As qualidades de Ogum são os muitos caminhos de um só orixá. Ogum não se divide em vários deuses, ele se apresenta em faces diferentes, cada uma com seu nome, sua cor e seu jeito de guerrear.
Este guia explica o que são essas qualidades no candomblé, como a umbanda ramificou o orixá em linhas, e por que a sua qualidade de cabeça só pode ser revelada dentro de uma casa de santo. É conteúdo para entender, nunca para se iniciar sozinho.
O que são as qualidades de Ogum
No candomblé, qualidade é o nome que se dá a cada caminho ou fundamento de um orixá. O orixá é um só, mas se manifesta em qualidades que expressam facetas do guerreiro: o forjador, o rei, o combatente, o que abre estradas. Quem quiser conhecer o orixá antes dos caminhos pode ler quem é Ogum.
Cada qualidade traz seu próprio fundamento, suas comidas, suas cores e até um temperamento distinto. Um caminho mais velho e ancestral pede um tratamento diferente de um jovem e impetuoso. Por isso não existe uma lista única e fechada: as qualidades variam de nação para nação e de casa para casa.
O mesmo acontece com outros orixás. O blog já explicou os caminhos de outros grandes nomes em qualidades de Xangô e qualidades de Oxum, e a lógica é sempre a mesma: um orixá, muitos caminhos.
Ogum é um só, mas anda por muitos caminhos
Aqui mora a distinção que separa quem entendeu de quem só decorou nomes. No candomblé, a qualidade é fundamento de terreiro, revelada na feitura de santo pelo jogo de búzios. É segredo de casa, não assunto de internet.
Na umbanda, o costume seguiu outro rumo. Em vez de qualidades de fundamento, o orixá ganhou linhas, também chamadas de ramificações ou falanges. Cada linha de Ogum corre por um território e trabalha junto a outro orixá.
Ogum é um só orixá. As qualidades e as linhas não são vários Oguns, e sim as muitas estradas por onde o mesmo guerreiro caminha.
Na prática, o praticante encontra os dois vocabulários. Um candomblecista fala em qualidade, um umbandista fala em linha, e os dois falam do mesmo Ogum. Entender essa diferença evita a confusão mais comum sobre o tema.
As principais qualidades de Ogum no candomblé
Segundo o verbete sobre Ogum na Wikipédia, o orixá aparece em vários caminhos conforme a tradição. Entre as qualidades mais citadas nas casas de nação ketu estão:
- Ogum Onirê: o rei de Irê, senhor da cidade que Ogum governou. É uma das qualidades mais antigas e cultuadas.
- Ogum Já: um Ogum particularmente combativo, ligado ao cão, que lhe é consagrado como protetor.
- Ogum Alagbedé: o ferreiro, o forjador do ferro, ligado à bigorna e ao ofício da forja.
- Ogum Mejê: nome ligado ao número sete, associado ao conjunto e à força reunida.
- Ogum Akorô: qualidade guerreira, muitas vezes cultuada junto de Onirê.
- Ogum Xoroquê: o caminho de fronteira, o que mais se aproxima de Exu, tratado com cuidado adiante.
Essa lista não é exaustiva nem universal. Cada raiz de candomblé guarda suas qualidades, com nomes e detalhes próprios. O que importa é o princípio: cada caminho é uma face do mesmo orixá.
Os caminhos de Ogum na umbanda
Na umbanda, as linhas de Ogum são conhecidas pelo território que cada uma domina. As mais faladas nos terreiros são:
- Ogum Beira-Mar: trabalha na praia, nos caminhos de Iemanjá e de Oxum.
- Ogum Rompe-Mato ou das Matas: guerreia na floresta, ao lado de Oxóssi, tema de quem é Oxóssi.
- Ogum das Pedreiras: atua nas rochas, próximo de Xangô, o orixá da pedreira.
- Ogum Megê: corre nos caminhos de Omulu, no limite entre a vida e a cura.
- Ogum Sete Espadas e Ogum Sete Ondas: nomes ligados à força multiplicada do guerreiro.
- Ogum Naruê e Ogum Iara: outras linhas que variam bastante de casa para casa.
Cada linha traz um ponto cantado, uma cor e um campo de atuação. Como sempre, a lista muda conforme o terreiro, e o costume da sua casa tem a palavra final. Para conhecer o temperamento de quem é regido pelo orixá, vale ler filhos de Ogum.
Ogum Xoroquê: o caminho que toca Exu
Nenhuma qualidade gera mais dúvida do que Ogum Xoroquê. Ele é descrito como o Ogum que mais se aproxima de Exu, o que trabalha na fronteira, na encruzilhada, no ponto onde um território começa e outro termina.
Daí nasce a frase popular de que Xoroquê seria metade Exu. É preciso cuidado com ela. Xoroquê não é uma entidade ruim nem um demônio. Ele é o guerreiro que atua no limite, o que precisa transitar pela porta que Exu guarda para cumprir sua missão. Exu, aliás, não tem nada de diabo, como o blog explica em oferenda para Exu.
Ogum Xoroquê caminha na fronteira porque a guerra também se ganha na porta de entrada. Aproximar-se de Exu não é maldade, é função.
Reduzir Xoroquê a uma figura assustadora é repetir o mesmo preconceito que demoniza Exu. Ele é um Ogum de trabalho firme, respeitado nas casas que o cultuam.
Ogum além do ketu: nação angola e sincretismo
As qualidades mudam de nome quando muda a nação. No candomblé de angola, a energia do orixá aparece como o inquice Nkosi, também grafado Roxi Mukumbe, com liturgia e cânticos próprios. No jeje, o vodum correspondente é Gu. No batuque gaúcho, o guerreiro tem lugar de destaque, tema de Ogum no batuque.
No sincretismo, o orixá também ganha rostos diferentes por região. No Sudeste, ele é São Jorge, o santo guerreiro, associação tratada em São Jorge e Ogum. Na Bahia, o mesmo Ogum costuma ser Santo Antônio, como mostra Santo Antônio e Ogum. A cor tradicional do orixá é o azul-escuro, e o vermelho e branco vieram justamente do sincretismo com São Jorge, segundo o texto sobre Ogum das Raízes Espirituais.
Nada disso é equivalência entre santo e orixá. O sincretismo foi estratégia histórica para o culto sobreviver à repressão, não fusão de fé.
O fundamento é do terreiro
Aqui está o ponto mais importante, e o que este guia não faz. A sua qualidade de Ogum não se descobre por conta própria.
Nenhum teste de internet, signo, data de nascimento ou quiz revela a qualidade de cabeça de uma pessoa. Isso é fundamento, e fundamento se revela no jogo de búzios, conduzido por um babalorixá ou uma ialorixá, dentro de uma casa de santo. Quem quer entender o próprio caminho começa por procurar um terreiro sério, como orienta o texto como saber qual é o meu orixá.
Este artigo serve para conhecer os caminhos e respeitar a riqueza da tradição, nunca para autoiniciar ou cravar uma qualidade. O saber sobre as qualidades pertence ao terreiro, e é lá que ele se transmite, de pai e mãe de santo para filho, no tempo certo.
Perguntas frequentes
Quantas qualidades de Ogum existem?
Não há um número fechado. As casas de candomblé ketu costumam citar em torno de sete qualidades principais, como Onirê, Já, Alagbedé, Mejê, Akorô e Xoroquê, mas os nomes e a contagem mudam conforme a nação e o terreiro. Na umbanda, as linhas de Ogum também variam bastante.
Qual a diferença entre qualidade e linha de Ogum?
Qualidade é o termo do candomblé, um fundamento revelado na feitura de santo. Linha é o termo da umbanda, uma ramificação do orixá ligada a um território, como Beira-Mar ou Rompe-Mato. Os dois falam do mesmo Ogum, com vocabulários de tradições diferentes.
Quem é Ogum Xoroquê?
Ogum Xoroquê é a qualidade que trabalha na fronteira e mais se aproxima de Exu, atuando nas encruzilhadas e nos limites. A ideia popular de que ele seria metade Exu não faz dele uma entidade ruim. É um Ogum de trabalho firme, e reduzi-lo a algo assustador repete o preconceito que demoniza Exu.
Qual a qualidade de Ogum mais cultuada?
Ogum Onirê, o rei de Irê, está entre as qualidades mais antigas e reverenciadas no candomblé. Ainda assim, cada casa tem suas preferências e seu fundamento, então a qualidade mais presente muda de terreiro para terreiro conforme a raiz da nação.
Como saber a minha qualidade de Ogum?
Somente pelo jogo de búzios, com um babalorixá ou uma ialorixá, dentro de uma casa de santo. Não existe teste, signo ou data que revele isso. Se você sente ligação com Ogum, o caminho é procurar um terreiro sério e deixar o fundamento ser revelado no tempo certo.
Onde encontrar itens para Ogum
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- Guias e contas: nas cores das qualidades e linhas do orixá
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