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Erês na Umbanda: quem são as crianças que curam brincando

Erês são as entidades crianças da umbanda, a Ibejada. O dia dos erês é 27 de setembro, e as festas seguem até outubro. Veja como trabalham e o que oferecer.

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Mesa dos Erês farta de doces, pirulitos, brinquedos e frutas, com velas coloridas, montada para a Ibejada da umbanda.

Resumo

Os Erês, ou Crianças, formam a falange mais pura e espontânea da Umbanda, atuando sob a regência do Orixá Ibeji e a ternura das Iabás. Manifestam-se nos terreiros com a inocência e a vivacidade infantil, usando o riso, as brincadeiras e a doçura para desarmar couraças emocionais, consolar corações feridos e purificar ambientes densos.

Em seus atendimentos, utilizam doces, pirulitos, bolos, fitas coloridas, brinquedos, água com açúcar ou refrigerante e flores miúdas. As cores predominantes de suas guias e velas são o rosa e o azul claro. Suas falanges recebem nomes carinhosos como Pedrinho da Mata, Mariazinha da Praia, Crispim da Cachoeira, Ritinha e Rosinha.

Apesar da aparência frágil, os Erês realizam descarregos de altíssima complexidade e desfazem magias que espíritos adultos não conseguem alcançar. Sua presença na gira renova o amor pela vida, harmoniza famílias desunidas e lembra a importância da simplicidade na busca espiritual.

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10 min de leitura

Os erês na umbanda são as entidades crianças da linha da Ibejada, espíritos que descem na gira com jeito, fala e vontade de criança, e o dia dos erês é 27 de setembro, data de São Cosme e São Damião.

Linha: Ibejada, ou linha das Crianças | Dia no ano: 27 de setembro | Ciclo de festas: até 12 e 25 de outubro | Comida: doce, em abundância | Saudação: “Salve as Crianças!”

Brincam, pedem doce e fazem graça, mas trabalham sério: benzem, dão passe e aconselham. No candomblé, a palavra erê tem outro sentido, e essa diferença está mais abaixo.


Quem são os erês na umbanda

Os erês são as entidades infantis da umbanda, chamadas também de Crianças ou Ibejada. Ao lado de caboclos, pretos-velhos, exus e pombagiras, formam o conjunto de guias que trabalham no terreiro. Chegam alegres, doces e brincalhões, às vezes teimosos, e são tratados com muito respeito pelos outros guias.

Sobre a origem, as casas não falam a mesma língua. A pesquisa de Morena Freitas, feita num centro de umbanda, registra as duas leituras: os erês podem ser espíritos que desencarnaram ainda crianças, ou espíritos evoluídos que escolhem a forma de criança para se manifestar. Pai Alexandre Falasco, no texto reproduzido pelo Giras de Umbanda, lembra ainda quem os veja como seres que nem chegaram a encarnar, e chama a linha de “a manifestação mais espontânea e singela que existe”.

As tradições divergem, e isso é próprio da umbanda, que nunca foi religião de fórmula única. O que todas as casas repetem é a função: o erê é mensageiro e protetor, e a pureza dele abre portas que a energia adulta não abre.

Saudação: “Salve as Crianças! Salve a Ibejada!” É com esse chamado alegre que os terreiros recebem a chegada dos Erês na gira.


Qual é o dia dos erês?

O dia dos erês na umbanda é 27 de setembro, o mesmo de São Cosme e São Damião, e a festa não termina ali. Muitas casas seguem com giras de Crianças até o Dia das Crianças, em 12 de outubro, e até São Crispim e São Crispiniano, em 25 de outubro. Na semana, há quem dedique o domingo às Crianças.

DataO que se lembraO que costuma acontecer
27 de setembroSão Cosme e São Damião, Ibejigira de Crianças, mesa de doces e saquinhos
12 de outubroDia das Criançasnova gira ou festa em parte das casas
25 de outubroSão Crispim e São Crispinianoencerra o ciclo em algumas casas
Domingodia da semana citado para erês e Ibejivaria de casa para casa

O ciclo de três datas aparece na pesquisa de Freitas, que também mostra a diferença de ritmo entre as casas: em alguns centros as Crianças descem só uma vez por ano, e no centro estudado aparecem pelo menos uma vez por mês, nas sessões de consulta. O domingo como dia dos erês e de Ibeji é o que traz o Brasil Escola, com festas de Ibeji ao longo de setembro.

A Igreja passou a memória dos santos para 26 de setembro em 1969, mas o povo e os terreiros ficaram no 27. O documento e o que cada tradição faz na data estão em dia de Cosme e Damião.


Erê na umbanda e erê no candomblé: não é a mesma coisa

Na umbanda, o erê é uma entidade, um espírito com nome e história, que incorpora no médium. No candomblé, erê costuma nomear um estado de transe infantil ligado ao orixá do próprio iniciado. A palavra é a mesma, o fundamento é outro.

UmbandaCandomblé
O que éentidade da linha das Criançasestado de transe infantil, ligado ao orixá da pessoa
Tem nome próprio?sim, como Pedrinho da Cachoeira ou Rosinhao comportamento segue o jeito do orixá da cabeça
Quando apareceem gira de Crianças, muitas vezes nas datas festivasdepois do transe de orixá, em momentos da vida do terreiro

Freitas resume a distinção: nos terreiros de candomblé, os erês são entendidos como orixás ou como um estado intermediário de transe, e as ibejadas são as entidades cultuadas nos centros de umbanda. O artigo de Ana Maria Urpia e Leandro Conceição, na revista DESIDADES da UFRJ, descreve o estado de erê como um transe diferente do estado de orixá: quando o orixá deixa o corpo da iaô, a pessoa passa a se comportar como uma criança pequena, e o erê funciona como mediador entre ela e o seu orixá.

E há ainda dois nomes que se misturam a esses. O Ibeji é o orixá, os gêmeos divinos. São Cosme e São Damião são os santos gêmeos católicos que o povo negro associou a Ibeji durante a escravidão, para manter a fé viva sob repressão. O sincretismo aproximou as devoções, mas uma não é a outra. O terceiro menino que aparece em muitas imagens dos santos tem artigo próprio: quem é Doum.


Como os Erês trabalham na gira

Quem já viu uma gira de Crianças reconhece a cena. Freitas descreve as ibejadas comendo, bebendo, brincando e dançando pelo salão, pedindo a bênção, um brinquedo, um doce, um penteado. No meio de tanta alegria, acontece o trabalho sério. Veja o que eles costumam fazer:

  • Benzimentos: benzem crianças e adultos, com fama especial para males de criança, como o “quebranto”.
  • Passes e limpeza: aplicam passes energéticos que desmancham peso e tristeza.
  • Proteção e saúde: segundo o Brasil Escola, as pessoas procuram os erês para questões de saúde e para recuperar alegria.
  • Aconselhamento pela simplicidade: dizem verdades diretas, do jeito que só uma criança tem coragem de dizer.

A brincadeira não é distração. É a forma que o Erê tem de trabalhar. Enquanto joga bola ou pula corda, ele está lendo a pessoa e movimentando energia. A leveza é o método, não o descuido.

Cada Erê tem o seu nome. Na umbanda, o primeiro nome quase sempre vem no diminutivo e o sobrenome diz de onde a Criança vem, como Pedrinho da Praia ou Rosinha da Pedreira. A regra completa está em nomes de erês.


Doces e oferendas dos erês

Falar de Erê é falar de doce. Na pesquisa de Freitas, nas giras de ibejada os doces são a oferenda principal e vêm em abundância: o doce é comida, e não um agrado a mais. Doces brancos, como suspiro, cocada, manjar e maria-mole, têm lugar de destaque, e o refrigerante de guaraná acompanha a mesa.

Além dos doces, os Erês gostam de brinquedos, frutas e de comidas afro tradicionais, como o mugunzá e o caruru. O Brasil Escola registra o bolo de aniversário como oferenda central na umbanda, e o caruru como prato essencial no candomblé, assunto de caruru de Cosme e Damião. Cada casa firma suas oferendas conforme o fundamento, sempre com orientação do dirigente.

No 27 de setembro, muitos centros distribuem saquinhos de doce às crianças do bairro. No centro estudado por Freitas, cada criança pegava um só saquinho, entregue pela própria Criança do dirigente. A diferença entre o saquinho, que é para pegar, e o doce do prato do santo está em doce de Cosme e Damião. O Estado de Minas registra como essa partilha vira festa de comunidade nos terreiros.

Oferenda de Erê é gesto de carinho e partilha, não moeda de troca por resultado garantido. O doce é entregue com alegria e devoção, sempre orientado pela casa, nunca como promessa de “resolver” a vida.


O respeito por trás da brincadeira

É fácil olhar a gira de Crianças e achar que é só festa. Mas reduzir os Erês a “bagunça” é não entender a umbanda. A inocência deles é justamente a chave da força que carregam.

Por não terem malícia, os Erês alcançam lugares que a energia adulta, mais pesada e cheia de defesas, não alcança. É por isso que os grandes guias os respeitam tanto. Um preto-velho experiente sabe que, quando a Criança chega, algo delicado vai ser tratado com uma doçura que só ela tem.

Essa linha ensina algo simples e profundo: a fé também se vive com leveza. Para situar os Erês no conjunto maior da religião, vale conhecer as sete linhas da umbanda e o papel dos guias na casa.


Perguntas frequentes

O que são erês na umbanda?

Os erês são entidades crianças da umbanda, também chamadas de Ibejada ou linha das Crianças. São espíritos que se apresentam com jeito de criança, alegres e doces. Para umas casas, desencarnaram pequenos; para outras, são espíritos evoluídos em forma de criança. Apesar da brincadeira, benzem, dão passe e aconselham.

Qual o dia dos erês?

O dia dos erês é 27 de setembro, dia de São Cosme e São Damião. Em muitas casas de umbanda as giras de Crianças continuam até 12 de outubro, Dia das Crianças, e 25 de outubro, dia de São Crispim e São Crispiniano.

Qual o dia da semana dos erês?

O dia da semana mais citado para erês e Ibeji é o domingo. Mas cada casa tem o seu calendário: há centros em que as Crianças descem só nas festas do ano e outros em que aparecem uma vez por mês, nas sessões de consulta.

Erê do candomblé é o mesmo da umbanda?

Não. Na umbanda, o erê é uma entidade com nome próprio que incorpora no médium. No candomblé, erê costuma ser o estado de transe infantil que vem depois do transe de orixá, ligado ao orixá do próprio iniciado, e funciona como mediador entre a pessoa e o seu orixá.

Qual a diferença entre erê e Ibeji?

Ibeji é o orixá, os gêmeos divinos ligados à energia da infância. O erê é a entidade, ou, no candomblé, o estado infantil do iniciado. O orixá Ibeji foi associado a São Cosme e São Damião durante a escravidão, como estratégia de resistência, sem que um seja o outro.

Qual a oferenda dos erês?

A oferenda principal são os doces, oferecidos em abundância, porque para a Ibejada o doce é comida, não só agrado. Também entram guaraná, frutas, brinquedos, bolo e comidas afro como mugunzá e caruru. Cada casa firma suas oferendas conforme o fundamento e a orientação do dirigente.


Onde encontrar itens para os Erês

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para firmar sua devoção à linha das Crianças com respeito ao fundamento da sua casa:

  • Velas rituais: nas cores das Crianças e de Cosme e Damião
  • Imagens de Cosme e Damião e dos Ibeji: para o seu altar e o seu ponto
  • Guias e fios de conta: nas cores da Ibejada, para quem tem ligação com a linha
  • Itens de oferenda: para montar a mesa de doces com carinho
  • Defumadores e ervas: para a limpeza e a firmeza do ambiente

Visite nossa loja física em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre como firmar sua devoção às Crianças com responsabilidade, fale com a gente pelo WhatsApp.


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