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Boiadeiros na Umbanda: quem são os guias do sertão

Boiadeiros na Umbanda: quem são os guias vaqueiros do sertão, de que linha vêm, a saudação Getruá, as cores, as oferendas e como tocam a boiada na gira.

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Chapéu e gibão de couro de vaqueiro com um chicote sobre tronco rústico no terreiro, vela acesa e sertão ao fundo.

Resumo

Os Boiadeiros formam uma linha de trabalhadores espirituais ligada à lida do gado, ao sertão e aos campos abertos, atuando sob a irradiação direta de Ogum, Iansã e Oxóssi. Sua função primordial é laçar espíritos obsessores e desordeiros, recolhendo almas perdidas no astral e limpando correntes negativas com seu laço energético e chicote simbólico.

Usam roupas de couro, chapéus sertanejos, laços, berrantes e guias em tons de marrom, amarelo escuro e preto com vermelho. Durante a incorporação, manifestam passos firmes, estalar de dedos que simula chicotadas no ar e brados característicos que cortam energias estagnadas e restabelecem a ordem espiritual no terreiro.

Entre seus representantes mais conhecidos estão Boiadeiro da Jurema, Zé Mineiro e Carreiro. Seus passes descarregam o cansaço acumulado, desatam nós emocionais e trazem a bravura do homem do campo para que o consulente retome as rédeas da própria vida com determinação.

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Quando os Boiadeiros chegam na gira, trazem consigo a poeira do sertão, o brado do vaqueiro e a força de quem lidava com o gado sob o sol quente. São guias rústicos e valentes, o povo do campo aberto, chamados para tocar demandas para longe como quem toca uma boiada. Firmes, simples e leais, ocupam um lugar próprio no terreiro.

Este guia explica quem são os Boiadeiros na umbanda, de que vibração eles vêm, como trabalham na gira, o que significa a saudação “Getruá Boiadeiro” e por que eles não devem ser confundidos com os caboclos nem com os orixás. Tudo com o respeito que essas entidades e a cultura do sertão merecem.


Quem são os Boiadeiros

Os Boiadeiros são guias de umbanda que se apresentam com a roupagem dos vaqueiros, peões e tropeiros do sertão brasileiro. São espíritos que já viveram lidando com o gado, a terra e as durezas do campo, e que voltam para trabalhar na caridade. Trazem a coragem, a liberdade e a firmeza de quem cruzou a caatinga e o cerrado no lombo do cavalo.

A energia do Boiadeiro é séria e rústica, mas nunca fria. Ele é o braço forte, o guia que enfrenta demanda pesada sem recuar, e ao mesmo tempo conserva a simplicidade e a lealdade do homem do campo. Um estudo acadêmico da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte os descreve como guardiões dos saberes ancestrais da caatinga, guardando a memória da medicina do sertão e da vida sertaneja.

Como todo guia, o Boiadeiro é uma entidade que já encarnou, e não um orixá. Ele pertence à umbanda e não tem equivalente no candomblé, algo importante de guardar para não misturar as duas tradições.

Saudação: “Getruá, Boiadeiro!” As fontes de terreiro traduzem a expressão como “salve aquele que tem o braço forte”. Também se ouve “Geduê” e “Xetro Marrumbaxêtro”, conforme a casa.


De que linha vêm os Boiadeiros

Aqui é preciso honestidade, porque as casas divergem e isso é próprio da umbanda. Os Boiadeiros guardam um parentesco forte com os caboclos, e a tradição registra que a falange surgiu dentro da linha de Oxóssi, o senhor das matas e da caça. O campo e a mata se tocam, e o vaqueiro é primo do caçador.

Mas a vibração do Boiadeiro não se prende a um só ponto. Muitas casas o ligam a Ogum, pela luta e pela demanda, enquanto outras o associam a Iansã e ao Tempo, pela força que encaminha espíritos, ou a Oxalá, que várias tradições chamam de “Rei dos Boiadeiros”. Há ainda quem some Xangô a esse quadro, pela justiça.

O mais correto é entender essas ligações como um leque de vibrações, e não como filiação única e fechada. Quem define a regência de cada Boiadeiro é o fundamento de cada terreiro. Para situar tudo isso no todo maior, vale conhecer as sete linhas da umbanda.


Boiadeiro, caboclo e baiano: as diferenças

É comum confundir os Boiadeiros com outras linhas de guias, então vale separar. O caboclo traz a ancestralidade dos povos indígenas, a mata, as ervas e a caça. O baiano carrega a malandragem esperta e o gingado do Nordeste urbano e litorâneo. Já o Boiadeiro é o homem do sertão profundo, do gado e do campo aberto.

Os três compartilham a firmeza e o trabalho direto, mas cada um fala de um Brasil diferente. O Boiadeiro é o povo da lida com o gado, aquele que conhece o pasto, o laço e o berrante. Reconhecer essa diferença é respeitar a diversidade cultural que a umbanda acolhe em suas giras.


Como os Boiadeiros trabalham na gira

Quem já viu uma gira de Boiadeiro reconhece a cena: a dança de passos rápidos, imitando o vaqueiro que corre e laça o gado, os brados e o som do berrante ecoando no barracão. A chegada deles muda o ritmo da casa. Veja o que costumam fazer:

  • Desmanche de demanda: têm fama de grande autoridade para desfazer feitiços e trabalhos pesados.
  • Tocar a boiada: afastam e encaminham espíritos obsessores e energias densas, como quem toca o gado para longe.
  • Descarrego e limpeza: limpam o campo magnético da pessoa e do ambiente com firmeza.
  • Abertura de caminhos: ajudam a destravar a vida no trabalho, na saúde e na proteção da família.
  • Conselho direto: orientam com a franqueza simples e sem rodeios do homem do campo.

A expressão “tocar a boiada” resume bem a especialidade deles. Assim como o vaqueiro conduz o rebanho pelo caminho certo, o Boiadeiro conduz para longe as energias e os espíritos que atrapalham a vida do consulente.


O dia, as cores e as oferendas

Como toda linha de umbanda, a ficha dos Boiadeiros varia de casa para casa. Ainda assim, alguns traços se repetem e ajudam a reconhecer a entidade:

Cores: o marrom do couro e o verde da terra são os mais citados, com variações por casa | Bebida: vinho e aguardente | Símbolos: o laço, o chicote, o berrante e a ferradura

O dia dedicado a eles também muda conforme o terreiro, com a terça e a quinta entre os mais lembrados. As oferendas costumam ser entregues em campos, pastos e lugares abertos, o ambiente natural do Boiadeiro. Incluem frutas como abacaxi, laranja e uva, e pratos da cozinha tropeira, como o arroz carreteiro, a carne-seca desfiada e a costela.

Oferenda não é magia garantida nem promessa de resolver a vida num prazo. É um gesto de fé, respeito e firmeza, sempre orientado pela entidade e pelo dirigente da casa. Nenhum guia sério promete resultado certo.


Os nomes dos Boiadeiros

Assim como as outras linhas, os Boiadeiros formam um grande povo, organizado em falanges, e o “sobrenome” costuma indicar a origem ou a marca de cada um. Entre os nomes mais lembrados nos terreiros estão o Boiadeiro da Jurema, o João Boiadeiro, o Zé Mineiro, o Boiadeiro Chapéu de Couro, o Boiadeiro do Chapadão e o Carreiro.

Cada casa recebe e firma os seus Boiadeiros de um jeito próprio, e essa lista é só um exemplo, nunca um catálogo fechado. O que importa não é decorar nomes, e sim reconhecer a vibração do povo do sertão e respeitar como cada terreiro trabalha os seus guias. Para entender o conjunto dos guias da umbanda, vale conhecer também as outras linhas da casa.


Perguntas frequentes

Quem são os Boiadeiros na umbanda?

Os Boiadeiros são guias de umbanda que se apresentam como vaqueiros e peões do sertão. São espíritos que viveram lidando com o gado e a terra e voltam para trabalhar na caridade, com força e simplicidade. São entidades, não orixás, e guardam parentesco com a linha dos caboclos.

A qual linha ou orixá pertencem os Boiadeiros?

Não há uma regência única. A tradição liga o surgimento da falange à linha de Oxóssi, mas muitas casas associam os Boiadeiros também a Ogum, a Iansã e ao Tempo, ou a Oxalá, chamado de Rei dos Boiadeiros. O melhor é ver isso como um leque de vibrações, definido pelo fundamento de cada terreiro.

Qual é a saudação do Boiadeiro?

A saudação mais registrada é “Getruá, Boiadeiro!”, traduzida pelas fontes de terreiro como “salve aquele que tem o braço forte”. Existem variantes como “Geduê” e “Xetro Marrumbaxêtro”, que mudam conforme a casa. É uma saudação de tradição oral, com várias grafias.

Qual a diferença entre Boiadeiro e caboclo?

O caboclo traz a ancestralidade dos povos indígenas, ligado à mata, às ervas e à caça. O Boiadeiro é o homem do sertão e do gado, ligado ao campo aberto, ao laço e ao berrante. Os dois são firmes e trabalhadores, mas representam culturas diferentes dentro da umbanda.

O que os Boiadeiros trabalham na gira?

Os Boiadeiros são conhecidos por desmanchar demandas e feitiços, afastar espíritos obsessores e limpar energias densas, no que a tradição chama de “tocar a boiada”. Também abrem caminhos, protegem e dão conselhos diretos. Têm fama de grande autoridade sobre espíritos atrasados.


Onde encontrar itens para os Boiadeiros

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para firmar sua devoção ao povo do sertão com respeito ao fundamento:

  • Velas nas cores da linha: marrom, verde e outras conforme a sua casa
  • Imagens de Boiadeiro: com chapéu de couro e laço, para o seu ponto de guia
  • Guias e firmas: nas cores dos Boiadeiros, para quem tem ligação com a linha
  • Charutos e itens de oferenda: usados na devoção tradicional
  • Ervas e defumadores: para banhos e limpezas de descarrego

Visite nossa loja física em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre o uso correto de cada item e como firmar sua devoção com responsabilidade, fale com a gente pelo WhatsApp.


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