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title: "Voduns no Brasil: quem são e onde são cultuados hoje"
description: "Os voduns são as divindades da nação jeje. Veja quem é cada um, as casas da Bahia e do Maranhão e o que muda no chão do barracão quando a casa é de mina."
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published: 2026-09-21
category: "Candomblé"
tags: ["voduns", "vodum", "jeje", "tambor de mina", "candomble", "casa das minas"]
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author: "Joice Mística"
site: "Joia Mística Laroyê"
language: pt-BR
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# Voduns no Brasil: quem são e onde são cultuados hoje

> Os voduns são as divindades da nação jeje. Veja quem é cada um, as casas da Bahia e do Maranhão e o que muda no chão do barracão quando a casa é de mina.

![Canto de barracão de terreiro com atabaques de couro encostados na parede caiada, gã de ferro e xequerê apoiados no chão, quartinhas de barro e velas acesas sobre pano branco.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/voduns-no-brasil.webp)

## Resumo

Vodum é a divindade da nação jeje, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados, e a correspondência com os orixás é aproximação histórica, nunca igualdade.

No Brasil o culto está na Bahia, com o Bogum em Salvador e a Roça do Ventura em Cachoeira, e no Maranhão, onde a Casa das Minas cultua as quatro famílias de voduns do antigo reino de Abomé.

No chão muda bastante: o vodum não dá ilá, dança em conjunto, amarra toalha em vez de paramento na maioria das festas, e quem chega primeiro são os toqüéns, os voduns jovens.

Os **voduns** são as divindades da nação **jeje**, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. O sociólogo Reginaldo Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados. Quem é de casa de mina convive com eles como quem é de ketu convive com os orixás.

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## Quem são os voduns

São as divindades da religião explicada em [o que é vodu](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-vodu/), e chegaram aqui com os africanos jeje. Por volta de 1900, o médico e pesquisador Nina Rodrigues já registrava que vodu é palavra jeje para divindade, sinônimo do termo nagô orixá.

O ser supremo a quem os voduns se subordinam aparece com o nome de **Avievodum**, na posição em que Olorum está para os iorubás. O nome varia conforme a casa e a fonte. Parte da bibliografia registra **Mawu** nesse lugar.

Na Bahia, os chamados reis da nação jeje são **Bessém**, da família Dan, **Sogbo**, da família Hevioso, e **Azonzu**, da família Sakpata. **Nanã** é o vodum feminino mais velho e **Loko** é o vodum da gameleira.

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## As famílias de voduns do Maranhão

Na Casa das Minas, em São Luís, os voduns se organizam em **quatro famílias**:

- **Davice**, a família real de Abomé: Naé representa a paz, Dadarrô o governo, Sepazim é a imperatriz, Doçu é poeta e tocador, Bedigá é o advogado, e Zomadonu é o dono da casa
- **Quevioçô**, das águas e dos astros: Badé protege contra o raio, Loco acalma as tempestades, Liçá representa o sol, Averequete é a estrela-guia, Abé é a sereia, Nanã representa os pântanos
- **Dambirá**, da terra: voduns que combatem as doenças e curam com raízes e remédios, com Acóssi Sapatá à frente da linhagem
- **Savaluno**, que é família hóspede, de voduns que não são jeje e foram acolhidos pela família de Davice

Parte das fontes conta só as três primeiras, porque a quarta é de acolhidos. Não é contradição, é arranjo de casa.

![Pintura de arte sacra de uma árvore sagrada de tronco largo com pano branco amarrado, quartinhas de barro e velas acesas entre as raízes, diante de uma casa caiada de porta azul à noite.](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/voduns-no-brasil-familias.webp)

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## Vodum e orixá: parentes, não a mesma coisa

A correspondência entre os dois panteões é antiga. As fontes tratam como **aproximação**. Nina Rodrigues listou Khêbiosô perto de Xangô, Legba perto de Elegbá e Loko perto de Iroko. Prandi resume que, na maioria dos casos, há alguma correspondência entre voduns e orixás.

> O que a tradição faz é aproximar, não igualar. Vodum, orixá e inquice vêm de povos diferentes, com língua, toque e fundamento próprios, e a comparação entre as três matrizes está em [nações do candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/nacoes-do-candomble-ketu-jeje-angola/).

Com o santo católico a relação é de subordinação, não de identidade: no Tambor de Mina se diz que o vodum **adora** o santo. Averequete adora São Benedito, e Sobô é chamado ao lado de Santa Bárbara, como Iansã.

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## O que muda no chão do barracão

Aqui está o que separa uma casa de mina de uma casa de ketu para quem assiste:

- **A manifestação:** o vodum não dá ilá, não brada. Dança em conjunto, quase sem destaque individual, fala e puxa cantos
- **A roupa:** na tradição da mina o vodum costuma amarrar uma toalha, na cintura se for feminino, no tronco se for masculino. Em dia de grande festa pode dançar paramentado
- **A idade na roupa:** vodum novo usa a toalha na cintura; vodum mais velho, amarrada abaixo dos ombros
- **Os instrumentos:** batás, gã e xequerê marcam o toque
- **Quem chega primeiro:** os **toqüéns**, voduns jovens que são guias e mensageiros e chamam os outros

Há ainda vocabulário próprio. O tratamento do vodum masculino é **tói** e o do feminino é **nochê**. As **tobóssi** são divindades infantis femininas, filhas dos voduns. Os [atabaques do candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/atabaques-no-candomble/) mudam de nome e de toque conforme a nação.

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## Onde se cultua vodum no Brasil

Na **Bahia**, a nação jeje mahi tem duas casas estudadas e em funcionamento. Uma é o **Zôogodô Bogum Malê Hundô**, em Salvador, conhecido como Bogum. A outra é o **Zôogodô Bogum Malê Seja Hundê**, em Cachoeira, a chamada **Roça do Ventura**. A ocupação da roça começou em 1858, e o terreiro está tombado pelo IPHAN. A ficha do tombamento lista as árvores sagradas do sítio pelos nomes dos voduns: Nana, Tiriri, Avequité, Zogbo, Bessém, Lokó, Badé, Aqué, Parara.

No **Maranhão**, o culto vive no [Tambor de Mina](https://joiamisticalaroye.com.br/tambor-de-mina/). A **Casa das Minas**, ou Querebentã de Zomadonu, é a principal referência do culto aos voduns no país. É o único terreiro mina-jeje do estado e está tombada pelo IPHAN. A **Casa de Nagô**, fundada por volta de 1840, é de matriz nagô e foi tombada pelo estado do Maranhão em 1986. O modelo dela é o mais adotado pelos terreiros de mina.

O jeje aparece também no Sul, entre as nações do batuque gaúcho, como conta o artigo sobre [as nações do batuque](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/as-nacoes-do-batuque/).

O material de quem cultua vodum é o mesmo do [candomblé](https://joiamisticalaroye.com.br/candomble/) de qualquer nação: quartinha, louça, pano, vela, dendê e erva, do jeito que a casa mandar. Na dúvida sobre a lista que a mãe ou o pai de santo passou, dá para conferir item a item pelo [WhatsApp da loja](https://wa.me/5535991565228).

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## Perguntas frequentes

### O que é um vodum?
É a divindade do panteão jeje, dos povos fon e ewe do antigo Daomé. Prandi descreve os voduns como forças da natureza e antepassados humanos divinizados. A palavra vem do fon e quer dizer espírito ou divindade, com o sentido que orixá tem entre os nagôs.

### Qual a diferença entre vodum e orixá?
São divindades de povos diferentes. O vodum é jeje, o orixá é nagô, o inquice é angola. As fontes registram correspondências entre eles, mas tratam como aproximação histórica, não como igualdade.

### Onde se cultua vodum no Brasil?
Na Bahia, nas casas jeje mahi do Bogum, em Salvador, e da Roça do Ventura, em Cachoeira. No Maranhão, no Tambor de Mina, com a Casa das Minas como principal referência. A nação jeje aparece ainda no batuque do Rio Grande do Sul.

### Qual é a cor e o dia de cada vodum?
Depende da casa. As fontes acadêmicas abertas registram família, domínio e função de cada vodum, mas não fecham uma tabela de cor, dia e comida válida para todo mundo. Quem responde isso é a sua casa, não a internet.

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## Referências

- Reginaldo Prandi (USP): [Nas pegadas dos voduns, sobre o panteão jeje no Brasil](https://reginaldoprandi.fflch.usp.br/sites/reginaldoprandi.fflch.usp.br/files/inline-files/Nas_pegadas_dos_voduns.pdf)
- Afro-Ásia (UFBA): [resenha de A formação do Candomblé, de Luis Nicolau Parés](https://www.redalyc.org/pdf/770/77003511.pdf)
- Ciências Sociais e Religião: [Mundicarmo Ferretti sobre as nações africanas no Tambor de Mina](https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/csr/article/download/8669436/28738/124630)
- Salvador e Suas Cores (UFBA): [os voduns da Casa das Minas, com a etnografia de Sérgio Ferretti](https://periodicos.ufba.br/index.php/ssc/article/download/63836/33918/249171)
- Universidade Federal do Sul da Bahia: [tese sobre povos de terreiro e os tombamentos do IPHAN](https://sigconteudo.ufsb.edu.br/arquivos/20210731729a0569315060ccf9c13445/Tese_final_._texto_completo._final._dezembro.Sigaa.pdf)
- Ipatrimônio: [ficha do terreiro Zogbodo Male Bogun Seja Unde, a Roça do Ventura](https://www.ipatrimonio.org/cachoeira-terreiro-zogbodo-male-bogun-seja-unde/)
- Museu Afro Digital (UFMA): [verbete da Casa de Nagô, em São Luís](https://www.museuafro.ufma.br/?p=5779)

## Leia também

- [O que é Vodu: a religião que nasceu no antigo Daomé](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/o-que-e-vodu/)
- [Vodu haitiano: os lwa e o parentesco com o terreiro](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/vodu-haitiano/)

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Fonte: [Joia Mística Laroyê](https://joiamisticalaroye.com.br/blog/voduns-no-brasil/) · Extrema (MG) · WhatsApp +55-35-99156-5228
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