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Voduns no Brasil: quem são e onde são cultuados hoje

Os voduns são as divindades da nação jeje. Veja quem é cada um, as casas da Bahia e do Maranhão e o que muda no chão do barracão quando a casa é de mina.

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Canto de barracão de terreiro com atabaques de couro encostados na parede caiada, gã de ferro e xequerê apoiados no chão, quartinhas de barro e velas acesas sobre pano branco.

Resumo

Vodum é a divindade da nação jeje, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados, e a correspondência com os orixás é aproximação histórica, nunca igualdade.

No Brasil o culto está na Bahia, com o Bogum em Salvador e a Roça do Ventura em Cachoeira, e no Maranhão, onde a Casa das Minas cultua as quatro famílias de voduns do antigo reino de Abomé.

No chão muda bastante: o vodum não dá ilá, dança em conjunto, amarra toalha em vez de paramento na maioria das festas, e quem chega primeiro são os toqüéns, os voduns jovens.

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Os voduns são as divindades da nação jeje, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. O sociólogo Reginaldo Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados. Quem é de casa de mina convive com eles como quem é de ketu convive com os orixás.


Quem são os voduns

São as divindades da religião explicada em o que é vodu, e chegaram aqui com os africanos jeje. Por volta de 1900, o médico e pesquisador Nina Rodrigues já registrava que vodu é palavra jeje para divindade, sinônimo do termo nagô orixá.

O ser supremo a quem os voduns se subordinam aparece com o nome de Avievodum, na posição em que Olorum está para os iorubás. O nome varia conforme a casa e a fonte. Parte da bibliografia registra Mawu nesse lugar.

Na Bahia, os chamados reis da nação jeje são Bessém, da família Dan, Sogbo, da família Hevioso, e Azonzu, da família Sakpata. Nanã é o vodum feminino mais velho e Loko é o vodum da gameleira.


As famílias de voduns do Maranhão

Na Casa das Minas, em São Luís, os voduns se organizam em quatro famílias:

  • Davice, a família real de Abomé: Naé representa a paz, Dadarrô o governo, Sepazim é a imperatriz, Doçu é poeta e tocador, Bedigá é o advogado, e Zomadonu é o dono da casa
  • Quevioçô, das águas e dos astros: Badé protege contra o raio, Loco acalma as tempestades, Liçá representa o sol, Averequete é a estrela-guia, Abé é a sereia, Nanã representa os pântanos
  • Dambirá, da terra: voduns que combatem as doenças e curam com raízes e remédios, com Acóssi Sapatá à frente da linhagem
  • Savaluno, que é família hóspede, de voduns que não são jeje e foram acolhidos pela família de Davice

Parte das fontes conta só as três primeiras, porque a quarta é de acolhidos. Não é contradição, é arranjo de casa.

Pintura de arte sacra de uma árvore sagrada de tronco largo com pano branco amarrado, quartinhas de barro e velas acesas entre as raízes, diante de uma casa caiada de porta azul à noite.


Vodum e orixá: parentes, não a mesma coisa

A correspondência entre os dois panteões é antiga. As fontes tratam como aproximação. Nina Rodrigues listou Khêbiosô perto de Xangô, Legba perto de Elegbá e Loko perto de Iroko. Prandi resume que, na maioria dos casos, há alguma correspondência entre voduns e orixás.

O que a tradição faz é aproximar, não igualar. Vodum, orixá e inquice vêm de povos diferentes, com língua, toque e fundamento próprios, e a comparação entre as três matrizes está em nações do candomblé.

Com o santo católico a relação é de subordinação, não de identidade: no Tambor de Mina se diz que o vodum adora o santo. Averequete adora São Benedito, e Sobô é chamado ao lado de Santa Bárbara, como Iansã.


O que muda no chão do barracão

Aqui está o que separa uma casa de mina de uma casa de ketu para quem assiste:

  • A manifestação: o vodum não dá ilá, não brada. Dança em conjunto, quase sem destaque individual, fala e puxa cantos
  • A roupa: na tradição da mina o vodum costuma amarrar uma toalha, na cintura se for feminino, no tronco se for masculino. Em dia de grande festa pode dançar paramentado
  • A idade na roupa: vodum novo usa a toalha na cintura; vodum mais velho, amarrada abaixo dos ombros
  • Os instrumentos: batás, gã e xequerê marcam o toque
  • Quem chega primeiro: os toqüéns, voduns jovens que são guias e mensageiros e chamam os outros

Há ainda vocabulário próprio. O tratamento do vodum masculino é tói e o do feminino é nochê. As tobóssi são divindades infantis femininas, filhas dos voduns. Os atabaques do candomblé mudam de nome e de toque conforme a nação.


Onde se cultua vodum no Brasil

Na Bahia, a nação jeje mahi tem duas casas estudadas e em funcionamento. Uma é o Zôogodô Bogum Malê Hundô, em Salvador, conhecido como Bogum. A outra é o Zôogodô Bogum Malê Seja Hundê, em Cachoeira, a chamada Roça do Ventura. A ocupação da roça começou em 1858, e o terreiro está tombado pelo IPHAN. A ficha do tombamento lista as árvores sagradas do sítio pelos nomes dos voduns: Nana, Tiriri, Avequité, Zogbo, Bessém, Lokó, Badé, Aqué, Parara.

No Maranhão, o culto vive no Tambor de Mina. A Casa das Minas, ou Querebentã de Zomadonu, é a principal referência do culto aos voduns no país. É o único terreiro mina-jeje do estado e está tombada pelo IPHAN. A Casa de Nagô, fundada por volta de 1840, é de matriz nagô e foi tombada pelo estado do Maranhão em 1986. O modelo dela é o mais adotado pelos terreiros de mina.

O jeje aparece também no Sul, entre as nações do batuque gaúcho, como conta o artigo sobre as nações do batuque.

O material de quem cultua vodum é o mesmo do candomblé de qualquer nação: quartinha, louça, pano, vela, dendê e erva, do jeito que a casa mandar. Na dúvida sobre a lista que a mãe ou o pai de santo passou, dá para conferir item a item pelo WhatsApp da loja.


Perguntas frequentes

O que é um vodum?

É a divindade do panteão jeje, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados. A palavra vem do fon e quer dizer espírito ou divindade, com o sentido que orixá tem entre os nagôs.

Qual a diferença entre vodum e orixá?

São divindades de povos diferentes. O vodum é jeje, o orixá é nagô, o inquice é angola. As fontes registram correspondências entre eles, mas tratam como aproximação histórica, não como igualdade.

Onde se cultua vodum no Brasil?

Na Bahia, nas casas jeje mahi do Bogum, em Salvador, e da Roça do Ventura, em Cachoeira. No Maranhão, no Tambor de Mina, com a Casa das Minas como principal referência. A nação jeje aparece ainda no batuque do Rio Grande do Sul.

Qual é a cor e o dia de cada vodum?

Depende da casa. As fontes acadêmicas abertas registram família, domínio e função de cada vodum, mas não fecham uma tabela de cor, dia e comida válida para todo mundo. Quem responde isso é a sua casa, não a internet.


Referências

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