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Umbanda 8 min de leitura

Oxum na umbanda: a falange, a cor azul e quem desce na gira

Oxum na umbanda é a orixá das cachoeiras, festejada aos sábados, com vela azul ou amarela conforme a casa. Veja a falange, quem desce na gira e o que se pede.

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Congá caiado com toalha branca, uma vela azul acesa num pires, um jarro de rosas brancas, uma quartinha de barro em pé e um abebé de latão dourado com espelho, deitado sobre a toalha.

Resumo

Na umbanda, Oxum é a orixá das cachoeiras e das águas doces, festejada aos sábados e em datas de Nossa Senhora. A cor mais citada nas casas é o azul; o amarelo e o dourado são mais comuns no candomblé.

Os autores antigos não dão a Oxum uma linha própria: em 1933 ela era uma invocação de Maria, e Matta e Silva a põe como falange da linha de Iemanjá. A linha do Amor é da Umbanda Sagrada.

Na maior parte das casas, quem desce na gira em nome de Oxum são caboclas e o povo d'água da falange dela. Cor, dia e oferenda seguem o que a sua casa ensina.

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8 min de leitura

Oxum na umbanda é a orixá das cachoeiras e das águas doces, festejada aos sábados. A vela é azul na maioria das casas e amarela em algumas. Em Matta e Silva e no NUSS, ela é falange da linha de Iemanjá. Na maior parte das casas, quem desce na gira em nome dela são caboclas dessa falange.


Quem é Oxum na umbanda

Oxum é a orixá do rio, do ouro e da fertilidade que o candomblé cultua. A umbanda a vive do seu jeito. Os mitos, as qualidades e a origem iorubá estão em quem é Oxum.

No Templo de Umbanda Mamãe Oxum, de Anastácio (MS), o ponto de força dela é “cachoeiras, rios, qualquer água doce”. Uma médium ouvida pela pesquisadora Cristiane Barros resume:

“A Oxum é a rainha da cachoeira, das correntes de cachoeira, de água doce.” Médium de umbanda, em Barros (UFJF, 2006)

Na umbanda, segundo Barros, Oxum “transmuta-se em mãe generosa, fecunda e fértil”. Perde o lado sedutor que tem nos mitos.


Oxum tem linha própria na umbanda?

Nos autores antigos, não. Em 1933, o escritor Leal de Souza, da casa de Zélio de Moraes, listou sete linhas, de Oxalá à linha de Santo. Nenhuma era de Oxum. Oxum aparecia como nome de Maria: os filhos de umbanda chamavam a Virgem de “Mãe Axum (Oxum)”.

FonteOnde Oxum entra
Leal de Souza, Rio de Janeiro, 1933sem linha; “Mãe Axum” é invocação de Maria
Matta e Silva, por Lages (UFJF, 2003)Cabocla Oxum, quinta falange da linha de Iemanjá
Núcleo Umbandista São Sebastião (NUSS), São Paulochefe da falange das sereias, na linha de Iemanjá
Santuário Nacional da Umbanda, Santo André (SP)primeira parte da Terceira Linha, “que termina em Iemanjá”
Umbanda Sagrada, segundo Cumino (2015)2ª linha, “Sentido do Amor”, com Oxumaré

A pesquisadora Sônia Lages, que resume Matta e Silva, avisa: “as classificações variam”. A expressão “linha do Amor” aparece na Umbanda Sagrada, na formulação de Cumino, uma escola entre várias. A comparação das linhas está em as 7 linhas da umbanda.


Quem desce na linha de Oxum

Na maioria dos autores, a orixá não desce em pessoa. Lages resume Matta e Silva: os orixás “repassam seus atributos às entidades”, sem se apresentar “pessoalmente no terreiro, como ocorre no Candomblé”. Quem vem são as caboclas e o povo d’água.

  • Caboclas com nome. Prandi, Vallado e Souza, citados por Nogueira (UFJF), ligam a Oxum as caboclas Lua Nova, Jandaia, Cabocla Menina e Estrela Dourada. Um projeto de lei de Porto Alegre (2023) chama a Cabocla Iara de “uma das falanjeiras da linha de Oxum”. Em Matta e Silva, a Cabocla Yara fica na linha de Iemanjá, junto com a Cabocla Oxum.
  • As Oxuns e as sereias. Para o NUSS, da linha de Iemanjá vêm “as famosas sereias e as Oxuns”. Elas descarregam o terreiro e as pessoas.
  • O choro. As enviadas de Oxum, diz o NUSS, cantam “quando o ambiente ou uma pessoa está bem” e choram no contrário. Uma médium de Campo Grande (MS) conta que tem “povo d’água cruzado com Mamãe Iemanjá e Oxum” e que esse povo chora.

Pintura sacra de uma cachoeira com rosas brancas na água, uma figura de luz azul e dourada de perfil e três médiuns de branco de costas.

Na esquerda, Matta e Silva põe o Exu do Mar trabalhando com a Cabocla Oxum, na vibração de Iemanjá. Mais sobre essas entidades em caboclos na umbanda e no teste descubra sua entidade. Na dúvida, pergunte ao dirigente da sua gira.


Cor de Oxum na umbanda: azul ou amarelo?

Dia: sábado | Cor mais citada: azul | Ponto de força: cachoeira | Saudação: Ora iêiê ô

O Santuário resume: “Sua cor e vela na umbanda são azuis, apesar de alguns templos usarem o amarelo (mais comum no Candomblé).”

FonteCor de Oxum
Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo (FUCESP)azul escuro na umbanda, amarelo ouro no candomblé
NUSS, São Paulovelas azul escuro
TUCTVC, São José dos Campos (SP)vela azul-escuro e amarelo
Terreiro de Umbanda Ogum Beira Mar, Passo Fundo (RS)guias e quartinhas azul escuro
Templo de Umbanda Pai Oxalá, Campo Grande (MS)luz azul na firmeza de Oxum
Tenda Espírita Mamãe Oxum, Juiz de Fora (MG)azul claro
Terreiro Pai Maneco, Curitibavelas brancas e amarelo claro no amalá

Por que azul? Para Nogueira (UFJF), as cores aparecem também nas santas: “o azul claro de Oxum está presente no manto da Virgem da Conceição”. Em Passo Fundo, o azul escuro representa “o fundo dos rios”.

Para acender em casa, a vela azul de cor única é a que mais aparece. A amarela vale se a sua casa usa o amarelo. Os testes qual vela acender e qual guia usar ajudam na escolha, e a cor da guia segue a casa. A ficha da orixá está em Oxum.


Dia, data e a santa no congá

O sábado é o dia de Oxum na FUCESP, no Santuário e na TUCTVC. A data muda com a santa de cada casa:

  • 12 de outubro, Aparecida. É a data de culto na TUCTVC. No Templo Mamãe Oxum, a primeira saudação da gira da festa é a Oxum, e só depois vêm os caboclos.
  • 8 de dezembro, Conceição. No mesmo templo, a dirigente faz em 8 de dezembro “o trabalho da Minha mãe que é Oxum”. A FUCESP dá as duas datas.

No congá, a imagem também varia. Em Passo Fundo, “Nossa Senhora Aparecida é a imagem utilizada para o assentamento de Oxum”. Em Campo Grande, a firmeza de Oxum tem a Conceição numa gruta de pedras que lembra a cachoeira.

A peça está em imagem de Oxum; a santa, em Nossa Senhora Aparecida e Oxum; as outras datas, em dia de Oxum.


Cachoeira e o que se pede a Oxum

Para o NUSS, as cachoeiras “também são domínios de Xangô e são em conjunto consagradas a Oxum”. Na gira dessa casa, é Oxum quem normalmente abre a limpeza fluídica das pessoas e do templo. Nas obrigações da casa vão rosas brancas sem espinhos, velas azul escuro e água pura.

O NUSS acha desnecessário acender vela na cachoeira, porque “somente sujam o local”. O Santuário diz que as cachoeiras “são apenas para banhar-se e devem ser preservadas”. O que levar está em oferenda para Oxum, e os cantos, em ponto de Oxum.

Na lista da TUCTVC, pede-se a Oxum “Amor-próprio e harmonia afetiva”, prosperidade e “proteção na gestação”. No Terreiro Pai Maneco, é a ela que se pede ajuda quando a mulher tem dificuldade para engravidar. O pedido de amor a Oxum é amor-próprio e harmonia, sem prender ninguém. Para conferir a vela ou as flores que a casa pediu, a Joia Mística Laroyê atende pelo WhatsApp.


Oxum na umbanda e no candomblé: o que muda

A grande diferença é a presença. No candomblé, o orixá se apresenta no terreiro. Na umbanda de Matta e Silva, ele passa os atributos às entidades.

A cor também muda. Na tabela de Reginaldo Prandi para o candomblé queto, a roupa de Oxum é “amarelo ou dourado com um pouco de azul”. Ali ela rege o ouro e a vaidade; na umbanda, segundo Barros, vira sobretudo mãe.

Veja também qualidades de Oxum, Oxum no batuque e filhos de Oxum.


Perguntas frequentes

Qual a cor de Oxum na umbanda?

Azul, na maior parte das casas com texto publicado. É azul escuro na FUCESP, no NUSS e em Passo Fundo, e azul claro numa tenda de Juiz de Fora. O amarelo aparece em algumas casas de umbanda e é a cor dela no candomblé. Siga a cor da sua casa.

Oxum incorpora na umbanda?

Na maioria dos autores, não: quem desce são caboclas e o povo d’água da falange dela. Num estudo do Terreiro Pai Maneco, um dirigente resume: “Orixá Cósmico não incorpora, ele vibra”. A própria casa lembra que há terreiros onde a incorporação acontece.

Oxum na umbanda é qual santa?

Depende da casa e da região. Nossa Senhora Aparecida é a mais citada, com festa em 12 de outubro. Há casas com a Conceição, em 8 de dezembro, e o NUSS cita a Glória. O sincretismo “não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade”, lembra a TUCTVC.

O que pedir a Oxum na umbanda?

Amor-próprio, harmonia afetiva, prosperidade, fertilidade e proteção na gestação, segundo a TUCTVC; no Terreiro Pai Maneco, ajuda para engravidar. O pedido é pelo seu caminho, diante da vela azul ou amarela, com as suas palavras. Pedido para prender outra pessoa não entra.


Referências

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