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Quem é Bará: o orixá guardião dos caminhos no Batuque

Bará é o orixá dos caminhos e das encruzilhadas no Batuque do RS, o primeiro a ser saudado. Conheça suas qualidades, saudação, cor, dia e oferendas.

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Encruzilhada de terra ao entardecer com oferenda de farofa e uma chave de ferro, o orixá Bará guardião dos caminhos no Batuque.

Resumo

Bará é o primeiro e mais indispensável Orixá cultuado no Batuque do Rio Grande do Sul, senhor das encruzilhadas, do movimento, do comércio, da sexualidade sagrada e da comunicação.

Diferente do conceito de Exu em outras tradições, no Batuque Bará é assentado e cultuado como Orixá de cabeça em diversas passagens: Bará Lodê (o guardião da rua e das portas de fora), Bará Lana (o senhor das estradas abertas), Bará Adague (o senhor do fogo e agilidade) e Bará Agelú (o menino das águas doces e praias).

Come pipoca, farofa de dendê, milho torrado e rodelas de batata inglesa frita no dendê, vestindo vermelho brilhante e empunhando sua corrente de ferro com chave e foice para abrir todos os caminhos do sucesso.

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No Batuque do Rio Grande do Sul, nenhum trabalho começa sem Bará. Antes de Ogum, antes de Xangô, antes de Iemanjá, é ele quem recebe a primeira saudação, a primeira oferenda e o primeiro corte porque é Bará quem abre (ou fecha) os caminhos por onde todo o resto vai passar.

Dono das chaves das encruzilhadas, das porteiras e dos cruzeiros, Bará é o orixá da comunicação e do movimento. Este guia explica quem ele é dentro do Batuque gaúcho, suas qualidades (as chamadas “passagens”), sua saudação, cor, dia e oferendas e por que ele não tem nada a ver com o “diabo” que o preconceito insiste em inventar.


Quem é Bará no Batuque

Bará é o orixá dos caminhos, das encruzilhadas e das porteiras no Batuque, a grande religião de culto aos orixás do Rio Grande do Sul. O nome vem do iorubá Ẹlẹ́gbára “aquele que possui força”, “senhor do poder”, a mesma raiz que dá origem a Elegbara e Exu em outras tradições da diáspora (Batuque, na Wikipédia).

Sua função é estrutural: Bará é o mensageiro entre os seres humanos e os demais orixás, e o guardião dos espaços sagrados. Por isso, no Batuque, ele é sempre o primeiro a ser saudado, alimentado e cortado em qualquer obrigação. A lógica é simples e antiga: sem abrir o caminho, o pedido não chega; sem o porteiro, ninguém entra. Bará é esse porteiro e essa chave.

Ele rege os pontos de passagem: a encruzilhada onde dois rumos se cruzam, o cruzeiro, a porteira do terreiro, a porta de casa, o portal entre um mundo e outro. Mexer com caminhos é mexer com Bará.

Alupô, Bará! é assim, com essa saudação, que o terreiro reverencia o orixá que abre todas as estradas.


As qualidades (passagens) de Bará

No Batuque, um mesmo orixá se manifesta em qualidades também chamadas de passagens ou caminhos, cada uma com função, assentamento e fundamento próprios. Bará é um dos orixás com mais passagens cultuadas, e conhecê-las é entender como ele trabalha:

  • Bará Lodê (ou Olodê, o “Bará da Rua”) guardião da parte externa do templo e da porteira. Seu assentamento fica do lado de fora do ilê, vigiando quem chega. É o Bará da rua aberta, dos espaços livres.
  • Bará Adagué (Adagbe) guardião da parte interna da casa. Recebe oferendas nas encruzilhadas e “faz a frente” de vários orixás (Ogum, Oyá, Xangô, Odé, Otim, Obá, Ossãe e Xapanã). É uma das passagens mais requisitadas.
  • Bará Lanã guardião da porta do templo, conhecido como o “Bará do bom caminho”. Trabalha nos cruzeiros, com atribuições próximas às de Adagué.
  • Bará Agelú (Ajelú) mensageiro ligado aos orixás das águas e da praia e guardião do altar. Diferente dos demais, seu dia costuma ser a sexta-feira.
  • Elegbá a forma cultuada no rito Cabinda, a nação de raiz banto do Batuque.

Quantas e quais passagens uma pessoa “tem” depende do jogo de búzios e do fundamento de cada casa de Batuque algo que se define com o babalorixá ou a ialorixá, nunca por conta própria.


Bará: cor, dia, saudação e oferendas

Como todo orixá, Bará tem suas correspondências rituais. Elas podem variar conforme a nação (Oyó, Ijexá, Jeje, Cabinda, Nagô) e a casa, mas no Batuque do Rio Grande do Sul as referências mais comuns são:

AtributoBará
DomínioCaminhos, encruzilhadas, porteiras, comunicação
SaudaçãoAlupô! (também Lalupô)
CorVermelha (preto e vermelho em passagens como Lodê)
DiaSegunda-feira (Agelú, sexta-feira)
Número7 e seus múltiplos
FerramentasCorrente, chave, foice, 7 moedas, 7 búzios
OferendasPipoca (“flores de Bará”), milho torrado, batatas assadas, farofa de azeite de dendê
SincretismoSanto Antônio e São Pedro (varia por passagem e casa)

O azeite de dendê é presença constante no trato de Bará, assim como a pipoca estourada chamada carinhosamente de “flores de Bará”. Mas é importante dizer: oferenda de orixá tem fundamento, e fundamento se aprende no terreiro. Nenhuma lista substitui a orientação de quem é de santo.


Bará não é o “diabo”: desfazendo o preconceito

Aqui está o ponto que mais gera confusão. Por reger encruzilhadas e por carregar o nome ligado a Exu, Bará foi historicamente associado ao demônio cristão uma leitura que não tem qualquer base nas religiões de matriz africana, e que nasce do racismo religioso.

Bará não é o diabo das tradições abraâmicas. Ele é um orixá da natureza, força ancestral que organiza o trânsito entre os mundos. Tratá-lo como “entidade do mal” é o mesmo erro que reduz toda uma religião a “macumba” desinformação que estigmatiza milhões de praticantes. Não à toa, o Rio Grande do Sul, que reúne mais de 60 mil terreiros, é também palco constante de campanhas contra a intolerância religiosa, como mostra o projeto Respeita o meu Orixá, da UFRGS.

Bará é respeito, é fundamento, é o primeiro a quem se pede licença. Quem o conhece de verdade sabe: sem Bará, nada anda.


Bará, Exu da Umbanda e Exu do Candomblé: as diferenças

É comum misturar três figuras diferentes só porque compartilham a ideia de “dono dos caminhos”. Vale separar:

  • Bará (Batuque) é orixá, força da natureza cultuada em iorubá, com assentamento, passagens e obrigações próprias do Rio Grande do Sul. Não incorpora para “trabalhar e conversar” como uma entidade de gira.
  • Exu da Umbanda e da Quimbanda são entidades que se manifestam nas giras, com nomes e personalidades próprias (Tranca-Ruas, Sete Encruzilhadas, Marabô). Trabalham diretamente com os médiuns, dão consulta, “trancam e destrancam”. É uma linha distinta, explicada no nosso guia sobre o que é a quimbanda.
  • Exu / Elegbara (Candomblé) também orixá, cultuado por nação (ketu, jeje, angola), com qualidades próprias. Parente espiritual de Bará, mas formado por outro caminho histórico veja a diferença entre umbanda e candomblé para entender por que tradições irmãs não são sinônimas.

Em resumo: Bará é o orixá guardião do Batuque; o Exu de gira é entidade da Umbanda/Quimbanda; e o Exu orixá pertence ao Candomblé. Três figuras, três tradições, nenhuma delas demoníaca.


O sincretismo de Bará com Santo Antônio e São Pedro

Durante a escravidão e a repressão aos cultos africanos, os orixás foram associados a santos católicos como forma de sobrevivência uma estratégia de resistência, não uma fusão de crenças. No Batuque, esse sincretismo recai sobre Bará de forma curiosa, variando conforme a passagem e a casa:

  • As passagens Lanã, Adagué e Agelú costumam ser associadas a Santo Antônio, o santo festejado em 13 de junho, em plena época junina.
  • A passagem Lodê, o Bará da rua, é frequentemente ligada a São Pedro, guardião das chaves uma imagem que conversa diretamente com o orixá que abre e fecha portas.

É fundamental lembrar: dizer que Bará foi associado a Santo Antônio não significa que Bará é Santo Antônio. São figuras de tradições distintas, aproximadas pela história. Para o praticante, Bará segue sendo orixá; o santo é a máscara que protegeu o culto quando ele precisava se esconder.


Perguntas frequentes

Quem é o orixá Bará?

Bará é o orixá dos caminhos, das encruzilhadas e das porteiras no Batuque do Rio Grande do Sul. Mensageiro e guardião, é sempre o primeiro a ser saudado e ofertado em qualquer ritual, pois é quem abre os caminhos para que os pedidos cheguem aos demais orixás.

Qual a diferença entre Bará e Exu?

Bará é o nome do orixá guardião dos caminhos no Batuque gaúcho, cultuado como força da natureza. O Exu da Umbanda e da Quimbanda é uma entidade de gira, que incorpora e dá consulta. No Candomblé, Exu também é orixá. São figuras parentes, mas de tradições diferentes e nenhuma é o diabo cristão.

Quais são as qualidades de Bará?

As passagens mais cultuadas são Bará Lodê (guardião externo, da rua), Bará Adagué (guardião interno, das encruzilhadas), Bará Lanã (guardião da porta, do bom caminho), Bará Agelú (ligado às águas, dia de sexta) e Elegbá (do rito Cabinda). Quais a pessoa cultua se define no jogo de búzios.

Com qual santo Bará é sincretizado?

Depende da passagem e da casa. As passagens Lanã, Adagué e Agelú costumam ser associadas a Santo Antônio (13 de junho), enquanto Lodê, o Bará da rua, é ligado a São Pedro, guardião das chaves. O sincretismo é histórico, não uma equivalência de fé.

Qual a cor, o dia e a oferenda de Bará?

A cor de Bará é o vermelho (com preto em passagens como Lodê), seu dia é a segunda-feira e seu número é o 7. Entre as oferendas mais comuns estão a pipoca (“flores de Bará”), o milho torrado, batatas assadas e a farofa de azeite de dendê.


Onde comprar artigos para Bará

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para saudar e cultuar Bará com respeito:

  • Ferramentas de Bará correntes, chaves e foices em metal para o assentamento
  • Velas vermelhas e vermelho-e-preto nas cores do orixá
  • Azeite de dendê e farinha para a farofa e o trato das oferendas
  • Búzios e moedas para fundamento e oferenda (o número 7)
  • Imagens e guias (contas) nas cores de Bará e dos demais orixás do Batuque

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou fale com a gente pelo WhatsApp, com entrega para todo o Brasil. Quer continuar conhecendo a religião? Explore a categoria Batuque aqui no blog.


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