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Umbanda 13 min de leitura

Dia de Finados na umbanda: o que fazer e o que evitar

No dia de finados na umbanda há quem vá ao cruzeiro das almas e honre Obaluaê. Veja a origem da data, a quimbanda, o candomblé e o que evitar no 2 de novembro.

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Cruz branca de madeira num cemitério ao anoitecer do Dia de Finados, com velas brancas e velas preta e branca acesas na base de pedra, flores brancas e uma tigela de barro com pipoca.

Resumo

Na umbanda, o Dia de Finados é dia de lembrar os mortos e saudar as almas. A data vem do calendário católico e chegou aos terreiros junto com a segunda-feira, o dia das almas. Em 2026, o 2 de novembro cai numa segunda-feira.

Numa pesquisa da UFBA no cemitério de Vitória (ES), umbandistas deixam oferenda no cruzeiro das almas e nas lápides no dia 2, e Obaluaê-Omulu aparece como o orixá homenageado na data. A própria autora avisa que os umbandistas não fazem todos a mesma coisa.

O candomblé não tem Finados na liturgia, segundo as fontes consultadas: o axexê depende da morte do iniciado e o culto de Egungun tem calendário próprio. Nenhuma fonte registra proibição geral de festa ou barulho no dia; o que vale é o preceito da sua casa.

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13 min de leitura

O dia de finados na umbanda é dia de lembrar os mortos e de saudar as almas. A data vem do calendário católico, e a umbanda a absorveu junto com a segunda-feira, que o povo chama de dia das almas. Em 2026 as duas coisas se encontram: o 2 de novembro cai numa segunda-feira.

O que se faz no dia muda de casa para casa, e muda mais ainda de uma tradição para outra. A quimbanda tem o seu povo no cemitério. O candomblé, segundo as fontes que consultamos, não tem Finados na liturgia.


O que o 2 de novembro é para quem é de terreiro

Data: 2 de novembro | Em 2026: segunda-feira | Feriado: nacional, pela Lei 10.607/2002 | Dia das almas na semana: segunda-feira | Orixá homenageado no dia, em casas estudadas em Vitória (ES): Obaluaê-Omulu

TradiçãoO que o dia éO que as fontes registram
Igreja Católicacomemoração de todos os fiéis defuntosmissa, visita ao cemitério, oração pelos mortos
Umbandadata católica absorvida pelos terreirosoferenda no cruzeiro das almas e nas lápides, em Vitória
Povo da calunga (esquerda)dia de ir aos exus e pombagiras do cemitérioregistro de um umbandista em Vitória, no Finados de 2016
Candomblésem Finados na liturgiaalgumas casas marcam a data, outras não

A antropóloga Barbara Thompson, da UFBA, estudou rituais de umbanda no cemitério público Santo Antônio, em Vitória. Apoiada em DaMatta, ela observa que duas datas levam os brasileiros ao cemitério: a segunda-feira, dia de rezar pelas almas do purgatório, e o Dia de Finados. As duas, frisa a autora, são de origem católica. É daí que a umbanda parte.


De onde vem o Dia de Finados

A data nasceu nos mosteiros. Segundo o Vatican News, a celebração litúrgica de um falecido começou no século IX, herança de um costume monástico do século VII. Em 809, o bispo Amalário pôs a memória dos falecidos no dia seguinte ao de Todos os Santos.

A fixação veio em 998. Por ordem do abade de Cluny, Odilo, a solenidade foi marcada para 2 de novembro, com uma novena que começava em 24 de outubro. A Arquidiocese do Rio explica a lógica do par de datas. O dia 1º celebra quem já chegou ao céu. O dia 2 é dos que ainda estão em purificação.

Dois fatos de hoje completam o quadro:

  • Feriado nacional. O 2 de novembro está na Lei 10.607, de 2002, ao lado de datas como o 7 de setembro e o 25 de dezembro.
  • Indulgência de 1 a 8 de novembro. A regra católica, lembrada pelo Vatican News em 2020, dá indulgência plenária a quem visita o cemitério rezando pelos defuntos nesses oito dias. No dia 2, vale também a visita a uma igreja rezando o Pai-Nosso e o Credo. A extensão para o mês inteiro foi uma decisão daquele ano, por causa da pandemia.

Dessa base vem a ideia das almas que pedem reza. A devoção popular herdou essa ideia, e a umbanda também.


O que se faz no Dia de Finados na umbanda

A descrição mais detalhada que encontramos é a de Vitória. No artigo de Thompson, o cemitério vira palco de várias religiões no dia 2. Umbandistas deixam oferendas no cruzeiro e nas lápides, enquanto católicos rezam pelos seus mortos e pelas almas do purgatório.

Para esses umbandistas, o cemitério é a calunga pequena, morada de orixás e entidades. O mar é a calunga grande. Os entrevistados citam como orixás do cemitério Omolu-Obaluaê, Iansã das almas, Nanã, Ogum Megê e Ogum de Ronda. As entidades desse campo são os pretos-velhos, da linha das almas, e os exus. A diferença entre as duas calungas está em calunga grande e calunga pequena.

Obaluaê é o orixá que a pesquisa liga à data. Ali ele é homenageado em 2 de novembro e em 16 de agosto, e atua mais forte nas segundas-feiras. Nenhuma outra fonte que abrimos faz essa ligação com o dia 2. Quem é o dono da terra e da passagem está em quem é Obaluaê (Omulu).

O roteiro registrado em Vitória tem três gestos:

  1. Ir primeiro ao cruzeiro. Dois umbandistas contam que, ao passar o portão, vão direto ao cruzeiro saudar todas as almas.
  2. Bater palmas três vezes, a mão direita na esquerda, para saudar entidade ou orixá.
  3. Oferecer a cada um no seu lugar. Os pretos-velhos recebem vela branca e preta no cruzeiro branco. Obaluaê e Omulu recebem pipoca em alguidar.

A própria autora trava a generalização. Alguns umbandistas dizem que o cemitério é ponto de força só de Obaluaê; outros aceitam oferenda a Iansã e a Nanã.

“Os umbandistas não são uma massa homogênea.” (Barbara Thompson, UFBA, 2019)

A segunda-feira vem da mesma raiz católica. Num estudo de devoção popular no Ceará, Michelle Maia registra que as almas benditas são cultuadas principalmente na segunda, “que é o dia das almas”. Nos terreiros, a saudação aos pretos-velhos carrega a data no nome. O historiador Lourival Andrade Júnior registra que ela termina em “Adorei as almas” na maioria dos terreiros do país.


Quimbanda e o povo da calunga no dia 2

Um aviso antes: as pesquisas que abrimos não estudaram uma casa de quimbanda no Dia de Finados. O que elas registram é o povo da calunga, exus e pombagiras do cemitério, dentro de casas de umbanda e de uma casa com culto quimbandeiro.

O nome da entidade diz onde se trabalha com ela. Em Vitória, Thompson anota nomes como Exu 7 Caveira e Exu 7 Catacumba como sinal de quem atua no cemitério. No Finados de 2016, um umbandista explicou o seu caminho assim:

“quando eu chego, eu vou direto no cruzeiro, que a pombo gira da minha mãe de santo é Maria Padilha do cruzeiro preto.” (João Jorge, em Thompson, 2019)

O mesmo homem tem um Exu Tranca Rua das 7 Catacumbas. Por isso a oferenda dele vai para a sétima catacumba depois do portão.

Numa casa de umbanda com culto quimbandeiro de Bocaiuva (MG), a pesquisa de Fábio Gonçalves registra comida no cemitério para Obaluaiê e os pretos-velhos. Ela vai também para João Caveira, Tranca-Ruas das Almas, Rosa Caveira e Maria Padilha das Almas. E Reginaldo Prandi descreve uma tábua da literatura umbandista com Exus que trabalham sob Omulu, “o senhor dos cemitérios”. Prandi a descreve para mostrar como Exu foi demonizado, e não para endossá-la.

Nenhuma fonte diz que Finados é o dia de Exu Caveira. Quem ele é e por que não é o diabo está em Exu Caveira. E trabalho na calunga se faz com o dirigente, dentro do fundamento da casa, e não por conta própria.


E o candomblé, celebra Finados?

Não como liturgia própria, segundo as fontes consultadas. O culto aos mortos existe, mas não segue o calendário católico.

O axexê depende da morte, não da data. Prandi descreve o axexê como o rito funerário do candomblé de nação queto e das variantes de origem iorubá e fom-iorubá. Ele começa depois do enterro do iniciado e varia de terreiro para terreiro e de nação para nação. Nada no texto o liga ao 2 de novembro. O rito está explicado em o que é axexê.

O culto de Egungun tem casa e calendário próprios. Em Itaparica (BA), o Omo Ilê Agboulá foi fundado em 1934, segundo o parecer de tombamento do IPHAN. O mesmo parecer registra que foi a primeira vez que o órgão tratou de um terreiro que não é de culto aos orixás. Outra casa da ilha, o terreiro Onilá, faz as festas grandes em fevereiro, abril e julho. Em novembro, sempre depois do dia 2, acontecem obrigações. Quem são esses ancestrais está em egum no candomblé.

Cada casa decide. Uma reportagem da Agência Cenarium mostra as duas posições. Uma casa de Manaus faz culto aos ancestrais na véspera e no Dia de Finados; a matéria não informa a nação. Já um babalorixá de Brasília diz que não há dia específico, porque os antepassados são lembrados em todo toque.

“O povo afro religioso respeita o dia 2 de novembro para outras pessoas que não são adeptas.” (babalorixá Ronald Aguiar, à Agência Cenarium, 2023)


O que fazer e o que não fazer no dia 2

Acender vela

A vela aparece nas duas leituras, a da igreja e a do terreiro. Na leitura católica, a vela no túmulo é a luz da ressurreição e a esperança de descanso para as almas. Na umbanda, as fontes não dão uma cor obrigatória. Em Vitória, pretos-velhos recebem vela branca e preta no cruzeiro. Numa casa estudada pela USP, o dirigente repõe todo dia uma vela branca na casa das almas.

Se for acender em casa, com vela de sete dias ou comum, use suporte firme e deixe uns 30 cm de distância de cortina e pano. Apague antes de sair ou dormir, como pede a orientação da U.S. Fire Administration. O passo a passo está em acender vela para as almas.

Rezar: qual oração

Não encontramos, em fonte que pudéssemos citar, uma oração umbandista própria para Finados. Por isso não publicamos nenhuma. Do lado católico, a indicação oficial para o dia 2 é o Pai-Nosso e o Credo. Do lado do terreiro, o que tem registro é a saudação “Adorei as almas”. A reza do dia, se houver, é a que a sua casa ensina.

Pode fazer festa, churrasco ou barulho?

Nenhuma das fontes consultadas registra proibição religiosa geral de festa, churrasco ou barulho no dia 2. O feriado é civil, fixado em lei.

O que as fontes mostram é outra coisa. Para o católico, o dia é de oração e de visita aos mortos. E o babalorixá ouvido pela Cenarium fala em respeitar a data de quem a vive. Na prática, isso pede discrição perto do cemitério e de quem está de luto. Se a sua casa tem preceito para a segunda-feira ou para o dia 2, ele vale mais que qualquer regra de internet.

Ir ao cemitério

Em Vitória, os rituais de umbanda são feitos ao entardecer, quando o cemitério fica mais vazio. Segundo o babalorixá ouvido pela Cenarium, muitos religiosos de matriz africana preferem evitar o cemitério em Finados por causa da intolerância. Oferenda na calunga não se faz por conta própria: pergunte ao seu dirigente o que a casa pede e onde.


A linha das almas, a vela, o cruzeiro e o Exu das Almas

O Dia de Finados puxa quatro assuntos que têm página própria no blog.

A linha das almas. Em muitas casas ela é a linha dos pretos-velhos, que um dirigente paulista chamou de “condutores das almas”. Em outras, junta exus e pretos-velhos na linha de cemitério. E no livro de Leal de Souza, de 1933, ela tinha outro sentido. Quem trabalha nela e quem a rege está em linha das almas na umbanda.

A vela para as almas. Segunda-feira ou dia 2, em casa ou no cruzeiro, branca ou branca e preta: a escolha depende do que a casa manda. As devoções católicas, como a das 13 almas, também entram nessa conta. Tudo isso está em acender vela para as almas.

O cruzeiro. Nos cemitérios do século XIX, a cruz central marcava o campo santo. Há terreiros que têm também a sua casa das almas: numa casa estudada pela USP, ela guarda cruz de aroeira, quartinha, rosário e cachimbo. A história da cruz e quem trabalha ali estão em cruzeiro das almas.

Canto da casa das almas num terreiro de umbanda, com cruz de madeira cravada na terra, rosário pendurado, quartinha de barro, cachimbo e uma vela branca acesa.

O Exu das Almas. “Das Almas” é sobrenome de falange, e vários Exus o carregam. Numa casa de Curitiba, o título vale para Tranca Ruas, João Caveira e Seu Mangueira. O que esse nome diz do trabalho está em Exu das Almas. Se você ainda não sabe qual entidade o acompanha, o teste descubra a sua entidade é um começo.


Perguntas frequentes

O que significa o Dia de Finados na umbanda?

É o dia de lembrar os mortos e saudar as almas, herdado do calendário católico. Em casas estudadas em Vitória (ES), umbandistas vão ao cemitério no dia 2, saúdam as almas no cruzeiro e deixam oferendas ali e nas lápides. O que se faz varia de casa para casa.

Qual orixá é homenageado no Dia de Finados?

Na pesquisa de Barbara Thompson em Vitória, é Obaluaê-Omulu, homenageado em 2 de novembro e em 16 de agosto, com a segunda-feira como seu dia. É registro de campo de uma cidade, não regra nacional. Outros umbandistas ouvidos ali também oferecem a Iansã e a Nanã no cemitério.

Pode acender vela para as almas em casa no Dia de Finados?

Nenhuma fonte consultada proíbe. O estudo de Michelle Maia registra que a intenção às almas é feita nas igrejas e, na mesma medida, em casa. Use suporte firme, longe de cortina e pano, e apague antes de dormir. A cor e o número de velas seguem a orientação da sua casa.

O candomblé comemora o Dia de Finados?

Não como liturgia própria, segundo as fontes consultadas. O axexê, rito funerário do candomblé queto e jeje-nagô, acontece quando morre o iniciado. O culto de Egungun tem calendário próprio. Uma casa de Manaus faz culto aos ancestrais na data; um babalorixá de Brasília diz que os mortos são lembrados em todo toque.

Em que dia da semana cai o Dia de Finados em 2026?

Em 2026, o 2 de novembro cai numa segunda-feira, o dia que a devoção popular e muitos terreiros chamam de dia das almas. A data é feriado nacional pela Lei 10.607, de 2002. Para os católicos, a indulgência ligada à visita ao cemitério vale de 1 a 8 de novembro.


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