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Quimbanda 9 min de leitura

Assentamento de Pombagira: para que serve e quem pode ter

Assentamento de Pombagira: para que serve, o que costuma compor, quem pode ter e por que ele não se monta em casa. O caminho passa pela casa e pelo jogo.

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Assentamento de Pombagira em quarto de esquerda, com alguidar de barro, tridente de ferro, taça, rosas vermelhas e velas vermelha e preta acesas.

Resumo

O assentamento de Pombagira é o objeto ritual que firma a presença da entidade num ponto fixo e serve de canal permanente entre ela e a pessoa. A pesquisa acadêmica sobre a quimbanda gaúcha usa a palavra vinculador, e é essa a função: ligar, sustentar e manter a relação viva fora da gira.

Ele não é despacho, não é amarração e não é kit de compra. Despacho se entrega e se deixa, assentamento fica e se alimenta. A vasilha de barro, o ferro, a taça e a imagem são o repertório que a etnografia registra, e listar o repertório não é o mesmo que ensinar a montar.

Quem pode ter é quem tem casa e iniciação. As fontes de terreiro convergem: o assentamento é feito pelo dirigente ou pelo mestre de quimbanda, depois de consulta e jogo, e quem está fora de casa de santo faz firmeza, que é outra coisa e já tem artigo próprio no blog.

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O assentamento de Pombagira é o objeto ritual que fixa a presença da entidade na matéria e funciona como canal permanente entre ela e a pessoa. Não é enfeite de altar, não é amuleto e não é peça que se compra pronta.

Aqui você vê para que ele serve, o que costuma reunir, quem pode ter um e por que esse fundamento não se monta em casa.


Para que serve o assentamento de Pombagira

Ele serve para dar à entidade um ponto fixo de presença e trabalho, que continua ativo mesmo quando não há gira nem vela acesa. O estudo de Emerson Giumbelli e Leonardo Oliveira de Almeida sobre a quimbanda no Rio Grande do Sul usa uma palavra precisa para isso: os assentamentos operam como vinculadores entre pessoas e entidades.

Na prática, as casas apontam cinco funções que se somam:

  • Firmar a presença da entidade num ponto que não depende de sessão nem de horário.
  • Dar à médium um lugar de trabalho, onde ela conversa, pede, agradece e cumpre obrigação.
  • Sustentar o vínculo com o Exu de guarda, porque na quimbanda os assentamentos costumam vir em conjunto e não avulsos, assunto de exu de guarda.
  • Marcar compromisso de mão dupla, porque quem assenta assume a manutenção dali em diante.

A palavra que resume tudo é relação. Quem tem assentamento não ganhou um item, entrou numa rotina de culto.


O que o assentamento costuma reunir

O repertório abaixo é o que a etnografia e os próprios terreiros já publicam, e ele varia por raiz e por casa. Descrever o que costuma haver ali é uma coisa, e ensinar a montar é outra.

  • Vasilha ou base de barro, que pode ser alguidar, quartinha ou peça de louça, conforme o costume da casa. O uso das peças está em alguidar para que serve.
  • Terra e pedra, ligando o assentamento ao chão que sustenta o fundamento.
  • Ferros, como ponteira, faca, estaca e tridente trabalhado.
  • Imagem ou vulto da entidade, quando a raiz trabalha com figura.
  • Os elementos da mesa dela, ou seja, taça, perfume, espelho, rosas e bebida.
  • Velas vermelhas e pretas, cores da linha, tema de vela preta para que serve.

Falta de propósito nessa lista: quantidade, ordem, camada, canto e consagração. Isso é fundamento de casa e não se publica. Em algumas raízes a obrigação envolve oferenda de bicho, e essa também é decisão da casa.

A pesquisa registra que essas peças se mantêm reservadas, mesmo quando a incorporação é pública. Assentamento exposto na internet costuma ser o de outra pessoa. Reserva não é segredo, é respeito.


O que o assentamento de Pombagira não é

Boa parte da confusão sobre o tema se resolve dizendo o que ele não é.

  • Não é despacho. O despacho se entrega e se deixa, no lugar que a entidade pede. O assentamento fica, mora e se alimenta.
  • Não é amarração. Assentar não traz ninguém de volta, não prende pessoa e não resolve causa concreta. É vínculo religioso, não serviço com prazo.
  • Não é compra. Kit vendido pronto é material, e material não substitui fundamento.
  • Não é assentamento de santo. O igbá do candomblé é outro panteão e outra estrutura, tema de assentamento de santo. O paralelo é de vocabulário, nunca de equivalência, e Pombagira não é orixá.

Vale desfazer também o mal-entendido de fundo. A leitura que transforma a entidade em figura do mal vem da moral cristã hegemônica, e não da tradição afro-brasileira. Juliana Carvalho e José Francisco Bairrão mostram isso em estudo publicado na Psicologia USP. Direita e esquerda dizem respeito ao modo de manifestação, e não a uma oposição entre bem e mal.


Quem pode ter, e por que não se monta em casa

Assentamento de quimbanda é para quem tem iniciação e casa. As duas coisas juntas, e nessa ordem.

O templo de quimbanda nagô Cova de Tiriri afirma sem meio-termo que um assentamento só pode ser feito por um mestre de quimbanda. O terreiro Rama dos 4 Caminhos, no Rio Grande do Sul, descreve o mesmo: os assentamentos são de pessoas iniciadas, entregues depois do ritual próprio da casa. A pesquisa acadêmica confirma pelo outro lado, ao registrar que quem conduz ritual de quimbanda precisa ser iniciado e vinculado aos assentamentos das entidades com quem trabalha.

O caminho real, então, é sempre este:

  1. Consulta na casa, com a entidade ou com o dirigente.
  2. Jogo, que identifica a entidade e diz se é hora.
  3. Autorização dela, que não se antecipa nem se apressa.
  4. Preparo pelo dirigente ou pelo mestre, dentro do fundamento da raiz.

Repare que a data não é escolha da pessoa: quem marca é o jogo e a casa.

E quem está em casa, sem terreiro, e quer se aproximar da entidade? A resposta honesta é firmeza, um ponto de sustentação simples e temporário, feito pela própria pessoa com orientação. Firmeza não é assentamento em versão barata, é outro instrumento, e o passo a passo dela está em firmeza na umbanda.

FirmezaAssentamento
Naturezasustentação simples e temporáriaestrutura permanente
Enquanto duravibra com a vela acesasegue ativo sem vela
Quem faza própria pessoa, orientadao dirigente ou mestre
Quem pode terqualquer praticanteiniciado, com casa

Onde ele fica e como se cuida

Dentro do terreiro, o assentamento mora em espaço reservado, que pode ser a tronqueira, a cafua ou o quarto de esquerda. Essa geografia está em o que é tronqueira: aquele artigo cobre o cômodo, e este cobre o que mora dentro dele.

A manutenção é culto regular, e não faxina. O que as casas descrevem:

  • Vela firmada nos dias da entidade, conforme o preceito da raiz.
  • Bebida e oferenda renovadas, sem deixar acumular o que azedou.
  • Limpeza do espaço, com defumação e organização do canto.
  • Obrigação periódica, no calendário que a casa determinar.

A lista do que não se faz é curta. Não se mexe em assentamento alheio, não se muda a peça de lugar por conta própria e não se abandona o culto por tempo indeterminado. Desfazer um assentamento ou assumir o de outra pessoa são casos que se resolvem no jogo, com o dirigente. Não achamos registro público de procedimento, e é honesto dizer isso em vez de inventar.


As Pombagiras mais assentadas e a variação por raiz

As falanges que mais aparecem em assentamento são as mesmas das giras: Maria Padilha, Maria Mulambo, Rosa Caveira, Cigana, Sete Saias e Dama da Noite. Cada uma tem gosto e trato próprios, e quem define o que entra é o fundamento da casa.

A variação por raiz é real. Na quimbanda nagô, os primeiros assentamentos entregues formam uma trindade, com Exu de frente, Pombagira de frente e a guarda de fundos. Na umbanda de esquerda, muitas casas trabalham com firmeza e não entregam assentamento pessoal a todo médium, e a diferença entre as tradições está em o que é quimbanda.

Se você ainda não sabe qual é a sua guarda, o teste do seu Exu serve como porta de entrada curiosa, e não substitui consulta nem jogo.


Perguntas frequentes

Para que serve o assentamento de Pombagira?

Serve para firmar a presença da entidade num ponto fixo e criar um canal permanente de relação com ela. A pesquisa acadêmica sobre a quimbanda gaúcha chama esse objeto de vinculador. Na prática do terreiro, é ali que a médium conversa, pede, agradece e cumpre a obrigação combinada com a entidade.

O que vai dentro do assentamento de Pombagira?

O repertório mais citado reúne vasilha de barro, terra, ferros como ponteira, faca ou tridente, imagem ou vulto, sementes e favas, taça, perfume, espelho, rosas e velas vermelhas e pretas. A composição exata varia por raiz e por casa, e a montagem em si é fundamento que não se publica.

Quem pode ter um assentamento de Pombagira?

Quem é iniciado e tem casa. As fontes de terreiro convergem: o assentamento é preparado por um dirigente ou mestre de quimbanda, depois de consulta e jogo, e não é entregue a quem chega de fora. Quem não tem casa e quer se aproximar da entidade trabalha com firmeza.

Dá para fazer assentamento de Pombagira em casa?

Não. Circulam apostilas e vídeos com passo a passo, e nenhum deles carrega o que dá vida ao assentamento. Isso vem da autorização da entidade e da mão de quem tem fundamento. Montar sozinho gera um arranjo de objetos, não um vínculo. O caminho é procurar uma casa séria.


Onde comprar o material da linha de esquerda

A loja vende o material de uso corrente. O fundamento vem do seu dirigente, e nenhuma peça comprada substitui a autorização da entidade. Na Joia Mística Laroyê você encontra o que as casas costumam pedir:

  • Alguidar e quartinha de barro cru: a louça litúrgica
  • Velas vermelhas e pretas: avulsas, de sete dias e palito
  • Imagens e vultos das falanges: Padilha, Mulambo, Cigana, Sete Saias
  • Taça, espelho, leque e perfume: os itens da mesa dela
  • Guias e fios de conta vermelho e preto
  • Pemba, defumador e ervas: para o ponto riscado e para o espaço

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Uma palavra final. A internet está cheia de kit de assentamento vendido pronto, e nenhum deles entrega o que importa. Nosso papel para no balcão, e é assim que deve ser.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

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R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

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