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Rituais 8 min de leitura

Oferenda para Nanã: o que levar e por que sem metal

Oferenda para Nanã: o que vai no alguidar, por que o metal fica de fora, onde se arria e o que fica para a casa. A ficha completa, com fonte aberta e checada.

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Alguidar de barro cru com mingau de farinha de mandioca sobre folha de bananeira, ao lado de vela roxa acesa, flores lilases e quartinha de barro à beira de água parada.

Resumo

A oferenda para Nanã se monta em barro e sem metal. Vai mingau ou pirão de farinha de mandioca, a comida que Reginaldo Prandi registra como favorita dela. Serve-se num alguidar de barro cru, com vela roxa ou lilás, flores da cor dela e água limpa.

A quizila do metal é fundamento, com explicação registrada. Prandi anota o tabu de usar facas de metal, e Pierre Verger liga isso a um culto anterior à chegada de Ogum e do ferro. No terreiro a regra muda o utensílio, o preparo e o corte, e varia de casa para casa.

A entrega é na lama, no brejo, no mangue ou à beira de água parada. O Santuário Nacional da Umbanda mantém os Lagos de Nanã para isso. A própria casa pede material biodegradável: alguidar de barro, flor sem plástico, e o que não se decompõe volta com você.

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8 min de leitura

A oferenda para Nanã se monta em barro, e sem nenhuma peça de metal. Essa é a regra que separa o agrado dela do de qualquer outro orixá, e ela tem fundamento registrado.

Este guia mostra o que vai no alguidar, o que a quizila do metal muda na prática, onde se arria e o que fica para a casa fazer.


O que se leva para Nanã

A base do agrado doméstico é curta e toda ela de matéria simples.

Cores: roxo, lilás, branco e azul | Elemento: a lama, o encontro da água com a terra | Ferramenta: o ibiri | Vodum jeje: Nanã

  • Mingau ou pirão de farinha de mandioca. É a comida que Reginaldo Prandi registra como favorita dela.
  • Alguidar de barro cru, também chamado oberó, que é o vasilhame em que a comida do orixá se serve.
  • Vela roxa ou lilás, uma ou três. Veja as cores das velas rituais.
  • Flores roxas e lilases, sem plástico e sem arame.
  • Água limpa numa quartinha de barro.
  • Mel, quando a casa costuma usar.

A ferramenta dela é o ibiri, um cetro em forma de arco feito de fibras das folhas do dendezeiro, enfeitado com búzios. Repare que não há metal ali também: veja as ferramentas dos orixás e compare.

A guia dela segue a mesma lógica. Prandi registra contas brancas rajadas de azul cobalto. O acervo de arte sacra da Duke University descreve colares de Nanã que somam contas de osso às de vidro. A palha da costa, ráfia usada nos adornos dela e de Omolu, fecha o conjunto: fibra, barro, osso e búzio.

Se você ainda não conhece a orixá, comece por quem é Nanã.


O metal fora: o que a quizila muda no preparo

Prandi registra o tabu dos filhos de Nanã em uma linha: usar facas de metal. O que vem depois é a explicação, e ela é histórica.

Pierre Verger sustenta que os sacrifícios feitos a Nanã e a Obaluaê não usam instrumento de ferro. Para ele, isso aponta para um culto anterior à idade do ferro, antes da chegada de Ogum. Uma dissertação da UFPB diz o mesmo de outro jeito: nunca se corta os animais com instrumento de aço. E há a leitura de fundamento: aceitar o metal seria submeter-se ao território de poder de Ogum.

O itan que o povo conta fecha o sentido. Nanã discordou de que Ogum fosse o mais importante e torceu o pescoço dos animais com as próprias mãos.

Aqui vai a correção que quase toda página da internet precisa: não é que a faca de ferro seja trocada por uma de madeira. As fontes falam em ausência de lâmina, não em outra lâmina. O que fica vedado é o corte com aço.

Na sua cozinha, isso é simples de respeitar: prepare com colher de pau, sirva em barro, e deixe a faca, o garfo e a panela de alumínio fora da montagem.

A quizila varia de casa para casa. O mesmo estudo que registra a regra ouviu sacerdotes nagô-ketu que confirmam o uso da faca nos sacrifícios a Omolu. Preceito de casa vence texto de internet, sempre.

Entenda o conceito em quizilas no candomblé.


Mungunzá ou canjica: o prato de milho e o de mandioca

Duas confusões atrapalham quem vai montar o agrado.

A primeira é de nome. Mungunzá e canjica são o mesmo doce de milho branco, com nomes diferentes por região: mungunzá no Norte e no Nordeste, canjica no Sul e no Sudeste. A palavra vem do quimbundo kandjica.

A segunda é de atribuição. O milho aparece nas listas de terreiro para Nanã e circula muito, mas a comida com respaldo acadêmico é a de mandioca: mingau ou pirão de farinha. A FUCESP registra pirão, paçoca de amendoim e sarapatel, e o portal O Candomblé registra efó, mungunzá, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa.

Escolha o que a sua casa usa. Se não tem casa, o prato de mandioca é o que tem a fonte mais forte atrás.


Como montar o agrado, passo a passo

  1. Escolha o dia. Prandi coloca Nanã na segunda-feira. Há registro de terça em duas fontes de terreiro. Nosso guia dos dias da semana traz outra atribuição, sinal de que isso muda de casa para casa.
  2. Prepare a comida sem metal. Farinha de mandioca escaldada até virar pirão ou mingau, mexida com colher de pau.
  3. Arrume o alguidar. A comida no barro, forrada de folha de bananeira se você tiver. Veja para que serve o alguidar.
  4. Acenda a vela roxa ou lilás ao lado, nunca em cima da comida.
  5. Ponha as flores e a água. Flor sem plástico, água na quartinha.
  6. Fale o que veio dizer. Sem fórmula pronta, e sem pedir prazo.

Montagem da oferenda vista de cima: alguidar de barro com mingau de mandioca sobre folha de bananeira, colher de pau, vela roxa, quartinha, flores lilases e o ibiri de fibra com búzios.


Onde se arria a oferenda de Nanã

O território dela é a lama e o pântano. Uma coleção universitária a define como a mais antiga das divindades das águas e a dona da lama. Na prática, isso quer dizer brejo, mangue, beira de lago e água parada, não cachoeira e não mar.

Existe precedente institucional. O Santuário Nacional da Umbanda, em Santo André, mantém os Lagos de Nanã como local próprio de oferenda, onde as obrigações se fazem sobre esteiras flutuantes.

O mesmo santuário dá a régua do descarte, e ela vem de dentro da umbanda. Pede-se material natural: alguidar de barro, flor sem plástico, mel e perfume fora da embalagem original. O que não é biodegradável volta com quem levou. Vidro, isopor e sacola não pertencem ao brejo.


O que é da casa, e o que você faz sozinho

O que está acima é agrado doméstico: o que qualquer devoto pode arriar por conta própria.

Comida de santo com fundamento, assentamento, obrigação e matança são outra coisa. Quem conduz é a casa, com dirigente, e não se aprende em artigo. Se você é iniciado, o preceito da sua casa manda mais que qualquer lista.

Nanã é cultuada como vodum no candomblé jeje e como orixá no queto, e a entrega muda conforme a nação. Sobre a correspondência na nação angola, prefira consultar os inquices de angola a repetir equivalências que as fontes não fecham.

No sincretismo, ela corresponde a Santana, e a data corrente é 26 de julho: os detalhes estão em Santana e Nanã e no dia de Nanã. Se a série te interessa, veja também a oferenda para Oxalá.


Perguntas frequentes

Pode usar faca para preparar a comida de Nanã?

A tradição registra o tabu do corte com metal, e as fontes falam em ausência de lâmina. Para o agrado doméstico, prepare com colher de pau e evite faca, garfo e panela de metal na montagem. O preceito da sua casa decide o resto.

Pode servir a oferenda de Nanã em prato de vidro?

O vasilhame registrado é o alguidar de barro, também chamado oberó, e a cozinha de terreiro trabalha com madeira e barro. Barro cru é o caminho seguro. Vidro e alumínio ficam fora, e vidro também não deve ser deixado em brejo ou lago.

Qual é a comida de Nanã?

Prandi registra mingau de farinha de mandioca como a favorita. Fontes de terreiro somam pirão, paçoca de amendoim, sarapatel, efó, feijão com coco e mungunzá. O prato de mandioca é o que tem respaldo acadêmico, e o resto varia por casa e por nação.

Onde entregar a oferenda de Nanã?

Na lama e na água parada: brejo, mangue, beira de lago. Não é orixá de cachoeira nem de mar. O Santuário Nacional da Umbanda mantém os Lagos de Nanã para esse fim, e pede material biodegradável, com o que não se decompõe voltando com você.


Onde comprar o material da oferenda

Na Joia Mística Laroyê você encontra tudo o que essa montagem pede:

  • Alguidares de barro cru em vários tamanhos
  • Quartinhas de barro para a água
  • Velas roxas e lilases, de palito e de sete dias
  • Guias de contas brancas rajadas de azul, nas cores dela
  • Farinha de mandioca, milho branco e mel

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

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Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

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