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Dia de Cosme e Damião: 26 ou 27, e o que fazer no dia

O dia de Cosme e Damião é 27 de setembro no Brasil e 26 no calendário da Igreja desde 1969. Veja o que mudou em 1969 e o que se faz no dia em cada tradição.

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Mesa forrada de toalha branca com doces embrulhados, frutas e duas velas acesas, montada para o dia 27 de setembro.

Resumo

No Brasil, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro, e em 2026 a data cai num domingo. No Calendário Romano Geral da Igreja Católica, a memória dos dois santos está em 26 de setembro desde a reforma de 1969.

A mudança abriu o 27 para São Vicente de Paulo, que morreu nessa data. O mesmo documento registra que o 27 dos livros litúrgicos antigos provavelmente marcava a dedicação da basílica dos santos em Roma, e não a morte deles.

Nos terreiros, o 27 ficou. No candomblé o dia pertence a Ibeji e ao caruru, na umbanda abre o ciclo de giras das Crianças, e na devoção popular é o dia do doce.

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9 min de leitura

O dia de Cosme e Damião é 27 de setembro no Brasil, e em 2026 a data cai num domingo. No Calendário Romano Geral da Igreja Católica, a memória dos dois santos está no dia 26, desde a reforma litúrgica de 1969.

A diferença não é engano de ninguém: veio de uma decisão de calendário tomada em Roma, e o próprio livro que a tomou explica a razão. Nos terreiros e na festa de rua, o dia continua sendo o 27.


O dia de Cosme e Damião é 26 ou 27 de setembro?

Dia no Brasil: 27 de setembro | Memória no Calendário Romano Geral: 26 de setembro | Em 2026: 26 cai num sábado, 27 num domingo

Quem celebraDataO que acontece
Calendário Romano Geral (desde 1969)26 de setembromemória litúrgica dos santos mártires
Devoção popular brasileira27 de setembrodistribuição de doces, festa de rua
Candomblé27, e o caruru corre setembro inteirocaruru para Ibeji, servido primeiro ao santo
Umbanda27 de setembrogira das Crianças, que abre o ciclo até outubro

Na prática, muitas paróquias brasileiras celebram nos dois dias. Em 2025, a Paróquia Santos Cosme e Damião, em Salvador, programou o 26 como a memória litúrgica. O 27 entrou como “dia da festa popular”, com alvorada às 5h30, sete celebrações e procissão até o Largo da Lapinha.


O que mudou em 1969, segundo o próprio calendário da Igreja

Até a reforma, a data era o 27. Em 14 de fevereiro de 1969, Paulo VI aprovou o novo Calendário Romano Geral, em vigor a partir de 1970. O documento com os nomes e as razões não é o motu proprio da aprovação, e sim o Calendarium Romanum, publicado pela Tipografia Poliglota Vaticana no mesmo ano.

O comentário oficial desse livro é direto, em latim: “Memoria Ss. Cosmae et Damiani die praecedenti (26 Septembris) reponitur, ob natale S. Vincentii de Paul”. A memória de Cosme e Damião foi recolocada no dia anterior por causa de São Vicente de Paulo, que morreu em Paris em 27 de setembro de 1660.

E há um detalhe que poucos contam. O mesmo comentário trata do 27 registrado nos livros litúrgicos desde o século VII. Ele comemorava, provavelmente, a dedicação da basílica erguida para os dois santos no Foro Romano, por volta de 526. A palavra do documento é probabilius. Se a leitura estiver certa, o 27 nunca foi o dia da morte deles: era o aniversário de uma igreja.

O calendário mudou para não pôr duas memórias no mesmo dia. A devoção do povo brasileiro não tinha por que mudar junto, e não mudou.

A Arquidiocese de Juiz de Fora resume o mesmo raciocínio em português. E reconhece o que veio depois: como a data já estava arraigada no coração do povo, muita gente seguiu distribuindo bala no dia 27.


Quem foram Cosme e Damião, e como a tradição conta que morreram

Foram dois irmãos médicos que atendiam de graça, no século III, no tempo das perseguições aos cristãos. Por não cobrarem, ficaram conhecidos como anárgiros, palavra grega que significa “sem prata”. As fontes divergem sobre onde nasceram e onde morreram. Há registro de Egeia, na Arábia, de formação na Síria e de atuação na Ásia Menor, entre os territórios atuais da Síria e da Turquia.

O martírio precisa ser lido pelo que é. O Vatican News atribui o relato à Lenda Áurea, compilação hagiográfica medieval. Segundo ela, os irmãos saíram ilesos do fogo, as pedras da lapidação voltaram contra quem atirava e as flechas feriram os arqueiros. Por fim, foram decapitados. Fontes católicas situam a decapitação no ano 303. As relíquias foram depois levadas para Roma.

Daí vem o padroado: médicos, farmacêuticos, enfermeiros, dentistas e faculdades de medicina, além da proteção às crianças. Esse padroado atravessou a fronteira da religião. Em Portugal, a Ordem dos Farmacêuticos adotou em 1989 o dia 26 de setembro como Dia Nacional do Farmacêutico, por ser o dia dos dois santos.

O culto chegou ao Brasil por volta de 1530, e a primeira igreja deles foi em Igarassu, Pernambuco.

Mesa forrada de toalha branca com doces embrulhados, frutas e duas velas acesas, montada para o dia 27 de setembro.


Por que o povo e os terreiros ficaram no 27

Porque a data já tinha outro dono aqui. No Brasil, Cosme e Damião foram associados a Ibeji, o orixá duplo da infância, numa aproximação feita quando os africanos escravizados não podiam cultuar suas divindades abertamente. Como mostra o Itaú Cultural, em muitas imagens brasileiras os santos gêmeos aparecem infantilizados, bem mais novos que na versão europeia. E frequentemente acompanhados de uma terceira figura, o Doum.

Vale dizer com clareza: sincretismo não é equivalência. Ibeji não “é” Cosme e Damião. São figuras de tradições distintas que a história do Brasil pôs lado a lado na mesma data. Pesquisa recente discute até que ponto houve um culto a Ibeji sincretizado com os santos. O relato do sincretismo segue sendo o mais documentado, e não é consenso fechado.

A mudança de 1969 aconteceu longe disso: quem celebrava o 27 por herança de terreiro seguiu celebrando. O passo a passo da festa está em Cosme e Damião na umbanda.


O mesmo dia, quatro leituras

Na devoção católica. O 26 é a memória litúrgica e o 27 é a festa popular, com alvorada, missas e procissão.

No candomblé. O dia pertence a Ibeji, e o caruru é a comida da data. Ele vai primeiro aos donos da festa e depois a sete crianças, que comem juntas e com as mãos, em gamela de madeira ou tigela de barro. Só então os adultos se servem. Na Bahia o caruru corre setembro inteiro. Em 2024 o estado registrou a Festa do Caruru de São Cosme e São Damião como patrimônio imaterial baiano. É registro estadual, do IPAC, não federal. O prato e o preceito estão em caruru de Cosme e Damião. A nação muda o nome da força infantil: Ibeji nas casas ketu, Vunji nas de tradição banto.

Na umbanda. O 27 abre um ciclo que segue até outubro, com o Dia das Crianças em 12 de outubro e São Crispim e São Crispiniano em 25 de outubro. Como registra a pesquisa de campo de Morena Freitas, as giras de Criança costumam estar presas a essas datas, em vez de entrar na rotina semanal. Quem desce nessa gira está em erês na umbanda.

No batuque. No rito gaúcho, Ibeji também tem culto próprio e mesa servida às crianças, como mostra Ibeji no Batuque.


O doce, a vela e os nomes das Crianças

O doce é o gesto mais visível da data, e não vem do catolicismo: nasceu da associação com os orixás crianças. Quem entrega saquinho na porta e quem põe doce no prato do santo faz duas coisas diferentes, e só uma delas é para pegar. A diferença, e a resposta para quem pode pegar, está em doce de Cosme e Damião.

A vela da linha das Crianças é rosa e azul claro, e o dia da semana é domingo, segundo o Santuário Nacional da Umbanda. Número de velas varia de casa para casa. O uso, as ervas e a oração estão na ficha da vela de Cosme e Damião.

Os nomes. Cada Criança recebe um nome no terreiro, e eles seguem um padrão reconhecível: um diminutivo ligado ao elemento do orixá. As listas que circulam na internet não são canônicas, e a forma certa é a da casa de quem celebra. A regra de formação e os nomes de erês com registro de campo estão em artigo próprio. Para descobrir qual linha o acompanha, o teste de qual é a sua entidade é um bom ponto de partida.


E o terceiro da imagem?

Em boa parte das imagens brasileiras há uma terceira criança ao lado dos gêmeos. Ela costuma ser chamada de Doum, e o nome vem de Doú, corruptela de Ìdòwú, que em iorubá nomeia quem nasce logo depois de gêmeos.

No caruru baiano, os sete meninos que comem primeiro representam sete irmãos: Cosme, Damião, Doú, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi. Alabá e Talabi também são nomes iorubás de ordem de nascimento, o que diz bastante sobre de onde essa lista veio. O que é documento e o que é devoção na história dele está em quem é Doum.


Perguntas frequentes

O dia de Cosme e Damião é 26 ou 27 de setembro?

No Brasil, a data celebrada é 27 de setembro. No Calendário Romano Geral da Igreja Católica, a memória dos santos está em 26 de setembro desde 1969. Muitas paróquias brasileiras celebram nos dois dias, com a memória litúrgica no 26 e a festa popular no 27.

Em que dia da semana cai o dia de Cosme e Damião em 2026?

Em 2026, 27 de setembro cai num domingo, e 26 de setembro num sábado.

Por que a Igreja mudou a data em 1969?

Para não colocar duas memórias no mesmo dia. São Vicente de Paulo morreu em 27 de setembro de 1660. O Calendarium Romanum de 1969 registra que a memória de Cosme e Damião foi antecipada para o 26 por causa disso.

Qual é o dia de Cosme e Damião na umbanda e no candomblé?

Nos dois é 27 de setembro. No candomblé, o caruru de Ibeji pode ser oferecido ao longo de setembro inteiro. Na umbanda, o 27 abre um ciclo de giras das Crianças que vai até 25 de outubro.

Como Cosme e Damião morreram?

Segundo a Lenda Áurea, fonte do relato reconhecida pela própria Santa Sé, sobreviveram ao fogo, à lapidação e às flechas antes de serem decapitados. Fontes católicas situam a decapitação no ano 303. É narrativa hagiográfica, não documento de arquivo.


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