O dia de Exu na semana é a segunda-feira, na umbanda e no candomblé. No ano, a data é 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo que o sincretismo afro-brasileiro aproximou do orixá dos caminhos e da comunicação.
O 13 de junho nasceu da devoção popular e não existe como data oficial nacional. Pelotas, no Rio Grande do Sul, criou por lei municipal o Dia do Orixá Bará nesse dia. Para conhecer a divindade a fundo, a origem iorubá e o preconceito que a pintou de diabo, veja Quem é Exu.
Dia de Exu na semana ou no ano? A diferença que confunde
Esta é a dúvida que mais aparece quando o assunto é “qual o dia de Exu” e ela tem duas respostas, porque são duas coisas distintas.
O dia da semana consagrado ao orixá é a segunda-feira. Isso vale tanto no candomblé quanto na umbanda: é o dia em que tradicionalmente se acende vela, se faz a saudação e se cuida do assentamento. Segunda é o começo da semana, e ele é o senhor dos começos nada mais coerente.
Já o 13 de junho é uma data comemorativa anual, ligada ao sincretismo com Santo Antônio. Uma coisa não substitui a outra: você pode saudar o mensageiro toda segunda-feira do ano e fazer uma homenagem especial no 13 de junho. Pense na diferença entre rezar todo domingo e celebrar o Natal a frequência semanal e a data anual convivem sem competir.
Laroyê Exu! É assim que se saúda o orixá do iorubá, algo como “Salve o mensageiro!”. A resposta tradicional é “Exu é Mojubá”, que carrega o sentido de “eu te respeito, Exu”.
Por que 13 de junho é o Dia de Exu
O 13 de junho é, no calendário católico, o dia de Santo Antônio santo nascido em Lisboa e morto em 13 de junho de 1231, conhecido como casamenteiro e como aquele que “encontra o que está perdido”. No processo de sincretismo que marcou a diáspora africana no Brasil, vários orixás foram aproximados de santos católicos como forma de resistência e sobrevivência do culto. Santo Antônio, por sua função de destravar e abrir caminhos e por seu apelo casamenteiro, foi associado a Exu, o orixá que rege a comunicação, as encruzilhadas e o movimento.
Daí nasce o costume de tratar o 13 de junho como Dia de Exu. É importante dizer com honestidade: não existe um “Dia Mundial de Exu” ou “Dia Nacional de Exu” instituído oficialmente em âmbito federal. A data é uma construção popular e sincrética herança do calendário católico reapropriada pela fé afro-brasileira, não uma data própria da tradição iorubá original. Reconhecer isso não diminui a celebração; apenas a coloca em seu devido lugar histórico. Como mostra o sociólogo Reginaldo Prandi no ensaio Exu, de mensageiro a diabo, foi o olhar colonial e não a tradição iorubá que tentou rebaixar o orixá a figura demoníaca.
A associação vale com mais força na umbanda (sobretudo no Sudeste e no Norte) e no batuque do Rio Grande do Sul, onde o orixá é cultuado sob o nome de Bará. Vale registrar a pluralidade: na Bahia, Santo Antônio costuma ser sincretizado com Ogum, não com o senhor das encruzilhadas. O sincretismo nunca foi uniforme variou de região para região e de casa para casa. Se você quer entender o panorama completo das pontes entre santos juninos e orixás, leia também Santos juninos e orixás.
O Dia do Bará: quando uma cidade oficializou a data
Há um caso concreto que mostra como a data vem ganhando reconhecimento institucional. A cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, instituiu por lei o “Dia do Orixá Bará”, celebrado anualmente em 13 de junho. A Lei Municipal nº 7.025/2022 incluiu a data no calendário oficial de eventos do município apontada como a primeira lei do tipo no Brasil.
A justificativa registrada na própria tramitação resume bem o espírito da celebração: “No Brasil todo, o dia 13 é Dia de Santo Antônio, mas em Pelotas é Dia do Bará.” No batuque gaúcho, Bará é o nome de Exu. A cidade tem uma devoção viva ao Pai Bará do Mercado Central, ponto de fé que reúne procissão anual e está em processo de reconhecimento como patrimônio imaterial do estado.
Vale a ressalva honesta: é uma lei municipal, válida em uma cidade não uma efeméride nacional. Mas é prova de que o 13 de junho como dia do orixá/Bará é mais que folclore: é fé organizada, com história e território. Para entender melhor essa tradição do Sul, veja O que é o Batuque, a nação onde o mensageiro é o Bará.
Ficha técnica de Exu
Antes de homenagear, vale ter à mão os fundamentos do orixá as cores, o dia e os elementos que orientam qualquer saudação.
Cores: vermelho e preto | Dia da semana: segunda-feira | Elemento: fogo e movimento | Domínios: encruzilhadas, caminhos, portas, comunicação | Símbolo: ogó (bastão com cabaças) | Saudação: Laroyê Exu!
Nomes e caminhos: Exu (do iorubá Èṣù), Elegbá/Elegbara, Bará (no batuque do Rio Grande do Sul), Exu Odara, Exu Lonan (dono dos caminhos), Yangi. Sincretismo: Santo Antônio na umbanda, no batuque gaúcho e no Norte; Ogum na Bahia.
A oferenda ritual mais tradicional, no candomblé ketu, é o padê do iorubá ipadé, “reunião” uma farofa feita com azeite de dendê, oferecida para “acalmar” o orixá e abrir o caminho dos trabalhos. É ele o primeiro a comer e o primeiro a ser saudado em qualquer ritual: sem ele, nada começa.
Como honrar Exu em 13 de junho
Homenagear o orixá é gesto de respeito e de constância, nunca uma barganha por resultado garantido. A tradição diz que Exu respeita quem o respeita e isso se constrói com carinho e regularidade, não com pressa. Veja formas simples e seguras de marcar a data em casa:
- Acenda uma vela vermelha ou preta, as cores do orixá, em lugar tranquilo e seguro. Sobre o sentido de cada cor, vale o nosso guia de velas rituais e seus significados.
- Faça a saudação com fé: diga “Laroyê Exu!” ao acender a vela, ao iniciar algo importante ou ao passar por uma encruzilhada.
- Monte um pequeno altar respeitoso, com a vela e, se desejar, um copo de água limpa. Simplicidade com reverência vale mais que excesso sem fundamento.
- Cultive a constância: lembrar do mensageiro nas segundas-feiras ao longo do ano honra mais do que uma única oferenda farta no 13 de junho.
Um ponto importante de respeito e segurança: oferendas rituais de fundamento como o padê assentado, o ebó ou o despacho em encruzilhada são preceito de terreiro e seguem a orientação de cada casa. Não são algo para um leigo improvisar sozinho. Se você sente o chamado de aprofundar a devoção, procure uma casa séria e converse com um pai ou mãe de santo. Em casa, vela, água, saudação e respeito são o caminho seguro.
Dica: trate o orixá com afeto e sem pressa. A força dele está nos caminhos que abre quando há respeito e merecimento não em fórmulas de resultado imediato.
Perguntas frequentes
Qual é o dia de Exu?
Há duas respostas. Na semana, o dia de Exu é a segunda-feira, válida no candomblé e na umbanda. No calendário anual, o 13 de junho é celebrado como Dia de Exu pelo sincretismo com Santo Antônio. São datas que convivem: a segunda é a frequência semanal; o 13 de junho é a homenagem do ano.
Dia de Exu é o mesmo dia de Santo Antônio?
Sim, pelo sincretismo. O 13 de junho é o dia de Santo Antônio no calendário católico, e na umbanda e no batuque gaúcho o santo foi associado a Exu/Bará. Importante: associação não é equivalência Santo Antônio foi aproximado do orixá, mas cada um pertence à sua própria tradição.
Como saudar Exu em casa?
Diga “Laroyê Exu!” com fé, acendendo uma vela vermelha ou preta em lugar seguro. A resposta tradicional é “Exu é Mojubá”. Um copo de água limpa e um pequeno altar respeitoso completam o gesto. Trabalhos rituais mais profundos devem ser orientados por uma casa de santo.
Qual o melhor dia para acender vela para Exu?
A segunda-feira é o dia da semana consagrado ao orixá, ideal para acender vela e fazer a saudação. No 13 de junho, a vela ganha o sentido especial da data anual. Em qualquer caso, o que importa é a intenção sincera e o respeito.
Onde homenagear Exu com os itens certos
Na Joia Mística Laroyê, você encontra o necessário para honrar o orixá com respeito:
- Velas vermelhas e pretas as cores de Exu, em tamanhos variados
- Imagens e assentamentos de Exu para seu altar ou ponto de devoção
- Guias e firmas contas nas cores do orixá
- Ervas e defumadores para preparar o ambiente da homenagem
- Charutos e velas de sete dias itens tradicionais de devoção
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Referências
- Reginaldo Prandi: Exu, de mensageiro a diabo, ensaio sobre a demonização do orixá
- Câmara Municipal de Pelotas: Lei Municipal nº 7.025/2022, que institui o Dia do Orixá Bará