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Orixás 10 min de leitura

Quem é Oxumaré: o orixá da cobra arco-íris e dos ciclos

Quem é Oxumaré, o orixá da cobra arco-íris, dos ciclos e da renovação? Conheça as cores, a saudação Arroboboi e por que o dia de Oxumaré é 24 de agosto.

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Arco-íris sobre a mata úmida após a chuva com gotas nas folhas verdes, os ciclos e a renovação do orixá Oxumaré.

Resumo

Oxumaré é o Orixá do Arco-Íris e da Serpente Sagrada (Dan), senhor da renovação contínua da vida, dos ciclos cósmicos, do movimento da água entre o céu e a terra e da riqueza material.

Personificando a transmutação e o equilíbrio dinâmico, Oxumaré assegura que a chuva caia para fertilizar o solo e depois retorne às nuvens pelo calor do sol, garantindo a continuidade das estações.

Veste amarelo e verde ou as sete cores do arco-íris, empunhando duas cobras de ferro ou bronze fundido. Sua saudação vibrante é "Arroboboi Oxumaré!", celebrando a vitória sobre a estagnação e a renovação da esperança.

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Oxumaré é a grande serpente que sobe ao céu e desce à terra pelo arco-íris, o orixá do movimento, dos ciclos e de toda renovação. Diferente das divindades ligadas a um elemento fixo, ele é a própria imagem do que se transforma: a cobra que troca de pele, o arco que une céu e chão, o ciclo que termina para recomeçar. Quem procura entender quem é Oxumaré descobre um dos orixás mais singulares do panteão afro-brasileiro.

Este guia reúne o perfil completo do senhor do arco-íris, sua ficha técnica, a dualidade que o define, suas raízes iorubá e jeje, e o porquê de o dia de Oxumaré ser celebrado em 24 de agosto, no sincretismo com São Bartolomeu.


Quem é Oxumaré, o senhor do arco-íris

Oxumaré é o orixá da continuidade e da permanência, regente de todos os movimentos e de todos os ciclos. Seu nome, do iorubá Òṣùmàrè, significa “arco-íris”, e a imagem que o acompanha é a da grande serpente que envolve a terra com o próprio corpo, mordendo a cauda para que o mundo não se desfaça. Ele é quem garante a unidade do planeta e a renovação do universo, fazendo a ligação entre o que está em cima e o que está embaixo.

Como a cobra que troca de pele, o orixá rege tudo o que se renova: as fases da vida, os recomeços, os relacionamentos que se transformam, os projetos que terminam para que outros nasçam. Por isso é também invocado para a riqueza, a fortuna e a prosperidade, sendo lembrado em pedidos de fartura, negócios e abundância. A serpente que se move sem parar é a garantia de que nada estagna, de que a vida segue em movimento.

No conjunto das divindades iorubás, ele ocupa um lugar próprio: não rege uma água, um vento ou uma mata, mas o princípio do próprio dinamismo. Para situá-lo entre os demais, vale ler o panorama sobre o que são os orixás. O verbete da Wikipédia sobre Oxumarê, bem referenciado em Prandi e Verger, reúne essas atribuições e a sua origem africana.


Ficha técnica de Oxumaré

Antes de aprofundar a sua história, vale fixar os elementos que identificam o orixá. As correspondências abaixo seguem o que é mais consensual entre as casas, com as variações de nação sinalizadas.

  • Domínios: movimento, ciclos, renovação, continuidade, riqueza e fortuna, fertilidade
  • Cores: amarelo e verde, além de todas as cores do arco-íris; no jeje, as contas costumam ser listradas de amarelo e preto
  • Dia da semana: terça-feira, com variação conforme a casa
  • Símbolos: a serpente (muitas vezes bicéfala ou mordendo a cauda), o arco-íris, o ebiri e o brajá, colar de búzios entrelaçados que lembra as escamas da cobra
  • Saudação: “Arroboboi, Oxumaré!”, entendida como “salve o senhor do arco-íris” ou “salve o senhor dos ciclos”
  • Oferendas: a “cobra” feita de batata-doce e banana-da-terra fritas no azeite, arrumadas em forma de serpente, além de feijão, milho e camarão no dendê
  • Origem: iorubá (Oxumaré) e jeje, onde é cultuado como Bessém, ligado ao vodum Dã
  • Sincretismo: São Bartolomeu, em 24 de agosto

Arroboboi, Oxumaré! A saudação reverencia o senhor que une os contrários, o arco que toca o céu e a terra ao mesmo tempo. Saudar o orixá dos ciclos é reconhecer que tudo o que vive se move, se renova e recomeça.

Sobre o dia da semana, a terça-feira é a mais citada para o orixá, ainda que algumas casas guardem outra marcação. A grafia também varia: Oxumaré, com acento agudo, é a forma mais usada, mas Oxumarê, com circunflexo, aparece com frequência nas fontes brasileiras, e as duas são corretas.


A dualidade de Oxumaré: as duas metades do arco-íris

Nenhum traço define tanto o orixá quanto a sua dualidade. Oxumaré é o senhor de tudo o que é duplo e se completa: o céu e a terra, a água e o solo, o que começa e o que termina. O arco-íris, com suas duas pontas tocando o chão em lados opostos, é a imagem perfeita dessa natureza que une os contrários.

Um dos itans mais conhecidos, registrado por Pierre Verger e por Reginaldo Prandi, conta que o destino do orixá era passar seis meses de um jeito e seis meses de outro, alternando suas faces ao longo do ano, assim como o arco-íris aparece e desaparece. Dessa narrativa nasce a leitura da androginia sagrada: o orixá que carrega em si o masculino e o feminino, a força e a delicadeza, sem que um anule o outro. Trata-se de um fundamento de equilíbrio e completude, não de curiosidade.

Ainda que seja tratado predominantemente como uma figura masculina, é essa capacidade de conter os opostos que faz dele o orixá do movimento. Onde há alternância, há ciclo; onde há ciclo, está Oxumaré. Quem se volta a ele costuma viver fases de mudança intensa, e encontra na sua energia a serenidade de quem entende que toda transformação faz parte do caminho.


Origem iorubá e jeje: Oxumaré, Bessém e a serpente Dã

Entender o orixá exige reconhecer que ele chega ao Brasil por mais de uma matriz, e que confundi-las apaga a riqueza de cada tradição. Na raiz iorubá, do candomblé ketu, ele é Òṣùmàrè, o arco-íris, também chamado em Ifé de Ajé Sàlugá. É como serpente celeste que aparece nos itans de Oyó e de Ifé.

Já no jeje, de matriz fon, vinda do antigo Daomé, atual Benim, o orixá corresponde ao vodum , a serpente cósmica, e é cultuado com o nome de Bessém. A serpente sagrada de Uidá, chamada Dangbé, está na origem desse culto, nascido na região de Mahi, o mesmo polo de onde vêm Nanã e Obaluaê. Não por acaso, em muitos itans Oxumaré é tido como filho de Nanã e irmão de Obaluaê, formando a família dos cultos mais antigos. Para entender essas diferenças de matriz, vale ler sobre as nações do candomblé.

Essa ligação familiar ajuda a situá-lo. Conhecer quem é Nanã, a senhora da lama e da ancestralidade, e quem é Obaluaê, o orixá da cura, ilumina o lugar de Oxumaré entre os voduns jeje, ligados à terra, à origem e aos ciclos da vida e da morte. A ficha de candomblé reunida por ocandomble.com detalha os nomes e qualidades do orixá em cada nação.


Por que o dia de Oxumaré é 24 de agosto

Quem procura a data do orixá no calendário encontra o 24 de agosto, mesmo dia em que a Igreja celebra São Bartolomeu, com quem ele é sincretizado. São Bartolomeu, identificado com o apóstolo Natanael, foi um dos doze discípulos de Jesus e, segundo a tradição, morreu martirizado em 24 de agosto. É a data da sua morte que a Igreja festeja.

Não existe uma explicação única e fechada para essa associação. Há quem aproxime simbolicamente a pele do santo, que segundo a tradição foi esfolado, da serpente que troca de pele, mas isso é leitura possível, não certeza. O que se sabe com firmeza é que o sincretismo nasceu como estratégia de resistência: diante da proibição de cultuar os orixás, os africanos escravizados ocultaram suas divindades sob os santos católicos do dia para seguir reverenciando. Orixá e santo não são a mesma coisa, e associar um ao outro foi forma de sobreviver, não declaração de equivalência.

Por isso, ao se aproximar o fim de agosto, muitas casas preparam homenagens ao senhor dos ciclos, com pedidos de prosperidade, renovação e bons recomeços. Essa lógica de ligar cada orixá a um santo e a uma data organiza todo o ciclo das festas afro-brasileiras, como mostra o calendário dos orixás. O material das Raízes Espirituais sobre o 24 de agosto registra os costumes da data.


Como homenagear Oxumaré

A devoção ao orixá do arco-íris se faz com gratidão e respeito ao que é sagrado. O que segue é uma referência devocional, lembrando que cada casa tem suas orientações e que oferendas de fundamento se fazem sob a condução de um pai ou mãe de santo.

  • Acenda uma vela amarela ou verde em local limpo, mentalizando gratidão e pedindo serenidade nas fases de mudança da sua vida
  • Ofereça frutas e doces ligados à fartura, com pensamento de renovação e prosperidade, sem prometer a si mesmo resultado mágico
  • Saúde o orixá com o “Arroboboi!”, reconhecendo o senhor que une o céu e a terra
  • Observe os seus próprios ciclos, porque honrar Oxumaré é também aceitar que tudo se transforma, como a serpente que renova a pele

Dica de devoção: procure o senhor do arco-íris quando estiver vivendo uma virada, uma mudança de trabalho, de casa ou de fase. A energia de Oxumaré ensina que o movimento é a própria vida, e que todo recomeço carrega a promessa de renovação.

A escolha consciente das velas faz parte da reverência. Para entender o significado de cada cor, veja o guia de velas rituais e seus significados.


Perguntas frequentes

Quem é o orixá Oxumaré?

Oxumaré é o orixá da cobra arco-íris, senhor do movimento, dos ciclos e da renovação. Representado pela serpente que envolve a terra e pelo arco que une o céu ao chão, é ligado à continuidade, à riqueza e às transformações da vida. Tem origem iorubá e forte presença na nação jeje, onde é cultuado como Bessém.

Qual é o dia de Oxumaré?

O dia de Oxumaré é 24 de agosto, no sincretismo com São Bartolomeu. Já o dia da semana mais associado ao orixá é a terça-feira, com variações conforme a casa e a tradição. A data de agosto é o momento em que muitos terreiros preparam homenagens ao senhor dos ciclos.

Qual a cor de Oxumaré?

As cores mais associadas ao orixá são o amarelo e o verde, além de todas as cores do arco-íris, que é o seu maior símbolo. Na nação jeje, as contas costumam aparecer listradas de amarelo e preto. Essas cores marcam as velas, as guias e os panos usados em sua homenagem.

Oxumaré é homem ou mulher?

Oxumaré é tratado predominantemente como um orixá masculino, mas é marcado pela dualidade. Os itans falam de uma alternância entre faces ao longo do ano, imagem das duas metades do arco-íris, o que lhe dá uma natureza que une o masculino e o feminino. É um fundamento de completude, não uma curiosidade.

Qual a saudação de Oxumaré?

A saudação é “Arroboboi, Oxumaré!”, entendida como “salve o senhor do arco-íris” ou “salve o senhor dos ciclos”. É a forma tradicional de reverenciar o orixá, reconhecendo a sua força de movimento e a sua ligação entre o céu e a terra.


Onde comprar artigos para Oxumaré

Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para honrar o senhor do arco-íris com respeito e devoção:

  • Imagens de Oxumaré para o seu altar ou assentamento
  • Velas amarelas e verdes, nas cores do orixá dos ciclos
  • Guias e brajás ligados à energia da serpente sagrada
  • Ervas e defumadores para a limpeza e a renovação dos ambientes
  • Frutas secas, mel e itens de oferenda para as homenagens de prosperidade

Visite nossa loja em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre o uso correto dos produtos e a melhor forma de homenagear Oxumaré, fale com a gente pelo WhatsApp.


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