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Acender vela para as almas: dia, lugar e o jeito da umbanda

Acender vela para as almas é gesto de segunda-feira, em casa, na igreja ou no cruzeiro. Veja o que muda entre a devoção católica e a umbanda, e o que não fazer.

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Velas brancas acesas no degrau da base caiada do cruzeiro das almas de um cemitério ao anoitecer, ao lado de um ramo de flores brancas.

Resumo

Acender vela para as almas é gesto de segunda-feira, o dia das almas no catolicismo popular, e pode ser feito em casa, na igreja ou aos pés do cruzeiro do cemitério. Nenhuma fonte consultada fixa cor obrigatória nem número de velas.

Na devoção católica, a vela acompanha a reza pelas almas do purgatório, e as 13 almas benditas pedem 13 Pai-Nossos e 13 Ave-Marias por 13 dias, não 13 velas. Na umbanda, a vela vai para a linha das almas e para os pretos-velhos, e o jeito certo é o da casa.

Vela acesa não fica sem ninguém por perto: suporte firme, uns 30 cm de cortina e tapete, nada de vela no quarto, e apagar ao sair do cômodo ou ao dormir, como orientam os bombeiros.

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11 min de leitura

Acender vela para as almas é gesto de segunda-feira, o dia que o catolicismo popular dedica às almas. Faz-se em casa, na igreja ou aos pés do cruzeiro do cemitério, e nenhuma fonte consultada fixa uma cor obrigatória nem um número de velas.

O que muda é para quem a vela vai. Na devoção católica, ela acompanha a reza pelas almas do purgatório. Na umbanda, ela vai para a linha das almas e para os pretos-velhos, e o jeito certo de fazer é o da casa que você frequenta.


Acender vela para as almas: a resposta curta

Dia: segunda-feira | Onde: em casa, na igreja ou no cruzeiro das almas | Cor mais registrada: branca (algumas casas usam branca e preta) | Quantas velas: nenhuma fonte fixa

Em 2026 as duas datas se encontram. O Dia de Finados, 2 de novembro, cai numa segunda-feira, o próprio dia das almas. O que cada tradição faz nessa data está no guia do dia de finados na umbanda.

Antes de acender, responda para quem é a vela: para as almas em geral, para um parente, para as 13 almas benditas ou para a linha das almas do terreiro. Na devoção católica, quem orienta é a reza. Na umbanda, é o dirigente da sua casa.


Por que segunda-feira é o dia das almas

A segunda-feira não é invenção de terreiro nem só costume de avó. A pesquisadora Michelle Ferreira Maia estudou a devoção popular em São Benedito, no Ceará, para a revista Mneme, da UFRN. Ela registra que as almas benditas “são cultuadas principalmente na segunda-feira, que é o dia das almas”.

Maia cita ainda o antropólogo Oscar Calavia Sáez, para quem a segunda é um “dia consagrado pela Igreja ao culto das almas”. É citação de segunda mão, e assim deve ser lida. O ponto dela é outro: a data tem raiz católica, e não só popular.

A umbanda herdou a data e deu a ela mais camadas. Num terreiro de Ribeirão Preto estudado pela USP, o dirigente explica que a segunda é o dia dos pretos-velhos, “que é a energia das almas”. O pesquisador anota que, na mesma casa, a segunda também é dia de Exu e de Obaluaê.

Em Vitória (ES), a pesquisadora Barbara Thompson ouviu o mesmo cruzamento. Para os umbandistas entrevistados, a segunda é dia de Exu; para os católicos, é dia das almas. Ela chama isso de “compartilhamento simbólico” entre as duas religiões.


Almas do purgatório, almas benditas e as 13 almas

Nem toda alma recebe a vela pelo mesmo motivo. A pesquisa de Maia separa dois grupos no catolicismo popular.

  • As almas que pedem reza. São as do purgatório, que recebem rezas e missas para a salvação. A vela, aqui, acompanha o sufrágio.
  • As almas que concedem graças. Estão, na fala dos devotos, “num lugar de luz superior” e ajudam quem pede a sua intercessão.

A expressão “almas aflitas” aparece muito na busca, mas as fontes consultadas não a usam. O que elas descrevem, com outro nome, é o primeiro grupo: as almas que ainda precisam de oração.

A vela para as 13 almas benditas

As 13 almas benditas e santas são, segundo Maia, o caso mais conhecido do segundo grupo. A oração circula em folheto de editora religiosa de São Paulo. A pesquisadora observa que é uma exceção: devoção popular que a oficialidade católica reconhece.

O folheto não pede 13 velas. Ele termina assim:

“Reza-se 13 Pai Nosso e 13 Ave Maria, 13 dias.”

Folheto das 13 almas benditas, transcrito por Michelle Ferreira Maia, Mneme, UFRN, 2011

São 13 orações por 13 dias. Quem acende uma vela junto com a reza faz um gesto de devoção, e o número de velas fica por conta de quem reza.

E a origem? Circula que a devoção nasceu do incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, em 1974. A EBC confirma que há devoção às “treze almas do Joelma”: 13 vítimas nunca identificadas, enterradas lado a lado no cemitério de Vila Alpina. Mas não diz que a oração nasceu ali. A origem da oração não está esclarecida nas fontes consultadas.

A umbanda também usa o número. No terreiro de Ribeirão Preto estudado pela USP, existe a “corrente das treze almas” dentro da linha das almas. É registro de uma casa.


Na umbanda, a vela vai para a linha das almas e os pretos-velhos

No terreiro, acender vela para as almas é trabalho da linha das almas, e quem conduz essa linha são os pretos-velhos. O dirigente da casa de Ribeirão Preto diz assim, na pesquisa de Rafael de Nuzzi Dias: “a casa das almas é uma devoção da linha dos pretos-velhos”. Quem trabalha nessa linha, e por que ela muda de casa para casa, está em linha das almas na umbanda.

A mesma dissertação da USP descreve a casa das almas daquele terreiro, ao lado da tronqueira:

  • uma cruz de aroeira cravada no chão de terra, com um rosário pendurado;
  • uma quartinha de barro com água do lado direito da cruz;
  • um cachimbo e um alguidar;
  • uma vela branca, que o dirigente “repõe diariamente”.

Isso é o que uma casa faz, não uma receita: há ali um fundamento enterrado que só o dirigente conhece. Montar casa das almas é assunto do seu pai ou mãe de santo.

A cor também varia. No cruzeiro de Vitória, os pretos-velhos recebem vela branca e preta, segundo a pesquisa de Thompson. Outras casas ficam só com a branca. O uso e as ervas da bicolor estão na ficha da vela preta e branca. Se ainda ficou em dúvida sobre a cor, o teste de qual vela acender ajuda a começar.

Na gira, os pretos-velhos costumam ser saudados com uma frase que o historiador Lourival Andrade Júnior registra como corrente “na maioria dos terreiros de Umbanda no Brasil”: “Adorei as almas”.


Em casa, na igreja ou no cemitério: onde acender

Nenhuma fonte consultada proíbe acender vela para as almas dentro de casa, nem obriga a ir ao cemitério. Maia registra que as intenções às almas se fazem “nas igrejas, mas na mesma medida em casa, em seu reduto particular e familiar”.

Vela branca acesa em suporte de vidro sobre prato de louça, com uma quartinha de barro e um rosário ao lado, numa prateleira longe da cortina.

Em casa. A vela fica num lugar fixo, firme e seguro, longe do quarto. Muita gente põe um copo d’água ao lado. É costume que circula, mas a fonte que encontramos fala de outra coisa: a quartinha com água na casa das almas de um terreiro.

Na igreja. É onde se marcam e se celebram as intenções pelas almas, segundo a mesma pesquisa. A vela, ali, segue a regra da paróquia.

No túmulo. Para a Arquidiocese do Rio, as velas acesas nos túmulos simbolizam a fé na ressurreição dos mortos. E também a esperança de que as almas descansem em paz junto de Deus.

No cruzeiro. Thompson descreve o cruzeiro das almas do cemitério Santo Antônio, em Vitória, como uma grande cruz branca a cujos pés as pessoas acendem velas para todas as almas. Ali o cruzeiro permite lembrar também quem foi enterrado em outros cemitérios. A história dessa cruz está em cruzeiro das almas.

Nesse cemitério há dois cruzeiros, um da linha branca e outro de Exu, ou linha preta, e a autora avisa que isso só acontece em alguns lugares. Na pesquisa, a oferenda aos pretos-velhos vai ao cruzeiro branco.

Pode acender vela de 7 dias para as almas?

Pode. Nenhuma fonte consultada proíbe, e a vela de sete dias serve à intenção de quem acende. O que muda é o cuidado: são dias de chama acesa, e alguém precisa estar por perto o tempo todo. O passo a passo, do plástico ao prato, está em como acender vela de sete dias. Se a sua casa pediu a vela por sete dias, combine com o dirigente onde ela fica e quem cuida.


A vela no Dia de Finados

No 2 de novembro, o cemitério se enche de vela. Em São Benedito, uma devota contou a Maia como fica o túmulo mais visitado da cidade: “dia de finados as velas correm do túmulo para o chão”.

Para a Igreja, a vela no túmulo é sinal da luz da ressurreição e da vida eterna. Para a umbanda estudada em Vitória, o dia tem outra camada. Thompson registra que, “especialmente no dia dois de novembro”, umbandistas deixam oferenda no cruzeiro e nas lápides, enquanto católicos rezam pelos seus mortos e pelas almas do purgatório.

Ela anota ainda a ordem do gesto nos túmulos cultuados: “o primeiro a ser feito é acender as velas”. A oferenda vem depois.

Aqui vale a regra da casa. Acender vela no túmulo de um parente é devoção de qualquer pessoa. Oferenda e trabalho no cemitério são assunto de terreiro, com dirigente, e não de artigo. O que a umbanda, a quimbanda e o candomblé fazem, e o que não fazem, no 2 de novembro, está no guia do Dia de Finados na umbanda.


O que não fazer ao acender vela para as almas

A maior parte dos erros com vela é de segurança, não de fundamento. As orientações abaixo são da U.S. Fire Administration, agência federal de bombeiros dos Estados Unidos, e da cartilha do Corpo de Bombeiros de Goiás.

  • Não deixe vela acesa sem ninguém por perto. A agência americana manda apagar ao sair do cômodo ou de casa, e ao ir dormir.
  • Não acenda no quarto nem no banheiro. A mesma agência pede nada de vela acesa em quarto, banheiro e área de dormir.
  • Não use suporte bambo. A vela vai num suporte estável, onde não possa ser derrubada.
  • Não acenda perto de pano. São cerca de 30 cm de tudo o que queima. Os bombeiros de Goiás descrevem a cena clássica: vento move a cortina, ela encosta na chama. Longe de cortina, tapete e toalha.

E há o que não fazer por respeito:

  • Não trate a vela como troca. Vela para as almas acompanha reza e lembrança. Não é pagamento por um pedido, e nenhuma fonte promete resultado.
  • Não copie o cruzeiro do terreiro em casa. A casa das almas descrita pela USP tem fundamento da casa. Isso se monta com o dirigente.

Para as almas, a vela acompanha a reza. Quem acende cuida da chama até o fim, ou apaga e reacende depois.


Perguntas frequentes

Pode acender vela para as almas dentro de casa?

Pode. A pesquisa de Maia, na UFRN, registra que as intenções às almas se fazem nas igrejas e também em casa. Escolha um lugar firme, longe de cortina e fora do quarto, e apague a vela quando sair do cômodo ou for dormir, como orientam os bombeiros.

Qual a cor da vela para as almas?

Nenhuma fonte consultada fixa uma cor obrigatória. A branca é a mais registrada: numa casa de umbanda estudada pela USP, o dirigente repõe uma vela branca todo dia na casa das almas. Em Vitória, os pretos-velhos recebem vela branca e preta no cruzeiro. Siga a orientação da sua casa.

Quantas velas acender para as 13 almas benditas?

O folheto da oração, transcrito em pesquisa da UFRN, não fala em velas. Ele pede 13 Pai-Nossos e 13 Ave-Marias, rezados por 13 dias. São 13 orações, não 13 velas. Quem acende vela junto faz um gesto de devoção, e a quantidade fica por conta de quem reza.

Qual o melhor dia para acender vela para as almas?

A segunda-feira, dia das almas no catolicismo popular. Na umbanda, a segunda também é o dia dos pretos-velhos em muitas casas. Em 2026, o Dia de Finados, 2 de novembro, cai justamente numa segunda-feira, e junta as duas datas.


Vela branca, vela preta e branca, vela de sete dias, quartinha, rosário e imagem de preto-velho estão na loja em Extrema-MG. Se a sua casa pediu material para a segunda das almas ou para o 2 de novembro, é só chamar no WhatsApp da Joia Mística Laroyê.

Referências

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