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Oferenda para Oxumaré: batata-doce, cores e onde entregar

A oferenda para Oxumaré tem a batata-doce no centro, muitas vezes moldada em cobra. Veja o que vai no alguidar, as cores, o dia e onde entregar com cuidado.

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Alguidar de barro sobre folha de bananeira com batata-doce amassada moldada em serpente em anel e regada com dendê, ao lado de uma vela amarela e uma vela verde acesas e de fitas coloridas, nas pedras de um riacho.

Resumo

A oferenda para Oxumaré tem a batata-doce no centro. Reginaldo Prandi registra a batata-doce cozida e amassada como comida favorita do orixá no candomblé queto, e um terreiro ketu e angola de Minas Gerais e a federação FUCESP confirmam.

Muitas casas moldam a massa em serpente, porque Oxumaré aparece como a cobra que morde a própria cauda e se liga ao vodum Dã, a serpente arco-íris, cultuada como Bessém no jeje. Entram também banana-da-terra frita no dendê e, na umbanda, frutas, flores de todas as cores e fitas coloridas.

O dia e o que evitar mudam de casa para casa: a terça-feira é o dia mais citado, mas a tabela de Prandi para o queto registra sábado, e amendoim é quizila numa casa e oferenda em outra. A entrega vai para a mata perto de água doce ou para a cachoeira, sem plástico.

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7 min de leitura

A oferenda para Oxumaré começa pela batata-doce, cozida e amassada, que o sociólogo Reginaldo Prandi registra como a comida favorita do orixá no candomblé queto. Em muitas casas, essa massa ganha a forma de uma cobra.

O que muda de uma casa para outra é o resto: o que acompanha o prato, o dia, as quizilas e o lugar da entrega. Abaixo estão o que vai no alguidar, por que o prato tem forma de serpente e como a umbanda monta o agrado.


O que se leva para Oxumaré

A batata-doce aparece em casas e tradições diferentes. Prandi a anota na tabela do candomblé queto. Um terreiro de nação ketu e angola em Bocaiuva, Minas Gerais, estudado pelo pesquisador Fábio da Silva Gonçalves, registra batata-doce e canjica branca como comidas de Oxumaré. A federação FUCESP, de São Paulo, também lista a batata-doce.

Cores: amarelo, verde e preto, e as do arco-íris | Símbolo: duas cobras de metal entrelaçadas | Saudação: Arroboboi

Para montar o prato em casa, a lista de compras fica assim:

  • Batata-doce, cozida, descascada e amassada, a base do prato.
  • Azeite de dendê, para regar a massa.
  • Feijão-fradinho, que em algumas casas marca os olhos da serpente.
  • Banana-da-terra frita no dendê, o oguedé, citada em estudo de gastronomia sobre o orixá.
  • Folha de bananeira e alguidar de barro para servir.

Nenhuma fonte fala da cor de vela para Oxumaré. Quem quiser acender uma pode escolher entre as cores dele, amarelo ou verde. O perfil completo do orixá está em quem é Oxumaré.


Por que o prato tem forma de cobra

Oxumaré se apresenta como uma serpente que morde a própria cauda e forma um círculo fechado. Quem resume essa imagem, a partir de Pierre Verger, é o pesquisador Vinícius Vasconcelos Castro, na revista da UFPB Diversidade Religiosa.

A cobra liga Oxumaré ao culto jeje. Prandi registra como correspondentes o vodum Dã, chamado Bessém no jeje, e o inquice Angorô, da nação angola. O verbete sobre o vodum Dã o descreve como serpente arco-íris. São correspondências entre nações, e cada uma mantém seu culto.

Por isso a massa vira cobra. Um estudo de gastronomia do Recife cita a Serpente de Oxumarê entre as comidas rituais do orixá. A casa Àsé Dan Fè Èrò descreve duas serpentes em círculo, com a cauda de uma encontrando a cabeça da outra e olhos de feijão-fradinho.

A comida de santo de fundamento é feita pela casa, com quem tem o conhecimento dela. O prato que você monta em casa é agrado e agradecimento.

A cobra é animal sagrado nesse culto. Na oferenda, ela aparece só na forma da comida.

Pintura em arte sacra de uma cachoeira sob o arco-íris, com uma serpente dourada e verde em círculo ao redor de uma pedra na água


No candomblé e na umbanda: o que muda

No candomblé, cada nação tem sua regra. Além da batata-doce, Castro cita comidas de feijão, milho e camarão cozidos no dendê. O terreiro ketu e angola de Bocaiuva inclui a canjica branca.

Em Salvador fica a Casa de Oxumaré, terreiro jeje-nagô cuja festa do orixá acontece no terceiro sábado de agosto. O IPHAN aprovou o tombamento definitivo da casa, que fica na Federação.

Na umbanda, o agrado costuma ser mais colorido. O Núcleo de Umbanda Águas de Oxum lista para Oxumaré alguidar, melão, maracujá, batata-doce, champanhe rosé, amendoim, água de cachoeira e fitas nas cores do arco-íris. A FUCESP pede flores de todas as cores juntas.

TradiçãoO que vaiFonte
Candomblé quetobatata-doce cozida e amassadaPrandi
Candomblé ketu e angola (MG)batata-doce e canjica brancaGonçalves
Umbanda (uma casa)frutas, batata-doce, champanhe rosé, fitasÁguas de Oxum

Na Bahia, Oxumaré é festejado em 24 de agosto, associado a São Bartolomeu. Essa correspondência é histórica e está no nosso texto sobre São Bartolomeu e Oxumaré.


O dia e o que evitar

A terça-feira é o dia mais citado. A nota do IPHAN na Bahia, o artigo de Castro e a Wikipédia registram a terça. A tabela de Prandi para o candomblé queto anota sábado. Os dois dias aparecem nas fontes, e a sua casa diz qual segue.

Com as quizilas acontece o mesmo. No terreiro ketu e angola de Bocaiuva, amendoim, carambola, amora e répteis são quizila de Oxumaré e dos filhos dele. A casa de umbanda Águas de Oxum põe amendoim na oferenda. Antes de montar o prato, pergunte à sua casa. As regras gerais de cada orixá estão em quizilas no candomblé.

Oxumaré tem metal na ferramenta, as duas cobras entrelaçadas. A regra de Nanã, que recusa o metal, não vale para ele, como mostra a oferenda para Nanã.


Onde entregar e o que volta com você

A FUCESP indica a floresta, de preferência perto de água doce e de nascentes. A casa de umbanda Águas de Oxum aponta a cachoeira.

Cuidado com o lugar é parte do rito:

  1. Troque o prato pela folha. A Casa de Oxumaré já pede folha no lugar do prato e cabaça no lugar da garrafa.
  2. Use barro e alimento, que se desfazem na natureza.
  3. Traga de volta o que não se decompõe. Num terreiro de umbanda estudado em Minas, recolher o material oferendado é obrigatório quando possível.
  4. Nada de plástico perto da água.

Prandi liga Oxumaré à chuva e à riqueza que vem das colheitas. A oferenda é agradecimento e pedido, e nenhuma fonte promete efeito a ela.


Perguntas frequentes

O que Oxumaré come?

A comida mais registrada é a batata-doce cozida e amassada, anotada por Prandi no candomblé queto. Uma casa ketu e angola de Minas inclui a canjica branca, e há registros de banana-da-terra frita no dendê e de feijão, milho e camarão no dendê.

Como fazer a oferenda de batata-doce para Oxumaré?

Cozinhe, descasque e amasse a batata-doce e regue com dendê. Sirva no alguidar de barro. Algumas casas moldam a massa em serpente com olhos de feijão-fradinho. A comida de fundamento fica com a casa.

Qual o dia de Oxumaré?

A terça-feira é o dia mais citado. A tabela de Prandi para o candomblé queto registra sábado. Siga o dia da sua casa.


Onde comprar para a oferenda de Oxumaré

Na Joia Mística Laroyê você encontra:

  • Alguidar de barro: em tamanhos para prato de batata-doce.
  • Azeite de dendê: para regar a massa.
  • Velas amarelas e verdes: de cor única.
  • Fitas coloridas: nas cores do arco-íris, para o agrado de umbanda.

A loja fica em Extrema-MG. Chame no WhatsApp e entregamos para todo o Brasil.


Referências

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Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

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