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Orixás 8 min de leitura

Guia de Ogum: para que serve, quem pode usar e qual a cor

Guia de Ogum: para que serve, quem pode usar sem ser filho do orixá, por que é vermelha na umbanda e azul-escuro no ketu, e o que fazer se arrebentar.

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Duas guias de contas sobre pano branco e esteira de palha, uma azul-escuro e verde e outra vermelha e branca, ao lado de uma pequena ferramenta de ferro e folhas de espada-de-são-jorge.

Resumo

A guia de Ogum é o fio de contas que liga a pessoa ao orixá do ferro e serve de proteção. Ela só cumpre essa função depois de consagrada pela casa. Sem o rito, um babalorixá nagô de Pernambuco compara a peça a uma bateria que não foi carregada.

Quem usa depende da tradição e da casa. No candomblé, o fio vem depois que o pai ou a mãe de santo identifica Ogum no jogo de búzios. Na umbanda, a guia sai com autorização do dirigente, e há casas regidas por Ogum que dão a guia dele a quem não é seu filho.

A cor muda com a tradição. Reginaldo Prandi registra contas azul-escuro ou verde no candomblé ketu, e na umbanda a guia costuma ser vermelha, ou vermelha e branca, cor que se popularizou pelo sincretismo com São Jorge. Quando arrebenta, olhe primeiro o desgaste do fio e depois fale com o dirigente.

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Quem pergunta para que serve a guia de Ogum costuma carregar outra dúvida junto: se pode pôr aquela peça no pescoço. A guia de Ogum liga a pessoa ao orixá do ferro e protege quem usa. Para isso, a casa precisa consagrar a peça.

Este guia mostra quem pode usar, por que a cor muda da umbanda para o candomblé, quem faz a consagração e o que fazer quando o fio arrebenta.


Para que serve a guia de Ogum

A guia de Ogum é um fio de contas nas cores do orixá, com duas funções: ligar a pessoa a Ogum e proteger. Manuel do Nascimento Costa, o Manuel Papai, é babalorixá nagô do Centro de Cultura Pai Adão, em Pernambuco. À Revista Continente, ele disse que os fios fazem “uma ligação entre o orixá e a matéria como elemento de proteção”.

Ela também identifica. No candomblé, o iniciante recebe os primeiros fios na lavagem das contas, em geral um de Oxalá e outro do seu orixá. Depois de passar pelas folhas, o colar vira marca do lugar da pessoa na comunidade, como escreve Guilherme Lemos na revista Studium, da Unicamp.

Há também a guia de proteção, usada por quem procura resguardo para o corpo. Na umbanda, a entidade pode dar ao consulente uma guia fina, usada por baixo da roupa.

“Se isso não acontecer, têm apenas valor decorativo. A pessoa até pode usar, mas é como uma bateria que não foi carregada.”

Manuel Papai, babalorixá nagô, sobre o fio de contas sem consagração

O que vale para qualquer guia está em guia de contas na umbanda. Quem é o orixá, você encontra em quem é Ogum.


Quem pode usar guia de Ogum

A resposta depende da tradição, da casa e de Ogum já ter sido identificado como o seu orixá.

Sua situaçãoO que as fontes registram
Filho de Ogum no candombléO pai ou a mãe de santo identifica o orixá da cabeça no jogo de búzios, e a pessoa recebe o fio sacralizado nas cores dele
Abiã, ainda sem iniciaçãoUsa só fios simples: um branco de Oxalá e um do seu orixá, quando já identificado
Médium de umbandaA guia só se faz com autorização do dirigente ou do guia chefe, que também cruza a peça
Não é filho de Ogum, mas a casa é regida por eleHá terreiros que dão ao batizado a guia do orixá que rege a casa
Sem casa, quer proteçãoExistem guias de proteção, e na nação nagô até quem quer só proteção passa pela lavagem
Comprou a guia prontaPode usar, mas sem consagração a peça vale como enfeite

Na nação xambá, o caminho começa antes da loja. O terreiro Ilê Axé Oya Megué, de Olinda, joga os búzios primeiro. Só depois manda comprar o fio na cor do santo.

A regra da compra também muda de casa para casa. Mãe Valda de Pirapama, do ketu, não aceita fio comprado fora do terreiro. Ivo de Xambá deixa os filhos comprarem de qualquer material, porque o que consagra é o rito.

Se você ainda não sabe quem é o seu orixá, o teste do orixá ajuda a abrir a conversa. A resposta de fundamento sai do jogo, feito dentro de uma casa.


A cor: guia de Ogum na umbanda e no candomblé

A guia de Ogum na umbanda costuma ser vermelha, ou vermelha e branca. No candomblé ketu, as contas são azul-escuro ou verde. É o que registra a tabela de atributos que Reginaldo Prandi publicou em Horizontes Antropológicos para o rito queto.

Contas no ketu: azul-escuro ou verde | Roupas no ketu: azul-escuro, verde e branco | Umbanda: vermelha, ou vermelha e branca

Por que a diferença? O verbete da Wikipédia sobre Ogum diz que a cor tradicional do orixá é o azul. O vermelho com o branco se popularizou pelo sincretismo com São Jorge. Santo e orixá seguem distintos nas suas tradições, e a história dessa correspondência está em São Jorge e Ogum.

Dentro do ketu, a contagem de contas também varia. Na casa de Mãe Valda, quem é de Ogum e de Oxalá, o Ogumjá, usa guia com sete miçangas brancas e sete azuis. Em casas de umbanda, o número de contas nem é fixo.

Na nação angola, o inquice do ferro é Incoce, grafado também Incosse e Roxi Mocumbi na tese de Elisabete Barros, da USP. Uma casa angola, a de Pai Mutalengunzo, registra o fio de Nkosi em azul forte e opaco. No jeje, o vodum correspondente se chama Gu. A cor do fio dele não tem registro aberto.

A cor por linha da umbanda, como Beira-Mar e Megê, muda de terreiro para terreiro. Os caminhos do orixá estão em qualidades de Ogum, a cor de cada orixá em cores dos orixás, e o batuque em Ogum no batuque.


Comprou a guia pronta: quem consagra

A guia de Ogum que sai da loja é matéria-prima. Na umbanda, quem fecha e cruza a guia é o chefe do terreiro: o pai ou a mãe de santo, ou o guia espiritual chefe da casa. O cruzamento pode ser com pemba ou com amaci das ervas do orixá.

No candomblé, cada nação tem o seu rito. Na nação nagô, o primeiro passo é a lavagem com as plantas sagradas da casa, com Ossaim, o dono das folhas, no centro. Na xambá, depois dos búzios e da compra vem o amaci.

Esse rito não se aprende em artigo. Receita de vela e bênção para ativar a guia sozinho não ocupa o lugar da casa. Quem autoriza e cruza a peça é o dirigente, dentro do terreiro.


Pode dormir, beber e tomar banho com a guia?

Aqui as casas discordam.

  • O Diário de Umbanda, do sacerdote Danilo Sgrott, manda tirar a guia para comer fora do ritual, beber álcool, ir ao banheiro e tomar banho.
  • O médium Douglas Rainho escreve que dá para comer, beber, dormir e tomar banho com ela.
  • Ivo de Xambá diz que com os fios não se bebe.

As três fontes só concordam num ponto: a guia sai do pescoço na relação sexual.

Se a sua guia de Ogum foi feita numa casa, vale a regra da casa. Pergunte ao dirigente.


Quando a guia arrebenta

Comece pelo físico. A Casa de Caridade Gauisa, terreiro de umbanda, orienta olhar primeiro se o rompimento veio do material, dos nós ou do fio cedendo. Peça encostada no corpo gasta.

Quando há leitura espiritual, ela não precisa ser de medo. O historiador da arte Roberto Conduru, da UERJ, lê o fio partido como começo. Para ele, o rompimento “pode ser o início de um novo ciclo, um recomeço, um momento de virada que pede um novo fio”.

Na prática, o caminho é este:

  1. Pare de usar a peça rompida.
  2. Junte as contas e não descarte nada antes de falar com a casa.
  3. Fale com o dirigente, que decide se refaz com as mesmas contas ou monta uma guia nova.
  4. Leve a peça refeita para passar de novo pelo cruzamento.

Guia de contas azul-escuro e verde com o cordão rompido, contas soltas numa tigela branca de louça, pano branco dobrado e vela branca apagada.

O destino das contas soltas muda de casa para casa. A Casa de Santo Filhos do Axé põe as miçangas de molho em água com ervas do orixá. O CEENC orienta a água corrente num copo, ou a entrega numa mata ou cachoeira. Nenhuma das duas vale como regra para a sua casa.


Perguntas frequentes

A guia de Ogum pode ser vermelha?

Pode. Na umbanda, a guia de Ogum costuma ser vermelha, ou vermelha e branca, cor que se popularizou pelo sincretismo com São Jorge. No candomblé ketu, as contas registradas são azul-escuro ou verde. A cor certa é a que a sua casa usa.

Quem não é filho de Ogum pode usar a guia dele?

Depende da casa. Há terreiros de umbanda em que o batizado recebe a guia do orixá que rege a casa, sem ser filho dele. Guias de proteção também são usadas por quem procura resguardo. No candomblé, o fio de orixá acompanha o orixá identificado no jogo.

Pode dormir com a guia de Ogum?

As casas divergem. Há casa de umbanda que libera dormir e tomar banho com a guia, e há casa que manda tirar. O único ponto comum entre as fontes é tirar na relação sexual. Siga o costume do terreiro que consagrou a sua peça.


Onde comprar a guia de Ogum

Na Joia Mística Laroyê você encontra o material para a sua casa montar e consagrar a peça:

  • Guias de Ogum montadas, em azul-escuro e verde ou em vermelho e branco, prontas para o cruzamento no seu terreiro
  • Miçangas, contas de louça e firmas avulsas nas cores de Ogum
  • Cordonê, para as casas que não usam fio de náilon
  • Velas de sete dias azuis e vermelhas para a firmeza do orixá
  • Imagens e ferramentas de Ogum em ferro, e mudas de espada-de-são-jorge

Passe na loja, na Rua Benedito Zingari, 460, Bela Vista, em Extrema-MG, ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

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R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

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