Vela Roxa / Violeta
Perdão, luto e ancestralidade sob a regência de Nanã Buruku, a avó dos orixás
Vela Roxa / Violeta
Vela de 7 dias · fica acesa 7 dias
Quem procura a vela roxa quase nunca está num dia comum. Ela aparece quando alguém carrega uma mágoa velha, perdeu uma pessoa querida ou sente que repete a mesma história há anos. Na Umbanda e no Candomblé essa vela é chamada para o trabalho lento: aquele em que nada se resolve de uma noite para outra, mas a pessoa vai, aos poucos, aprendendo a deixar ir.
O fundamento vem de Nanã Buruku, a avó dos orixás, senhora da lama de onde Oxalá tirou o barro para fazer o ser humano. A lama guarda e transforma: o que entra nela volta como terra boa. Por isso o roxo, cor da passagem, ficou com ela na Umbanda, junto do lilás e do branco; no Candomblé muitas casas a vestem de branco com azul-marinho. As casas divergem sobre o dia dela: a segunda-feira é a mais citada, e muitos terreiros de Umbanda preferem o sábado. A data firme é 26 de julho, dia de Sant'Ana.
Em casa, a vela roxa pede quietude. Não é vela de festa nem de pedido apressado, e também não serve para mandar o mal de volta a ninguém. Ela trabalha por dentro, no tempo da mais velha. Acesa num canto calmo, com água ao lado, ajuda a rezar pelos que partiram e a fazer as pazes com o próprio passado.
Para que serve
Para que serve a Vela Roxa / Violeta
O roxo é a cor mais funda do altar. No terreiro ele pertence a Nanã, a mais velha das iabás, e a vela roxa é acesa para transformar mágoa em aceitação, honrar os antepassados, atravessar o luto e largar o que já pesou demais.
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Soltar mágoa e ressentimento antigo
Quando uma ofensa do passado ainda dói toda vez que vem à memória. A vela roxa acompanha o esforço de perdoar, sem fingir que nada aconteceu.
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Atravessar o luto com serenidade
Nanã recebe quem parte e ampara quem fica. Nos dias de saudade, acender a vela roxa com uma prece pela pessoa que se foi ajuda a chorar sem desespero.
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Honrar avós e antepassados
É a vela dos mais velhos da família. Acesa com o nome dos avós e bisavós, agradece pelo caminho que eles abriram e pede que a sabedoria deles siga com a gente.
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Encerrar um ciclo que se repete
Para quem sente que vive a mesma situação há anos: o mesmo tipo de relação, a mesma queda. A vela marca a decisão de mudar e pede paciência para sustentá-la.
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Paciência e juízo nas horas difíceis
Quando a vontade é reagir no impulso, a vela roxa convida a esperar. Nanã ensina que tudo tem sua estação, e decisão tomada com calma costuma pesar menos.
Quem rege esta vela
Orixás e entidades da Vela Roxa / Violeta
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Nanã Buruku
Avó dos orixás, senhora da lama primordial
Nanã veste roxo e lilás com branco na Umbanda, e branco com azul-marinho em muitas casas de Candomblé. Seu ibiri, de fibra de palmeira e búzios, guarda o nascer e o morrer: daí o roxo nos pedidos de perdão, luto e ancestralidade.
Conhecer Nanã Buruku -
Obaluaê (Omulu)
Filho de Nanã, senhor da terra e da cura
As cores de Obaluaê são o preto, o branco e o vermelho, mas algumas casas de Umbanda acendem o roxo para ele, por ser filho de Nanã e senhor da transformação. Não é regra geral: pergunte ao seu terreiro.
Conhecer Obaluaê (Omulu)
Também firmada para
- Pretos Velhos
- Linha das Almas
- Vovós de Aruanda
Oração para acender
Oração da vela roxa a Nanã Buruku
“Minha avó Nanã, senhora do barro de onde eu vim, acendo esta vela roxa diante de ti com a cabeça baixa e o coração aberto. Recebe o que eu já não consigo carregar: a mágoa que guardei, a culpa que repeti, a saudade que ainda aperta. Leva para a tua lama o que precisa morrer em mim e me devolve só o que pode virar terra boa. Ensina-me a esperar o tempo certo das coisas, sem pressa e sem desespero. Cobre com o teu manto os meus antepassados, os que eu conheci e os que vieram antes, e que eles descansem em paz. Que eu saia desta prece mais leve e mais sábia. Salubá Nanã!”Acender a vela e rezar
Passo a passo
Como firmar a Vela Roxa / Violeta
- 1
Afaste o metal do lugar
Nanã tem quizila com o metal em muitas casas. Use pires de barro ou louça, tire faca, prato de alumínio e enfeite de ferro de perto e escolha um canto baixo e quieto da casa.
- 2
Silencie antes de começar
Desligue a televisão e o celular por alguns minutos. A vela roxa pede recolhimento, e a prece feita com a cabeça cheia de barulho costuma sair pela metade.
- 3
Escreva o que quer deixar
Num papel, anote a mágoa que quer soltar ou o nome dos antepassados que quer honrar. Dobre o papel e coloque debaixo do pires, nunca em contato com a chama.
- 4
Acenda e saúde a mais velha
Acenda com fósforo, ofereça a vela a Nanã e diga Salubá. Depois reze a oração e fale com suas palavras, devagar, como quem conversa com a avó.
- 5
Deixe a vela terminar sozinha
Não sopre. Se precisar sair, abafe com um pires. Quando acabar, a água vai para a terra de um vaso e o papel pode ser enterrado ou rasgado e jogado fora com a sobra da cera.
Ceromancia
O que a chama da Vela Roxa / Violeta mostra
Leitura tradicional de terreiro. Antes de interpretar, confira se não há vento, pavio torto ou vela de má qualidade.
- Bom sinal
Chama baixa, quieta e constante
Na vela de Nanã, a chama mansa é bom sinal. Muitas casas leem como pedido aceito e trabalho seguindo no ritmo dela, sem pressa e sem resistência.
- Bom sinal
Vela que queima por igual até o fim
Costuma ser lida como ciclo encerrado com tranquilidade. É a queima que se espera quando o pedido é de perdão e de aceitação.
- Atenção
Chama que estala ou solta faísca
Algumas casas entendem que havia resistência, muitas vezes de quem pediu. Vale rezar de novo com calma e repetir a vela no próximo dia de Nanã que a sua casa segue.
- Atenção
Muita cera escorrida de um lado só
Pode indicar que um lado da questão ainda pesa mais. Antes de qualquer leitura, confira se a vela está reta e longe de corrente de ar.
- Observe
Chama que apaga no meio da queima
Primeiro olhe pavio, vento e qualidade da vela. Se tudo estiver certo e continuar acontecendo, converse com um terreiro de confiança.
Banho e defumação
Ervas que combinam com a Vela Roxa / Violeta
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Folha-de-Araçá
Psidium cattleianum
Folha de Nanã por tradição. Um banho morno de araçá antes de acender a vela ajuda a acalmar e a preparar o corpo para a prece de perdão.
Ver a erva -
Manjericão
Ocimum basilicum
Prefira o manjericão roxo, ligado a Nanã. Um ramo ao lado do pires acompanha a vela, e as folhas podem ir para o banho de quem vai rezar.
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Mal-Me-Quer / Margaridinha
Sphagneticola trilobata
Planta de Nanã e Oxum, de flor amarela e jeito suave. Algumas flores num pratinho de barro perto da vela deixam o canto mais acolhedor.
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Alfazema / Lavanda
Lavandula angustifolia
Para o luto e as noites de saudade. Uma defumação leve de alfazema no quarto, depois que a vela roxa terminar, ajuda a dormir em paz.
Ver a erva
Cuidados antes de acender
- Vela de 7 dias fica acesa por muito tempo. Use pires firme, longe de cortina e papel, e fora do alcance de criança e de animal.
- A vela roxa não é para desejar mal a ninguém nem para prender a vontade de outra pessoa. O trabalho de Nanã é perdão e passagem.
- Oferenda, assentamento e obrigação para Nanã têm fundamento e mudam de casa para casa. Isso é com o zelador do seu terreiro.
- Luto pesado e tristeza que não passa merecem cuidado de verdade. A vela acompanha, mas não substitui o médico nem o apoio de um profissional de saúde.
Vela Virtual
Acenda a Vela Roxa / Violeta agora
Escolha o tipo, escreva seu pedido e pague por PIX. A chama fica no altar e você acompanha pelo link.
Subir para o altarDúvidas frequentes
Perguntas sobre a Vela Roxa / Violeta
Vela roxa é de qual orixá?
É de Nanã Buruku, a mais velha das iabás. Na Umbanda ela veste roxo e lilás com branco; no Candomblé, muitas casas usam branco com azul-marinho. Algumas casas de Umbanda também acendem roxo para Obaluaê, filho dela, e para a Linha das Almas, mas a dona da cor é Nanã.
Qual a diferença entre vela roxa, violeta e lilás?
Roxa e violeta costumam ser vendidas como a mesma vela, e no terreiro as duas vão para Nanã. A lilás é o tom claro, para consolo e preces mansas. A chama violeta do esoterismo, ligada a Saint Germain, é outra tradição, com página própria aqui no site.
Qual o melhor dia para acender a vela roxa?
Segunda-feira é o dia mais citado para Nanã, e muitas casas de Umbanda usam o sábado. Siga o costume do seu terreiro. No 26 de julho, dia de Sant'Ana e de Nanã, a vela roxa é acesa em muitas casas como homenagem.
Posso acender vela roxa em casa?
Pode, para prece, perdão e lembrança dos antepassados. Escolha um canto calmo, com pires de barro ou louça e água ao lado. Oferenda com comida e assentamento de Nanã ficam para o terreiro, com orientação do zelador.
Pode apagar a vela roxa antes de acabar?
O ideal é deixar terminar. Se for preciso, abafe a chama com um pires, sem soprar, e acenda de novo depois com fósforo, refazendo a saudação. Soprar é visto em muitas casas como desmanchar o pedido.
Vela roxa serve para pedir pelos mortos?
Serve. Nanã é senhora da passagem e ampara os que partiram. Acenda com o nome da pessoa, peça que ela siga em paz e reze por ela. Para as almas em geral, muitas casas preferem a vela branca.
O que fazer com a água e a sobra da vela roxa?
A água vai para a terra de um vaso ou do quintal, que é o reino de Nanã. A sobra de cera pode ir para o lixo comum, embrulhada em papel, junto com o bilhete rasgado. Lave o pires antes de usar de novo.