Exu do candomblé. Na umbanda, os exus são entendidos como espíritos de pessoas desencarnadas, que trabalham na linha de esquerda ao lado das pombagiras e dos exus mirins. A diferença entre o orixá e os guardiões está em quem é Exu.

Uma pesquisa publicada na revista Psicologia USP estudou uma casa de umbanda de Ribeirão Preto. Ali, a função de Exu Gato Preto é dar apoio e proteção aos seguidores diante de injustiça, perseguição e abuso de poder. Num terreiro de Bocaiuva, em Minas Gerais, ele está entre os cinco principais Exus da casa, chamados para as “tarefas mais pesadas”.

“Os principais Exus cultuados no Zambi-Iris são: Tranca-Rua das Almas, Sete Encruzilhadas, João Caveira, Gato Preto e Arranca-Toco.”

Fábio da Silva Gonçalves, dissertação, UFMG e Unimontes, 2017

Numa casa de quimbanda de Pato Branco, no Paraná, ele é descrito como ligado à feitiçaria e à “alta magia”, e à revelação das intenções dos adversários. É o registro daquela casa, e não vale como regra para as outras.


Três casas onde Exu Gato Preto aparece

As três pesquisas acompanharam Exu Gato Preto em casas diferentes, e cada uma mostra um jeito de trabalhar.

Ribeirão Preto (SP). O médium era um senhor conhecido na região como quimbandeiro, que atendia todos os dias num quarto da própria casa. Os atendimentos eram feitos com duas entidades, Exu Quimbandeiro e Exu Gato Preto. Os pesquisadores acompanharam um ritual numa capela da zona rural. Os consulentes esperaram do lado de fora e foram atendidos um a um, primeiro pelo Quimbandeiro e depois pelo Gato Preto.

Bocaiuva (MG). O Zambi-Iris pratica a umbanda e insere nos rituais cultos quimbandeiros, aos Exus e às Pombagiras. Em agosto de 2016, a casa fez uma oferenda para Exu Gato Preto com padê e outros elementos. O que é o padê está em o que é padê.

Pato Branco (PR). A pesquisa em casas de quimbanda registrou Exu Gato Preto numa nota sobre a Pombagira Gato, ao lado de outros Exus e Pombagiras com nome de bicho.

Pintura de uma encruzilhada na mata sob a lua cheia, com uma vela vermelha acesa no chão e um gato preto sentado à beira do caminho.


Com quem Exu Gato Preto trabalha

O par documentado vem de uma casa só. No Zambi-Iris, a comida de Exu Gato Preto foi servida junto com a da Pombagira Dama da Noite, no Berço, o lugar onde a casa fez a primeira oferenda. O Berço é uma área pouco iluminada à noite, cercada de encruzilhadas. O perfil dela está em Pombagira Dama da Noite.

Em Ribeirão Preto, ele atendia junto com Exu Quimbandeiro. Em Bocaiuva, dividia a casa com Tranca-Rua das Almas, Sete Encruzilhadas, João Caveira e Arranca-Toco. Com quem cada Exu trabalha depende da casa e do médium.


De onde vem o nome Gato Preto

A leitura com fonte é a de Juliana Carvalho e José Bairrão, os autores da pesquisa de Ribeirão Preto. Para eles, o nome está ligado ao imaginário da “feitiçaria” que os relatórios policiais atribuíam aos praticantes dos cultos afro-brasileiros. O nome guarda, então, a memória da perseguição aos terreiros.

Nas casas de esquerda, o gato preto também tem sentido próprio. Na quimbanda estudada no Paraná, o gato pertence sobretudo à linha das pombagiras e é ligado aos poderes da lua e à feitiçaria noturna. A mesma pesquisa lista vários Exus com nome de bicho, como Pantera Negra, Morcego e Cobra. O gato preto aparece até em pontos cantados de outras entidades, como “gato preto na madrugada”. Outro Exu com nome de bicho tem ficha em Exu Morcego, e a lista completa está em nomes de Exu.


O que as fontes não dizem

As buscas perguntam de qual orixá, falange e reino ele é, e se ele tem uma história. Nenhuma fonte séria responde.

  • Orixá e falange: a tabela de Matta e Silva, que distribui os Exus pelas vibrações dos orixás, não traz Exu Gato Preto.
  • Reino: nenhuma das pesquisas o coloca num reino da quimbanda.
  • História: as duas versões que circulam, a do homem morto pela Inquisição e a do mago de uma caverna da Irlanda, vêm de um blog de 2013 sem autor nem fonte. Elas se contradizem.

Quem responde isso para você é a casa onde Exu Gato Preto trabalha. A Pombagira, os reinos e o lugar de cada Exu na quimbanda estão em o que é quimbanda.


Oferenda e respeito

No Zambi-Iris, os elementos das oferendas para os Exus em geral são farinha de mandioca, cebola, dendê, pimenta, fitas e velas pretas e vermelhas, alguidar, charutos e bebida. É a regra daquela casa para todos os Exus, e não uma lista própria do Gato Preto. O que se oferece, onde e quando é orientação do dirigente.

A casa também não trata Exu como mal. Para um entrevistado, Exu “é caminho a ser trilhado, no qual o homem é quem decide”. Os médiuns recusam o trabalho para o mal, como separar casais ou causar doença, porque ele volta para quem o pediu. Na saudação registrada ali, diz-se “Laroyê” e o nome do Exu, seguido de “é Mojubá”.


Perguntas frequentes

Exu Gato Preto é de qual orixá?

Nenhuma fonte séria diz. A tabela de Matta e Silva, que liga os Exus às vibrações dos orixás, não traz Exu Gato Preto. Em cada casa, quem define a linha e o orixá a quem ele responde é o dirigente.

Exu Gato Preto trabalha com qual Pombagira?

O único par documentado é com a Pombagira Dama da Noite, numa casa de Bocaiuva (MG), onde a comida dos dois foi servida junto. Não é regra: em outra casa, em Ribeirão Preto, ele atendia ao lado de Exu Quimbandeiro.

Exu Gato Preto é raro?

Ele não está nas listas clássicas da literatura umbandista, como a de Matta e Silva. Mas aparece em três pesquisas de campo, em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, e numa delas está entre os cinco principais Exus da casa.

Exu Gato Preto é do mal?

Não, nas casas estudadas. Em Ribeirão Preto, a função dele é proteger os seguidores diante de injustiça e perseguição. Em Bocaiuva, os médiuns recusam o trabalho para o mal.


Referências

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