Iemanjá na umbanda é a dona de uma das sete linhas, a das águas ou do povo do mar, e raramente incorpora: quem desce na gira em nome dela é o povo d’água.
Nos terreiros estudados por Barros, a festa cai em 8 de dezembro. Cada resposta abaixo leva o nome da casa ou do autor, porque a lista de linhas muda de terreiro para terreiro.
Quem é Iemanjá na umbanda
Iemanjá rege uma das sete linhas da umbanda. Em 1933, Leal de Souza descreveu a Linha Branca de Umbanda com sete linhas. A sexta era a de “Amanjar”, como ele grafava o nome dela, e a cor era o azul.
Em 2006, a dissertação de Cristiane Amaral de Barros, da UFJF, registrou a “Linha de Iemanjá: linha do povo d’água” entre as mais difundidas. A própria autora avisa que não há consenso sobre a composição das linhas “entre os diferentes terreiros”. A comparação completa está em as 7 linhas da umbanda.
A ficha do orixá, com mitos e qualidades, está em quem é Iemanjá.
Iemanjá incorpora na gira?
Raramente. Barros escreve que a Janaína umbandista “geralmente não se incorpora em nenhum de seus filhos”.
“Na umbanda, é raro Iemanjá baixar nas giras.” Cristiane Amaral de Barros, UFJF, 2006
Para Armando Vallado, doutor pela USP, Iemanjá é a grande mãe, mas “seu papel cotidiano umbandista é bastante reduzido”. Prandi já registrava, em 1995, que caboclos e pretos-velhos têm papel mais importante no dia a dia da umbanda “do que os próprios orixás”.
Duas pesquisas mais recentes dizem isso para todos os orixás. Para Oliveira e Jorge, na revista Horizonte, “na Umbanda os Orixás não incorporam nos médiuns, apenas os Ancestrais”. Joana Bahia, da UERJ, escreve: “Não se incorporam orixás.”
A palavra de Barros é “raro”, e há casas em que o orixá desce. O mesmo debate aparece em Oxalá na umbanda. Na dúvida, vale o que a sua casa ensina.
Quem desce na linha de Iemanjá: o povo d’água
Quem desce é a falange, e a lista muda com o autor. Leal de Souza descreveu a linha como feita de “trabalhadores do mar, espíritos das tribos litorâneas, de marujos, de pessoas que perecem afogadas no oceano”, o “povo do mar”.
- Barros (UFJF): falanges de “marinheiros, caboclas iaras, juremas”.
- Vallado (USP): espíritos de caboclos e iaras, como “Caboclo do Mar, Caboclo Estrela do Mar, Janaína, Cabocla Iara”.
- Graminha e Bairrão (USP): os marinheiros são uma classe “habitualmente subordinada a Iemanjá”, muitas vezes espíritos de quem viveu no mar ou morreu afogado.
- NUSS (casa de Itanhaém): da linha vêm “as famosas sereias e as Oxuns”, e caboclos e pretos-velhos chamam essas trabalhadoras “com grande freqüência”.
Graminha e Bairrão estudaram 155 pontos cantados e observaram giras. Os marinheiros são os que mais falam, e outras classes, “como sereias e santas”, só dançam. Quando o médium recebe um marinheiro, o corpo balança para frente e para trás, “em alusão ao balanço das águas e do navio”. Quem são esses guias está em marinheiros na umbanda.
Nenhuma fonte aberta lista um Exu ou uma Pombagira “da linha de Iemanjá”, e por isso este texto não lista nomes.

Nome, saudação, cor e dia de Iemanjá na umbanda
Nome: Janaína ou Dona Janaína | Saudação: Odoyá | Cor: azul-claro, branco e prata | Dia: sábado
Verger registrou “Dona Janaína”, e Barros fala da “Janaína umbandista”. Em 193 canções populares, Queiroga e Nascimento, da UFMG, acharam Janaína, Sereia e Mãe d’água entre os nomes dela. Everton Alfonsin, presidente da Fauers, federação do Rio Grande do Sul, disse à BBC que na umbanda ela “não é chamada de orixá”, e sim de caboclo. É a posição de uma federação.
Na TUCTVC, a saudação é “Odoyá!”; a FUCESP escreve Odoiá, e Prandi registra Odoyá no candomblé queto. As saudações dos outros orixás estão em saudação dos orixás.
A cor varia por casa. Leal de Souza dava o azul; a TUCTVC usa guia e vela “azul-claro, branco e prata”; a FUCESP lista branco, prateado, azul e rosa. O sábado é o dia dela na FUCESP, na TUCTVC e em Verger. Na loja há vela azul-clara e vela branca de cor única, mas a cor da sua casa vale mais.
Qual é a festa de Iemanjá na umbanda
Dentro dos terreiros, a festa é em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição. Barros escreve que ela se faz “dentro dos terreiros, a 08 de dezembro”, e na TUCTVC a comemoração principal “ocorre em 8 de dezembro”. Vallado conta que a festa de Cidade Ocian, no litoral paulista, ocupa os dois primeiros fins de semana de dezembro. Belém e João Pessoa também festejam no dia 8, segundo o jornal O Povo.
O 15 de agosto é data de cidade:
- Rio de Janeiro: a festa acompanha Nossa Senhora da Glória. Barros, citando Labanca, liga o culto carioca às festas da Glória do Outeiro.
- Belo Horizonte: a festa da Pampulha é no dia de Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira da cidade, e chegou à 73ª edição em 2026.
- Fortaleza: o cortejo sai da União Espírita Cearense de Umbanda, que estimava 100 mil pessoas em 2025.
Na virada do ano, a festa vai para a praia e é de todas as pessoas, umbandistas ou não, como conta Iemanjá no ano novo. As outras datas, com a fonte de cada uma, estão em dia de Iemanjá e no calendário dos orixás.
Iemanjá é Nossa Senhora na umbanda?
Depende de quem fala. Para Leal de Souza, em 1933, a linha de Iemanjá significava “a Virgem Maria, em sua invocação de N. S. da Conceição”. A TUCTVC liga a festa à Conceição, mas escreve que o sincretismo “não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade”.
A imagem do congá mudou com isso. Vallado conta que, com a umbanda dos anos 30, Iemanjá ficou “branca, de longos cabelos negros e lisos”, de vestido azul, como Nossa Senhora. Barros chama essa figura de “virgem branca” e lembra que a sereia e a moça de vestido azul são a mesma Iemanjá. A história dessa figura, da África à Iemanjá negra, está em imagem de Iemanjá.
Quem vai pôr uma imagem de Iemanjá no congá confere antes com o dirigente. A Joice tira dúvida sobre as imagens e as velas da loja pelo WhatsApp. O que levar a ela está em oferenda para Iemanjá.
O que muda da Iemanjá do candomblé
No candomblé de rito queto, Iemanjá tem assentamento próprio: “seixo do mar em sopeira de louça”, nos quadros de Prandi. As contas são de “vidro incolor com azul ou verde alternadamente”, e a comida leva arroz com clara batida, canjica e peixe assado. Verger conta que, na dança, as iaôs imitam as ondas.
Na umbanda, a força dela chega pela linha e pela falange, pela imagem do congá e pela festa no mar. As qualidades estão em qualidades de Iemanjá, e as duas religiões lado a lado, em diferença entre umbanda e candomblé.
Perguntas frequentes
Qual é o nome de Iemanjá na umbanda?
Janaína, ou Dona Janaína, é o nome que Verger e Barros registram. Rainha do Mar e Princesa também aparecem. Em 1933, Leal de Souza grafava Amanjar. Para a Fauers, federação gaúcha, na umbanda ela é chamada de caboclo.
Qual a saudação de Iemanjá na umbanda?
Odoyá, na TUCTVC e em Prandi; Odoiá, Erù-Iyá e Odó-Iyá, na FUCESP. Verger e Vallado escrevem Odò Ìyá e traduzem como Mãe do rio. A grafia muda de casa para casa, e vale a forma que a sua casa usa na gira.
Qual a cor de Iemanjá na umbanda?
Azul-claro, branco e prata na TUCTVC; branco, prateado, azul e rosa na FUCESP; azul em Leal de Souza, em 1933. Na TUCTVC, a vela segue as cores da guia. Se a sua casa usa outra combinação, siga a casa.
Qual o dia de Iemanjá na umbanda?
Sábado, na FUCESP, na TUCTVC e em Verger. No ano, a festa dentro dos terreiros é em 8 de dezembro, com a Conceição. No Rio, em Belo Horizonte e em Fortaleza, a grande festa pública é em 15 de agosto.
Referências
- Barros, UFJF: Iemanjá e Pomba-gira, imagens do feminino na umbanda
- Vallado, Le Monde Diplomatique Brasil: Iemanjá, a mãe poderosa
- Leal de Souza: As Sete Linhas de Umbanda, 1933
- Graminha e Bairrão, Memorandum (UFMG): Torrentes de sentidos, o simbolismo das águas no contexto umbandista
- Oliveira e Jorge, Horizonte (PUC Minas): Espiritualidade umbandista
- Joana Bahia, Domínios da Imagem (UEL): O candomblé em terras alemãs
- Prandi, Horizontes Antropológicos (UFRGS): Deuses africanos no Brasil contemporâneo
- Queiroga e Nascimento, Memorandum (UFMG): Senhora das águas e da canção
- Pierre Verger: Orixás, deuses iorubás na África e no Novo Mundo
- TUCTVC: Iemanjá
- FUCESP: Iemanjá
- NUSS: Linha de Iemanjá
- BBC News Brasil, via O Povo: Por que Iemanjá virou mulher branca no Brasil
- Wikipédia: Festa de Iemanjá
- O Povo: Dia de Iemanjá em 15 de agosto
- Estado de Minas: Festa de Iemanjá na Pampulha em 2026
- Diário do Nordeste: Festa de Iemanjá em Fortaleza