Ogum na umbanda é o orixá guerreiro que rege uma das linhas da gira, ligado a São Jorge e ao vermelho. Ele trabalha por falanges como Beira-Mar, Megê e de Ronda. Para a maioria dos autores, quem desce são caboclos e guias da linha dele. O dia é a terça-feira.
Quem é Ogum na umbanda
Ogum é o mesmo orixá do ferro e da guerra do candomblé, vivido de outro jeito. A origem e a ficha completa estão em quem é Ogum.
Em 1933, no Rio de Janeiro, o escritor Leal de Souza listou as sete linhas da umbanda: “a primeira de Oxalá; a segunda de Ogum”. Na língua da umbanda, essa segunda linha era São Jorge. A cor era “a encarnada”, o vermelho. Nela trabalhavam “as falanges guerreiras de Demanda”.
Outros autores mudaram a ordem. Matta e Silva também pôs Ogum entre sete linhas. A pesquisadora Sônia Lages (UFJF), que resume essa lista, avisa: “as classificações variam”. A comparação está em as 7 linhas da umbanda.
Algumas casas e escolas ligam Ogum à lei. A Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina (TUCTVC), de São José dos Campos (SP), resume o orixá em “Lei, Ordem e Abertura de Caminhos”. Na Umbanda Sagrada, a escola de Rubens Saraceni, “Ogum é o Orixá da Lei” e ocupa o “Trono da Lei”. Esse vocabulário de tronos é da Umbanda Sagrada.
Ogum incorpora na gira?
Na maioria das casas e dos autores, não. Quem incorpora é um caboclo ou guia da linha de Ogum, muitas vezes chamado pelo nome do orixá. Lages resume Matta e Silva: os orixás não se apresentam “pessoalmente no terreiro, como ocorre no Candomblé”.
Na lista de Rivas Neto, quem trabalha na linha é o “Caboclo Ogum Beira-mar”, o “Caboclo Ogum de Malê” e outros caboclos com nome de Ogum. No Terreiro de Umbanda Pai Maneco, de Curitiba, “o Pai-de-Cabeça é sempre um Caboclo de OGUM, OXÓSSI ou XANGÔ”.
“Os Orixás não baixam sempre (…) só tive ocasião de ver dois Orixás, um de Euxoce (Oxóssi), o outro de Ogum, o Orixá Mallet.” Leal de Souza, 1933
Como chega quem vem na linha? Numa casa de Fortaleza, os espíritos de Ogum dançam “como se segurassem espadas invisíveis”. O gesto mostra que estão “cortando as demandas”, e vale também para as entidades femininas da linha. Num terreiro de Passo Fundo (RS), as entidades de Ogum chegam com “toda a rigidez de um soldado marchando”.
A linha dos caboclos está em caboclos na umbanda. A mesma pergunta sobre outro orixá está em Oxóssi na umbanda. Se a dúvida é sobre a sua gira, pergunte ao dirigente.
As falanges de Ogum: cada autor dá uma lista
Ogum trabalha por falanges, grupos de entidades com o nome dele e um lugar ou qualidade. Não existe lista única. O Núcleo Umbandista São Sebastião (NUSS), de São Paulo, escreve que “a divisão das falanges de Ogum divergem muito de um terreiro para outro”.
| Fonte | Nomes que registra |
|---|---|
| Matta e Silva, por Lages (2003) | de Lei, Yara, Megê, Rompe Mato, Malê, Beira-Mar, Matinata |
| Casas de Fortaleza, por Pereira (UFC, 2012) | Beira Mar, General de Brigadas, de Ronda, Dilé, Sete Rondas, Mege, Matinata |
| Terreiro de Passo Fundo, por Bertocho (UFFS, 2019) | Beira Mar, Yara, Mege, Xoroque, Rompe Mato, Narue, da Lua, da Pedreira, Sete Espadas |
| Pontos da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (TENSP), a casa de Zélio de Moraes | Iara, Matinata, Rompe Mato, Megê, Beira Mar, Sete Ondas, Sete Espadas |
Alguns nomes têm pouca fonte. Ogum Naruê está na lista que a Wikipédia tira de Nei Lopes, no terreiro de Passo Fundo e num ponto de Fortaleza. Nenhuma delas diz o que a falange faz. Ogum Sete Ondas, até aqui, só aparece nos pontos.

Cada linha tem também a sua esquerda. Leal de Souza já punha na linha de Ogum a falange de Tranca-Rua. Na tabela de Matta e Silva, o chefe dos exus da vibração de Ogum é Exu Tranca-Ruas. Quem é esse guardião está em Exu Tranca Ruas, e o teste qual seu Exu é um ponto de partida.
Ogum Beira-Mar, Megê, de Ronda e de Lei
Ogum Beira-Mar
Matta e Silva, as casas de Fortaleza e a casa de Zélio citam Ogum Beira-Mar. Um relato registrado por Silva conta que, em 1964, um pai de santo “recebeu Ogum Beira-Mar, que era o guia dele, o guia de consulta”. Num ponto da TENSP, esses Oguns trabalham “na terra”, “no mar” e “na areia”.
Ogum Megê e Ogum de Ronda
No cemitério Santo Antônio, em Vitória (ES), os umbandistas ouvidos pela pesquisadora Barbara Thompson dizem que Ogum Megê “pertence a linha das almas”. Ogum de Ronda atua no portão e no cruzeiro e “trabalha auxiliando os exus”. Ele também aparece nas casas de Fortaleza, e os pontos da TENSP cantam que Ogum “está de ronda”. A linha do cemitério está em linha das almas na umbanda.
Ogum de Lei
Para o NUSS, o mentor da linha é São Miguel Arcanjo, “conhecido no ambiente umbandista como Ogum de Lei”. A lista de Yokaanam põe “Ogum da Lei” na legião de São Lázaro. Na TENSP, Ogum de Lei é saudado na abertura da sessão. Os versos cantados para ele e para as outras falanges estão em ponto de Ogum.
Cor, dia e saudação de Ogum na umbanda
Cor: vermelho | Dia: terça-feira | Data: 23 de abril | Saudação: Ogunhê, Patakori
- Cor. Leal de Souza deu à linha “a encarnada” em 1933. A TUCTVC usa guia e vela “Vermelho, vermelho e branco e azul”. A FUCESP, federação paulista, dá vermelho na umbanda e azul-marinho no candomblé. Há casa que segue a nação: “o Ogun pega o azulão”, disse um dirigente ao pesquisador Pedro Nogueira. As contas estão em guia de Ogum.
- Dia e data. A terça está na TUCTVC e na FUCESP. A TUCTVC dá “Data de culto 23 de abril”, dia de São Jorge. Ela lembra que o sincretismo “não significa que as duas figuras sejam exatamente a mesma divindade”. A história está em São Jorge e Ogum. As datas de cada tradição estão em dia de Ogum.
- Saudação. A TUCTVC registra “Ogunhê!” e “Patakori Ogum”. As outras estão em saudação dos orixás.
O que se oferece a Ogum na umbanda
Cada casa tem a sua oferenda, e a regra é perguntar antes. No Terreiro Pai Maneco, o amalá de Ogum leva “7 velas branca e vermelha, cerveja branca em coité, charutos, amendoins e frutas”. A FUCESP indica entregar “nas estradas e estradas de ferro”.
Em Matozinhos (MG), uma tenda de umbanda fez em 2025 a “1ª Feijoada de Ogum”. O dirigente contou ao Estado de Minas que essa oferenda costuma ser feita no dia de São Jorge.
Em casa, o gesto mais simples é uma vela vermelha de cor única, acesa na terça sobre prato firme. O resto está em oferenda para Ogum. Para conferir o material que a casa pediu, a Joia Mística Laroyê ajuda pelo WhatsApp.
O que muda do Ogum do candomblé
A grande diferença é a presença. Na umbanda de Matta e Silva, o orixá repassa seus atributos às entidades; no candomblé, ele se apresenta no terreiro.
A cor também muda. Na tabela de Reginaldo Prandi para o candomblé queto, as contas de Ogum são “azul escuro ou verde”. A bebida muda de sentido. A casa de umbanda oferece cerveja branca, e no queto “embebedar-se” é tabu dos filhos de Ogum.
Os caminhos de Ogum no candomblé estão em qualidades de Ogum. A comparação geral está em diferença entre umbanda e candomblé, e a ficha do orixá, em Ogum.
Perguntas frequentes
Qual a cor de Ogum na umbanda?
O vermelho, que Leal de Souza já chamava de encarnado em 1933. A TUCTVC usa vermelho, vermelho e branco e azul nas guias e velas. A FUCESP dá vermelho na umbanda e azul-marinho no candomblé. Vale a cor da sua casa.
Ogum é São Jorge na umbanda?
São Jorge é o santo que representa Ogum no congá de muitas casas, por sincretismo, desde a lista de Leal de Souza. A TUCTVC lembra que o sincretismo não faz das duas figuras a mesma divindade. Para o NUSS, Ogum de Lei é São Miguel.
Ogum de Ronda trabalha em qual linha?
Na linha de Ogum, segundo as casas de Fortaleza estudadas por Pereira. No cemitério de Vitória, os umbandistas dizem que ele atua no portão e no cruzeiro, auxiliando os exus. Ali, é homenageado em 23 de abril e tem a terça como dia.
Referências
- Leal de Souza, livro de 1933: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda
- Lages, UFJF (2003): Exu: luz e sombras
- Nogueira, UFJF (2014): O diálogo intra-religioso na Umbanda
- Pereira, UFC (2012): A umbanda em Fortaleza
- Silva, UFC (2009): uma mãe de santo na umbanda de Fortaleza
- Bertocho, UFFS (2019): Terreiro de Umbanda Ogum Beira Mar
- Thompson, UFES (2019): umbanda no cemitério Santo Antônio
- Saraceni, Umbanda Sagrada: Orixás universais
- Prandi, Horizontes Antropológicos (1995): Deuses africanos no Brasil
- Casas: TUCTVC, NUSS, FUCESP, Pai Maneco, Ogum e Oxalá na Umbanda
- TENSP: Livro de Pontos Cantados
- Wikipédia: Ogum
- Estado de Minas (2025): Feijoada de Ogum em Matozinhos