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O que é gira de umbanda: significado, tipos e ritual

A gira de umbanda é o coração vivo do terreiro. Entenda o que é, como funciona o ritual, os tipos de gira e as linhas de trabalho que descem em cada uma.

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Salão de terreiro preparado para a gira de umbanda com atabaques, guias coloridas penduradas e velas acesas diante do congá.

Resumo

A gira de Umbanda é a sessão pública ou ritualística fechada em que a corrente mediúnica do terreiro se reúne em círculo sagrado para cantar, dançar, incorporar os guias de luz e prestar atendimento fraterno aos consulentes.

Estrutura-se em etapas litúrgicas bem definidas: defumação do espaço sagrado; abertura dos trabalhos com hinos e preces; chamada das forças de Oxalá e dos Orixás; chegada das falanges da direita (Caboclos, Pretos-Velhos, Baianos, Marinheiros, Erês) ou da esquerda (Exus e Pombagiras em giras dedicadas); passes e consultas; e encerramento.

A gira é sustentada pela disciplina do corpo mediúnico e pelo ritmo contínuo dos atabaques, promovendo cura espiritual, consolo moral e dispersão de energias densas para todos os participantes de forma inteiramente gratuita.

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A gira de umbanda é o coração vivo do terreiro. É o momento em que os atabaques chamam, os pontos são cantados e as entidades descem para trabalhar, ouvir e curar. Quem chega de fora vê dança e canto; quem entende sabe que ali acontece o encontro entre dois mundos.

Este guia explica o que é uma gira, como funciona o ritual do começo ao fim, quais são os tipos de gira e quais entidades descem em cada linha de trabalho.


O que significa gira na umbanda

A palavra gira vem do quimbundo njila, língua do tronco banto, e carrega a ideia de caminho. Na umbanda, a gira é a reunião ritual em que espíritos de uma mesma linha se manifestam pela incorporação nos médiuns, para prestar caridade a quem procura.

Não é uma festa comum nem um espetáculo. É trabalho espiritual organizado, com hora para começar, sequência definida e hora para encerrar. A gira é o principal ritual público da umbanda, o momento em que a corrente da casa se junta para servir de ponte entre a assistência e o plano espiritual.

Cada casa segue o fundamento da sua raiz, então nenhuma gira é idêntica à outra. Mas a espinha do ritual se repete nos terreiros de todo o Brasil, e é ela que vamos percorrer agora.


Como funciona uma gira: o passo a passo

Uma gira tem começo, meio e fim bem marcados. A sequência abaixo é a mais comum, com pequenas variações de casa para casa.

  • Abertura e preces: o dirigente abre os trabalhos com orações e a saudação a Oxalá e aos orixás da casa.
  • Defumação: o ambiente e as pessoas são defumados com ervas para limpar as energias densas antes do trabalho. É o mesmo princípio de uma defumação de limpeza.
  • Firmeza dos pontos: acendem-se velas e firma-se o congá, o altar da casa, onde ficam as imagens e assentamentos.
  • Curimba e pontos cantados: a curimba, grupo dos tocadores de atabaque, puxa os pontos cantados. O atabaque é instrumento sagrado: é ele que marca o ritmo e chama cada linha.
  • Incorporação: ao som dos pontos, as entidades descem e incorporam nos médiuns preparados.
  • Atendimento: as entidades atendem a assistência, dando passes, conselhos e encaminhamentos de trabalho.
  • Pontos de subida: no fim, cantam-se os pontos de subida, e as entidades se despedem e desincorporam.

A gira só acontece porque existe a corrente. Médiuns, cambonos e curimba formam um só corpo espiritual: cada um no seu posto, ninguém sozinho. É essa união que sustenta o trabalho do início ao fim.

O cambono, vale dizer, é quem serve a entidade incorporada: acende a vela, acende o charuto do preto-velho, organiza a fila, traduz o que a assistência não entende. Sem cambono, a entidade trabalha sem apoio.


Os tipos de gira

Nem toda gira tem a mesma finalidade. Como explicam casas de umbanda como o Cantinho de Oxalá, os trabalhos costumam se dividir em três grandes tipos.

  • Gira de trabalho (ou de atendimento): a mais conhecida. A assistência é recebida, e as entidades dão passes, consultas e encaminhamentos. É a gira de caridade por excelência.
  • Gira festiva: celebração em homenagem a um orixá ou a uma linha, com data no calendário da casa. Tem mais canto, mais alegria e oferendas.
  • Gira de desenvolvimento: voltada para os médiuns em formação, que aprendem a lidar com a incorporação e a firmar suas entidades. A mediunidade se educa nessas giras.

Há ainda uma divisão importante quanto ao público:

  • Gira aberta: recebe a assistência, qualquer pessoa pode entrar e ser atendida.
  • Gira fechada: só a corrente da casa participa, sem público, para estudo, desenvolvimento ou trabalhos internos.

As giras por linha de trabalho

Cada gira costuma chamar uma linha específica de entidades. Conhecer as sete linhas da umbanda ajuda a entender qual falange desce em cada trabalho.

  • Gira de pretos-velhos: os pretos-velhos trazem sabedoria, paciência e conselho. É a gira da escuta e do acolhimento.
  • Gira de caboclos: os caboclos, ligados a Oxóssi, trazem força, cura e a energia da mata. Giras firmes e alegres.
  • Gira de Ogum: ligada a Ogum, é a gira de abrir caminhos, cortar demandas e proteger contra o que trava a vida.
  • Gira de baianos, boiadeiros e marinheiros: entidades populares, diretas e trabalhadoras. Os baianos e os boiadeiros resolvem com franqueza.
  • Gira de erês: os erês, as entidades-crianças, trazem leveza, cura e a energia da alegria.
  • Gira de esquerda: os Exus e as Pombagiras trabalham as demandas mais pesadas, a proteção e o desmanche de trabalhos. Linha séria e mal compreendida pelo preconceito, mas de caridade tão legítima quanto as outras.

Cada terreiro define quais giras realiza e com que frequência, sempre conforme o seu fundamento e a orientação do dirigente.


Como participar de uma gira

Se você quer visitar uma gira aberta, alguns cuidados simples mostram respeito e ajudam o trabalho a fluir:

  • Vá de roupa clara, de preferência branca, e evite decotes e roupas curtas.
  • Chegue no horário e desligue o celular ao entrar no barracão.
  • Não coma carne vermelha nem beba álcool no dia, para chegar mais leve.
  • Aguarde ser chamado e siga a orientação dos cambonos na fila de atendimento.
  • Não tire fotos sem autorização: é um espaço sagrado, não um ponto turístico.

A gira é aberta a todos, de qualquer fé. Você não precisa ser umbandista para ser atendido. Basta chegar com respeito, coração aberto e disposição para ouvir.


Perguntas frequentes

O que significa gira na umbanda?

Gira vem do quimbundo njila, língua banto, e quer dizer caminho. Na umbanda, é a reunião ritual em que espíritos de uma linha descem pela incorporação nos médiuns para prestar caridade. É o principal trabalho público do terreiro, com abertura, atendimento e encerramento bem definidos.

Quais são os tipos de gira?

Há três tipos principais: gira de trabalho (atendimento à assistência), gira festiva (celebração de um orixá ou linha) e gira de desenvolvimento (formação de médiuns). Quanto ao público, a gira pode ser aberta, que recebe qualquer pessoa, ou fechada, só para a corrente da casa.

O que vestir para ir a uma gira de umbanda?

O ideal é roupa clara, de preferência branca, discreta e confortável. Evite decotes, roupas curtas e muito acessório. A cor branca representa a paz e a limpeza que se busca no terreiro. Na dúvida, pergunte antes à casa que vai visitar.

Preciso ser umbandista para participar de uma gira?

Não. A gira aberta recebe pessoas de qualquer religião ou sem religião. Você pode assistir, tomar um passe e conversar com as entidades sem nenhum compromisso. Basta chegar com respeito ao espaço e seguir as orientações dos cambonos e do dirigente da casa.


Onde encontrar itens para a sua gira

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que a corrente e a assistência precisam para firmar os trabalhos:

  • Velas nas cores das linhas: brancas, e nas cores de cada orixá para firmar o congá
  • Ervas e defumadores: para a defumação de abertura da gira
  • Guias e fios de conta: nas cores das entidades e dos orixás
  • Roupas e panos brancos: para a corrente e para quem visita o terreiro
  • Imagens e itens de congá: para montar e firmar o altar da casa

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou receba em casa com entrega para todo o Brasil. Para saber o que sua casa precisa, fale com a gente pelo WhatsApp.


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