A oferenda para Oxumaré começa pela batata-doce, cozida e amassada, que o sociólogo Reginaldo Prandi registra como a comida favorita do orixá no candomblé queto. Em muitas casas, essa massa ganha a forma de uma cobra.
O que muda de uma casa para outra é o resto: o que acompanha o prato, o dia, as quizilas e o lugar da entrega. Abaixo estão o que vai no alguidar, por que o prato tem forma de serpente e como a umbanda monta o agrado.
O que se leva para Oxumaré
A batata-doce aparece em casas e tradições diferentes. Prandi a anota na tabela do candomblé queto. Um terreiro de nação ketu e angola em Bocaiuva, Minas Gerais, estudado pelo pesquisador Fábio da Silva Gonçalves, registra batata-doce e canjica branca como comidas de Oxumaré. A federação FUCESP, de São Paulo, também lista a batata-doce.
Cores: amarelo, verde e preto, e as do arco-íris | Símbolo: duas cobras de metal entrelaçadas | Saudação: Arroboboi
Para montar o prato em casa, a lista de compras fica assim:
- Batata-doce, cozida, descascada e amassada, a base do prato.
- Azeite de dendê, para regar a massa.
- Feijão-fradinho, que em algumas casas marca os olhos da serpente.
- Banana-da-terra frita no dendê, o oguedé, citada em estudo de gastronomia sobre o orixá.
- Folha de bananeira e alguidar de barro para servir.
Nenhuma fonte fala da cor de vela para Oxumaré. Quem quiser acender uma pode escolher entre as cores dele, amarelo ou verde. O perfil completo do orixá está em quem é Oxumaré.
Por que o prato tem forma de cobra
Oxumaré se apresenta como uma serpente que morde a própria cauda e forma um círculo fechado. Quem resume essa imagem, a partir de Pierre Verger, é o pesquisador Vinícius Vasconcelos Castro, na revista da UFPB Diversidade Religiosa.
A cobra liga Oxumaré ao culto jeje. Prandi registra como correspondentes o vodum Dã, chamado Bessém no jeje, e o inquice Angorô, da nação angola. O verbete sobre o vodum Dã o descreve como serpente arco-íris. São correspondências entre nações, e cada uma mantém seu culto.
Por isso a massa vira cobra. Um estudo de gastronomia do Recife cita a Serpente de Oxumarê entre as comidas rituais do orixá. A casa Àsé Dan Fè Èrò descreve duas serpentes em círculo, com a cauda de uma encontrando a cabeça da outra e olhos de feijão-fradinho.
A comida de santo de fundamento é feita pela casa, com quem tem o conhecimento dela. O prato que você monta em casa é agrado e agradecimento.
A cobra é animal sagrado nesse culto. Na oferenda, ela aparece só na forma da comida.

No candomblé e na umbanda: o que muda
No candomblé, cada nação tem sua regra. Além da batata-doce, Castro cita comidas de feijão, milho e camarão cozidos no dendê. O terreiro ketu e angola de Bocaiuva inclui a canjica branca.
Em Salvador fica a Casa de Oxumaré, terreiro jeje-nagô cuja festa do orixá acontece no terceiro sábado de agosto. O IPHAN aprovou o tombamento definitivo da casa, que fica na Federação.
Na umbanda, o agrado costuma ser mais colorido. O Núcleo de Umbanda Águas de Oxum lista para Oxumaré alguidar, melão, maracujá, batata-doce, champanhe rosé, amendoim, água de cachoeira e fitas nas cores do arco-íris. A FUCESP pede flores de todas as cores juntas.
| Tradição | O que vai | Fonte |
|---|---|---|
| Candomblé queto | batata-doce cozida e amassada | Prandi |
| Candomblé ketu e angola (MG) | batata-doce e canjica branca | Gonçalves |
| Umbanda (uma casa) | frutas, batata-doce, champanhe rosé, fitas | Águas de Oxum |
Na Bahia, Oxumaré é festejado em 24 de agosto, associado a São Bartolomeu. Essa correspondência é histórica e está no nosso texto sobre São Bartolomeu e Oxumaré.
O dia e o que evitar
A terça-feira é o dia mais citado. A nota do IPHAN na Bahia, o artigo de Castro e a Wikipédia registram a terça. A tabela de Prandi para o candomblé queto anota sábado. Os dois dias aparecem nas fontes, e a sua casa diz qual segue.
Com as quizilas acontece o mesmo. No terreiro ketu e angola de Bocaiuva, amendoim, carambola, amora e répteis são quizila de Oxumaré e dos filhos dele. A casa de umbanda Águas de Oxum põe amendoim na oferenda. Antes de montar o prato, pergunte à sua casa. As regras gerais de cada orixá estão em quizilas no candomblé.
Oxumaré tem metal na ferramenta, as duas cobras entrelaçadas. A regra de Nanã, que recusa o metal, não vale para ele, como mostra a oferenda para Nanã.
Onde entregar e o que volta com você
A FUCESP indica a floresta, de preferência perto de água doce e de nascentes. A casa de umbanda Águas de Oxum aponta a cachoeira.
Cuidado com o lugar é parte do rito:
- Troque o prato pela folha. A Casa de Oxumaré já pede folha no lugar do prato e cabaça no lugar da garrafa.
- Use barro e alimento, que se desfazem na natureza.
- Traga de volta o que não se decompõe. Num terreiro de umbanda estudado em Minas, recolher o material oferendado é obrigatório quando possível.
- Nada de plástico perto da água.
Prandi liga Oxumaré à chuva e à riqueza que vem das colheitas. A oferenda é agradecimento e pedido, e nenhuma fonte promete efeito a ela.
Perguntas frequentes
O que Oxumaré come?
A comida mais registrada é a batata-doce cozida e amassada, anotada por Prandi no candomblé queto. Uma casa ketu e angola de Minas inclui a canjica branca, e há registros de banana-da-terra frita no dendê e de feijão, milho e camarão no dendê.
Como fazer a oferenda de batata-doce para Oxumaré?
Cozinhe, descasque e amasse a batata-doce e regue com dendê. Sirva no alguidar de barro. Algumas casas moldam a massa em serpente com olhos de feijão-fradinho. A comida de fundamento fica com a casa.
Qual o dia de Oxumaré?
A terça-feira é o dia mais citado. A tabela de Prandi para o candomblé queto registra sábado. Siga o dia da sua casa.
Onde comprar para a oferenda de Oxumaré
Na Joia Mística Laroyê você encontra:
- Alguidar de barro: em tamanhos para prato de batata-doce.
- Azeite de dendê: para regar a massa.
- Velas amarelas e verdes: de cor única.
- Fitas coloridas: nas cores do arco-íris, para o agrado de umbanda.
A loja fica em Extrema-MG. Chame no WhatsApp e entregamos para todo o Brasil.
Referências
- Horizontes Antropológicos (SciELO): Prandi, os deuses africanos no Brasil, 1995
- UFMG: Gonçalves, a comida nos terreiros de Bocaiuva, 2017
- Diversidade Religiosa (UFPB): Castro, a serpente arco-íris, 2012
- Universo Recife: estudo sobre Oxumarê na gastronomia, 2015
- IPHAN Bahia: nota do tombamento do Ilê Axé Oxumaré, 2014
- Correio: reportagem sobre a festa de Oxumarê, 2019
- FUCESP: ficha de Oxumaré
- Núcleo de Umbanda Águas de Oxum: página de Oxumaré
- Àsé Dan Fè Èrò: comida de orixá
- Wikipédia: verbete Oxumarê
- Wikipédia: verbete sobre o vodum Dã