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Candomblé 10 min de leitura

Olubajé: o banquete de cura de Omolu no candomblé

Olubajé é o grande banquete de cura de Omolu (Obaluaê), celebrado em agosto no candomblé. Entenda o significado, quando acontece e o que se come no rito.

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Banquete de olubajé com pipoca branca, ipetê e folhas de mariô espalhadas sobre esteira, o axé de cura de Omolu.

Resumo

O Olubajé é uma das cerimônias públicas mais majestosas, comoventes e sagradas do Candomblé, celebrada em agosto na maioria das casas para homenagear Pai Obaluaê/Omolu e clamar pela cura de todas as enfermidades.

No ritual, o Rei da Terra e todos os demais Orixás dançam no barracão enquanto as filhas de santo servem um banquete comunitário a todos os presentes, com comidas votivas servidas em folhas de mamona, destacando-se a pipoca (doburu), acaçás, feijão preto e caruru.

Todos comem com as mãos em sinal de humildade e respeito absoluto perante o Senhor da Vida e da Morte, recebendo a bênção da saúde física, a purificação de carmas pesados e a dispersão de doenças contagiosas.

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10 min de leitura

O Olubajé é o banquete de cura de Omolu, comemorado em agosto na maioria dos terreiros de candomblé, muitas vezes perto de 16 de agosto. Nele, o orixá da terra e da saúde reparte com a comunidade a comida que afasta a doença, num grande ebó coletivo.

O prato símbolo é o deburu, a pipoca de Omolu, servido na folha de mamona e comido com as mãos. Cada casa marca a sua data, e nem sempre é agosto.


O que é o Olubajé

O Olubajé é o banquete ritual de cura e partilha dedicado a Omolu (também chamado Obaluaê), realizado uma vez por ano na maioria dos terreiros de candomblé. O babalorixá e historiador Amaro Silva, ouvido pela Alma Preta, explica a palavra: “Olú”, aquele que; “Ba”, aceita; “Je”, comer. A mesma reportagem o chama de “o grande banquete do rei”. O itã que ele conta explica a festa: depois de ser deixado de fora de uma festa de Xangô, Omolu aceitou dar “uma vez por ano uma festa em que todos os orixás seriam reverenciados e servidos, com exceção de Xangô”. A Wikipédia, no verbete do Olubajé, registra o mesmo: todos os orixás participam, “com exceção de Xangô”.

Ele funciona em duas camadas ao mesmo tempo. É uma festa pública, com cantigas, dança e fartura, e é um grande ebó coletivo, uma oferenda de saúde que pede o afastamento da doença e da morte para todos os presentes. Como ensina o orixá Obaluaê (Omulu), senhor da cura, a doença e a cura caminham pelas mãos do mesmo orixá, e o Olubajé é o momento do ano em que essa cura se reparte como alimento.

O que é: banquete ritual de cura | Quando: agosto na maioria das casas, com registro de Olubajé em janeiro | Orixá: Omolu (Obaluaê) | Comida símbolo: deburu (pipoca) | Prato: folha de mamona | Saudação: Atotô! | Tradição: candomblé, nação ketu como referência

No rito, manifesta-se Omolu, e orixás como Oxumarê, o irmão arco-íris, e Nanã, a mãe de Omolu, podem fazer a corte. A oferenda central, porém, é dele: o rei que conhece a doença por dentro e por isso reparte a saúde.


Quando acontece o Olubajé

Agosto é o mês de Omolu em muitos terreiros, e o Olubajé é a sua grande festa. A data mais simbólica gira em torno de 16 de agosto, dia em que o catolicismo popular celebra São Roque, o santo protetor contra as pestes associado a Obaluaê no sincretismo. A reportagem da CNN Brasil sobre o dia de Obaluaê registra essa ligação entre o orixá da cura e a data de São Roque.

Na prática, não existe uma data única e fixa. Cada casa marca o seu Olubajé, conforme o calendário litúrgico do terreiro e a orientação do pai ou da mãe de santo. Na maioria é agosto, mas não em todas: Lucas Barreto de Souza fotografou um Olubajé de Obaluayê em 15 de janeiro de 2017, no Ilê Axé Akaraizô, em Salvador (Fotocronografias, UFRGS). E no Pará, o Olubajé do Ilè Àsé Iyá Ogunté, em Ananindeua, “acontece com o interesse principal de agradecer pela restituição da saúde da sacerdotisa do templo” (Revista Internacional de Folkcomunicação). Quem quer participar de um Olubajé acompanha o anúncio da casa, não uma data nacional. Para entender como cada orixá tem o seu tempo no ano, vale conhecer o calendário das festas dos orixás.

Vale a distinção: o perfil de Obaluaê trata do orixá em si, das suas duas faces e do sincretismo de 16 de agosto. Aqui o protagonista é o rito, a festa em que esse orixá divide a mesa.


Deburu: a pipoca que é a flor de Omolu

A comida que melhor traduz o Olubajé é o deburu (também grafado doburu), a pipoca estourada sem sal, tradicionalmente na areia quente ou no azeite de dendê. Em Salvador, segundo Gildeci Leite, ela é chamada de “a flor do Velho”.

O nome guarda um itã. Num dos que Reginaldo Prandi reuniu em Mitologia dos orixás, resumido por Samuel Novaes Guimarães (UFJF), Iansã sopra a roupa de palha de Obaluaê e as feridas dele “fossem transformadas em pipocas”. A pipoca é a prova viva dessa história: da chaga pode nascer flor, da doença pode nascer cura. Por isso o deburu é, ao mesmo tempo, oferenda e símbolo de tudo o que o Olubajé celebra.

A pipoca de Omolu também é usada em limpeza espiritual, no banho de pipoca. Não se trata de “jogar doença” em ninguém: é descarrego, o gesto de retirar o peso e devolver a leveza. Banhos e rituais de fundamento, porém, são da casa e do santo: quem sente o chamado procura a orientação de um pai ou mãe-de-santo.


O que se come no Olubajé (e por que com as mãos)

No banquete, as comidas votivas de Omolu são dispostas sobre folhas de mamona, que servem de prato natural. A Wikipédia, no verbete sobre o Olubajé, registra a tradição de no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira servidas dessa forma, simbolizando o ciclo da vida e da morte que o orixá governa.

São pratos de preparo simples e popular, próprios da mesa de Omolu, como:

  • Deburu, a pipoca sem sal, a estrela do banquete
  • Feijão preto e outros grãos cozidos
  • Aberém, acaçá e massas de milho
  • Raízes e legumes cozidos, de fartura humilde

Os presentes comem um pouco de cada comida, com as próprias mãos, cantando e dançando em louvor ao orixá. Em muitas casas, os iniciados mais antigos servem a comunidade. Comer com as mãos e da mesma mesa não é falta de etiqueta: é o coração do rito. Ali não há talher que separe, não há prato individual, não há quem pague pela comida. Todos partilham a mesma fartura, como num grande gesto de oferenda aos orixás que volta em forma de bênção para quem come.


A comida que cura: a partilha do axé

Aqui está o sentido mais fundo do Olubajé, e o ponto que pede respeito ao escrever sobre Omolu. Este não é um rito mórbido nem uma “festa da doença”. É exatamente o contrário: é a festa em que a comunidade come junta para afastar a doença, reconciliar conflitos e celebrar a vida que continua.

É comida que circula sem preço, que se dá para criar laço e distribuir axé. Quem come do banquete de Omolu sai dali ligado à comunidade e ao orixá, carregando um pouco da saúde que foi repartida na mesa.

É também por isso que Omolu, um orixá tantas vezes estigmatizado por sua ligação com a doença, é na verdade o senhor da cura. O Olubajé é a prova anual disso: a mesa farta do orixá que conhece a dor e, justamente por conhecê-la, sabe o caminho de volta dela.


Olubajé no candomblé e Obaluaê na umbanda

O Olubajé como banquete é uma cerimônia do candomblé, com raiz iorubá-nagô e a nação ketu como principal referência. É no terreiro de candomblé, dentro do seu calendário litúrgico, que o rito acontece com toda a sua estrutura de cantigas, comidas e fundamento. Para entender o contexto dessa religião e suas festas, veja o que é o candomblé.

Na umbanda, Obaluaê também é muito cultuado, mas as codificações antigas não lhe dão linha própria: as sete linhas de Leal de Souza, em 1933, não incluem Omulu, e o Núcleo Umbandista São Sebastião põe “Omulú e Ibeji na Linha de Oxalá” (NUSS). As datas que a FUCESP dá para a umbanda são 2 de novembro, 17 de dezembro e 16 de agosto. Quem desce na gira, a cor e a vela estão em Omolu na umbanda. Mas o Olubajé, o banquete ritual servido na folha de mamona, é prática do candomblé. Um leitor de umbanda honra Obaluaê de outras formas, com velas, ervas como a losna, erva de Omulu, e pontos cantados, sem reproduzir em casa o banquete de fundamento do terreiro de candomblé.

Diferenciar as duas tradições é respeito: elas compartilham orixás, mas têm liturgias próprias, e cada uma honra Omolu no seu jeito.


Perguntas frequentes sobre o Olubajé

O que é o Olubajé?

O Olubajé é o grande banquete ritual de cura dedicado a Omolu (Obaluaê), celebrado uma vez por ano nos terreiros de candomblé. É ao mesmo tempo uma festa pública de partilha e um ebó coletivo, em que a comunidade come da mesma mesa para afastar a doença e repartir o axé do orixá da terra e da saúde.

O que significa Olubajé?

Segundo o babalorixá Amaro Silva, ouvido pela Alma Preta, “Olú” é aquele que, “Ba” é aceita e “Je” é comer. A reportagem o chama de “o grande banquete do rei”: a mesa de Omolu, aberta para que toda a comunidade coma junta.

Quando acontece o Olubajé?

Na maioria dos terreiros, em agosto, muitas vezes perto de 16 de agosto, dia de São Roque no sincretismo. Não há data nacional fixa: cada terreiro marca o seu, e há registro de Olubajé em 15 de janeiro, em Salvador.

O que se come no Olubajé?

Servem-se comidas votivas de preparo simples sobre folhas de mamona, com destaque para o deburu, a pipoca sem sal chamada em Salvador de “a flor do Velho”. Também aparecem feijão, massas de milho como aberém e acaçá, raízes e legumes. Os presentes comem um pouco de cada prato com as próprias mãos, cantando e dançando.

Por que a pipoca é a comida de Omolu?

Porque, no itan do orixá, as feridas que cobriam o corpo de Omolu se transformaram em flores brancas, as pipocas. O deburu, milho estourado sem sal, é o símbolo de que da chaga nasce flor e da doença pode nascer cura. É a oferenda central do Olubajé.


Onde honrar Omolu em agosto

Na Joia Mística Laroyê, você encontra os artigos para acender uma luz a Omolu no mês do Olubajé, sempre com respeito ao fundamento:

  • Velas preta, branca e vermelha: as cores rituais de Obaluaê para a segunda-feira
  • Milho para deburu: para a pipoca de oferenda e para o banho de limpeza
  • Guias e fios de contas nas cores de Omolu
  • Losna e ervas de Omulu: frescas ou secas, para banhos de proteção
  • Imagens com a palha tradicional: representações respeitosas, sempre com o rosto coberto

Visite nossa loja em Extrema-MG ou fale com a gente pelo WhatsApp e enviamos para todo o Brasil. Em agosto, mês de Omolu, acenda uma vela branca pela saúde de quem você ama.

Atotô, Omolu!


Referências

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