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Pretos-velhos na umbanda: quem são e o que fazem

Quem são os pretos-velhos na umbanda? Conheça a origem, os símbolos, entidades como Pai Joaquim e Vovó Maria Conga e a regência da linha das Almas.

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Cachimbo de barro, terço e uma xícara de café sobre banquinho baixo de madeira, símbolos dos pretos-velhos na umbanda.

Resumo

Os Pretos-Velhos formam a falange dos grandes mestres da sabedoria, da humildade e da paciência na Umbanda. Representados como anciãos escravizados que transcenderam o sofrimento pela caridade e pelo perdão, atuam sob a irradiação da Linha das Almas, associada a Obaluaê (Omulu) e, em parte das casas, a Oxalá.

Em suas consultas, sentam-se em pequenos bancos de madeira (tocos), usando cachimbos de barro, café amargo, água de fonte e ramos de arruda, guiné e alecrim para rezar e benzer os consulentes. Suas guias mesclam contas pretas e brancas (lágrimas de Nossa Senhora) ou sementes sagradas.

Os nomes seguem um padrão de tratamento de família, nome de santo e lugar, como Pai Joaquim de Angola e Vovó Maria Conga. Sua saudação é "Adorei as almas!", e o dia deles é 13 de maio, com uma proposta de troca para 20 de novembro.

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8 min de leitura

Os pretos-velhos são, para muita gente, a primeira lembrança quando se fala em umbanda: a imagem do ancião sentado no toco, cachimbo na mão, a voz mansa que chama de “meu fio” e parece já saber o que dói antes de você falar. Eles formam uma das linhas de trabalho mais amadas dos terreiros, espíritos de anciãos africanos que viveram a escravidão e voltam para amparar, aconselhar e curar com a serenidade de quem já atravessou toda dor.

Este guia mostra quem são os pretos-velhos, de onde vem essa força ancestral, quais são seus símbolos, as entidades mais conhecidas e como elas trabalham na gira de umbanda.


Quem são os pretos-velhos

Pretos-velhos são uma linha de trabalho da umbanda, e não orixás. São espíritos que se apresentam sob o arquétipo do ancião negro escravizado, aquele que envelheceu na senzala, conheceu o tronco e o cativeiro, e mesmo assim guardou no peito a fé, a paciência e a caridade. Quando incorporam, trazem o jeito curvado, a fala devagar, o trato afetuoso de quem trata cada pessoa como filho ou neto.

É importante desfazer um engano comum: o preto-velho não é um espírito “atrasado” nem um “sofredor” preso ao passado. A tradição umbandista o entende como um espírito de grande evolução que escolhe a forma humilde do velho para ensinar pelo exemplo. A humildade aqui é sabedoria, não fraqueza. Eles dominam o uso de ervas, desmancham trabalhos, benzem, descarregam e, acima de tudo, escutam.

Para situar essa linha dentro do todo da religião, vale ler o panorama sobre o que é umbanda e o guia geral sobre os guias de umbanda.


A origem dos pretos-velhos na ancestralidade negra

A origem dos pretos-velhos é brasileira e nasce diretamente da resistência do povo negro escravizado. No tempo da escravidão, os africanos arrancados de suas terras e seus orixás encontraram nas senzalas um modo de manter viva a memória dos antepassados. Os mais velhos, que conseguiram envelhecer apesar de tudo, tornaram-se guardiões dessa sabedoria, conselheiros das senzalas, curandeiros e rezadores.

Quando a umbanda se estrutura no Brasil do início do século XX, esses anciãos retornam como guias espirituais. Eles carregam a dor da escravidão, mas não o ódio: voltam pregando o perdão, a caridade e a fé, que foram justamente as armas com que sobreviveram. Por isso o preto-velho é também uma forma de reverência aos ancestrais, um reconhecimento de que a espiritualidade brasileira tem raiz africana e foi forjada na luta de gente escravizada.

O Dia dos Pretos-Velhos é 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, em 1888. A data é discutida: há quem proponha o 20 de novembro, e o debate está em dia de preto velho. O verbete da Wikipédia sobre o preto-velho reúne o histórico dessa linha e suas referências.


Os símbolos do preto-velho

Reconhecer um preto-velho é também reconhecer seus objetos. Cada símbolo carrega um sentido ligado à ancestralidade e ao trabalho espiritual.

  • Cachimbo (pito): a fumaça do fumo de rolo defuma o ambiente e a pessoa, limpando energias densas durante o atendimento
  • Toco (banquinho): o preto-velho trabalha sentado, em sinal de quem tem tempo, calma e escuta, nunca pressa
  • Tercinho ou rosário: marca a fé e a oração, herança também do catolicismo popular vivido nas senzalas
  • Bengala: firmeza e amparo, o apoio de quem caminhou muito
  • Pemba: o giz sagrado usado para riscar pontos e firmar trabalhos
  • Café, arruda e fumo: elementos simples de oferenda e benzimento, do cotidiano humilde do ancião

Adorei as almas! É a saudação dos pretos-velhos. O pesquisador Lourival Andrade Júnior registra também a forma longa, dita na maioria dos terreiros, que termina em “Saravá o Preto Velho… Adorei as almas”. Mais sobre o canto e a saudação em ponto de preto velho.

A arruda, sempre presente nas mãos do preto-velho, é uma das ervas mais usadas em benzimentos. Para conhecer seus usos, veja o guia sobre a arruda, erva de Ogum e Exu.


A linha das Almas e a regência dos pretos-velhos

Na organização da umbanda, os pretos-velhos atuam sobretudo na chamada linha das Almas, a vibração ligada à ancestralidade, ao recolhimento e à passagem entre os mundos. Essa linha costuma ser associada ao orixá Omulu (Obaluaê), senhor da terra, da cura e dos mistérios da morte e do renascimento. Em parte das casas, fala-se também que os pretos-velhos trabalham sob a vibração maior de Oxalá, pela ligação com a paz e a caridade.

Cada casa tem sua organização própria, e as linhas podem variar de terreiro para terreiro. O que se mantém é o sentido: o preto-velho é a ponte serena com os antepassados. Para entender o orixá que rege essa vibração de cura e ancestralidade, leia sobre quem é Obaluaê (Omulu).

Vale lembrar que esse arranjo é da umbanda. No candomblé, o culto aos ancestrais toma outra forma, com os eguns e fundamentos próprios por nação. São tradições distintas, como mostra a comparação entre a diferença entre umbanda e candomblé.


Pretos-velhos mais conhecidos

Os pretos-velhos se apresentam por nomes que evocam a senzala e o afeto familiar. As grafias variam de casa para casa. Segundo Andrade Júnior, os nomes costumam juntar nome de santo católico e uma designação de lugar ou de característica, como Pai Joaquim de Angola, Pai João de Aruanda, Vovó Maria Conga, Pai André do Cruzeiro, Vovó Maria Bahiana, Tia Maria Calunga e Vovô Zé da Pemba. Pai Benedito de Aruanda é o patrono espiritual do Santuário Nacional da Umbanda.

As pesquisas citadas pelo blog não contam a biografia de nenhum desses nomes, e o que a internet atribui a cada um (ervas, cura, trabalhos) circula sem fonte. O que Pai, Vovó e Tio dizem, o “de Angola” e o “de Aruanda” estão em nomes de preto velho.


Como o preto-velho trabalha na gira

Na gira de pretos-velhos, o terreiro muda de ritmo. A curimba puxa os pontos cantados, mais lentos e contemplativos, que chamam a vibração da ancestralidade e ajudam os médiuns na incorporação. O ambiente fica de recolhimento, propício à escuta.

Quando incorporam, os pretos-velhos atendem sentados em seus tocos e fazem o que sabem melhor: aconselhar. O atendimento de preto-velho é conhecido pela palavra certa na hora certa, aquela que destrava uma angústia antiga. Além do conselho, eles benzem, defumam com o cachimbo, indicam banhos e ervas, riscam pontos com a pemba e ajudam a desmanchar trabalhos e a aliviar o peso espiritual de quem chega abatido.

A defumação acompanha quase sempre esse trabalho de limpeza. Para entender essa prática, veja como fazer defumação para limpeza. O portal Diário de Umbanda detalha a atuação dos pretos-velhos como guias de humildade, serenidade e paciência.


Perguntas frequentes

Qual é o dia dos pretos-velhos?

O dia dos pretos-velhos é 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, que declarou extinta a escravidão no Brasil em 1888. Muitas casas fazem festa ou gira para eles nesse dia. Há a proposta de trocar a data para 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares, registrada em 2013 e sem adoção documentada. O debate completo está em dia de preto velho.

Preto-velho é Exu?

Em geral, não. Na classificação mais comum da umbanda, o preto-velho fica na linha da direita e Exu na da esquerda, e as pesquisas descrevem exceções em poucas casas. O que as fontes dizem está em preto velho é Exu.

Preto-velho é orixá?

Não. O preto-velho é uma linha de espíritos de trabalho da umbanda, não uma divindade. Ele atua sob a vibração de orixás como Omulu (Obaluaê) e Oxalá, mas é o espírito de um ancião que viveu na Terra, e não um orixá em si.

Qual a saudação dos pretos-velhos?

A saudação é “Adorei as almas!”. Uma pesquisa a registra como saudação breve dos pretos-velhos, e a forma longa está em ponto de preto velho.

O que o preto-velho faz na gira?

Na gira, o preto-velho aconselha, benze, defuma com o cachimbo, indica ervas e banhos, risca pontos com a pemba e ajuda a descarregar energias densas. O atendimento é marcado pela escuta paciente e pela palavra de conforto a quem busca alívio.

Por que o preto-velho fuma cachimbo?

A fumaça do cachimbo (pito) funciona como defumação: limpa o ambiente e a energia da pessoa atendida. O fumo, junto com a arruda e o café, faz parte dos elementos simples e ancestrais com que o preto-velho realiza seus benzimentos.


Onde comprar artigos para pretos-velhos

Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para honrar os pretos-velhos com respeito e devoção:

  • Imagens de pretos-velhos e pretas-velhas para o seu altar ou congá
  • Velas brancas e pretas para a linha das Almas e os trabalhos de ancestralidade
  • Cachimbos, pemba e tercinhos usados nos atendimentos e benzimentos
  • Ervas e defumadores como a arruda e o fumo de rolo
  • Guias e contas brancas e pretas para a devoção aos guias

Visite nossa loja em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre o uso correto dos produtos e sobre como reverenciar os pretos-velhos, fale com a gente pelo WhatsApp.


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