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Orixás 10 min de leitura

Quem é Iemanjá: a Rainha do Mar e a Grande Mãe

Quem é Iemanjá, a Rainha do Mar e Grande Mãe dos orixás: a mitologia, os domínios, as cores, a saudação Odoyá, as qualidades e o sincretismo plural.

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Mar azul ao amanhecer com flores brancas, um espelho e um pente prateado sobre a espuma, a Rainha do Mar Iemanjá.

Resumo

Iemanjá (Yeyé Omo Ejá - "Mãe cujos filhos são peixes") é a majestosa Rainha dos Mares, a Grande Mãe do panteão africano e a senhora da fertilidade, da gestação e da harmonia familiar.

Originalmente ligada ao Rio Ogum na África, tornou-se no Brasil a deusa das águas salgadas e do oceano infinito, acolhendo em seu regaço todas as dores e lágrimas dos seres humanos.

Suas cores são o azul-claro, o branco e o prata, e na mão ela leva o abebé, um abano de metal. Sua saudação é "Odoyá!", de Odò Ìyá, que Pierre Verger traduz como "mãe do rio".

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10 min de leitura

Talvez nenhum orixá seja tão conhecido e amado no Brasil quanto Iemanjá, a Rainha do Mar. No réveillon, multidões, religiosas ou não, atiram flores brancas às ondas em sua homenagem. Mãe acolhedora e poderosa, ela é a senhora das águas salgadas e, segundo a tradição, a Grande Mãe de quase todos os orixás.

Este artigo traça o perfil completo de Iemanjá: quem ela é, a mitologia que a torna mãe dos deuses, as suas cores e símbolos, as suas qualidades e o sincretismo plural que a liga a várias santas e datas pelo país. Tudo com respeito à tradição e à sua casa, o mar.


Quem é Iemanjá

Iemanjá é a iabá, a orixá feminina, que reina sobre as águas salgadas, os mares e os oceanos. Seu nome vem do iorubá Yèyé omo ejá, que significa “mãe cujos filhos são peixes”, uma bela imagem da sua maternidade infinita. Na África, entre o povo egbá da atual Nigéria, ela era ligada a um rio. Foi na travessia da diáspora, na dor e na esperança dos africanos escravizados, que ela se tornou o imenso mar brasileiro e ganhou o título de Rainha.

Seus domínios são a maternidade, a fecundidade, a família e a proteção. É ela quem ampara os pescadores e jangadeiros que vivem do mar, e quem, segundo a tradição, cuida de uma das partes mais sagradas de cada pessoa: o ori, a cabeça espiritual. Por isso é chamada com tanto carinho de Grande Mãe, aquela que acolhe a todos no seu colo de água.

“Odoyá!” Esta é a saudação que ecoa nas praias e nos terreiros, um chamado de amor e respeito à “mãe do rio”, como Verger e Armando Vallado traduzem Odò Ìyá. É a senhora do grande rio que virou mar.


A mãe dos orixás

Num mito narrado por Armando Vallado, doutor pela USP, do ventre de Iemanjá nasceram Ogum, Xangô, Oiá, Obá, Oxóssi, Omolu e Oxum. Dos seus seios surgiram os rios e o mar. Numa história de Ifá registrada por Pierre Verger, ela tem dez filhos, entre eles Oxumaré e Xangô. Reginaldo Prandi resume: no Brasil, ela é cultuada como “mãe de muitos orixás”.

Vale, porém, uma ressalva honesta. As genealogias dos orixás variam conforme a fonte e a nação, e nem toda relação é de mãe e filho: na lista de Verger, Iemanjá Ogonté é casada com Ogum. A mitologia não é um documento fechado, e sim um tesouro de muitas versões. O que todas guardam em comum é a grandeza materna da orixá, aquela de quem o axé brota como a vida brota do mar, e diante de quem todo o panteão se curva com respeito de filho.


A ficha de Iemanjá

Conhecer os símbolos da Rainha do Mar ajuda a entender a sua energia. Lembrando que tudo varia conforme a casa e a nação, estes são os elementos mais tradicionais:

  • Cores: o azul-claro, o branco e o prata ou cristal.
  • Dia: o sábado, na maioria das casas. No batuque gaúcho, a sexta também é dela, e é daí que vem o nome dela como orixá regente de 2027, ano que começa numa sexta.
  • Saudação: “Odoyá!”, também grafado Odô Iyá, “mãe do rio”.
  • Símbolos: o abebé, abano de metal branco em Verger e Prandi; no ketu, é de latão com recorte de sereia, estrela ou lua. Há ainda conchas, estrelas, pérolas, âncoras e a figura da sereia.
  • Oferendas: rosas e flores brancas ou azuis, perfume, espelho, pente, joias e o manjar branco, entregues à beira-mar com devoção.

São objetos que falam de realeza, beleza e do brilho prateado das águas sob a lua. Como ela virou sereia e mulher branca de vestido azul está em imagem de Iemanjá.


As qualidades de Iemanjá

Como acontece com os grandes orixás, Iemanjá não se manifesta de uma só forma. Existem várias qualidades, caminhos diferentes da mesma divindade, e algumas são tão distintas que certas casas quase as tratam como orixás próprios. Veja algumas das mais citadas, sempre lembrando que isso muda muito de casa para casa:

  • Iemanjá Ogunté: a guerreira, dona do alfanje, ligada a Ogum, que vive onde a onda bate na pedra.
  • Iemanjá Assabá: a que manca e está sempre fiando algodão, segundo Verger. A Wikipédia a dá como a mais velha; na lista cubana de Lydia Cabrera, a mais velha é Awoyó.
  • Iemanjá Assessu: “muito voluntariosa e respeitável”, segundo Verger; em Cuba, mensageira de Olokum, que vive em água agitada.
  • Iemanjá Iamassê: lembrada como a mãe de Xangô, muito festejada nas festas do orixá da justiça.

Cada qualidade matiza a Grande Mãe de um jeito, mais doce ou mais guerreira, mais jovem ou mais ancestral. A lista, com a fonte de cada nome, está em qualidades de Iemanjá.


O sincretismo e as muitas datas

Aqui mora um dos pontos mais interessantes sobre a Rainha do Mar: ela não tem um só rosto católico nem uma só data. O sincretismo, nascido como estratégia de resistência dos africanos escravizados, variou de região para região.

Pierre Verger e Reginaldo Prandi dão Nossa Senhora da Conceição como a santa de Iemanjá no Brasil, e Leal de Souza, em 1933, já ligava a linha dela à Conceição. Mas a santa muda com o lugar. Armando Vallado registra Nossa Senhora das Candeias em Salvador, do Carmo no Recife e da Conceição em São Paulo. A FUCESP, federação paulista, dá Nossa Senhora dos Navegantes no Rio Grande do Sul e da Glória no Rio de Janeiro.

Em Salvador, Verger explica que o 2 de fevereiro vem de outra ligação, a de Oxum com Nossa Senhora das Candeias. Cada lugar a vestiu com a santa que tinha mais perto do coração e do mar.

Por isso também são muitas as suas datas. A maior festa acontece em 2 de fevereiro, no Rio Vermelho, em Salvador, com mais de um século de tradição. Dentro dos terreiros de umbanda, a festa costuma ser em 8 de dezembro, dia da Conceição, segundo a pesquisa de Cristiane Barros (UFJF). O 15 de agosto é data do Rio de Janeiro, ligada à Glória, e da Pampulha, em Belo Horizonte. Na virada, no 31 de dezembro, o litoral inteiro se cobre de flores.

A linha dela, quem desce na gira e a festa de dezembro estão em Iemanjá na umbanda. O 15 de agosto tem guia próprio no dia de Iemanjá, e todas as datas estão no calendário dos orixás.


Iemanjá e Oxum: as duas senhoras das águas

Uma confusão muito comum é misturar Iemanjá com Oxum, já que as duas são iabás das águas. Mas elas são bem diferentes, e a distinção é simples de guardar.

IemanjáOxum
ÁguasSalgadas, o marDoces, o rio e a cachoeira
DomínioMaternidade, realeza, proteçãoAmor, beleza, riqueza
MetalPrataOuro
CoresAzul e brancoAmarelo e dourado

Iemanjá é a mãe imensa do mar; Oxum é a senhora doce do rio. Para conhecer também o arquétipo de quem é da Rainha do Mar, vale ler sobre os filhos de Iemanjá.


Oferendas com respeito ao mar

Vale uma palavra de cuidado, em nome da própria Iemanjá. Nas festas, as oferendas atiradas ao mar devem evitar o plástico, o vidro, o isopor e os frascos, que poluem justamente a casa da orixá. O cuidado é recente: o presente que Verger viu no Rio Vermelho levava “frascos de perfumes” e sabonetes embrulhados em papel. Hoje, a prefeitura de Salvador pede o perfume jogado no balaio, sem o vidro, e flores 100% naturais.

Honrar a Grande Mãe é também zelar pelas suas águas. Levar flores naturais e materiais que o mar absorve, e recolher o que ficar na areia, é uma forma concreta de devoção. Em Salvador, a Colônia de Pesca Z1 recusa balaio de plástico, e Cici de Oxalá prefere dar o pente a jogá-lo no mar. Uma casa de umbanda, a TUCTVC, pede que os domínios naturais sejam visitados “com respeito e consciência ambiental”.

O passo a passo para qualquer data está em oferenda para Iemanjá. O que levar na virada e o que não jogar no mar estão em Iemanjá no ano novo.


Perguntas frequentes

Quem é Iemanjá no candomblé?

Iemanjá é a iabá das águas salgadas, a Rainha do Mar e a Grande Mãe, considerada na mitologia a mãe de quase todos os orixás. No candomblé, é cultuada como senhora da maternidade, da proteção e da fecundidade, e em muitas casas é ligada ao cuidado do ori, a cabeça espiritual de cada pessoa.

Iemanjá é orixá de quê?

Iemanjá é a orixá das águas salgadas, dos mares e oceanos. Rege a maternidade, a fecundidade, a família e a proteção, e é a protetora dos pescadores e de todos que vivem do mar. É reverenciada como a Grande Mãe, símbolo de acolhimento, força e amor incondicional.

Qual é a saudação de Iemanjá?

A saudação de Iemanjá é “Odoyá!”, também grafada Odô Iyá, que Verger e Vallado traduzem como “mãe do rio”. É dita nas praias e nos terreiros como um chamado de amor e reverência à Rainha do Mar, especialmente nas festas e ao entregar as oferendas à beira da água.

Qual a diferença entre Iemanjá e Oxum?

As duas são orixás das águas, mas Iemanjá reina sobre as águas salgadas, o mar, ligada à maternidade e à realeza, com a cor azul e a prata. Oxum reina sobre as águas doces, os rios e cachoeiras, ligada ao amor e à beleza, com o amarelo e o ouro. São iabás distintas.

Qual o dia de Iemanjá?

Iemanjá tem várias datas pelo Brasil. A maior festa é em 2 de fevereiro, no Rio Vermelho, em Salvador. Dentro dos terreiros de umbanda, a festa costuma ser em 8 de dezembro; o 15 de agosto é data do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Há ainda a virada do ano, no 31 de dezembro. Na semana, o dia dela costuma ser o sábado.


Onde encontrar artigos para Iemanjá

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para honrar a Rainha do Mar:

  • Guias e contas azuis e cristal: as cores de Iemanjá
  • Imagens e abebês: para o seu altar
  • Velas azuis e brancas: para as preces e oferendas
  • Flores e perfumes: itens tradicionais de agrado

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