Joia Mística Laroyê
Umbanda 8 min de leitura

Omolu na umbanda: cor, vela, dia e quem desce na gira

Omolu na umbanda, também chamado Obaluaê, tem cor preta e branca, vela branca e preta e a segunda-feira. Veja quem desce na gira e por que não é o Exu Omulu.

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Congá caiado de terreiro de umbanda à noite com guia de contas pretas e brancas num pires, vela branca acesa, alguidar de pipoca e folhas de mamona.

Resumo

Na umbanda, Omolu, também chamado Obaluaê ou Omulu, é o orixá da cura e da terra, saudado com Atotô. As codificações antigas não dão a ele uma linha própria, e casas como a NUSS o põem na linha de Oxalá. Quem desce por ele são pretos-velhos e falangeiros que chegam curvados, com a cabeça coberta por pano branco.

As casas citadas dão preto e branco como cor, vela branca ou branca e preta e a segunda-feira como dia. As datas mudam de casa para casa: 2 de novembro, 16 de agosto e 17 de dezembro são as mais citadas.

O orixá Omolu não é o Exu Omulu, chefe da linha dos cemitérios na quimbanda. Cor, oferenda e santo seguem o que a sua casa ensina.

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8 min de leitura

Omolu na umbanda é o orixá da terra, das doenças e da cura, também chamado Obaluaê ou Omulu, saudado com “Atotô, meu senhor”. As casas citadas aqui dão a ele o preto e o branco e a segunda-feira. Quem desce por ele na gira são pretos-velhos e falangeiros cobertos de pano. E o orixá não é o Exu Omulu da quimbanda.


Quem é Omolu na umbanda

Nas casas de umbanda citadas aqui, Omolu é o orixá da doença e da cura que também encaminha as almas dos mortos. É o mesmo “orixá da varíola, pragas e doenças” do candomblé, cultuado de outro jeito. A história dele e as duas faces estão em quem é Obaluaê.

O Núcleo Umbandista São Sebastião (NUSS), de São Paulo, usa três nomes para ele, “sendo Omulú o mais ouvido”. A federação paulista FUCESP escreve que “falar em Obaluaê ou Omulú é falar no mesmo Orixá”. Para ela, Obaluaê é a face jovem e guerreira, e Omulu, a face velha, de sábio e guardião. Para o NUSS, Omulú e seus seguidores “encaminham as almas dos recém falecidos ao mundo espiritual”.

“Não há doença que venha me vencer / Sou protegido (a) de Obaluaê.” Hino dos Orixás, cantado em terreiros de umbanda, segundo Baldiotti (UNINCOR, 2020)


Em que linha fica Omolu

Depende da codificação. Nas mais antigas, ele não tem linha própria. Em 1933, Leal de Souza listou sete linhas: Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Iansã, Iemanjá e “a linha de Santo, também chamada de Linha das Almas”. A lista de Matta e Silva, resumida pela pesquisadora Sônia Lages (UFJF), também deixa Omulu de fora. A comparação está em as 7 linhas da umbanda.

Casas mais novas põem o orixá dentro de outra linha. O NUSS escreve “Omulú e Ibeji na Linha de Oxalá”. No Santuário Nacional da Umbanda, é a ele, junto com Iansã, que se entrega a oração pelos desencarnados. Essa ligação está em linha das almas na umbanda.

Na Umbanda Sagrada, a escola de Rubens Saraceni, os dois nomes viram dois orixás. Obaluaiyê fica na linha da Evolução, que ele forma com Nanã, “a sexta linha de Umbanda”. Omulú “rege a morte” e forma par com Yemanjá na linha da Geração, a sétima. Esse desenho é da Umbanda Sagrada, não de toda a umbanda.


Omolu incorpora? Quem desce na gira

Na maioria das casas citadas, quem chega são guias da vibração dele. Para o NUSS, “a evocação é sempre feita pelos guias”, e muitos pretos-velhos trabalham na vibração de Omulú. A linha deles está em pretos-velhos na umbanda.

Num terreiro de Ribeirão Preto (SP), estudado por Rafael de Nuzzi Dias (USP), os pretos-velhos de Obaluaê incorporam logo no início da gira. Essas entidades circulam “ligeiramente curvadas” pelo congá, e as energias ruins vão ser “descarregadas na terra da calunga”.

A FUCESP descreve os falangeiros de Obaluaê: entidades “que chegam curvadas”, em geral com a cabeça “coberta por um pano branco”. Para o Santuário, a imagem do orixá é a de um homem curvo que não mostra o rosto e “esconde-se embaixo de um pano quando incorpora”.

Pintura sacra de Omolu coberto de palha da cabeça aos pés, de perfil e curvado, diante do congá de um terreiro caiado.

Há casa que reserva a ele um cômodo. No Grupo de Umbanda Aprendizes do Amor, em Vila Velha (ES), a casa de Omulu fica fora do salão. Na abertura da gira, o caboclo incorporado “saúda os quartos de Exu, de Omulu e de Egungun”. Se a dúvida é sobre a sua gira, pergunte ao dirigente.


Cor, vela, dia e datas de Omolu na umbanda

Cor: preto e branco | Vela: branca, ou branca e preta | Dia: segunda-feira | Saudação: Atotô

  • Cor. O NUSS e a FUCESP dão preto e branco; a FUCESP lembra que o candomblé usa também o vermelho.
  • Vela. O NUSS usa velas “brancas ou brancas e pretas”. A Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina (TUCTVC), de São José dos Campos (SP), acrescenta a palha. A quem não sabe lidar com a vela de duas cores, o NUSS diz: “use somente a cor branca”. Outras cores estão em qual vela acender.
  • Saudação. “Atotô, meu senhor” no NUSS e “Atotô Abaluaiê” no Santuário. As outras estão em saudação dos orixás.
  • Dia. A segunda-feira, na FUCESP e no Santuário.
  • Datas. A FUCESP dá 2 de novembro e 17 de dezembro. A TUCTVC dá 16 de agosto e 17 de dezembro. Em Barreiras (BA), casas de umbanda e de candomblé fizeram em agosto de 2025 uma gira na praça para Omulu, fechada com banho de pipoca. Finados está em dia de Finados na umbanda.

O santo também muda. Leite registra, no imaginário baiano, Omolu com São Lázaro e Obaluaê com São Roque. A TUCTVC faz o inverso. A mesma casa avisa que o sincretismo “não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade”. As histórias estão em São Lázaro e Obaluaê e São Roque e Obaluaê.


Omolu no cemitério e no cruzeiro das almas

Nas casas citadas, o cemitério é o campo de força dele. O Santuário escreve que esse campo “é o cemitério (calunga pequena)”. A FUCESP diz que, ao entrar num cemitério, se saúda Obaluaê. As duas calungas estão em calunga grande e calunga pequena.

No cemitério de Vitória (ES), a pesquisadora Barbara Thompson ouviu que Obaluaê-Omulu “atua no portão e no cruzeiro das almas”. Lá, ele é homenageado em 2 de novembro e 16 de agosto. Ela viu alguidar com pipoca no cruzeiro branco. O lugar está em cruzeiro das almas. A TUCTVC pede que o cemitério seja tratado “com respeito e nunca com curiosidade imprudente”.

A oferenda segue a casa. Na FUCESP, leva pipoca no dendê e sem sal, velas brancas e pretas, flores brancas e água, de preferência no cruzeiro do cemitério. Na Umbanda Sagrada, Saraceni põe para Obaluaiyê coco fatiado com mel e pipocas. O prato inteiro está em oferenda para Omolu. Para conferir o material que a casa pediu, a Joia Mística Laroyê ajuda pelo WhatsApp. A TUCTVC lembra que a força do orixá “não substitui tratamentos médicos”.


Omolu não é o Exu Omulu

São dois. O NUSS escreve que o orixá “não deve ser confundido com a entidade conhecida como Exú Omulú, chefe da linha dos cemitérios da Quimbanda”. O exu com esse nome “é simplesmente o exú que desenvolve os seus trabalhos nos cemitérios”.

A ligação existe. Reginaldo Prandi (USP) resume a literatura umbandista que fala em “exus que trabalham sob as ordens do orixá Omulu”. Para a FUCESP, a falange dos Caveiras é “submissa” a Obaluaê. Em Porto Alegre, a Lei 13.416/2023 criou o Dia Municipal do Exu Sr. Velho Omulu, 13 de agosto, data de Exu e não do orixá.

Um exu da falange dos Caveiras está em Exu Caveira, e a outra tradição, em o que é quimbanda.


O que muda do Omolu do candomblé

Na tabela de Prandi para o candomblé queto, a roupa de Omulu é “vermelho, branco e preto, com capuz de palha”. A pipoca muda de lugar: o NUSS escreve que a pipoca no dendê para descarrego é do candomblé e que “na Umbanda é raro esse tipo de descarrego”.

A festa do banquete está em Olubajé, e o temperamento de quem é do santo, em filhos de Omolu.


Perguntas frequentes

Qual a cor de Omolu na umbanda?

Preto e branco, na FUCESP e no NUSS. O Santuário Nacional da Umbanda dá o preto, e a TUCTVC põe a palha junto na vela. O vermelho entra no candomblé, segundo a FUCESP. Vale a cor que a sua casa usa.

Qual o dia de Obaluaê na umbanda?

A segunda-feira, nas casas e federações citadas. As datas do ano mudam de casa para casa. A FUCESP dá 2 de novembro e 17 de dezembro. A TUCTVC dá 16 de agosto e 17 de dezembro.

Omolu é o mesmo que Exu Omulu?

Não. O NUSS separa o orixá Omulú do Exu Omulú, chefe da linha dos cemitérios na quimbanda. Na literatura umbandista resumida por Prandi, há exus que trabalham sob as ordens do orixá, e a FUCESP põe os Caveiras como submissos a ele.


Referências

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