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Quimbanda 9 min de leitura

Bebida de Pombagira: qual ela pede e o que não se oferta

Qual é a bebida de Pombagira segundo quem pesquisou terreiro: espumante, vinho branco, vermute e cidra. Por que muda de entidade, e o que não se oferta.

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Taça de espumante ao lado de rosas vermelhas abertas, vela vermelha e preta acesa e um alguidar de barro sobre mesa escura.

Resumo

A bebida de Pombagira que a pesquisa de terreiro registra é bebida de brinde, doce ou aromatizada, servida em taça: espumante, champanhe, vinho branco ou doce, vermute e cidra. Cerveja não aparece em nenhuma das quatro fontes acadêmicas consultadas, e uma delas coloca a cerveja no campo do caboclo, não no da Pombagira.

A escolha não é capricho, é o retrato da entidade. Reginaldo Prandi escreve que se presenteia a Pombagira com as coisas que ela usa quando chega no terreiro, e a taça está na mesma lista que o perfume e a rosa vermelha aberta. Por isso a dama pede taça e a entidade de rua pede o que a rua tem.

Não existe tabela confiável de qual Pombagira bebe o quê. A etnografia mais detalhada do assunto acompanhou dez Pombagiras num mesmo terreiro e registrou que as oferendas delas não são muito diferenciadas. Quem define é a casa, e há casas que não trabalham com bebida alcoólica nenhuma.

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A bebida de Pombagira que a pesquisa de terreiro registra é sempre da mesma família: bebida de brinde, doce ou aromatizada, servida em taça. Espumante, champanhe, vinho branco ou doce, vermute e cidra aparecem em quatro trabalhos de campo diferentes.

Este guia mostra o que as fontes sustentam, por que a escolha muda de uma entidade para outra, e o que não se oferta.


O que as fontes registram

Quatro pesquisas independentes chegam ao mesmo tipo de bebida, ainda que mudem o rótulo.

A cidra merece parágrafo próprio, porque desarma um complexo. Ela não é substituto improvisado nem gambiarra de quem não tem dinheiro, é registro legítimo e antigo, com nome e função dentro do culto. Bebida cara não agrada mais que bebida barata.


O retrato manda na taça

A escolha não é gosto de quem leva nem capricho da entidade. É o retrato dela.

Prandi resume a lógica: presenteia-se a Pombagira com as coisas que ela usa no terreiro quando incorporada, ou seja, tecidos sedosos em vermelho e preto, perfumes, joias, champanhe, cigarrilha e rosas vermelhas abertas. A taça está na mesma lista que o perfume porque as duas compõem a mesma figura.

Gonçalves formula isso de modo mais direto: a comida oferecida é um arquétipo da própria entidade. E mostra a régua funcionando na casa inteira. Doce e refrigerante para os erês, pipoca e café para os pretos-velhos, espumante e frutas vermelhas para as Pombagiras, farofa de dendê para os Exus.

É por isso que a mesma força pede coisas diferentes em casas diferentes. Prandi descreve uma entidade de muitos retratos, que vez por outra é a grande dama, fina e requintada. A dama pede taça, a entidade de rua pede o que a rua tem, e a de cemitério pede o que a calunga aceita. Os retratos estão em quem é Pombagira.


Por nome: o que dá e o que não dá para afirmar

Aqui a internet promete uma tabela que as fontes não sustentam. Gonçalves acompanhou dez Pombagiras cultuadas num mesmo terreiro e escreveu que as oferendas delas não são muito diferenciadas.

O que existe de registro nomeado é pouco, e vale dizer com a fonte ao lado:

  • Maria Padilha recebe vermute em cálice, passado de mão em mão, na casa que Alves Júnior acompanhou. É uma casa, não é regra nacional. O perfil está em Maria Padilha.
  • Sete Saias aparece ligada ao champanhe num manual popular que Prandi reproduz a título de ilustração. É o único registro nomeado para ela, e o peso é baixo. Veja Pombagira Sete Saias.
  • A Cigana aparece com cachaça, vinho ou champanhe, à escolha, no mesmo manual. O perfil está em Pombagira Cigana.
  • Rosa Caveira e Maria Mulambo não têm bebida própria em fonte acadêmica. O vinho tinto seco e o marafo que circulam são registro corrente de casa, e é assim que devem ser tratados.

Quem define a bebida é a casa, e a entidade diz na hora. Lista de internet não substitui nem uma coisa nem outra.


Como se serve, e o que se faz com o resto

O recipiente separa as entidades antes mesmo da bebida. Alves Júnior observou a diferença numa mesma noite: para a Pombagira, cálice; para caboclo e mestre, um copo rústico de barro; para preto velho, o copo típico de dose.

O ritmo também é próprio. Ele registra que elas bebem pausadamente, ao contrário de outras entidades, que viram o copo de um gole.

Há ainda o gesto de partilha, que aparece em dois campos diferentes com a mesma forma. A entidade bebe, despeja um pouco na taça do assentamento e oferece uma golada a quem veio pedir. Parte fica com ela, parte volta para o consulente.

Sobre onde se põe, Prandi anota a diferença: na umbanda a oferenda vai para fora do terreiro, na encruzilhada ou na praia, e no candomblé fica ao pé da Pombagira. O território dela está em a encruzilhada na quimbanda.

O descarte é o ponto que nenhum concorrente cobre. Gonçalves registra como norma da casa que estudou o recolhimento do material algumas horas depois. Ele discute o custo ambiental de vela, plástico e garrafa deixados na natureza. Vidro na mata não é oferenda, é lixo.


O que não se oferta

Esta é a parte que evita erro, e cada item tem fonte.

  • Cerveja não é o retrato dela. Gomes coloca a cerveja no campo do caboclo, e nenhuma das quatro fontes a registra como bebida de Pombagira. Não é veto absoluto, porque quem manda é a casa, mas não é o padrão.
  • Destilado forte fora do perfil. A mesma pesquisadora escreve que cachaça e uísque estão mais ligados aos Exus. O guia deles é oferenda para Exu.
  • Botão de rosa. Prandi é específico: rosas vermelhas abertas, nunca botões. Há registro de casa que aceita as duas formas, como mostra a rosa nas oferendas, então confira na sua.
  • Bebida que a entidade não pediu. Alves Júnior registra que a entidade define o tipo e a quantidade que aceita. Levar por conta própria o que ela não pediu não é agrado.
  • Bebida alcoólica onde a casa não trabalha com álcool. Isso muda tudo, e tem seção própria abaixo.

Uma confusão de vocabulário atravessa o assunto e vale desfazer. O anis que aparece nas listas de oferenda de Pombagira é o anis estrelado, a especiaria, e não o licor de mesmo nome. O licor é registro corrente de casa, não de pesquisa.


As casas que não trabalham com álcool

Isso não é exceção rara, é divergência real, e a mesma pesquisa documenta os dois lados na mesma cidade. Num dos terreiros que Gonçalves estudou, bebida e cigarro são constantes no rito e no cotidiano. No outro, fumar durante a gira é tratado como desrespeito, e a casa trabalha com café, açafrão e óleo de coco.

Gomes dá a régua geral: cada centro tem modo de funcionamento próprio, e a heterogeneidade entre terreiros é grande. Não existe norma nacional sobre isso.

Vale registrar como as próprias casas explicam o uso. Uma mãe de santo entrevistada por Alves Júnior diz que não bebe e não fuma, e que quem consome é a entidade. Gonçalves registra a mesma crença: os elementos são instrumento de trabalho energético, não bebedeira.

A conclusão prática cabe numa frase. Se você tem casa, pergunte ao dirigente antes de levar bebida, e se não tem casa, leve o mais simples e não invente. Quem quer ir mais fundo encontra o caminho em assentamento de Pombagira, que é assunto de casa e não de texto.


Perguntas frequentes

Qual Pombagira gosta de cerveja?

Nenhuma das quatro pesquisas de campo consultadas registra cerveja como bebida de Pombagira. Melina Sousa Gomes situa a cerveja no campo do caboclo. Onde a cerveja aparece no terreiro, é como bebida de convívio da casa, não como agrado da entidade. O padrão registrado é bebida de brinde em taça.

Qual Pombagira gosta de vinho?

O vinho branco aparece em Prandi como bebida de Pombagira em geral, e o vinho doce circula em registro de casa para a Cigana. Não existe lista confiável que separe as Pombagiras por rótulo. A etnografia mais detalhada do tema registra que as oferendas delas variam pouco entre si.

O que a Pombagira Sete Saias gosta de beber?

O único registro nomeado é champanhe, e vem de um manual popular que Prandi reproduz apenas como ilustração etnográfica. É pouco para virar regra. O caminho honesto é perguntar na casa que cuida de você, porque a entidade indica na gira o que aceita.

Pode oferecer bebida sem álcool para Pombagira?

Pode, e há casas que trabalham exatamente assim. A pesquisa de Fábio Gonçalves documenta terreiros que não usam álcool nem fumo e substituem por café e outros elementos. Espumante sem álcool circula como prática de casa para entidades de retrato jovem. Confirme com o seu dirigente.


Onde encontrar o material da oferenda

Na Joia Mística Laroyê você encontra os itens que aparecem nessas fontes:

  • Taça e cálice para o agrado e para o assentamento
  • Velas vermelha e preta, de palito e de sete dias
  • Alguidar de barro em vários tamanhos
  • Charuto e cigarrilha
  • Perfume, rosa vermelha e fita nas cores dela

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Se você ainda não sabe qual entidade caminha com você, o teste do Exu é a porta de entrada. O contraste está em o que preto velho gosta de ganhar, onde o consenso é o café.


Referências

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