As ervas de Xangô mais citadas nas pesquisas de terreiro são o acocô, o baobá e o orobô no candomblé da Bahia e o quebra-pedra na umbanda. A lista muda de casa para casa. Cada planta abaixo vem com a pesquisa ou o terreiro que a liga ao orixá.
Quais são as ervas de Xangô?
Não existe lista única: cada tradição e cada casa registra plantas diferentes. A tabela junta o que as pesquisas e as casas dizem.
| Erva | Nome científico | Tradição e lugar | Quem diz |
|---|---|---|---|
| Acocô (akòkó) | Newbouldia laevis | Candomblé ketu e ijexá, Bahia | Purcino, UFSB |
| Baobá (osè) | Adansonia digitata | Candomblé ketu e ijexá, Bahia | Purcino |
| Orobô (orógbó) | Garcinia kola | Candomblé ketu e ijexá, Bahia | Purcino |
| Quebra-pedra | Phyllanthus sp. | Umbanda, Teixeira de Freitas (BA) | Santos e Fortuna |
| Vence-demanda | Justicia gendarussa | Umbanda, Viçosa (MG) | Tomaz, UFV |
| Folha de quiabo | Abelmoschus esculentus | Umbanda, Viçosa; Umbanda Nagô, RS | Tomaz; Torres |
| Aperta-ruão | Piper (três espécies) | Rio de Janeiro, 1985 | Jardim Botânico do Rio |
| Guiné | Petiveria sp. | Umbanda, com outros orixás | Santos e Fortuna |
| Arruda | Ruta graveolens | Umbanda; batuque | Santos e Fortuna; Ilé Àsé Odé |
As listas não batem porque a mesma folha serve a vários orixás. Pesquisadores da USP ouviram lideranças de umbanda em São Paulo. Elas dizem que “muitas vezes uma mesma erva se circunscreve no domínio de mais de um orixá”. Para saber de quem é uma planta, use de qual orixá é a erva.
Há até um itã sobre isso, na versão de Reginaldo Prandi citada por Bianca Purcino. Xangô manda Iansã soprar as folhas de Ossaim para o seu palácio. As que ficam com ele perdem o axé, e no fim Ossaim dá uma folha a cada orixá. O resto da história está em quem é Xangô.
No candomblé: acocô, baobá e orobô
Purcino estudou dois terreiros no sul da Bahia, um ketu e outro ijexá. Nos dois, três árvores são consagradas a Xangô. O acocô é “uma planta masculina”, usada na proteção do terreiro e em banhos para prosperidade. O baobá e o orobô entram em rituais que a casa guarda. O orobô é folha “de característica quente”.
Orixá: Xangô | Árvores: acocô, baobá, flamboyant | Folha quente: orobô | Nação: ketu e ijexá
O acocô também está no mito. Felipe Rosa e Waldmir Araújo Neto reproduzem um itã de Prandi. Nele, Iansã acha Xangô escondido debaixo de um acocô, “árvore sagrada dele”. O casal tem artigo próprio em Iansã e Xangô. Em casas ketu do Rio, Vitor Azevedo, da UERJ, põe o flamboyant de flor vermelha com Euá, Oyá e Xangô.

Na umbanda: cada casa tem a sua lista
Na umbanda, a lista depende da casa, e as fontes abertas dão pelo menos quatro versões.
- Terreiro Pai Maneco (Curitiba): limoeiro, erva-moura, erva-lírio, folhas de café, mangueira e uma “erva de Xangô” sem identificação.
- FUCESP (São Paulo): “algumas ervas”, entre elas folha de fumo, taboa e jatobá.
- Terreiro de Teixeira de Freitas (BA): cinco das 39 plantas são de Xangô. O quebra-pedra é só dele, pelo nome que lembra a pedreira. A guiné, a arruda, o pinhão-roxo e o alecrim são divididos com outros orixás, como Ogum e Oxóssi.
- Viçosa (MG): o vence-demanda vai em banho de descarrego. A folha de quiabo vai em banho e na comida.
Um levantamento de 1985 no Rio de Janeiro, feito por biólogos do Jardim Botânico, não separa umbanda e candomblé. Ele registra o aperta-ruão como “planta dedicada a Xangô” e a panaceia como planta de Xangô e Obaluaiê.
No comércio, o quitoco é vendido como erva-de-xangô. Nenhuma fonte aberta confirma que a planta do Pai Maneco seja essa. O louro e a canela têm artigos próprios: folha de louro e canela de Oxum e Xangô. Como o orixá chega na gira está em Xangô na umbanda, e os cantos, em ponto de Xangô.
No Sul: Umbanda Nagô e batuque
No Rio Grande do Sul, parte das plantas de Xangô vai para a panela. O pesquisador Vladimir Torres estudou oito templos de Umbanda Nagô. Ele registrou o quiabo na “alimentação festiva” de Xangô e a mostarda no amalá. O inhame, para ele, é “alimento litúrgico de Xangô”. O prato está em amalá de Xangô.
Numa casa de batuque, o Ilé Àsé Odé e Iemanjá, as ervas de Xangô são arruda, inhame e gervão. É a lista de uma casa só. Outras casas podem dar outra lista, como mostra Xangô no batuque.
Ervas quentes e frias de Xangô
As fontes que classificam as folhas de Xangô põem a maioria do lado quente. Purcino registra o orobô como folha quente. Em Viçosa, uma zeladora de umbanda cita três ervas quentes: cambará, aroeira e mamona. Elas pertencem aos “orixás considerados de fogo”, entre eles Xangô.
O Àsé Dan Fè Èrò é uma casa de candomblé. Ela dá o nome iorubá e a classe quente (gùn) ou fria (èrò) de cada folha. Para a casa, o abamodá é a “folha principal de Xangô”. O igí mésàn é o para-raio, de Oyá e Xangô. A língua-de-vaca é de Xangô Barú e de Oxum.
Folha fria de Xangô, só uma casa registra: o manjericão roxo de Xangô Ayrá, que o Àsé Dan Fè Èrò classifica como èrò, da água.
É a lista de uma casa, sem segunda fonte. Airá tem artigo em Ayrá orixá. A regra geral está em ervas quentes e frias e no teste erva quente ou fria.
Cuidado: as ervas que não vão na boca
Algumas plantas da lista de Xangô são tóxicas e não devem ser bebidas. O pinhão, roxo e branco, é a planta mais citada nas intoxicações do centro de toxicologia de Belém, com 25,1% dos casos. Os dois óbitos da série foram pela mamona e pela mandioca. A arruda é uma das “plantas mais comumente utilizadas para indução de aborto” no Brasil, segundo pesquisadoras da UFRGS. Mais sobre o pinhão em pinhão-roxo.
Banho e amaci de Xangô: a receita é da casa
Nenhuma fonte aberta consultada dá receita de banho de Xangô com função. Em Viçosa, o uso das plantas depende da indicação da mãe ou do pai de santo. O amaci aparece só como registro de uso, no aperta-ruão do Rio. O que ele é está em o que é amaci.
Para um banho fora do terreiro, o qual banho tomar ajuda a escolher, sem substituir a casa. A mesma lógica vale para ervas de Iansã e ervas de Oxóssi. As datas para levar as folhas estão em dia de Xangô. Se a casa pediu uma erva e você quer conferir o material, a equipe da Joia Mística ajuda pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Quais são as ervas de Xangô na umbanda?
Cada casa tem a sua lista. O Terreiro Pai Maneco cita limoeiro, erva-moura, erva-lírio, café e mangueira, e a FUCESP cita fumo, taboa e jatobá. Um terreiro baiano liga o quebra-pedra só a Xangô, e dois terreiros mineiros citam vence-demanda e folha de quiabo. Vale a lista da sua casa.
Quitoco é erva de Xangô?
No comércio, o quitoco é vendido como erva-de-xangô, mas nenhuma fonte aberta consultada confirma. O Terreiro Pai Maneco lista uma “erva de Xangô” sem dizer qual planta é. As ervas de Xangô com pesquisa publicada são outras, como acocô, quebra-pedra e vence-demanda. Confirme com o dirigente da sua casa.
Pode fazer banho de Xangô em casa?
Nenhuma fonte aberta dá receita de banho de Xangô com função. As pesquisas dizem que o uso depende da indicação do pai ou da mãe de santo. Banho de cabeça e amaci são preparados pela casa. Pinhão-roxo, mamona e arruda são tóxicos se ingeridos, então nenhuma folha vai na boca.
Referências
- Purcino, UFSB: Perfil etnobotânico em terreiros de candomblé
- Rosa e Araújo Neto, eduCAPES: Xangô: fogo, matéria e transformação
- Azevedo, UERJ: Ewé Igbo
- Santos e Fortuna, RSD: terreiro de Teixeira de Freitas
- Tomaz, UFV: umbanda em Viçosa
- Guedes e outros, Rodriguésia: rituais afro-brasileiros no Rio
- Torres, UNISANTA Bioscience: Umbanda Nagô
- Colli Silva e Silva, Interagir: Um bosque de folhas sagradas
- Revista Fitos: intoxicação por plantas no Pará
- Infarma: plantas e gravidez
- Terreiro Pai Maneco: Xangô
- FUCESP: Xangô
- Ilé Àsé Odé: Orixás
- Àsé Dan Fè Èrò: Èwés