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Candomblé 7 min de leitura

Quem é Tempo (Kitembo), o inquice da bandeira branca

Tempo orixá: quem é Kitembo, o inquice do candomblé de angola, o que significa a bandeira branca, as cores, a festa de 10 de agosto e a ligação com Iroko.

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Mastro de bambu com pano de algodão branco tremulando ao lado de uma aroeira, em área aberta de terreiro com chão de terra batida e um pote de barro ao pé da árvore.

Resumo

Tempo, também chamado Kitembo, é inquice do candomblé de nação angola, de matriz bantu. Todo terreiro que se afirma de angola tem de cultuá-lo, segundo pesquisa da USP, e numa casa de São Paulo a tabela de correspondências não dá orixá nenhum a ele.

O sinal dele é a bandeira branca hasteada num mastro, trocada todo ano na festa de agosto. O culto acontece a céu aberto, sob uma árvore sem espécie obrigatória, e só a liderança da casa constrói o assentamento.

As cores registradas são o branco com o verde, a festa se concentra em 10 de agosto e a saudação que fecha em mais de uma fonte é Zara Tempo. A aproximação com Iroko e Loko aparece em parte das fontes, e cada uma aproxima de um jeito.

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7 min de leitura

Quem digita tempo orixá está atrás de Tempo, também chamado Kitembo. Ele é inquice, divindade do candomblé de nação angola, e todo terreiro que se afirma de angola tem de cultuá-lo.

Este guia mostra quem é Tempo e por que a busca o chama de orixá. Também explica a bandeira branca no terreiro. E reúne o que as casas registram sobre cores, festa, saudação e oferendas.


Quem é Tempo no candomblé de angola

Tempo é um inquice, nome que a nação angola, de raiz bantu, dá às suas divindades. A diferença entre inquice e orixá está explicada em o que é um nkise.

O nome vem do vento. Em quimbundo, kitembu quer dizer ventania ou temporal, e em quicongo témbo é vento. O domínio dele é a atmosfera, o tempo que passa e um tempo sem medida, o dos mitos. Na casa estudada pelo pesquisador Pedro Cabral, Tempo é o próprio vento.

Ele tem muitos nomes. Kitembo é a grafia corrente nos terreiros e na imprensa de candomblé. A pesquisa registra ainda Kitembu, Ndembu, Dembwa, Kiamuílo e Tempo Diambanganga. São nomes da mesma divindade, e as fontes não os tratam como qualidades.

Nação: angola | Domínio: vento, atmosfera e tempo | Símbolo: bandeira branca | Cores: branco e verde | Festa: agosto

Em alguns terreiros, Tempo recebe o título de rei da nação. Os outros inquices da nação estão em inquices do candomblé de angola.


Por que a busca chama Tempo de orixá

A confusão tem três origens registradas.

A primeira é a correspondência entre nações. O dicionário de Yeda Pessoa de Castro dá Tempo como equivalente a Iroco e identificado com São Lourenço. Quem transcreve o verbete é Elizabete Umbelino de Barros, na tese sobre as línguas dos candomblés de angola, da USP.

As fontes, porém, não aproximam do mesmo jeito:

FonteO que registra
Yeda Pessoa de Castro, via BarrosEquivalente a Iroco, com remissão a Loco
Amim, via Veridiana MachadoNo jeje, Paraci e Loko; no ketu, Aruarô e Iroko
Inzó Dandaluna, São Paulo, via BarrosNenhuma correspondência
Marlon Marcos, Correio NagôTempo está para os angoleiros como Oxalufã para os nagôs

A segunda origem é a umbanda. Há casas umbandistas que tratam Tempo como orixá e dizem isso por escrito, e daí vem parte da busca por “orixá tempo na umbanda”. Cada tradição tem seu fundamento, e este artigo fala da angola.

A terceira é a falta de estudo. A literatura clássica, centrada no ketu, quase não menciona o culto a Tempo. Em 2015, a dissertação de Veridiana Silva Machado registrava que não havia estudo específico sobre ele.

Se a sua dúvida é o orixá da árvore no ketu, o perfil está em quem é Iroko.


A bandeira branca de Tempo

Toda casa de candomblé de angola hasteia uma bandeira branca, e ela é o símbolo de Tempo. A bandeira é trocada todo ano, na festa dele, normalmente em agosto. O mastro é preparado no período da obrigação.

No terreiro Omariô de Jurema, em Barra Mansa (RJ), a bandeira é um pano de algodão branco no alto de um mastro de bambu. O mastro fica ao lado do assentamento, junto a um pé de aroeira.

O artigo de Pedro Cabral na revista da UFBA registra os sentidos que a casa dá à bandeira. Ela identifica de longe que ali é angola. Quando o vento a faz tremular, a comunidade entende que Tempo está presente. As casas contam ainda que povos da África central seguiam o vento para decidir o rumo.

“Você olha aquela bandeira, que traz um significado, então você olha de longe e vai saber que aquilo ali é uma tradição específica.”

Tata Kisanje, em entrevista a Pedro Cabral

A bandeira também tem cantiga. No Inzó Dandaluna, as festas públicas começam com a reverência à bandeira da nação angola, pendurada no mastro na entrada da casa. Outras cantigas de Tempo estão em zuelas de candomblé de angola.


A céu aberto e sob uma árvore

Os ritos dos outros inquices correm dentro dos quartos de assentamento. O de Tempo acontece a céu aberto: o espaço pode ser delimitado, mas não pode ser coberto.

O assentamento fica sob uma árvore, e não há espécie obrigatória. As casas usam são-gonçalinho, aroeira, cajueiro, mangueira ou gameleira branca. A gameleira tem a ligação mais antiga. Na África central, tembo se liga à nsanda, uma figueira, e no Brasil a gameleira branca, outro Ficus, ocupou esse lugar.

Ao lado do assentamento fica um pote de barro com água, o quartinhão. Para entender esse vasilhame, veja quartinha: o que é e para que serve. Entre os símbolos de Tempo, a pesquisa registra a grelha, a lança, a escada e as cabaças.

Esse assentamento só pode ser construído pela liderança do terreiro, que detém os fundamentos. Por isso este guia não ensina a montar nada: esse trabalho é da casa.


Cores, festa, saudação e oferendas

As cores de Tempo são o branco predominante, com detalhes em verde. O fio de contas leva miçangas verdes e brancas intercaladas, ou brancas rajadas de verde. O Terreiro Tumbensi, de Mameto Zulmira, em Lauro de Freitas (BA), usa cinza.

A festa se concentra em agosto, com destaque para o 10 de agosto, dia de São Lourenço no calendário católico. Cada terreiro tem calendário próprio. No Bate-Folha, em Salvador, a Festa de Tempo começa em 10 de agosto e dura dezesseis dias.

A saudação que aparece em fontes independentes é “Zara Tempo”. No Terreiro Loabá, em Osasco (SP), o tata puxa a saudação e todos respondem “Zaraa Tempo!”. Outras saudações da nação estão em saudações do candomblé de angola.

Entre as oferendas, a pesquisa destaca a pipoca, o milho branco e a meladinha. A meladinha é uma bebida de folhas, cana, aguardente e mel, partilhada na festa. O restante do cardápio muda de casa para casa.

Aos pés de uma árvore em área aberta, fio de contas verde e branco sobre pano branco, tigela de barro com pipoca e milho branco, cabaça e pote de barro, com a sombra do mastro e da bandeira no chão.


Perguntas frequentes

Tempo é orixá?

Tempo é inquice, divindade do candomblé de nação angola. Parte das fontes o aproxima de Iroko, no ketu, e de Loko, no jeje, e numa casa de São Paulo não há correspondência nenhuma. Na umbanda, há casas que o chamam de orixá.

Qual é a saudação de Tempo?

“Zara Tempo” é a saudação registrada em mais de uma fonte, acadêmica e de terreiro. No Terreiro Loabá, em Osasco, a comunidade responde “Zaraa Tempo!” quando o tata puxa. Algumas casas usam também a fórmula “Tempo dia Banganga”.

Kitembo é Obaluaê?

Não. Kitembo é outro nome de Tempo, inquice da nação angola. Agosto reúne as duas devoções: é mês da festa de Tempo e também período de culto a Kavungo e Obaluaê, como registra a pesquisa de Veridiana Machado.

Qual é o dia de Tempo?

A data mais registrada é 10 de agosto, dia de São Lourenço, com festa ao longo do mês. O dia da semana varia entre as casas e não tem registro que feche. Pergunte ao terreiro que você frequenta.


Onde comprar fio de contas, quartinha e pano branco

Na Joia Mística Laroyê você encontra material para a sua casa:

  • Fio de contas verde e branco, nas cores registradas para Tempo
  • Quartinhas e quartinhões de barro
  • Tecido de algodão branco, para a bandeira que a casa troca em agosto
  • Palha da costa e cabaças
  • Milho branco e milho de pipoca

Montar assentamento e preparar o mastro é trabalho da liderança da sua casa. Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.


Referências

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