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Umbanda 7 min de leitura

Malandros na umbanda: quem são, nomes e como trabalham

Malandros na umbanda: a linha além de Zé Pelintra, com Maria Navalha e outros nomes, cores, roupa, bebida, saudação e a relação com Exu e com os baianos.

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Balcão de madeira de um botequim antigo à noite com três chapéus panamá, gravata e lenço vermelhos, vela vermelha e branca acesa, copo de cerveja e baralho aberto em leque.

Resumo

Os malandros na umbanda formam uma linha de entidades que traz a figura do malandro urbano do começo do século XX. A umbanda passou a cultuá-los entre as décadas de 1930 e 1960, e Zé Pelintra é o nome mais conhecido da falange, que também tem malandras como Maria Navalha e Maria do Cais.

Cada casa recebe a linha de um jeito. Há terreiro que cultua os malandros junto com os exus, terreiro que dá a eles gira própria e terreiro sem linha nenhuma, onde só Zé Pelintra vem. No catimbó nordestino, Seu Zé é mestre juremeiro, e a própria tradição não sabe dizer se é o mesmo Zé.

As cores mais registradas são o branco e o vermelho, e a bebida com mais fontes é a cerveja. A saudação é Salve a malandragem, e no Rio o dia de Zé Pelintra é 7 de julho, por lei municipal. A pesquisa lê a malandragem como sobrevivência de quem vivia à margem, num tempo em que vadiagem era crime.

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7 min de leitura

Os malandros na umbanda formam uma linha inteira de entidades, e Zé Pelintra é só o nome mais conhecido dela. A figura veio do malandro das ruas do começo do século XX, que a umbanda passou a cultuar entre as décadas de 1930 e 1960.

Este guia mostra de onde vem o malandro e onde a linha fica em cada casa. Também traz os nomes que as fontes registram, a roupa, as cores, a bebida e a saudação.


Quem são os malandros na umbanda

O malandro foi primeiro um tipo social das primeiras décadas do século XX, e depois virou entidade pela prática da umbanda e do catimbó. O pesquisador Pedro Guimarães Pimentel publicou o estudo na revista Mneme, da UFRN. Ele mostra que o malandro vivia entre a vadiagem e a profissão, como a dos sambistas. E a vadiagem era crime pelas leis da época.

A navalha e a capoeira fazem parte desse retrato histórico. Nos anos 1920 e 1930, eram formas de sobrevivência de quem vivia à margem, e o malandro foi um dos maiores representantes desse grupo.

Para Mario Teixeira de Sá Júnior, trazer baianos e malandros para o panteão foi um jeito de a umbanda sacralizar o humano marginalizado. E ajudou a aliviar o estigma que caía sobre os exus.

A malandragem que o povo brasileiro herdou do negro foi “condição indispensável para sobreviver às hostilidades da discriminação e do racismo”.

Pai Rodney, na CartaCapital

O pesquisador Rodrigo de Sousa da Silva, em artigo da UFAC, vai na mesma direção: na umbanda, a malandragem de Zé Pelintra fala da proximidade da entidade com o homem.


O malandro da Lapa e o mestre da Jurema

Duas leituras convivem. Nas umbandas do Rio, o malandro é o homem da Lapa, do morro, do bar e do cabaré, e esses são os espaços que aparecem nos pontos cantados.

No catimbó nordestino, Seu Zé é mestre juremeiro. Ali a imagem é outra: pés no chão, camisa e calça brancas, chapéu de palha e lenço vermelho no pescoço. A Jurema é tradição própria do Nordeste, com seus Mestres e Mestras, e o site tem uma página sobre ela em Jurema sagrada.

Se o Zé do catimbó e o da malandragem carioca são o mesmo, a própria tradição não sabe dizer. O perfil completo dele está em Zé Pelintra.


Onde a linha fica em cada casa

A linha dos malandros não tem lugar único. A pesquisa de campo registra arranjos diferentes, cada um numa casa:

Como a casa organizaO que foi registrado
Junto com os exusOs malandros são cultuados na falange de exu, como subtipo com especificidades
Gira própriaO malandro ganhou gira específica, separada dos exus, com outros “Zés”
Sem linhaZé Pelintra é o único malandro e comanda o trabalho das pombagiras
Perto dos baianosZé tem acesso fácil à gira de baiano e às vezes se manifesta como baiano
Na portaPela relação com Exu, protege porteiras, cancelas e tronqueiras

Por isso a pergunta “malandro é Exu?” não tem resposta de uma palavra. A enciclopédia registra que Zé Pelintra incorpora em gira de exu sem ser dessa linha. A apostila da Sociedade Espiritualista Mata Virgem diz que os malandros não são exus, mas trabalham dentro da linha deles. E numa das casas estudadas, eles são tratados como subtipo de exu. Quem define é a sua casa. Para entender Exu, veja quem é Exu.

A vizinhança com os baianos também é real. Numa observação de quatro anos em terreiros de Curitiba, Zé Pelintra circulou entre a esquerda e a direita e às vezes veio como baiano. A linha dos baianos está em baianos na umbanda.


Nomes de malandros e malandras

Entre os malandros, os nomes que aparecem em mais de uma fonte são Zé Pelintra, Malandrinho, Zé do Coco, Zé Pretinho, Camisa Preta e Camisa Listrada. Cada casa conhece outros, e costumam ser nomes populares e duplos.

A linha também tem malandras. O nome mais comum começa com Maria e ganha um segundo nome, como Maria Navalha. Elas costumam vestir vermelho e usar flores no cabelo e na roupa.

No santuário de Zé Pelintra na Lapa, o pesquisador Carlos Eduardo Santos Maia registrou imagens de Maria Navalha e de Maria do Cais. Segundo o informante, Maria Navalha está mais ligada à Lapa e Maria do Cais tem influência nordestina. O filósofo Rafael Haddock-Lobo chama Maria Navalha de “pombagira malandra carioca”. Para a linha feminina da esquerda, veja quem é Pombagira.


Roupa, cores, bebida e saudação

A roupa mais conhecida é a do malandro carioca: terno branco, camisa de seda, sapato bicolor, chapéu panamá e gravata vermelha. Outra imagem comum é a camisa listrada sobre calça branca.

Cores: branco e vermelho | Objetos: chapéu, gravata vermelha, bengala, baralho, lenço vermelho | Saudação: “Salve a malandragem!”

A bebida com mais registros é a cerveja. No terreiro que Silva analisou, Zé Pelintra bebe cerveja e fuma cigarro. Nos bares do Rio, a imagem dele fica em altar improvisado, com vela ou lâmpada vermelha e, quase sempre, um copo de cerveja. A Mata Virgem registra casas que servem também cachaça, batida ou conhaque. A bebida e o fumo são oferenda definida pela entidade e pela casa, e ficam no rito.

No Rio de Janeiro, a Lei municipal 7.549/2022 criou o Dia do Zé Pelintra, em 7 de julho. A notícia da Câmara do Rio registra que a data serve a quem sofre intolerância religiosa, racismo e xenofobia. Algumas casas usam 28 de outubro.


Onde se oferece e o que não se pede

O malandro é da rua. Nos pontos cantados, os espaços dele são o bar, a rua, o morro e o cabaré. No santuário da Lapa, as velas são quase todas brancas, com algumas vermelhas e bicolores, ao lado de cervejas e cigarros.

Degraus de pedra de uma rua antiga à noite com velas brancas, vermelhas e bicolores acesas, copos de cerveja, flores vermelhas soltas e um chapéu panamá pousado.

Promessa de ganhar no jogo, destravar dinheiro ou trazer alguém de volta não tem lugar aqui, e nenhuma entidade séria vende isso.

Dentro da própria umbanda há quem rejeite o malandro que chega sambando e negue a ele o lugar de guia espiritual. Maia registra essa crítica como uma das posições em disputa. Cada casa segue o seu fundamento.


Perguntas frequentes

Malandro é Exu?

Depende da casa. Há terreiro que cultua os malandros junto com os exus, como subtipo, e há casa que dá a eles gira própria. A enciclopédia registra que Zé Pelintra incorpora em gira de exu sem ser dessa linha.

Malandro é direita ou esquerda?

Transita entre as duas. Numa pesquisa de quatro anos em terreiros de Curitiba, Zé Pelintra passou pela esquerda e pela direita. No catimbó, o mestre juremeiro também pode estar de um lado ou do outro. A posição na gira é decisão da casa.

O que o malandro gosta de beber?

A cerveja é a bebida com mais registros, tanto em terreiro quanto no santuário da Lapa. Algumas casas servem também cachaça, batida ou conhaque. A oferenda é definida pela entidade e pelo dirigente, e não se improvisa.

Maria Navalha é pombagira?

Ela é descrita como pombagira malandra carioca, e a classificação junta as duas coisas. Na umbanda, as malandras são a correspondente feminina da linha, e Maria Navalha é o exemplo mais citado.


Onde comprar artigos para a linha dos malandros

Na Joia Mística Laroyê você encontra o que a sua casa usa para a malandragem:

  • Imagens de Zé Pelintra, de terno branco, gravata vermelha e chapéu panamá
  • Velas bicolores vermelha e branca e velas brancas, de palito e de sete dias
  • Guias brancas e vermelhas, nas cores da linha
  • Chapéus panamá, gravatas e lenços vermelhos

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

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