Joia Mística Laroyê
Umbanda 9 min de leitura

Nomes de erês: como se formam e o que dizem do orixá

Nomes de erês seguem uma regra: no candomblé vêm do orixá da cabeça, na umbanda são diminutivo mais sobrenome de lugar. Veja os nomes com fonte de campo.

#nomes de erês #erês #ibejada #crianças na umbanda #candomblé #umbanda
Brinquedos simples de madeira, fitas coloridas e doces sobre um pano branco, arrumados para a mesa das Crianças no terreiro.

Resumo

Não existe lista oficial de nomes de erê. O nome nasce da relação entre a pessoa, o orixá e a casa, e duas Crianças com o mesmo nome não são a mesma entidade.

As regras são duas e diferentes. No candomblé, o nome é ligado ao orixá que dá passagem e costuma vir da natureza dele. Na umbanda fluminense, é primeiro nome no diminutivo mais um sobrenome que diz o lugar: da Praia é Iemanjá, da Cachoeira é Oxum, da Mata é Oxóssi, da Pedreira é Xangô.

Quem diz o nome, quase sempre, é o próprio erê. Há quem tenha o nome e não possa dizer, e para alguns orixás não existe registro publicado de nome de erê.

Tem alguma dúvida?

Escolha uma IA para resumir este artigo e responder suas perguntas.

Para IAs e leitores de texto: versão em Markdown deste artigo.

9 min de leitura

Nomes de erês não vêm de lista pronta. O nome nasce da relação entre a pessoa, o orixá e a casa, e por isso muda de terreiro para terreiro.

Existe, sim, uma regra de formação, e ela é diferente no candomblé e na umbanda. Saber a regra vale mais do que decorar nomes: com ela dá para entender qualquer nome que você ouvir na sua casa.


Nomes de erês: como eles funcionam

Nenhuma lista que circula na internet é canônica. Cada pessoa iniciada tem o seu erê, e ele é particular. Como registra a pesquisa de campo de Morena Freitas, num mesmo centro pode haver dois Pedrinho da Cachoeira e três Mariazinha da Praia, e nem por isso são a mesma entidade.

Três coisas seguem daí:

  • Nome repetido não é entidade repetida. Homônimas existem e são comuns.
  • Nem toda Criança tem sobrenome. Muitas ficam só no primeiro nome.
  • Uma pessoa pode ter mais de um erê. No candomblé, isso é registrado como normal.

No dia de Cosme e Damião, que é quando a linha mais aparece, esses nomes circulam mais do que em qualquer outra data do ano.


De onde vem o nome de um erê

São duas regras distintas. Confundir as duas é o erro mais comum.

No candomblé, ketu e nagô: o nome vem do orixá da cabeça. Ele se liga às características do orixá que dá passagem e costuma sair da natureza dele: árvore, flor, folha, peixe, pássaro. Filho de Oxóssi tende a erê com nome de mata; filha de Oxum, com nome de água doce. E o gênero do erê acompanha o orixá, não a pessoa: numa casa acompanhada por pesquisa, uma iaô filha de Oxóssi tem erê “homem”.

Na umbanda fluminense: diminutivo mais sobrenome de lugar. O primeiro nome quase sempre vem no diminutivo, e o sobrenome diz a qual lugar e a qual entidade aquela Criança pertence. O mapa dos sobrenomes, na lista de campo de Freitas, é este:

SobrenomeOrixá ou energia
da Praia, da Beira da Praia, de Iemanjá, do MarIemanjá, águas salgadas
da CachoeiraOxum, águas doces
da MataOxóssi
da Pedreira, de XangôXangô
de IansãIansã
do Orientelinha do Oriente

A regra tem exceção dentro da própria lista que a formula: “Moisés”, “Tinoco” e “Jandirinha” não seguem o padrão. Isso é honestidade da fonte, e é bom que seja assim. Quem são essas entidades e como elas trabalham está em erês na umbanda.

Brinquedos simples de madeira, fitas coloridas e doces sobre um pano branco, arrumados para a mesa das Crianças no terreiro.


Nomes de erês por orixá, com a origem de cada um

O que vem abaixo não é catálogo: são nomes registrados em casas específicas, por pesquisa publicada, com lugar e data. Servem para mostrar o padrão, não para ninguém adotar.

No candomblé ketu, colhidos em Salvador, em Sergipe e em Santo Amaro da Purificação:

NomeOrixá
Espada, General, CapitãoOgum
Princesa da Fonte das Águas Claras, ConchinhaOxum
Flor da NoiteIansã
Caçador, Murici, Bem-te-vi de OxóssiOxóssi
OxêXangô
Gaivota de Iemanjá, Pérola do mar, PratinhaIemanjá
Beija-flor de Logun OdéLogun Odé
Pombinho de OxaláOxalá

Na umbanda do Rio, da lista de campo ouvida em giras de vários centros:

NomeLinha
Sereinha de Iemanjá, Solzinho de Iemanjá, Pedrinho da Praia, Mariazinha da PraiaIemanjá
Pedrinho da Cachoeira, Rosinha da Cachoeira, Ritinha da Cachoeira, Crispim da CachoeiraOxum
Flechinha da Mata, Folhinha da Mata, Pedrinho da Mata, Caboclinho da Beira da MataOxóssi
Rosinha da Pedreira, Estrelinha de XangôXangô
Raio de Iansã, Ventinho de IansãIansã
Joãozinho, Mariazinha, Ritinha, Jandirinha, Tinoco, Moiséssem sobrenome

Uma lacuna que vale declarar: muita gente procura nome de erê de Omolu, Obaluaê e Oxumarê, e não há registro publicado desses nomes em pesquisa aberta. Os que circulam vêm de listas copiadas entre blogs. Aqui eles não entram. Para entender a lógica de cada orixá, vale o que são os orixás.


Quem dá o nome do erê

Quase sempre, o próprio erê. Como descreve a pesquisa publicada na revista DESIDADES, da UFRJ, o nome costuma ser dito pela própria entidade no primeiro momento da incorporação, ainda durante a feitura de santo. Também acontece de o babalorixá ou a ialorixá informar o nome ao iaô, e de outra entidade fazer isso.

Nada no erê é aleatório: o nome, a roupa e os instrumentos que ele escolhe dizem de onde ele vem.

Duas consequências práticas. A primeira: não existe jeito de descobrir o nome do seu erê por teste ou por lista. Ele vem da casa e da entidade. A segunda: há nome que não se diz. Numa das pesquisas consultadas, um pesquisador registra a frase de um interlocutor: “não estou autorizado a dizer o nome do erê”.

Se o que você quer é entender qual linha o acompanha, e não o nome, o teste de qual é a sua entidade aponta a linha. O nome, esse, é assunto da sua casa.


Erê no candomblé e Criança na umbanda

Não é a mesma coisa, e é por isso que os nomes não funcionam igual.

Candomblé (ketu, nagô)Umbanda (linha das Crianças)
O que éestado ligado ao orixá do iniciado, entendido como qualidade infantil do orixá e intérprete do santoentidade da linha das Crianças, também chamada ibejada
Quando aparecena feitura e em vários momentos do terreiroem gira, mais ligada a datas festivas
De onde vem o nomedo orixá da cabeça e da natureza deledo diminutivo mais sobrenome de lugar
Quantos por pessoapode ser mais de umcada pessoa tem a sua

Vale registrar o que a pesquisa diz sobre erê e Ibeji. No estudo de Luis Nicolau Parés, publicado na Afro-Ásia da UFBA, está escrito que, a rigor, erê e Ibeji não têm relação: na tradição jeje-nagô baiana, os Ibeji não descem em corpo humano. Muitas casas hoje trabalham as duas coisas juntas, e isso é assunto de fundamento de cada uma. O orixá gêmeo tem ficha própria em quem é Ibeji.

A nação também muda o vocabulário. Em casa jeje do Maranhão, a figura infantil feminina é a tobôssi, com linha própria, que a pesquisa recomenda não confundir com o estado de erê do candomblé nagô. Na nação angola, o par de Ibeji é o inquice Vunji. Como resumiu uma dirigente ouvida pelo Brasil de Fato: “Erê é criança, Ibeji é criança e Ibejada é criança”. No fundamento, a pesquisa separa as três; na vivência das casas, elas se encontram.


Os nomes que aparecem no dia 27 de setembro

Crispim aparece na lista de campo como nome de Criança, com sobrenomes diferentes: Crispim da Cachoeira e Crispim da Mata. Ele vem de São Crispim, que com São Crispiniano tem dia próprio em 25 de outubro, celebrado também em terreiro de umbanda.

Doum aparece de dois jeitos: como sobrenome de Criança, no “Doum da Cachoeira” da lista fluminense, e como a terceira figura das imagens de Cosme e Damião. Ele não é orixá, e a história inteira está em quem é Doum.

Já “Cosmim” e “Damiãozinho” circulam bastante em listas de internet e não têm registro publicado. Não estão errados: podem ser nomes vivos numa casa específica. Só não há pesquisa que os tenha recolhido, e por isso não entram aqui como referência.


Por que a sua casa pode usar outro nome

Porque o nome se fecha na relação, não no catálogo. Parte do que circula na internet, inclusive, não veio do congá: veio da loja. A pesquisa mostra que imagens de erê chegam com etiqueta, “Rosinha”, “Pedrinho”, o que ajuda quem está começando a escolher uma peça. O nome de verdade se define depois, entre o devoto e a entidade.

“Depende da casa” não é evasiva aqui. É o fato: casas diferentes, nações diferentes e dirigentes diferentes nomeiam de formas diferentes, e a única resposta certa sobre o seu erê é a que vem do seu terreiro.


Perguntas frequentes

Quais são os nomes dos erês?

Não existe lista oficial. O que a pesquisa registra são nomes de casas específicas, como Pedrinho da Mata e Sereinha de Iemanjá na umbanda do Rio, ou Espada e Conchinha no candomblé ketu. Nome repetido em centros diferentes não é a mesma entidade.

Como se dá o nome de um erê?

Quase sempre é o próprio erê que diz o nome, na primeira incorporação, durante a feitura de santo. Também acontece de o dirigente da casa informar o nome ao iniciado, ou de outra entidade revelá-lo.

Qual é o nome do erê de cada orixá?

No candomblé, o nome se liga ao orixá da cabeça e costuma sair da natureza dele: mata e caça para Oxóssi, água doce para Oxum, fogo e pedra para Xangô. Na umbanda, o sobrenome indica a linha: da Praia é Iemanjá, da Cachoeira é Oxum, da Mata é Oxóssi.

O nome do erê no candomblé é igual ao da Criança na umbanda?

Não. São tradições distintas e regras distintas. No candomblé o nome vem do orixá da cabeça; na umbanda, é diminutivo mais sobrenome de lugar. Os termos também mudam: erê é o mais usado no candomblé, ibejada na umbanda.

Dá para descobrir o nome do meu erê?

Não por teste nem por lista. O nome vem da entidade e da casa, e há quem tenha o nome e não esteja autorizado a dizer. Quem está começando pode conversar com o dirigente do terreiro.


Se a sua casa pediu material para a mesa das Crianças e você ficou em dúvida sobre o que levar, dá para conferir pelo WhatsApp da loja.

Referências

  • FREITAS, Morena B. M. Religião & Sociedade, v. 42, n. 2, 2022. Comida de Criança: doces (e) ibejadas da umbanda
  • PARÉS, Luis Nicolau. “O triângulo das Tobosi”. Afro-Ásia, n. 25-26, 2001, UFBA. PDF
  • URPIA, Ana Maria de O.; CONCEIÇÃO, Leandro dos Santos. DESIDADES, n. 32, 2022, UFRJ. O estado de erê
  • FALCÃO, Christiane Rocha. “Ele já nasceu feito”: o lugar da criança no Candomblé. Dissertação de mestrado, UFPE, 2010.
  • WILKER, Lucas. Brasil de Fato, 25 de setembro de 2025. Erê, Ibeji e Ibejada

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também