Os símbolos de Exu no candomblé são o ogó, a laterita, os búzios, a cabaça, a chave e as cores vermelho e preto. Na umbanda e na quimbanda, são o tridente, a capa, a cartola e a caveira. A lista muda porque são duas camadas: o orixá e o guardião.
Quais são os símbolos de Exu
Cada camada tem os seus. No candomblé, Exu é orixá; na umbanda, o exu é o guardião da linha de esquerda. A diferença está em quem é Exu.
- Do orixá, no candomblé: ogó, laterita, cabaça, caracol, búzios, chave, as cores vermelho e preto e o chapéu de duas cores [C25, D1, D2, D7, D10, D14, D4].
- Do guardião, na umbanda e na quimbanda: tridente, capa preta e vermelha, cartola, bengala, caveira, cruz e o ponto riscado de cada um [C11, D9, D17, D20, C12].
Reginaldo Prandi resumiu os símbolos do orixá, no candomblé, em uma linha da Horizontes Antropológicos: “Seus símbolos são um porrete fálico e tridentes de ferro”.
O ogó: o bastão de Exu
O ogó é o bastão que Exu leva na mão, símbolo do orixá. Prandi o chama de porrete. Nas festas de candomblé, com o aumento das iniciações para Exu, o orixá aparece de chapéu cônico, saia vermelha e preta bordada com búzios e o bastão na mão.
As fontes não dão uma definição só:
- Bastão nodoso. Em 1884, o padre Baudin registrou um dos nomes de Exu: “Ogongo Ogó, o gênio do bastão nodoso”.
- Falo do montículo. Vagner Gonçalves da Silva descreve o culto na África, entre os fon e os iorubás. Lá, Exu é cultuado num montículo de terra em forma de cabeça, “de onde se projeta um grande falo (ogó)”.
- Bastão de dança. O Museu de Arte de Cleveland guarda um bastão de dança iorubá para Exu, do século XIX, de madeira, couro, búzios e sementes. O museu explica que a fartura de búzios quer dizer que Exu traz riqueza.
A descrição do ogó como “bastão com cabaças” circula, mas vem da Wikipédia. As fontes acadêmicas descrevem o bastão sem cabaças. As ferramentas de outros orixás estão em ferramentas dos orixás.
Laterita, cabaça, caracol e búzios
Esses símbolos aparecem menos que o tridente, e todos são do orixá.
- Laterita. Iangui, “o primeiro da Criação”, é “representado pela laterita”, pedra avermelhada. No candomblé queto, o assentamento de Exu é “laterita enterrada e garfos de ferro em alguidar de barro”. Quem faz e onde ele fica estão em assentamento de Exu.
- Cabaça. Igbá Quetá é “o Exu da cabaça-assentamento”.
- Caracol. Ocotó é “o patrono da evolução, representado pelo caracol”.
- Búzios. Na África, Exu também é cultuado numa estátua “enfeitada por búzios”. Nos assentamentos antigos do Brasil, havia um bolo de argila em forma de cabeça, “com os olhos e a boca feitos por búzios”.
Os três nomes, Iangui, Igbá Quetá e Ocotó, estão na lista que Prandi registrou no artigo Exu, de mensageiro a diabo, com o ogã Gilberto de Exu [D1, D2]. Os outros nomes estão em nomes de Exu.

Cores, dia, saudação e o chapéu de duas cores
Cores: vermelho e preto | Contas: vermelhas e pretas alternadas | Dia: segunda-feira | Saudação: Laroyê [D14, D15, D16]
A cor da guia e as variações por casa estão em guia de Exu. A data anual está em dia de Exu.
O chapéu de duas cores vem de um mito que Prandi diz ser muito conhecido nos candomblés. Exu passa entre dois amigos com um gorro de uma cor de cada lado. Os dois brigam, porque cada um viu uma cor. Na versão registrada por Baudin em 1884, o gorro era “de brilhante brancura de um lado e completamente vermelho do outro”.
A chave: de São Pedro ao Bará do Mercado
A chave chegou a Exu por dois caminhos. O primeiro é o sincretismo. Nele, Exu foi ligado a santos que abrem caminhos, entre eles São Pedro, “o porteiro que carrega as chaves do céu”.
No batuque gaúcho, o Exu é o Bará, que tem artigo próprio em quem é Bará. O antropólogo Vitor Queiroz, da UFRGS, disse à revista Nonada: “Ele é associado à chave, porque se ele não abrir ou fechar, nada acontece”.
No centro do Mercado Público de Porto Alegre, sete chaves formam um mosaico de pedras, construído em 2013, no lugar onde o Bará está assentado. Em 2020, o Bará do Mercado foi tombado como patrimônio histórico-cultural da cidade.
O tridente, em poucas palavras
O tridente é o símbolo do guardião mais conhecido, e o garfo da Pombagira tem duas pontas ou é arredondado [C11, C27]. Num estudo de 318 pontos riscados de Exu, só dois não tinham tridente.
A origem é disputada. Para Prandi, Exu recebeu o tridente de ferro, que na cristandade era o símbolo do diabo. Para Silva, há imagens de Exu com chifres na África ocidental desde pelo menos o século XIX. As duas leituras, com o ferro e a forma, estão em tridente de Exu.
Capa, cartola e bengala: a roupa do guardião
A capa do guardião é preta de um lado e vermelha do outro. Silva lê a capa pela duplicidade. Ela é assim “como o chapéu bicolor que Exu usa”. O guardião herda do mito do orixá o lado duplo.
Cartola, bengala e sapato têm data. Emerson Giumbelli e Leonardo Oliveira de Almeida estudaram uma casa de Porto Alegre para a Revista de Antropologia. A partir dos anos 1960, a casa passou a construir a imagem do “exu rei”:
“Ele pedia e ele foi ganhando roupa, capa, cartola, sapato, charuto bom, uísque bom. Há 50 anos não tinha nada disso”
Dirigente de uma casa de Porto Alegre, no estudo de Giumbelli e Almeida
Em 1967, na mesma casa, capa, chapéu, bengala e sapato eram dados ao Exu como axé, por mérito, pelos trabalhos prestados. Capa, imagem de Exu e vela preta e vermelha se compram na loja. O que vai para a sua casa, quem decide é o dirigente.
Caveira, cruz e o ponto riscado: o símbolo de cada Exu
Quem busca o símbolo de Exu Caveira, de Tranca Rua ou de Tiriri quer, quase sempre, o ponto riscado da entidade. Silva define os pontos riscados como “emblemas elaborados pelos Exus para se identificarem quando incorporam em seus filhos”, sobretudo na umbanda.
Luiz Andrade Júnior estudou 318 pontos riscados de Exu na revista Mouseion. Neles aparecem estrela, cruz, caveira, cobra, lua, cartola, coroa, cadeado, ferradura e o tridente, entre outros. A cruz está em 142 dos pontos, e os nomes com cemitério, calunga e caveira marcam o Exu ligado à morte.
O blog não publica ponto de guardião para copiar. O que é e como se lê está em ponto riscado na umbanda, o que as pesquisas dizem dos traços de Exu em pontos riscados de Exu, e a falange do cemitério, em Exu Caveira.
Perguntas frequentes
Qual é o símbolo de Exu orixá?
O ogó, o bastão que Exu leva na mão, e a laterita, a pedra que representa Iangui, o primeiro da Criação. No candomblé queto, Prandi lista também os tridentes de ferro. Búzios, cabaça e as cores vermelho e preto completam o conjunto do orixá.
Para que serve o ogó de Exu?
Nas festas de candomblé, Exu aparece com o bastão na mão, junto com o chapéu cônico e a saia vermelha e preta bordada com búzios. Na África, bastões de dança para Exu enfeitados de búzios falam da riqueza que ele traz.
Qual a diferença entre o símbolo de Exu e o de Pombagira?
O garfo de Exu tem três pontas. O da Pombagira tem duas pontas ou é arredondado, conforme a fonte e a casa. Na umbanda, os dois aparecem nas estátuas de ferro e nos pontos riscados.
Qual é o símbolo de Exu Caveira?
É o ponto riscado dele, o emblema que a entidade risca para se identificar. Nos pontos de Exu ligados ao cemitério, aparecem caveira e cruz. O blog não publica ponto de entidade para copiar: o ponto se aprende na casa.
Quais são as cores de Exu?
Vermelho e preto, nas roupas e nas contas alternadas, no candomblé queto e na umbanda. A capa do guardião repete as duas cores, uma de cada lado.
Referências
- Reginaldo Prandi: Deuses africanos no Brasil contemporâneo, Horizontes Antropológicos, 1995
- Reginaldo Prandi: Exu, de mensageiro a diabo, Revista USP, 2001
- Vagner Gonçalves da Silva: Exu do Brasil, Revista de Antropologia, 2012
- Emerson Giumbelli e Leonardo Oliveira de Almeida: O enigma da quimbanda, Revista de Antropologia, 2021
- Luiz Andrade Júnior: Pontos riscados e nominações, Mouseion, 2015
- Cleveland Museum of Art: bastão de dança para Exu, século XIX
- Revista Nonada: o Bará do Mercado, 2022