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Saudações do Candomblé de Angola: guia do recém-chegado

Mene Mene, Toma Kwiza, Ngunzo: entenda as saudações do Candomblé de Angola, o que cada palavra banto significa e quando usar ao chegar numa casa de Angola.

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Atabaques de couro alinhados dentro de barracão caiado, com folhas verdes e quartinhas de barro ao chão.

Resumo

As saudações no Candomblé de Angola são fórmulas sagradas de respeito, honra e bênção recíproca na língua Quimbundo que definem a convivência diária e a reverência aos Inquices dentro do terreiro.

As saudações mais tradicionais aos deuses incluem: "Kiuá Aluvaiá!" (Salve Exu!), "Kiuá Nkosi!" (Salve o guerreiro!), "Kiuá Katendê!" (Salve as folhas!), "Nzazi Kiuá!" (Viva o raio!), "Kiuá Matamba!" (Salve os ventos!) e "Kiamboté Lemba!" (Paz de Oxalá!).

Para cumprimentar os sacerdotes e mais velhos da casa, os devotos deitam-se respeitosamente na esteira (paó / dobale) e pedem "Mutumbá, meu pai/minha mãe", recebendo a resposta amorosa e consagrada: "Mutumbá Tateto/Mameto axé!".

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Você entra numa casa de Angola pela primeira vez, ou é adicionado ao grupo da comunidade, e logo aparecem palavras que ninguém te explicou: “Mene Mene”, “Toma Kwiza”, “muito ngunzo na sua caminhada”. As saudações do Candomblé de Angola soam como outra língua porque, em parte, são mesmo: vêm do kimbundu e do kikongo, as línguas bantas que sobreviveram nos terreiros. Este guia traduz, com cuidado, o que cada termo quer dizer e quando se usa, para que você entenda o que está sendo dito e responda no mesmo respeito.

Aqui o foco é a língua de chegada: o cumprimento, o pedido de bênção, o agradecimento. Não tratamos de fundamento de iniciação, que é do terreiro. A regra de ouro vem antes de tudo: a palavra final é sempre a do seu zelador ou zeladora de santo.


Por que a nação Angola tem língua própria

O candomblé não é uma religião só, e sim um conjunto de nações, cada uma com sua origem africana e sua língua litúrgica. A nação Ketu vem dos povos iorubás e cultua os orixás, em língua iorubá. A nação Angola vem dos povos bantos, das regiões da atual Angola e do Congo, e cultua os inquices (do termo nkisi), em kimbundu e kikongo.

Por isso, quem chega vindo da umbanda ou de uma casa de Ketu encontra aqui outros nomes e outra sonoridade. “Saravá” e “Motumbá” dão lugar a “Mene Mene” e “Mukuiu”. Não é dialeto estranho nem curiosidade: é uma língua religiosa que o Brasil escravista tentou apagar e que resistiu, viva, dentro do terreiro. Aprender as saudações é entrar nessa memória com respeito.

Se você quer entender melhor a diferença entre as tradições, vale ler o panorama em o que é candomblé e a comparação em diferença entre umbanda e candomblé.


As saudações de chegada: Mene Mene e Toma Kwiza

Mene Mene é a saudação de chegada, o “eu te saúdo” da nação Angola. Vem do verbo kumeneka, que em kimbundu significa cumprimentar, saudar. Quando alguém entra e diz “Mene Mene”, está cumprimentando a casa, a mãe ou pai de santo, os cargos e os irmãos, na ordem da hierarquia.

Toma Kwiza é o acolhimento de quem chega. A raiz kwiza (também grafada kuiza) quer dizer vir, chegar. É o equivalente a “seja bem-vindo, venha, entre”. Por isso, ao ser recebido num grupo ou na roça, é comum ouvir “Toma Kwiza” seguido do seu nome: a comunidade está abrindo a porta para você.

As grafias variam de casa para casa e de raiz para raiz, e isso é absolutamente normal. Você verá “Mene Mene”, “Menekena”, “Mukuiu” e “Makuiu” escritos de formas diferentes conforme o terreiro. Anote como a sua casa escreve e fala, porque é essa a forma que vale para você.


Makuiu: como se pede e se dá a bênção

Talvez o gesto mais importante para quem chega seja pedir a bênção. Na nação Angola, isso se diz Makuiu (ou Mukuiu). A forma plena, “Maku iú Nzambi”, carrega o sentido de “que Nzambi, o Deus supremo, te abençoe”. A resposta de quem abençoa costuma ser “Mukuiu Nzambi”.

No dia a dia, esse pedido aparece aportuguesado como “bença”, e segue uma ordem que é pura etiqueta do terreiro. Primeiro se pede a bênção à mãe ou ao pai de santo (a mametu ou o tata de inquice), depois aos cargos da casa, e por fim aos irmãos de santo. É por isso que nas mensagens de saudação você lê, em sequência:

“Bença mãe, bença cargos, bença irmãos.”

Não é repetição à toa: é o reconhecimento da hierarquia espiritual da casa, do mais velho no santo ao recém-chegado. Pedir a bênção na ordem certa é uma das primeiras formas de mostrar respeito.


Ngunzo: o axé da nação Angola

Quando alguém te deseja “muito ngunzo na sua caminhada”, está te desejando muito axé. Ngunzo (também grafado ngunzu ou nguzo) é a palavra banta para a força vital, a energia que move a vida e sustenta o culto. É o mesmo princípio que a nação Ketu chama de axé.

A ideia de força vital é central na filosofia banto, estudada por pesquisadores da Associação Brasileira de Antropologia: tudo o que existe carrega ngunzo, e o ser humano realiza sua vida plena quando faz essa força circular na comunidade. Por isso o desejo de “muito ngunzo” não é uma frase de efeito, e sim um voto profundo de que a sua energia floresça e contribua com a casa.

Esse ngunzo é movimentado, sobretudo, pelo canto. As cantigas da nação Angola, as zuelas ou muimbus, são a oração cantada que chama e saúda os inquices. Elas têm um mundo próprio, que você encontra no nosso guia as zuelas de Candomblé de Angola e na seção de cantigas com letras e significados.


Sakidila, Ndandu e Inzo: palavras do dia a dia

Além das saudações, algumas palavras aparecem o tempo todo na convivência da casa. Conhecê-las ajuda a acompanhar as conversas sem se sentir perdido. Para um repertório mais amplo, existem glossários comunitários como o vocabulário usual Angola-Kongo, sempre lembrando que a grafia varia de casa para casa.

TermoO que significaComo se usa
Mene MeneSaudação, “eu te saúdo” (de kumeneka, saudar)Cumprimento de chegada à casa
Toma Kwiza”Seja bem-vindo, venha, chegue” (kwiza, vir)Acolhe quem está entrando
Makuiu / MukuiuPedido de bênção (“que Nzambi te abençoe”)Resposta: “Mukuiu Nzambi”
NgunzoForça vital, o axé da nação Angola”Muito ngunzo na sua caminhada”
SakidilaObrigado, gratidão”Nga sakidila” (eu agradeço)
NdanduAbraço, parente, irmão de santoTratamento afetuoso na família de santo
InzoCasa, terreiro”Inzo Matamba ya Nkosi” (casa de Matamba e Nkosi)

Sakidila é o nosso “obrigado”. Vem do kimbundu e aparece em frases como “Nga sakidila”, eu agradeço. Ndandu é um tratamento afetuoso, algo entre “abraço” e “parente”, usado entre os membros da casa, que formam uma verdadeira família de santo.

Inzo quer dizer casa, terreiro. É a palavra que dá nome a muitas roças, como em “Inzo Matamba ya Nkosi”, que se traduz como a casa de Matamba e de Nkosi, os inquices a quem a casa é dedicada. Matamba é o inquice que corresponde a Iansã na nação Ketu, senhora dos ventos e das tempestades, e Nkosi corresponde a Ogum, o guerreiro do ferro.

Você também vai ouvir termos ligados ao fundamento e à liturgia, como sikasambi. Esses pertencem ao saber interno da casa e às vezes variam muito de raiz para raiz. Quando surgir uma palavra assim, o melhor caminho não é procurar uma definição pronta na internet, e sim perguntar com simplicidade ao seu zelador. Numa casa de santo, perguntar é também uma forma de aprender.


Perguntas frequentes

Como se cumprimenta no Candomblé de Angola?

Ao chegar, saúda-se a casa com “Mene Mene” e pede-se a bênção dizendo “Makuiu” ou “Mukuiu”, na ordem da hierarquia: primeiro à mãe ou pai de santo, depois aos cargos e por fim aos irmãos. A resposta de quem abençoa é “Mukuiu Nzambi”. Cada casa tem suas variações, então observe e siga o costume do seu terreiro.

O que significa ngunzo no candomblé?

Ngunzo (ou ngunzu) é a força vital, a energia que sustenta a vida e o culto na nação Angola. É o equivalente banto ao que a nação Ketu chama de axé. Desejar “muito ngunzo” a alguém é desejar que sua energia floresça e circule na comunidade, fortalecendo a pessoa e a casa.

Em que língua se fala no Candomblé de Angola?

A nação Angola usa palavras do kimbundu e do kikongo, línguas bantas faladas nas regiões da atual Angola e do Congo. Elas convivem com o português no cotidiano dos terreiros. Diferente da nação Ketu, que cultua os orixás em língua iorubá, a nação Angola saúda os inquices nessas línguas bantas.

Candomblé de Angola é o mesmo que umbanda?

Não. São tradições distintas. A umbanda é uma religião brasileira que reúne orixás, guias e entidades em giras. O Candomblé de Angola é uma nação do candomblé, de matriz banto, que cultua os inquices com língua, toques e liturgia próprios. As duas podem dialogar, mas têm origens e estruturas diferentes.


Onde encontrar artigos e itens para o culto de Angola

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para acompanhar a vida na sua casa de santo:

  • Velas rituais nas cores dos inquices, para acender com fé e respeito
  • Imagens e guias dos inquices e orixás correspondentes
  • Ervas para banhos e defumações, separadas ou em combos
  • Contas e fios para o uso devocional
  • Atabaques e instrumentos para acompanhar os muimbus

Visite nossa loja física em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre o uso correto de cada item, fale com a gente pelo WhatsApp.


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