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Imagem de Iemanjá: branca, negra ou sereia? Veja a origem

Imagem de Iemanjá: por que a mais conhecida é branca de vestido azul, de onde vêm a sereia e a Iemanjá negra e o que olhar ao escolher a imagem do congá.

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Prateleira de congá caiada com toalha de renda branca, um abebé prateado com estrela recortada, contas de vidro transparentes e azul-claras, conchas brancas e uma vela azul-clara acesa.

Resumo

A imagem de Iemanjá mais conhecida no Brasil é a de uma mulher branca, de cabelos lisos e vestido azul, que se espalhou em gesso com a umbanda a partir dos anos 1930. Na África, a orixá é representada como mulher negra de corpo largo e seios fartos.

A sereia chegou pela mistura com a figura europeia e já aparece em Verger e em Prandi. A Iemanjá negra ganhou espaço nas lojas desde 2007 e nas esculturas do Rio Vermelho, em 2010 e em 2023, e o debate sobre a cor segue vivo nos terreiros.

Para o congá, quem decide é a casa: há tradição que não cultua a imagem em si e casa que cruza ou consagra a imagem antes de ela ir para o altar. Prata, azul-claro e o abebé com estrela, lua ou sereia aparecem nas fontes.

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8 min de leitura

A imagem de Iemanjá mais conhecida no Brasil é a de uma mulher branca, de cabelos lisos e vestido azul, que se espalhou em gesso com a umbanda. Na África, a orixá é uma mulher negra de corpo largo e seios fartos, e a sereia veio da mistura com a figura europeia.

As formas convivem nos congás e nas lojas, e a Iemanjá negra ganhou espaço nas últimas duas décadas.


Como é a imagem de Iemanjá: as quatro formas

A ficha e os mitos estão em quem é Iemanjá. Aqui o assunto é a figura, que as fontes registram em quatro formas:

  • A africana: mulher negra de seios volumosos, às vezes grávida, em esculturas de madeira.
  • A sereia: metade mulher, metade peixe, com os cabelos soltos ao vento.
  • A branca de vestido azul: a da umbanda, com diadema de estrela, próxima de Nossa Senhora.
  • A negra brasileira: feita em gesso e em escultura pública a pedido de fiéis e de pais de santo.

Cor: azul-claro e branco | Metal: prata | Na mão: abebé ou abano de metal | Símbolos: estrela, lua e sereia


A Iemanjá da África: mãe de seios fartos

Na África, Iemanjá é uma senhora de traços negros e seios muito volumosos, segundo a Wikipédia. Uma coluna de A Tarde descreve a escultura iorubá de corpo largo, quase sempre com uma tigela na cabeça.

Pierre Verger, diante da Iemanjá da umbanda, comenta: “Estamos bem longe da Iemanjá” de seios volumosos. Para a Universidade Duke, ela é retratada mais comumente com pele escura.

Sobre o rabo de peixe, as fontes divergem. A Wikipédia diz que não há menções antigas dela como peixe. A Duke registra imagens nigerianas com corpo de peixe, “mas não brancas”.

O historiador Nei Lopes lembra, à BBC, que os cultos mais tradicionais “não representam as divindades em forma humana”.


Por que Iemanjá virou sereia

Pierre Verger escreve que Iemanjá é “freqüentemente representada sob a forma latinizada de uma sereia, com longos cabelos soltos ao vento”. Em 1995, Reginaldo Prandi anotou a estátua de sereia “em quase todas as cidades ao longo da costa brasileira”.

A coluna de A Tarde lembra que a sereia é figura conhecida desde a Grécia e foi incorporada à imagem de Iemanjá. Câmara Cascudo, citado pela Wikipédia, notou que as sereias angolanas eram pretas e as da Bahia, brancas.

No Rio Vermelho, em Salvador, a sereia de Manoel Bonfim foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1969, diante da Casa de Iemanjá. Nos anos 1970, Yêdamaria moldou em gesso uma sereia para a festa, segundo o Museu Afro Brasil.

Nem todos aceitam a cauda. “Nem rabo de peixe Iemanjá tem”, diz Leonel Monteiro, ouvido pelo Correio. Para Barros, a sereia remete à mulher e a virgem branca, à mãe: “Mas ambas são Iemanjá”. Os caminhos da orixá estão em qualidades de Iemanjá.


A Iemanjá branca de vestido azul: umbanda e Stella Maris

Armando Vallado, doutor pela USP, data a Iemanjá branca com a umbanda dos anos 1930 e a aproximação com Nossa Senhora:

“Ela agora é branca, de longos cabelos negros e lisos, usa um vestido azul de mangas longas, trazendo na cabeça um diadema em forma de estrela. Ela é Stella Maris, como é Nossa Senhora.”

Verger viu a mesma Iemanjá nos umbandistas que iam à praia na última noite do ano: “uma espécie de fada, com a pele cor de alabastro”. Essa noite está em Iemanjá no ano novo.

Segundo a BBC, a massificação da Iemanjá branca em gesso veio com a umbanda, e Nei Lopes diz que essa imagem “nasceu, muito provavelmente, no ambiente da umbanda”. O lugar dela nas giras está em Iemanjá na umbanda.

O gesso levou a imagem às lojas de artigos religiosos, registra um TCC da UnB. A Imagens Bahia, de São Paulo, nasceu de uma casa de velas de 1934. Para Patrícia Rodrigues de Souza, da PUC-SP, é o fabricante mais antigo de imagens de entidades afro-brasileiras.

O nome de quem pintou a primeira Iemanjá branca não aparece nas pesquisas citadas aqui. Em Praia Grande, um ogã ouvido pelo Diário do Litoral diz que a estátua da cidade se baseia “no relato de um médium brasileiro”. O sincretismo de cada região está em orixá e santo católico.


Iemanjá negra: o debate nos terreiros

A conta do Correio mostra o peso da imagem branca. Em 2026, das 129 imagens da Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho, 92 eram de pele clara, 73% do total. Em 2021, só quatro de 115 eram negras.

As vozes divergem. Pai Ari de Ajagunã diz ao jornal: “Esta imagem branca não existe no candomblé”. Para o presidente da Fauers, ouvido pela BBC, a estátua de Cidreira é Iemanjá sincretizada com Navegantes e “não tem nada a ver com a Iemanjá de matriz africana”. Gildeci Leite, da Uneb, propõe outro caminho:

“Eu penso que Iemanjá tem que ter representação negra, mas pra isso eu não preciso depreciar outras representações.”

Em 2007, a Imagens Bahia passou a fabricar uma Iemanjá negra com roupa de candomblé, a pedido de fiéis e de pais de santo. O herdeiro da fábrica diz que a branca ainda vende bem mais.

No Rio Vermelho, Washington Santana fez em 2010 uma Iemanjá negra, ainda de cabelos lisos, que acompanhou o cortejo do mar. Em 2023, a colônia de pescadores e o Muncab idealizaram uma sereia negra de Rodrigo Siqueira, hoje na Casa de Iemanjá. A peça foi moldada no terreiro Ilê Obá L’okê.

Pintura sacra de Iemanjá negra vista de costas, de vestes azul-claras e prata, erguendo um abebé prateado na arrebentação ao amanhecer.


Estátuas de Iemanjá pelo Brasil

As estátuas públicas mostram as formas lado a lado:

  • Salvador (BA), 1969: a sereia de Manoel Bonfim, no Rio Vermelho.
  • Praia Grande (SP), 1976: cerca de 9 metros, branca, doada por um órgão de umbanda e repintada de branco em 2023.
  • Belo Horizonte (MG), 1982: a Iemanjá da Pampulha, trocada por uma de bronze em 1988.
  • Vitória (ES), 1988: a estátua de Camburi teve a pele embranquecida em relação ao projeto e foi repintada com pele negra em 2017.
  • Cidreira (RS): mais de 8 metros, mulher branca de vestido azul.
  • Teresina (PI), 2024: a primeira Iemanjá negra do estado, no lugar de uma branca de 1980.

Como escolher a imagem de Iemanjá para o congá

Quem decide é a casa. Mãe Néia, mãe de santo de Vitória, diz: “Na nossa fé, não temos a imagem em si.” Na umbanda, a imagem tem lugar no congá, e a casa diz qual usa.

Souza registra que as estátuas podem ser “cruzadas” pela entidade incorporada e que há rituais de consagração para o congá. Na pesquisa dela, esse cuidado pesa mais que o modelo.

Três detalhes das fontes ajudam a reconhecer Iemanjá:

  • O abebé: no candomblé ketu, é de latão com recorte de sereia, estrela ou lua, para se distinguir do de Oxum.
  • A prata: é o metal dela, e Mãe Néia trocou a coroa dourada da estátua de Vitória porque “a coroa de Iemanjá é prata”.
  • O azul-claro: a cor de roupa que Verger e Prandi registram.

Na loja há imagens de orixás, e a escolha certa é a que a sua casa usa. A Joice tira dúvida sobre as imagens pelo WhatsApp. O arranjo do altar está em como montar um altar de umbanda e no monte seu altar.


Perguntas frequentes

Iemanjá é branca ou negra?

A origem é africana, e na África ela é representada como mulher negra. A imagem branca se firmou no Brasil, com a umbanda e a aproximação com Nossa Senhora. As duas estão nos congás, e Gildeci Leite defende a representação negra sem depreciar as outras.

Iemanjá é sereia?

É uma das formas dela no Brasil. Verger e Prandi registram a sereia, e o monumento do Rio Vermelho tem essa forma. Há quem discorde: para Leonel Monteiro, ouvido pelo Correio, “nem rabo de peixe Iemanjá tem”.

Iemanjá é Nossa Senhora dos Navegantes?

O sincretismo aproxima as duas, mas muda de lugar: Verger e Prandi dão Conceição, e Vallado dá Candeias em Salvador e Carmo no Recife. Navegantes inspirou as estátuas de Cidreira e a antiga de Teresina. A TUCTVC, casa de umbanda, escreve que o sincretismo não faz das duas “exatamente a mesma divindade”. As datas estão em dia de Iemanjá.

Qual imagem de Iemanjá usar na umbanda?

Na umbanda, a imagem difundida é a “moça branca de longos cabelos pretos e vestido azul”, segundo Barros. Mas a escolha é da casa, que pode cruzar ou consagrar a imagem antes de ela ir para o altar. O que levar a ela está em oferenda para Iemanjá.


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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

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