A Pombagira Menina é uma falange de pombagira em muitas casas e o nome da linha mirim feminina em outras. Reginaldo Prandi a registra entre as pombagiras mais conhecidas. Já a Casa do Vô Benedito, terreiro de Campo Largo (PR), chama de “Pombagiras Meninas” as parceiras do Exu Mirim. Qual das duas trabalha na sua casa, o dirigente responde.
Quem é a Pombagira Menina
A Pombagira Menina é uma pombagira: para Prandi, pombagira “é um Exu, ou melhor, um Exu-mulher, como ela mesma gosta de ser chamada”. No texto Pombagira e as faces inconfessas do Brasil, da USP, ele lista a Menina ao lado de Maria Quitéria, Dama da Noite e Menina da Praia.
“Pombagira é singular mas é também plural. Elas são muitas, cada qual com nome, aparência, preferências, símbolos e cantigas particulares.”
Reginaldo Prandi, Herdeiras do Axé, 1996
Menina, então, é um nome de falange: vários espíritos respondem por ele. O Terreiro de Umbanda Pai Maneco, de Curitiba, confirma essa leitura na prática. Os pontos da Pomba Gira Menina estão na apostila de pontos de Pomba Gira da casa, junto de Maria Padilha e Dama da Noite. A apostila de Exu Mirim não fala dela.
As histórias de vida que circulam sobre a Menina se contradizem. Prandi lembra que muitas pombagiras são tidas como espíritos de mortos, “alguns de biografia mítica bem popular”. Relato de violência contado como biografia dela não tem fonte e não entra aqui. O perfil geral da entidade está em quem é Pombagira.
A Pombagira Menina é a mirim?
Depende da casa. Em parte dos terreiros, Menina é pombagira adulta. Em outros, é o nome da linha mirim feminina, a parceira do Exu Mirim.
- Menina como linha mirim. Na Casa do Vô Benedito, “os Exus Mirins e Pombagiras Meninas completam a trindade da Esquerda”. A pesquisadora Beatriz Minghelli estudou um terreiro do sul de Portugal em que a linha de esquerda tem Exu, Pomba-gira, Exu Mirim e “Menina-mirim”. O estudo saiu na revista PLURA.
- Menina como pombagira adulta. É o registro de Prandi e do Pai Maneco. Um médium umbandista que escreve com o próprio nome defende a mesma coisa: ela “é uma Pombagira como outras demais, que tem o nome de Menina”.
E o próprio mirim também muda de casa para casa. O sociólogo Sulivan Charles Barros registrou em Brasília, na Revista Brasileira de História das Religiões, umbandistas que viam os exus-mirins como “espíritos infantis”. Nas entrevistas de Minghelli, nenhuma entidade se definiu como criança. A comparação entre mirim, erê e Exu está no artigo sobre Exu Mirim.
Menina da Praia, Menina do Cabaré e outros nomes
A busca mostra muitas Meninas com nome de lugar: das Almas, da Calunga, da Estrada, da Encruzilhada, do Cruzeiro. Pombagira costuma ganhar nome pelo lugar onde trabalha. Três nomes pedem explicação.
| Nome | O que a fonte diz |
|---|---|
| Menina da Praia | Pombagira da lista de Prandi, ligada ao mar e a Iemanjá |
| Menina do Cabaré | A Menina do ponto que fala de quando ela era criança; numa casa, da linha de Iansã |
| Menina do Ouro | O nome circula, mas nenhuma fonte descreve essa Menina |
A Menina da Praia aparece separada da Menina na lista de Prandi. O pesquisador Tadeu Mourão Lopes, num artigo da UERJ, escreve que ela “está ligada ao mar e, portanto, a Iemanjá”. Uma casa de Maringá (PR) a põe também na energia de Oxum e oferece champanhe ou sidra na beira da praia.
A Menina do Cabaré é o nome que a busca e algumas casas dão à Menina de um ponto muito cantado, que fala de quando ela era menina. O Centro Pai João de Angola, em Maringá, a liga à linha de Iansã. Um nome que só aparece na busca não entra como fundamento.
O ponto da Pombagira Menina
O Pai Maneco registra este verso para a Menina:
“Firma, firma seu ponto / Firma na encruzilhada”
Ponto da Pomba Gira Menina, apostila do Terreiro de Umbanda Pai Maneco
O ponto mais conhecido da Menina é outro, sobre o tempo em que ela era criança. Circula gravado, sem compositor identificado. Ana Laura Brito e Nara Takaki analisaram pontos de pombagira na Revista Sede de Ler, da UFF. Elas mostram que pombagiras de imagem jovem, “muitas vezes” a Menina, cantam nos pontos as próprias dores e a recusa em ser domesticadas.
As autoras citam a leitura de Doté Luiz de Iansã: o ponto lembra que as pombagiras “não nasceram Pombagiras, nasceram meninas inocentes”. É relato de dor e de sobrevivência. Quem lê sedução ali lê errado. Brito e Takaki também escrevem que reduzir a pombagira a questões amorosas “é ignorar todo o potencial e importância de uma Pombagira”.
O que a Pombagira Menina recebe
Tipo: falange de pombagira ou linha mirim, conforme a casa | Cores: vermelho e preto | Flor: rosa vermelha aberta | Saudação: Laroyê Pombagira Menina, Pombagira Menina é Mojubá
Onde a Menina é pombagira adulta, ela recebe o que as pombagiras recebem. Prandi registra presentes como tecidos vermelhos e pretos, perfumes, bijuterias, champanhe e “rosas vermelhas abertas (nunca botões)”, com velas vermelhas, pretas e às vezes brancas. Na umbanda, a cidra entra como “uma espécie de champanhe barata feita de maçã”. A saudação segue a forma que Fábio Gonçalves anotou em campo, na dissertação da UFMG: Laroyê seguido do nome, e o nome seguido de “é Mojubá”.

No terreiro que Gonçalves estudou em Bocaiuva (MG), as oferendas das pombagiras “não são muito diferenciadas”: padê, espumantes, frutas vermelhas e rosas vermelhas. Onde a Menina é mirim, o prato muda. Na Casa do Vô Benedito, Exu Mirim e Pombagira Menina recebem farofa, cacau ou chocolate e pimenta dedo-de-moça. As bebidas de cada entidade estão em bebida de Pombagira.
Sobre onde entregar, o ponto do Pai Maneco manda firmar na encruzilhada. Para a Menina da Praia, uma casa entrega na beira do mar. A regra de Bocaiuva vale para qualquer lugar: recolher o material oferendado quando possível. Giras de pombagira costumam acontecer tarde da noite, geralmente às sextas-feiras, segundo Prandi. Não há registro de um dia só da Menina.
Nada aqui é trabalho de amarração nem promessa amorosa. O assentamento de Pombagira fica com a casa. Na quimbanda, os assentamentos se mantêm reservados, e quem conduz o rito precisa ser iniciado, como registram Giumbelli e Almeida na Revista de Antropologia.
Perguntas frequentes
A Pombagira Menina é Exu Mirim?
Em algumas casas, sim: Menina é o nome da linha mirim feminina, parceira do Exu Mirim. Em outras, como no registro de Prandi e no Terreiro Pai Maneco, Menina é pombagira adulta, e a apostila de Exu Mirim nem cita o nome dela.
A Pombagira Menina é de qual orixá?
Nenhuma pesquisa dá um orixá fixo para ela. Uma casa de Maringá liga a Menina do Cabaré a Iansã, e Lopes liga a Menina da Praia ao mar e a Iemanjá. Linha e orixá mudam de casa para casa. Quem responde pela sua é o dirigente.
O que a Pombagira Menina gosta de ganhar?
Onde é pombagira adulta, o mesmo que as outras: rosas vermelhas abertas, espumante ou cidra, perfume, bijuteria e velas vermelha e preta. Onde é mirim, uma casa oferece farofa, cacau e pimenta. Pergunte na sua casa antes de montar o agrado.
O teste de entidade mostra a Pombagira Menina?
Não. O teste de entidade tem resultado de Pombagira, mas não aponta falange. A pombagira que trabalha com você se conhece na gira, com o dirigente da casa.
Onde comprar artigos para a Pombagira Menina
Na Joia Mística Laroyê você encontra o que a sua casa usa na linha de esquerda:
- Velas vermelhas e pretas, de palito e de sete dias
- Imagens de Pombagira em gesso e resina, em modelos e tamanhos variados
- Taças para o espumante ou a cidra da gira
- Perfumes e essências para o altar
- Guias de pombagira nas cores vermelho e preto
Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.
Referências
- Reginaldo Prandi: Pombagira e as faces inconfessas do Brasil, 1996
- Brito e Takaki: Entre palavras e pontos, Revista Sede de Ler, UFF, 2025
- Tadeu Mourão Lopes: o caso da pombajira menina, UERJ, 2010
- Beatriz Minghelli: estudo com entidades de Exu Mirim, PLURA, 2025
- Sulivan Charles Barros: Os Exus Mirins da Umbanda, ANPUH, 2010
- Fábio da Silva Gonçalves: a comida nos terreiros de Bocaiuva, UFMG, 2017
- Giumbelli e Almeida: O enigma da quimbanda, 2021
- Terreiro de Umbanda Pai Maneco: apostila de pontos de Pomba Gira