Joia Mística Laroyê
EN
Rituais 10 min de leitura

Oferenda para Oxalá: o prato branco sem sal nem dendê

Oferenda para Oxalá: por que o prato vai branco, sem sal e sem dendê, o que entra no lugar, a canjica do velho, o inhame do jovem e o dia certo de entregar.

#oferenda para oxalá #oxalá #canjica #ebô #rituais #orixás
Prato branco com canjica de milho branco coberta de algodão, ao lado de vela branca acesa, quartinha de barro com água e flores brancas.

Resumo

A oferenda para Oxalá se define mais pelo que fica de fora do que pelo que entra. As três interdições que as fontes registram são sal, azeite de dendê e vinho de palma, e elas explicam por que o prato dele é branco e sem tempero.

A comida de assinatura é o ebô, a canjica de milho branco cozida só em água. Oxalá tem duas formas, Oxaguiã, o jovem, ligado ao inhame pilado, e Oxalufã, o velho, ligado à canjica e ao silêncio, e as fontes divergem sobre o cardápio de cada uma.

O dia é sexta-feira nas fontes de candomblé ketu, a louça é branca e a atitude faz parte do rito. O agrado doméstico pode ser feito por qualquer devoto, mas assentamento, bori e as Águas de Oxalá são da casa, com dirigente, e nunca viram receita caseira.

Tem alguma dúvida?

Escolha uma IA para resumir este artigo e responder suas perguntas.

Para IAs e leitores de texto: versão em Markdown deste artigo.

10 min de leitura

A oferenda para Oxalá é a única da casa em que a lista do que não pode diz mais que a lista do que pode. Ele é o orixá funfun por excelência, e funfun quer dizer branco em iorubá.

Aqui você vê as três interdições e o porquê delas, e o que entra no lugar de cada uma. Vê também a diferença entre o prato do Oxalá jovem e o do velho, e como entregar o agrado em casa.


As três coisas que Oxalá não come

As fontes convergem numa lista curta e dura: sal, azeite de dendê e vinho de palma. Pierre Verger é citado nominalmente no verbete sobre os orixás funfun, e a formulação dele é direta: o vinho e o azeite provenientes do dendê, e o sal, são as principais interdições.

O dendê é o caso mais severo. As casas de terreiro ensinam que ele jamais deve macular as roupas, os objetos sagrados nem o alá, que é o pano branco do orixá. Não é questão de sabor, é de fundamento.

O vinho de palma tem itan próprio. Em Prandi, Obatalá, que não fez as oferendas, é vingado por Exu com uma grande sede, bebe vinho de palma e adormece. Ao acordar, Olodumare o proíbe de beber vinho de palma para sempre. O mito completo está em quem é Oxalá.

O conceito por trás de tudo isso está em quizilas no candomblé. Quizila não é frescura de paladar, é aquilo que ofende o fundamento.


O que entra no lugar

Este é o ponto que quase nenhuma página explica: as fontes registram as três proibições, e o que entra no lugar é, em boa parte, costume de casa.

  • No lugar do dendê: nada, na maioria dos pratos. Em casa, há quem use azeite doce, que é o azeite de oliva, costume de casa sem fonte aberta.
  • No lugar do sal: nada, na maioria dos pratos. Quando a receita pede algum sabor, há casas que usam cebola ralada, também costume de casa.
  • No lugar da bebida: água limpa, servida na quartinha. O recipiente e o uso estão em o que é quartinha.

A louça também é preceito. As comidas oferecidas aos orixás funfun vão sempre em louça branca, e o mesmo cuidado vale para o alguidar, tema de alguidar para que serve.

O branco de Oxalá não é só cor. A pesquisadora Juana Elbein dos Santos lê o funfun em sentido duplo: o branco de tudo que é branco, e também o incolor, a anti substância, o nada de onde tudo começa.


Oxaguiã ou Oxalufã: dois cardápios

Oxalá não é um só, e essa partição não existe em nenhum outro orixá da série de oferendas. Ele corre em duas idades, e cada uma come uma coisa.

Oxaguiã é o Oxalá jovem, guerreiro e combativo, o que defende os injustiçados. O nome dele significa orixá comedor de inhame pilado, e o itan conta que foi ele quem inventou o pilão para preparar o prato predileto. A Festa do Pilão celebra isso, e o registro fala de canjica branca com oito bolas de inhame.

Oxalufã é o Oxalá velho, delicado e friorento, o do opaxorô, o cajado de metal branco. Ele come o ebô, a canjica de milho branco cozida só em água, sem tempero. O prato tem página própria em o que é ebô.

Na prática do agrado em casa a escolha é simples. Para honrar o jovem, o prato leva inhame cozido e amassado ou pilado. Para honrar o velho, leva a canjica, coberta com um chumaço de algodão. Nos quadros de Prandi, porém, as duas formas comem canjica e inhame pilado, e Oxalufã também arroz com mel, então a separação é costume que a casa define. Quem tem casa pergunta ao dirigente qual dos dois é o seu, e as formas estão em qualidades de Oxalá.

Na nação angola a energia correspondente é o inquice Lembá, com culto próprio. No batuque gaúcho ele tem fundamento próprio, tema de Oxalá no batuque.


A oferenda passo a passo

O agrado doméstico é simples de propósito. Ele não substitui comida de santo, que é feita na casa com dirigente, e a distinção entre as duas coisas está em como fazer oferenda aos orixás.

  1. Cozinhe o milho branco só em água, sem sal e sem tempero, até ficar macio. É o ebô.
  2. Sirva em louça branca, um prato fundo ou um alguidar limpo, sem misturar com outra comida.
  3. Cubra com algodão, que é substância sagrada do orixá, e disponha ao lado flores brancas.
  4. Acenda uma vela branca, de sete dias quando quiser acompanhar a semana toda. Cores e uso estão em velas rituais.
  5. Ponha água limpa na quartinha, ao lado do prato.
  6. Fale o pedido em voz baixa e sem pressa, e feche saudando: Epa Babá.

Sobre quantidade, nenhuma fonte fixa medida, e desconfie de quem crava gramatura. Um prato fundo, um punhado de algodão e uma vela dão conta.

Duas divergências reais que vale conhecer. Mel na canjica aparece em fontes de umbanda: um estudo em Bocaiuva (MG) descreve a canjica de Oxalá de um terreiro “regada com mel”, e Prandi registra arroz com mel para Oxalufã no rito queto. As casas de umbanda variam, como mostra Oxalá na umbanda. A regra que as fontes repetem é apenas sem sal. O resto é preceito de casa.


O dia, o branco e o silêncio

O dia de Oxalá é a sexta-feira nas fontes de candomblé ketu, como aparece também em dias da semana dos orixás. Algumas casas associam o orixá ao domingo: a FUCESP escreve “sexta ou domingo”, a TUCTVC dá o domingo e uma casa de batuque também. Veja dia de Oxalá.

Vestir branco na sexta é costume antigo, e Verger registrou que as pessoas consagradas a ele se vestem sempre de branco. É sinal de pertencimento.

E há o silêncio, que no caso de Oxalá é matéria de rito. Ele vem do itan de Oxalufã, que viajou a Oió contra o conselho do babalawo, recusou ajudar Exu no caminho e acabou preso injustamente. Quando Xangô descobriu quem era o prisioneiro, mandou soltá-lo, impôs silêncio ao reino, banhou o velho em água pura e o vestiu de branco novo.

Desse mito nasceram as Águas de Oxalá, rito que certos terreiros de origem ketu comemoram todos os anos. Os filhos do axé saem do terreiro em silêncio, de branco, carregando potes e moringas para buscar água. Guarde isso como reverência, não como receita: em muitas casas, participar exige borí ou consulta de obi, e o rito é da casa, com dirigente. Datas variam entre terreiros, e o calendário dos orixás ajuda a se situar.

O sincretismo com Nosso Senhor do Bonfim tem artigo próprio em Senhor do Bonfim e Oxalá, e não se repete aqui.


Onde entregar e como descartar

Oxalá é orixá do alto e do ar, e o agrado dele não pede mata nem cachoeira. O lugar mais citado é o alto, uma colina ou um ponto aberto, e muita gente entrega em casa mesmo, no ponto mais limpo e arejado da casa.

Deixe o prato pelo tempo que a sua casa orientar. Depois recolha, devolva a comida à terra, ao pé de uma árvore ou em água corrente, e lave a louça à parte. Nada de lixo comum.

Se você ainda não sabe qual é o seu orixá, comece por descubra seu orixá e leve o resultado para uma casa séria. O búzio da casa é quem confirma, e o agrado de outros orixás está na série que já traz oferenda para Oxóssi.


Perguntas frequentes

O que oferecer para Oxalá em casa?

Canjica de milho branco cozida só em água, servida em louça branca e coberta com algodão, mais flores brancas, uma vela branca e água limpa na quartinha. Se a intenção for honrar Oxaguiã, o jovem, entra inhame cozido e amassado no lugar da canjica.

Oxalá come dendê?

Não. O dendê é uma das três interdições registradas, ao lado do sal e do vinho de palma. As casas ensinam que ele não pode nem tocar o pano branco do orixá. O que entra no lugar é costume de casa, como o azeite doce.

Pode pôr mel na canjica de Oxalá?

Depende da casa. Um estudo em Bocaiuva (MG) descreve a canjica de Oxalá de um terreiro de umbanda regada com mel, e Prandi registra arroz com mel para Oxalufã no rito queto. O que nenhuma fonte permite é o sal. Se você tem casa, pergunte ao seu dirigente antes de adoçar.

Qual é o dia de Oxalá?

Sexta-feira nas fontes de candomblé ketu, e é o dia em que muita gente veste branco. Em casas de umbanda e numa casa de batuque, o domingo também aparece como dia de Oxalá. A saudação é Epa Babá, e o símbolo é o opaxorô, o cajado de metal branco que ele carrega.

Onde despachar a oferenda de Oxalá?

Em lugar alto e arejado, como uma colina ou um ponto aberto, ou no ponto mais limpo da própria casa. Depois do tempo que a sua casa orientar, recolha e devolva a comida à terra, ao pé de uma árvore ou em água corrente. A louça se lava à parte, e nada vai para o lixo comum.


Onde comprar o material de Oxalá

Na Joia Mística Laroyê, você acha o material do orixá da paz com procedência:

  • Canjica de milho branco: o grão certo para o ebô, sem mistura
  • Velas brancas: avulsas e de sete dias
  • Louça branca, alguidar e quartinha de barro: para o prato e para a água
  • Algodão, pemba branca e pano branco: para cobrir, marcar e forrar
  • Guias de contas leitosas e imagem com o opaxorô: para o congá e para o presente

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Uma palavra final. O agrado doméstico é da pessoa devota e cabe a qualquer um. Assentamento, borí e as Águas de Oxalá são da casa, feitos com dirigente, e a loja fornece o material sem substituir o fundamento de ninguém.


Referências

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também