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Umbanda 8 min de leitura

Iemanjá na umbanda: ela desce na gira? Linha, nome e festa

Iemanjá na umbanda quase não incorpora: quem desce é o povo d'água. Veja a linha, o nome Janaína, a saudação, a cor e por que a festa é em 8 de dezembro.

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Congá de terreiro caiado à noite, com toalha branca, rosas brancas, velas brancas e azul-claras acesas, um copo d'água e um barquinho de madeira com flores no chão diante do altar.

Resumo

Na umbanda, Iemanjá chefia uma das sete linhas, a das águas ou do povo do mar, e quase não incorpora. Barros, da UFJF, escreve que é raro ela baixar nas giras, e outras pesquisas dizem que na umbanda o orixá não desce: descem as entidades.

Quem trabalha na linha dela é o povo d'água: marinheiros, caboclas iaras e juremas, sereias e espíritos de quem viveu ou morreu no mar, conforme o autor e a casa.

Nome Janaína, saudação Odoyá, azul-claro, branco e prata, sábado. A festa dentro dos terreiros é em 8 de dezembro, com a Conceição; o 15 de agosto é data do Rio, de Belo Horizonte e de Fortaleza.

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8 min de leitura

Iemanjá na umbanda é a dona de uma das sete linhas, a das águas ou do povo do mar, e raramente incorpora: quem desce na gira em nome dela é o povo d’água.

Nos terreiros estudados por Barros, a festa cai em 8 de dezembro. Cada resposta abaixo leva o nome da casa ou do autor, porque a lista de linhas muda de terreiro para terreiro.


Quem é Iemanjá na umbanda

Iemanjá rege uma das sete linhas da umbanda. Em 1933, Leal de Souza descreveu a Linha Branca de Umbanda com sete linhas. A sexta era a de “Amanjar”, como ele grafava o nome dela, e a cor era o azul.

Em 2006, a dissertação de Cristiane Amaral de Barros, da UFJF, registrou a “Linha de Iemanjá: linha do povo d’água” entre as mais difundidas. A própria autora avisa que não há consenso sobre a composição das linhas “entre os diferentes terreiros”. A comparação completa está em as 7 linhas da umbanda.

A ficha do orixá, com mitos e qualidades, está em quem é Iemanjá.


Iemanjá incorpora na gira?

Raramente. Barros escreve que a Janaína umbandista “geralmente não se incorpora em nenhum de seus filhos”.

“Na umbanda, é raro Iemanjá baixar nas giras.” Cristiane Amaral de Barros, UFJF, 2006

Para Armando Vallado, doutor pela USP, Iemanjá é a grande mãe, mas “seu papel cotidiano umbandista é bastante reduzido”. Prandi já registrava, em 1995, que caboclos e pretos-velhos têm papel mais importante no dia a dia da umbanda “do que os próprios orixás”.

Duas pesquisas mais recentes dizem isso para todos os orixás. Para Oliveira e Jorge, na revista Horizonte, “na Umbanda os Orixás não incorporam nos médiuns, apenas os Ancestrais”. Joana Bahia, da UERJ, escreve: “Não se incorporam orixás.”

A palavra de Barros é “raro”, e há casas em que o orixá desce. O mesmo debate aparece em Oxalá na umbanda. Na dúvida, vale o que a sua casa ensina.


Quem desce na linha de Iemanjá: o povo d’água

Quem desce é a falange, e a lista muda com o autor. Leal de Souza descreveu a linha como feita de “trabalhadores do mar, espíritos das tribos litorâneas, de marujos, de pessoas que perecem afogadas no oceano”, o “povo do mar”.

  • Barros (UFJF): falanges de “marinheiros, caboclas iaras, juremas”.
  • Vallado (USP): espíritos de caboclos e iaras, como “Caboclo do Mar, Caboclo Estrela do Mar, Janaína, Cabocla Iara”.
  • Graminha e Bairrão (USP): os marinheiros são uma classe “habitualmente subordinada a Iemanjá”, muitas vezes espíritos de quem viveu no mar ou morreu afogado.
  • NUSS (casa de Itanhaém): da linha vêm “as famosas sereias e as Oxuns”, e caboclos e pretos-velhos chamam essas trabalhadoras “com grande freqüência”.

Graminha e Bairrão estudaram 155 pontos cantados e observaram giras. Os marinheiros são os que mais falam, e outras classes, “como sereias e santas”, só dançam. Quando o médium recebe um marinheiro, o corpo balança para frente e para trás, “em alusão ao balanço das águas e do navio”. Quem são esses guias está em marinheiros na umbanda.

Nenhuma fonte aberta lista um Exu ou uma Pombagira “da linha de Iemanjá”, e por isso este texto não lista nomes.

Pintura sacra de um terreiro caiado à noite: congá de pano branco e azul com velas brancas e azul-claras, rosas brancas e quartinha, atabaques nos cantos e, na parede, Iemanjá de costas diante do mar.


Nome, saudação, cor e dia de Iemanjá na umbanda

Nome: Janaína ou Dona Janaína | Saudação: Odoyá | Cor: azul-claro, branco e prata | Dia: sábado

Verger registrou “Dona Janaína”, e Barros fala da “Janaína umbandista”. Em 193 canções populares, Queiroga e Nascimento, da UFMG, acharam Janaína, Sereia e Mãe d’água entre os nomes dela. Everton Alfonsin, presidente da Fauers, federação do Rio Grande do Sul, disse à BBC que na umbanda ela “não é chamada de orixá”, e sim de caboclo. É a posição de uma federação.

Na TUCTVC, a saudação é “Odoyá!”; a FUCESP escreve Odoiá, e Prandi registra Odoyá no candomblé queto. As saudações dos outros orixás estão em saudação dos orixás.

A cor varia por casa. Leal de Souza dava o azul; a TUCTVC usa guia e vela “azul-claro, branco e prata”; a FUCESP lista branco, prateado, azul e rosa. O sábado é o dia dela na FUCESP, na TUCTVC e em Verger. Na loja há vela azul-clara e vela branca de cor única, mas a cor da sua casa vale mais.


Qual é a festa de Iemanjá na umbanda

Dentro dos terreiros, a festa é em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição. Barros escreve que ela se faz “dentro dos terreiros, a 08 de dezembro”, e na TUCTVC a comemoração principal “ocorre em 8 de dezembro”. Vallado conta que a festa de Cidade Ocian, no litoral paulista, ocupa os dois primeiros fins de semana de dezembro. Belém e João Pessoa também festejam no dia 8, segundo o jornal O Povo.

O 15 de agosto é data de cidade:

  • Rio de Janeiro: a festa acompanha Nossa Senhora da Glória. Barros, citando Labanca, liga o culto carioca às festas da Glória do Outeiro.
  • Belo Horizonte: a festa da Pampulha é no dia de Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira da cidade, e chegou à 73ª edição em 2026.
  • Fortaleza: o cortejo sai da União Espírita Cearense de Umbanda, que estimava 100 mil pessoas em 2025.

Na virada do ano, a festa vai para a praia e é de todas as pessoas, umbandistas ou não, como conta Iemanjá no ano novo. As outras datas, com a fonte de cada uma, estão em dia de Iemanjá e no calendário dos orixás.


Iemanjá é Nossa Senhora na umbanda?

Depende de quem fala. Para Leal de Souza, em 1933, a linha de Iemanjá significava “a Virgem Maria, em sua invocação de N. S. da Conceição”. A TUCTVC liga a festa à Conceição, mas escreve que o sincretismo “não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade”.

A imagem do congá mudou com isso. Vallado conta que, com a umbanda dos anos 30, Iemanjá ficou “branca, de longos cabelos negros e lisos”, de vestido azul, como Nossa Senhora. Barros chama essa figura de “virgem branca” e lembra que a sereia e a moça de vestido azul são a mesma Iemanjá. A história dessa figura, da África à Iemanjá negra, está em imagem de Iemanjá.

Quem vai pôr uma imagem de Iemanjá no congá confere antes com o dirigente. A Joice tira dúvida sobre as imagens e as velas da loja pelo WhatsApp. O que levar a ela está em oferenda para Iemanjá.


O que muda da Iemanjá do candomblé

No candomblé de rito queto, Iemanjá tem assentamento próprio: “seixo do mar em sopeira de louça”, nos quadros de Prandi. As contas são de “vidro incolor com azul ou verde alternadamente”, e a comida leva arroz com clara batida, canjica e peixe assado. Verger conta que, na dança, as iaôs imitam as ondas.

Na umbanda, a força dela chega pela linha e pela falange, pela imagem do congá e pela festa no mar. As qualidades estão em qualidades de Iemanjá, e as duas religiões lado a lado, em diferença entre umbanda e candomblé.


Perguntas frequentes

Qual é o nome de Iemanjá na umbanda?

Janaína, ou Dona Janaína, é o nome que Verger e Barros registram. Rainha do Mar e Princesa também aparecem. Em 1933, Leal de Souza grafava Amanjar. Para a Fauers, federação gaúcha, na umbanda ela é chamada de caboclo.

Qual a saudação de Iemanjá na umbanda?

Odoyá, na TUCTVC e em Prandi; Odoiá, Erù-Iyá e Odó-Iyá, na FUCESP. Verger e Vallado escrevem Odò Ìyá e traduzem como Mãe do rio. A grafia muda de casa para casa, e vale a forma que a sua casa usa na gira.

Qual a cor de Iemanjá na umbanda?

Azul-claro, branco e prata na TUCTVC; branco, prateado, azul e rosa na FUCESP; azul em Leal de Souza, em 1933. Na TUCTVC, a vela segue as cores da guia. Se a sua casa usa outra combinação, siga a casa.

Qual o dia de Iemanjá na umbanda?

Sábado, na FUCESP, na TUCTVC e em Verger. No ano, a festa dentro dos terreiros é em 8 de dezembro, com a Conceição. No Rio, em Belo Horizonte e em Fortaleza, a grande festa pública é em 15 de agosto.


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