Joia Mística Laroyê
Batuque 8 min de leitura

As nações do Batuque: Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô

Conheça as nações do Batuque do Rio Grande do Sul Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô e o que distingue cada uma no toque, na língua e nas rezas.

#nações do batuque #batuque #batuque do rio grande do sul #jeje-ijexá #orixás #religião afro-brasileira
Atabaques enfileirados em terreiro de batuque gaúcho, com fios de conta coloridos e velas acesas dispostas sobre um pano branco.

Resumo

O Batuque do Rio Grande do Sul estrutura-se historicamente em cinco nações principais: Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô. Cada vertente preserva toques de tambor de mão específicos, cantigas sagradas (rezas), variações nos assentamentos e peculiaridades na liturgia dos Orixás.

A nação Ijexá destaca-se pela cadência melódica e culto proeminente a Oxum; a nação Oyó reverencia a centralidade de Xangô; a nação Cabinda preserva ritos de raiz banto entrelaçados ao iorubá com grande ênfase no casal Xangô Kamuká e Oyá; enquanto Jeje e Nagô guardam raízes fon e iorubás arcaicas.

Apesar das particularidades de cada tradição familiar, todas as nações do Batuque compartilham a mesma espinha dorsal litúrgica: a ordem sequencial da roda de rezas (iniciando em Bará e culminando em Oxalá), o uso de sinetas (adjás) e o respeito aos fundamentos sacerdotais dos babalorixás e ialorixás gaúchos.

Tem alguma dúvida?

Fale com a Joice Mística, nossa guia espiritual, ou pergunte a outra IA.

Perguntar à Joice Mística Tire dúvidas sobre orixás, banhos e rituais

Ou pergunte a outra IA

8 min de leitura

As nações do Batuque são o que dá identidade a cada terreiro de orixá do Rio Grande do Sul. Antes de saber o nome do pai ou da mãe de santo, o praticante costuma perguntar outra coisa: “de que nação é a sua casa?” porque é a nação que define o toque do tambor, a língua das rezas, a ordem do xirê e os fundamentos que aquele ilê guarda.

Neste guia você vai entender o que significa “nação” no Batuque, conhecer as cinco principais Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô e ver, lado a lado, o que distingue cada uma. No fim, explicamos por que quase nenhuma casa hoje é “pura” de uma só nação.


O que significa “nação” no Batuque

No Batuque do Rio Grande do Sul, nação também chamada de “lado” é a tradição africana de origem que organiza toda a liturgia de uma casa. Ela define quatro coisas que o praticante reconhece de imediato:

  • A língua ritual em que se canta (iorubá, fon ou kimbundo, conforme a raiz).
  • O toque do tambor, isto é, a maneira de tocar que chama cada orixá à roda.
  • A ordem das rezas no xirê a sequência em que os orixás são saudados.
  • Os fundamentos próprios: assentamentos, ritos de iniciação e cultos específicos.

Por isso a pergunta “de que nação é a sua casa?” é, no Batuque, a pergunta de fundamento. Ela equivale a perguntar de que raiz africana descende tudo o que se faz naquele ilê.

A nação não é um detalhe de estilo. É a coluna que sustenta o axé da casa: muda a língua, muda o toque, muda a ordem em que os orixás vêm e, ainda assim, são os mesmos orixás cultuados em toda a diáspora.


As cinco nações do Batuque

O Batuque reconhece cinco nações principais: Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô. Três delas têm raiz iorubá (sudanesa), uma vem do antigo Daomé e uma é de tronco banto. A tabela resume o que distingue cada uma:

NaçãoRaiz africanaLíngua ritualMarca ritual distintivaDestaque
Oyó (ou Oió)Iorubá (região de Oyó, Nigéria)IorubáReza para os orixás masculinos e depois para os femininosXangô e Iansã, o casal real
JejeFon-ewe (antigo Daomé / Benin)FonToque rápido do tambor; cantigas que sobrevivem em quase toda casaRaiz dos voduns
IjexáIorubá (região de Ijexá, Nigéria)IorubáNação com mais casas e filhos de santo hojeOxum, a rainha
CabindaBanto (Angola/Cabinda)KimbundoComeça pelo Balê (culto aos Eguns); cultos própriosXangô e o Balê dos ancestrais
NagôIorubá (nagô)IorubáNação originária, hoje quase extinta; ritos própriosDivindades individualizadas

Oyó

De raiz iorubá, a nação Oyó se reconhece sobretudo pela ordem das rezas: toca-se primeiro para os orixás masculinos e, depois, para os femininos, encerrando com Iansã, Xangô e Oxalá. Xangô e Iansã são tratados como o rei e a rainha de Oyó. A liturgia é cantada em iorubá, com grande proximidade da nação Ijexá.

Jeje

A nação Jeje vem do antigo Daomé (atual Benin), do tronco fon-ewe, e tem o toque rápido dos tambores como assinatura. Hoje quase não existe como modalidade exclusiva, mas é a mais viva das ausências: as cantigas jeje sobrevivem em quase todas as casas de Batuque, misturadas à liturgia ijexá.

Ijexá

Vinda da região iorubá de Ijexá, é a nação predominante do Batuque atual, com o maior número de casas e de filhos de santo. Tem Oxum como rainha e a liturgia em iorubá. Seus rituais foram aos poucos se associando aos das demais nações, a ponto de hoje servirem de eixo ao fundamento mais comum da religião.

Cabinda

De tronco banto, com língua ritual de raiz kimbundo, a nação Cabinda guarda as rupturas mais próprias. Todo trabalho começa pelo Balê (também grafado Igbalé), o assentamento e culto aos Eguns, os ancestrais. Tem cultos exclusivos como o de Leba (um vodum) e o de Xangô Kamucá, caminho de Xangô ligado aos mortos. Embora banto na raiz, adotou o panteão de orixás iorubás.

Nagô

De base iorubá, a Nagô é tida como a nação originária do culto no Sul, mas está praticamente extinta como modalidade exclusiva. Mantinha ritos de enterramento e iniciação próprios e preservava divindades de forma individualizada, sem aglutinação. Como no caso do Jeje, sua herança não desapareceu: persiste em fundamentos e cantigas guardados pelas casas.


O fundamento Jeje-Ijexá: por que quase nenhuma casa é “pura”

Na prática, raramente um terreiro segue uma única nação em estado puro. A maioria das casas do Rio Grande do Sul cultua hoje o fundamento Jeje-Ijexá uma combinação de fundamentos que reúne também elementos de Cabinda, Nagô e Oyó. É uma mistura de ritos de origem banto e sudanesa, em que os elementos iorubás se destacam.

A expressão foi consagrada pelo pesquisador Reginaldo Gil Braga, em Batuque jêje-ijexá em Porto Alegre (1998), estudo sobre a música no culto aos orixás. Mais do que um rótulo, ela descreve um fato: as nações se entrelaçaram ao longo de mais de um século de convivência no Sul, e o comum é a casa combinar raízes em vez de isolar uma só.

Isso não apaga as diferenças. Mesmo numa casa Jeje-Ijexá, a ordem das rezas, o toque e os cultos de fundamento revelam de qual lado a tradição pende. Quem abre os trabalhos, em qualquer nação, é sempre Bará o orixá dos caminhos, o primeiro a ser saudado. (Vale conhecer quem é Bará no Batuque para entender por que nada começa sem ele.)


Nação no Batuque não é o mesmo que nação no candomblé

Um cuidado importante: a palavra “nação” também existe no candomblé baiano (ketu, jeje, angola), mas as tradições são distintas, ainda que aparentadas. O Batuque se formou no Rio Grande do Sul ao longo do século XIX, por caminhos próprios, com toques, ordens de reza e fundamentos que não são os da Bahia.

Há ainda diferenças teológicas finas. No Batuque, por exemplo, fala-se em “ocupar-se do orixá”, e não em “incorporar” um modo próprio de nomear a presença do orixá no filho de santo. Para entender o contraste maior entre as tradições de matriz africana, vale ler também o que é candomblé e a diferença entre umbanda e candomblé. E, para conhecer o panteão por trás de todas elas, veja o que são os orixás.

Para um panorama acadêmico e enciclopédico, a página da Wikipédia sobre o Batuque reúne as cinco nações e os doze orixás; já o portal Historiando Axé detalha toques e línguas de cada lado com mais profundidade. Pesquisadores como Ari Pedro Oro (UFRGS) também documentam a presença afro-religiosa no Sul.


Perguntas frequentes

Quantas nações existem no Batuque?

São cinco nações principais: Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda e Nagô. Além delas, fala-se em “nações misturadas”, como Jeje-Ijexá, Jeje-Nagô e Nagô-Ijexá, que combinam fundamentos de mais de uma raiz. Na prática, a maioria das casas atuais segue uma dessas combinações, e não uma nação isolada.

Qual é a nação predominante no Batuque hoje?

A Ijexá, de raiz iorubá, é a mais difundida, com o maior número de casas e filhos de santo. Na prática, porém, o que predomina é o fundamento Jeje-Ijexá: a fusão das duas raízes, com elementos de Cabinda, Nagô e Oyó. Quase nenhuma casa é “pura” de uma só nação.

O que significa “nação” no Batuque?

Nação, ou “lado”, é a tradição africana de origem que define a língua ritual, o toque do tambor, a ordem das rezas e os fundamentos de uma casa. É a raiz que organiza toda a liturgia do terreiro. Por isso “de que nação é a sua casa?” é a pergunta de fundamento entre praticantes.

Qual a diferença entre as nações do Batuque e as do candomblé?

São conceitos parecidos em tradições distintas. As nações do candomblé (ketu, jeje, angola) se estruturaram na Bahia; as do Batuque (Oyó, Jeje, Ijexá, Cabinda, Nagô) se formaram no Rio Grande do Sul, no século XIX, com toques e ordens de reza próprios do Sul.

Quais são os 12 orixás do Batuque?

São eles: Bará, Ogum, Iansã (Oyá), Xangô, Odé, Otim, Ossanha, Obá, Xapanã, Oxum, Iemanjá e Oxalá. Bará abre todos os trabalhos. As grafias e a ordem das rezas variam conforme a nação e a casa, mas o panteão é o mesmo da tradição iorubá.


Onde comprar artigos para o seu Batuque

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que a casa e a obrigação pedem, qualquer que seja a sua nação:

  • Quartinhas e alguidares de barro e porcelana para assentamentos e oferendas
  • Imagens e ferramentas dos orixás de Bará a Oxalá, todo o panteão do Batuque
  • Contas e guias nas cores de cada orixá
  • Ervas e banhos para limpeza, defumação e firmeza
  • Azeite de dendê, mel e itens de oferenda para o trato dos assentamentos

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou fale com a gente pelo WhatsApp, com entrega para todo o Brasil. Quer continuar estudando a religião? Acompanhe a categoria Batuque aqui no blog.


Referências

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também