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Quimbanda 8 min de leitura

Nomes de Pombagira: as falanges e de onde vem cada nome

Nomes de Pombagira, falange por falange: as Marias, as das almas, as da encruzilhada e as ciganas, com o que a pesquisa de campo registra e o link da ficha.

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Prateleira de madeira encostada numa parede caiada com rosas abertas vermelhas, amarelas e brancas, duas taças de champanhe, um lenço de seda vermelho, um leque preto e três velas acesas, uma vermelha, uma preta e uma branca.

Resumo

Os nomes de Pombagira são nomes de falange. Maria Padilha, Maria Mulambo, Sete Saias, Cigana e Dama da Noite estão entre os mais conhecidos, e vários espíritos respondem pelo mesmo nome sem dividir a mesma história.

Os nomes seguem poucas regras: o lugar onde a Pombagira mora (das Almas, da Calunga, da Praia, da Encruzilhada), o nome Maria, a rosa e a realeza. As das almas somam o branco ao vermelho e ao preto.

Cada casa tem seu elenco. Pesquisas em Bocaiuva, Porto Velho, Curitiba e Pato Branco registram nomes fora das listas famosas, e quem diz o nome da sua Pombagira é a casa, não um teste.

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8 min de leitura

Os nomes de Pombagira são nomes de falange, como Maria Padilha, Maria Mulambo, Sete Saias, Cigana e Dama da Noite. Vários espíritos respondem pelo mesmo nome sem dividir a mesma história. Pombagira é Exu-mulher, como ela mesma gosta de ser chamada. O que ela é está em quem é Pombagira.


Como se formam os nomes de Pombagira

Cada nome é uma falange. A falange se divide: há a Maria Padilha do Cabaré e a do Cruzeiro das Almas. Quatro padrões se repetem nas listas de campo:

  • O lugar onde ela mora: das Almas, das Praias, das Matas, das Encruzilhadas, dos Cruzeiros, da Calunga. Barros registra ainda a da Figueira, a da Sepultura e a da Estrada.
  • O nome Maria: Padilha, Mulambo, Farrapo, Quitéria.
  • A rosa: Rosa Caveira, Sete Rosas, Rosa Vermelha, Rosa Negra.
  • A realeza: a Pombagira Rainha abre a lista de Reginaldo Prandi. Há também a Rainha do Cabaré e a Rainha das Sete Encruzilhadas.

Numa casa de Pato Branco (PR), o pesquisador Jean Favaro separa os nomes pela força de cada um. A Cigana Sete Estradas é da passagem; Rosa Caveira, do limite entre vivos e mortos. A Pombagira Gato vem do reino animal, e a Figueira, de uma árvore.

“Pombagira é singular mas é também plural. Elas são muitas, cada qual com nome, aparência, preferências, símbolos e cantigas particulares.”

Reginaldo Prandi, Herdeiras do Axé, 1996

Numa casa, o nome muda pouco a oferenda. Num terreiro de Bocaiuva (MG) com dez pombagiras, as oferendas seguem o mesmo padrão. O que se leva está em oferenda para Pombagira. Os de Exu têm artigo próprio em nomes de Exu.

Pintura de uma encruzilhada de terra vermelha ao entardecer cujos caminhos levam a um cemitério com cruzeiro branco, ao mar e a uma rua antiga, com uma rosa vermelha, uma rosa branca e velas vermelha e preta acesas no cruzamento


As Marias: Padilha, Mulambo, Quitéria e Navalha

Muitas falanges de Pombagira usam o nome Maria.

Família: Marias | Com fonte: Padilha, Mulambo, Quitéria, Navalha, Farrapo, Caveira | Grafias: Molambo, Mulambo, Mulamba

  • Maria Padilha: se desdobra em vários caminhos. Em Porto Velho (RO), Nilza Lagos encontrou a Padilha do Cruzeiro das Almas, a Rainha do Cabaré, a da Calunga e a do Fogo. Ali as Padilhas vestem vermelho, preto e dourado. Para Barros, o anis é a bebida preferida dela.
  • Maria Mulambo: numa casa de Pato Branco, comanda o povo do lixo e é chamada de Rainha da favela. Em Porto Velho, as Mulambos gostam de preto e colorido.
  • Maria Quitéria: numa tenda de Ribeirão Preto (SP), a imagem dela fica no altar das pombagiras, e ela é ligada aos baianos da casa. Na abertura da gira, a mesma tenda saúda: “Salve Maria Mulamba, Salve a Padilha”.
  • Maria Navalha: ainda sem ficha no blog. No santuário de Zé Pelintra, na Lapa (RJ), a imagem dela tem o tamanho da dele. O grafiteiro do lugar a chama de “versão feminina de Seu Zé”, e um informante a liga à malandragem da Lapa. Porto Alegre deu a ela o 30 de setembro (Lei 13.133/2022). O povo da malandragem está em malandros na umbanda.

Pombagiras das almas e da calunga

Pela doutrina umbandista que Barros registrou, algumas pombagiras são cruzadas com as almas. São a do Cruzeiro, a do Cemitério, a da Calunga, a das Sete Calungas, Rosa Caveira, a das Almas e uma qualidade de Maria Padilha. Nelas, o branco entra junto do vermelho e do preto, na roupa, na guia e na vela. Os ebós costumam ir para o cemitério ou para o cruzeiro das almas. Quem orienta a entrega é a casa.

A loja tem a vela vermelha, a preta e a branca em cor única. A Joice confere pelo WhatsApp o material que a sua casa pediu.

  • Rosa Caveira: está na lista das almas de Barros. Em Porto Velho, a Rosa Caveira de uma ialorixá tem o rosa-choque como cor e canta que é “Rainha de Omolu”. Dia municipal em Porto Alegre: 13 de julho.
  • Maria Caveira: sem ficha no blog. Num terreiro de Curitiba (PR), o ponto dela a chama de “Rainha do cemitério” e “mensageira de Omolu”. Porto Alegre deu a ela o 13 de novembro (Lei 13.088/2022).
  • Rainha do Cruzeiro: sem ficha. Prandi põe a Pombagira do Cruzeiro entre as mais conhecidas. Porto Alegre deu à Rainha do Cruzeiro o 26 de maio (Lei 13.112/2022).
  • Rosa Negra: sem ficha. O ponto dela em Curitiba a põe na calunga, onde ela “é luz que nos dá caminho”. Em Porto Alegre, o dia é 8 de março (Lei 13.123/2022).

Pombagiras da encruzilhada e da praia

Para Prandi e Barros, a encruzilhada em T é de Pombagira, e a aberta, em cruz, é de Exu. Numa casa de Pato Branco, o reino das encruzilhadas reúne Sete Ventanias, Sete Saias, Cigana, Maria Padilha, Rosa Vermelha e Dama da Noite. Os formatos estão em encruzilhada na quimbanda.

  • Rainha das Sete Encruzilhadas: num terreiro de Fortaleza, a festa dela acontece desde 1987, no segundo sábado de novembro. Em Porto Alegre, a lei dá às Sete Encruzilhadas o 27 de junho.
  • Sete Saias: fica no altar da tenda de Ribeirão Preto, onde as taças levam champanhe, cinzano ou anis.
  • Rosa Vermelha: sem ficha. É uma das dez pombagiras de um terreiro de Bocaiuva, e em Curitiba vira Rosa Vermelha da Encruzilhada, cuja “coroa brilha nas encruzilhadas”. Em Porto Alegre, o dia é 11 de novembro (Lei 13.132/2022).
  • Dama da Noite: está na lista de Prandi e entre as dez de Bocaiuva.
  • Da Praia: num terreiro de Curitiba, ela canta que “a praia é minha morada, junto com Iemanjá”.

Pombagiras ciganas e meninas

Há muitas Pombagiras Ciganas. Cada médium tem a sua, com vestido, cabelo, calçado, bebida e cigarro próprios. Em Porto Velho, Lagos encontrou a Cigana da Praia, a Nina, a do Amor, a Rosalinda, a Esmeralda, a da Estrada e a das Rosas. Prandi lista a Cigana dos Sete Cruzeiros. A ficha geral é a da Pombagira Cigana, e a Cigana Esmeralda tem a sua.

A Pombagira Menina e a Menina da Praia estão na lista de Prandi. A imagem de gesso da Menina da Praia traz concha e base azul e branca, e Tadeu Lopes a liga ao mar e a Iemanjá.


Os nomes que cada cidade registra

Cada casa tem o seu elenco, e a pesquisa de campo acha nomes fora das listas famosas:

  • Bocaiuva (MG): Maléva e a Pombagira do Oriente.
  • Porto Velho (RO): Maria Padilha do Fogo, Salomé e Pomba Juçara.
  • Curitiba (PR): Maria do Balaio e a de Maceió, com ponto cantado.
  • Pato Branco (PR): Sete Ventanias e Pombagira Gato.

Na gira descrita por Barros surgem ainda Sete Alcovas, Rosa de Maio e Libertina.

Porto Alegre pôs onze falanges no calendário municipal entre 2020 e 2022. É homenagem da cidade, proposta por vereador, e não data de fundamento; as datas estão em dia de Pombagira.


Perguntas frequentes

Quais são os nomes de Pombagira mais conhecidos?

Na lista de Reginaldo Prandi: Pombagira Rainha, Maria Padilha, Sete Saias, Maria Molambo, da Calunga, Cigana, do Cruzeiro, Cigana dos Sete Cruzeiros, das Almas, Maria Quitéria, Dama da Noite, Menina, Mirongueira e Menina da Praia. Cada casa trabalha com as suas.

Existe pombagira de Obaluaê ou de Iemanjá?

A ligação com orixá muda de casa, e nenhuma fonte fecha uma lista. Uma Rosa Caveira de Porto Velho se diz “Rainha de Omolu”. Um ponto de Curitiba chama Maria Caveira de “mensageira de Omolu”. A Pombagira da Praia mora “junto com Iemanjá”.

Como saber o nome da minha Pombagira?

Quem diz é a casa onde você se desenvolve. O teste de Exu e Pombagira mostra afinidade com Maria Padilha ou com a Pombagira em geral. Ele não dá o nome da falange. O teste de entidade mostra se a afinidade é com a linha de Pombagira.


Referências

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