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Catolicismo 8 min de leitura

São Bartolomeu e Oxumaré: o sincretismo do arco-íris

São Bartolomeu e Oxumaré: o sincretismo do apóstolo com o orixá arco-íris, por que a festa é 24 de agosto e como as duas tradições se cruzam sem se confundir.

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Arco-íris ao fundo de uma mata úmida com folhas verdes e amarelas e quartinhas de barro no chão.

Resumo

São Bartolomeu, apóstolo de Jesus celebrado em 24 de agosto, é tradicionalmente sincretizado no Brasil com Oxumaré, o Orixá do Arco-Íris, da Serpente Sagrada e da Renovação Contínua.

O sincretismo apoia-se no simbolismo da transformação e da regeneração da vida: Oxumaré rege a alternância entre a chuva e a seca que sustenta a fertilidade da terra, enquanto Bartolomeu suportou o martírio com fé inabalável.

A data é propícia para orações pedindo cura de ciclos repetitivos e destrutivos, movimentação positiva de finanças estagnadas e atração da riqueza e da beleza cósmica sob o manto de sete cores.

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Quando o arco-íris risca o céu depois da chuva, a tradição afro-brasileira reconhece a passagem de Oxumaré, a serpente sagrada que liga o céu à terra. No dia 24 de agosto, a Igreja celebra um apóstolo martirizado, e os terreiros saúdam esse mesmo orixá. É o encontro de São Bartolomeu e Oxumaré, um dos pares mais curiosos do sincretismo brasileiro.

Este guia explica quem é São Bartolomeu, quem é Oxumaré, por que as duas figuras se cruzaram no mesmo dia e por que sincretismo, aqui, nunca quis dizer que santo e orixá são a mesma coisa.


Quem é São Bartolomeu, o apóstolo de 24 de agosto

São Bartolomeu foi um dos doze apóstolos de Jesus, muitas vezes identificado com Natanael, aquele que os Evangelhos descrevem como homem sem falsidade. Depois da morte e ressurreição de Cristo, a tradição conta que ele levou a pregação para terras distantes, da Armênia à Índia, até morrer como mártir.

O detalhe que marcou a memória cristã foi o modo do martírio. Segundo a tradição, Bartolomeu foi esfolado vivo, teve a pele arrancada do corpo antes de morrer. Por isso a arte sacra costuma retratá-lo segurando a própria pele e a faca do suplício, uma imagem forte que atravessou os séculos.

A Igreja celebra São Bartolomeu no dia 24 de agosto. Foi essa data, e essa história de pele que se desprende do corpo, que abriu a porta para o encontro com um orixá do outro lado do Atlântico.


Quem é Oxumaré, o orixá do arco-íris

Oxumaré é o orixá da cobra arco-íris, o senhor do movimento e das transformações. Ele vive entre o céu e a terra, e é pelo arco-íris que faz a ponte entre os dois mundos. Onde há ciclo, renovação e continuidade, há a sua marca. O nome vem do iorubá e quer dizer, justamente, arco-íris.

A raiz mais forte do orixá é jeje, onde corresponde ao vodum Dã, embora seja cultuado também no candomblé ketu. Filho de Nanã em muitas casas, ele rege a riqueza, a fortuna e a multiplicidade da vida. A serpente que engole a própria cauda, símbolo antigo do eterno retorno, é uma das suas imagens.

Um ponto do fundamento chama atenção. A tradição o descreve com uma natureza dupla, macho e fêmea: o arco-íris é a face masculina, e a serpente, chamada em algumas casas de Frecuém, a feminina. Diz-se que ele passa seis meses como homem e seis como mulher, embora seja tido como pai de cabeça, não mãe. É fundamento antigo, tratado com respeito nos terreiros, não como curiosidade.

Origem: jeje (vodum Dã), presente também no ketu | Domínio: arco-íris, ciclos, riqueza, renovação | Dia: terça-feira | Cores: amarelo e verde, ou amarelo e preto, e todas as do arco-íris | Saudação: “Arroboboi, Oxumaré!”


Por que São Bartolomeu se ligou a Oxumaré

O elo entre os dois nasceu de uma imagem, não de uma doutrina. São Bartolomeu perde a pele no martírio. A serpente, por sua vez, troca de pele para se renovar. A mesma cena, a pele que se desprende do corpo, aparece na história do santo e no símbolo do orixá. Foi essa correspondência que a devoção popular percebeu e guardou.

A troca de pele da cobra é um dos símbolos mais fortes de renovação que existem. O bicho deixa para trás o que era velho e segue em frente inteiro. O orixá é exatamente esse movimento: o ciclo que se fecha e recomeça, a morte de uma fase e o nascimento de outra. A pele arrancada de Bartolomeu, lida por essa chave, deixou de ser só sofrimento e virou passagem, renascimento.

Não existe explicação oficial para esse sincretismo, e nenhuma casa o trata como dogma. O que há é uma ponte simbólica, construída ao longo de séculos por um povo que precisava de discrição para manter a sua fé viva. E é aqui que entra o ponto mais importante deste artigo.


Sincretismo não é igualdade

É preciso dizer com todas as letras: São Bartolomeu e Oxumaré não são a mesma coisa. Um é apóstolo do cristianismo, com a sua história e a sua fé. O outro é orixá do candomblé, com o seu fundamento próprio, sua nação e sua liturgia. Colar os dois como sinônimos apaga a identidade de cada um.

O sincretismo foi uma estratégia de resistência. Durante a escravidão e a repressão religiosa, cultuar orixás era proibido e perseguido. Esconder o orixá atrás da imagem do santo católico foi um modo de sobreviver: por fora, a figura permitida; por dentro, a fé africana preservada. O disfarce salvou a tradição, e é por isso que ele existe até hoje.

O santo e o orixá se encontram na mesma data, mas cada um guarda o seu caminho. Respeitar o sincretismo é entender a história que o criou, não confundir duas fés numa só. A do santo é do santo. A do orixá é do orixá.

Por isso, quando alguém diz “Oxumaré é São Bartolomeu”, o mais honesto é completar: no sincretismo formado na colonização, o orixá foi associado ao santo para resistir, mas as duas figuras seguem distintas em suas origens. Esse cuidado é uma forma de respeito às duas tradições ao mesmo tempo, sem apagar nem uma nem outra.


24 de agosto: como se celebra Oxumaré

O dia 24 de agosto é a grande festa do orixá no calendário sincrético, herdada da data de São Bartolomeu. É quando muitos terreiros concentram as homenagens, ainda que a terça-feira seja o dia da semana ao longo do ano. Como lembram fontes de tradição, do verbete da Wikipédia a casas de matriz afro-brasileira, a data casa o santo e o orixá numa só festa.

As homenagens seguem o fundamento de cada casa. Costumam aparecer as cores da entidade, o amarelo e o verde, ou o amarelo e o preto na tradição jeje, além de todas as tonalidades do arco-íris. A saudação ecoa na gira e no barracão: “Arroboboi, Oxumaré!”. Oferendas e obrigações vão sempre conforme a orientação do dirigente, nunca por conta própria.

Vale lembrar que o dia é de celebração, não de promessa mágica. Honrá-lo é agradecer os ciclos, pedir renovação e firmar a fé, no ritmo de uma tradição que atravessou o oceano e resistiu. Quem quiser aprofundar pode conhecer o perfil completo de Oxumaré e a lógica dos santos e orixás no sincretismo.


Perguntas frequentes

Quem é São Bartolomeu e por que é ligado a Oxumaré?

São Bartolomeu foi um dos doze apóstolos de Jesus, martirizado por esfolamento, celebrado em 24 de agosto. A ligação com o orixá nasceu de uma imagem em comum: a pele que se desprende. O santo perde a pele no martírio, e a serpente troca de pele para se renovar. Daí a associação sincrética.

Quem é o orixá Oxumaré?

Oxumaré é o orixá da cobra arco-íris, senhor dos ciclos, do movimento e da renovação. De raiz jeje, onde corresponde ao vodum Dã, ele liga o céu à terra pelo arco-íris e rege a riqueza e a continuidade da vida. A tradição o descreve com natureza dupla, macho e fêmea, tratada como fundamento antigo.

Qual o dia de Oxumaré e de São Bartolomeu?

A festa acontece em 24 de agosto, data de São Bartolomeu, quando os terreiros concentram as homenagens ao orixá. Ao longo do ano, porém, o dia da semana da entidade é a terça-feira. As duas datas convivem: uma é o dia festivo do sincretismo, a outra é o dia semanal de devoção.

Quais as cores e a saudação de Oxumaré?

As cores mais associadas são o amarelo e o verde, e também o amarelo e o preto na tradição jeje, além de todas as cores do arco-íris. A saudação tradicional é “Arroboboi, Oxumaré!”, entoada nas giras e festas. Cada casa firma o orixá conforme o seu próprio fundamento e nação.

Por que Oxumaré foi sincretizado com São Bartolomeu?

Porque o sincretismo foi uma estratégia de resistência na colonização. Cultuar orixás era proibido, então o povo escondeu a devoção atrás da imagem de São Bartolomeu, aproveitando o símbolo da pele que se desprende. Isso não os torna iguais: são figuras distintas, unidas por uma história de sobrevivência da fé.


Onde encontrar itens de devoção a Oxumaré

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para honrar Oxumaré e São Bartolomeu com respeito ao fundamento da sua casa:

  • Velas nas cores do orixá: amarelo, verde e as cores do arco-íris
  • Imagens de Oxumaré e de São Bartolomeu: para o seu altar e o seu ponto
  • Guias e fios de conta: nas cores do orixá, para quem tem ligação com a linha
  • Ervas e defumadores: para banhos e limpezas de renovação
  • Louças e itens de oferenda: para firmar a devoção com a orientação da casa

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou receba em casa com entrega para todo o Brasil. Para saber como honrar o orixá no dia 24 de agosto com responsabilidade, e sempre com o dirigente da sua casa, fale com a gente pelo WhatsApp.


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