Julho é mês de qual orixá? A resposta mais comum é Nanã, a Orixá mais anciã, celebrada em 26 de julho. Mas essa é só uma peça de um calendário maior. O mês de cada orixá é uma terceira camada de tempo sagrado, ao lado do dia da semana e da data anual da festa. Cada mês do ano é “tingido” pela energia de um Orixá, quase sempre por causa da festa que cai nele.
Este guia mapeia essa camada mensal, mês a mês, com honestidade sobre onde ela é forte e onde é frouxa.
Calendário mensal dos orixás
A tabela reúne o Orixá mais associado a cada mês e a festa que ancora essa ligação, com base no calendário de festas da umbanda. Logo depois, cada mês ganha sua explicação.
| Mês | Orixá mais associado | Festa que ancora |
|---|---|---|
| Janeiro | Oxalá e Oxóssi | Águas de Oxalá (15/01), Oxóssi (20/01) |
| Fevereiro | Iemanjá | 2 de fevereiro |
| Março | associação fraca | São José (Oxalá) em algumas casas |
| Abril | Ogum | 23 de abril (São Jorge) |
| Maio | Obá e Pretos-Velhos | Obá (30/05), Pretos-Velhos (13/05) |
| Junho | Xangô e Exu | Santos juninos, Exu (13/06) |
| Julho | Nanã (e Oxum) | Nanã (26/07), Oxum (16/07) |
| Agosto | Obaluaê / Omulu | 16 de agosto (São Roque) |
| Setembro | Ibeji (Cosme e Damião) | 27 de setembro |
| Outubro | Oxum | 12 de outubro (Aparecida) |
| Novembro | mês da Umbanda | Dia da Umbanda (15/11) |
| Dezembro | Iansã e Oxum | Iansã (04/12), Oxum (08/12) |
A regência mensal nasce da festa do santo sincretizado que cai no mês, não de uma tabela iorubá fechada. Por isso varia de casa para casa, e alguns meses têm ligação forte enquanto outros quase não têm.
Primeiro semestre: de janeiro a junho
Janeiro: Oxalá e Oxóssi
O ano abre com Oxalá, o pai de todos os Orixás, no grande ciclo das Águas de Oxalá, em 15 de janeiro. Poucos dias depois, 20 de janeiro marca Oxóssi, o caçador das matas, sincretizado com São Sebastião. Janeiro tem, portanto, duas regências legítimas. Conheça quem é Oxalá, o senhor da paz.
Fevereiro: Iemanjá
Fevereiro é o mês de Iemanjá por excelência. No dia 2, multidões levam flores brancas e presentes ao mar em homenagem à rainha das águas salgadas, sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes. É a maior festa de Iemanjá do calendário. Saiba mais sobre quem é Iemanjá, a mãe de quase todos os Orixás.
Março: um mês sem regência forte
Aqui vale a honestidade: março não tem um Orixá regente consolidado. Algumas casas o ligam a Oxalá, por causa de São José (19 de março). Mas não existe consenso. Se alguém afirma com certeza que março é de tal Orixá, saiba que é uma tradição de casa, não uma regra geral.
Abril: Ogum
Abril é claramente o mês de Ogum, o Orixá guerreiro, senhor do ferro e das estradas. Seu dia, 23 de abril, coincide com São Jorge, feriado em vários estados. É o mês de pedir força, coragem e abertura de caminhos para as batalhas da vida.
Maio: Obá e os Pretos-Velhos
Maio tem regência dividida e mais simbólica. A Orixá Obá, guerreira das águas, é celebrada em 30 de maio. E o dia 13 de maio, data da Abolição, é dedicado aos Pretos-Velhos, os sábios ancestrais da umbanda. Vale lembrar que Pretos-Velhos são entidades, não Orixás, mas marcam o mês com força.
Junho: Xangô e Exu
Junho é o mês dos santos juninos, e muitas casas o chamam de “mês de Xangô”, ligado a São João e São Pedro. É também quando se honra Exu em 13 de junho, o Orixá dos caminhos e da comunicação, que nada tem a ver com o diabo do preconceito cristão. Entenda melhor no sincretismo dos santos juninos e no dia de Exu, 13 de junho.
Segundo semestre: de julho a dezembro
Julho: Nanã, e também Oxum
Julho é dominado por Nanã, a Orixá mais anciã do panteão, senhora da lama e das águas paradas, celebrada em 26 de julho junto de Sant’Ana. Mas há variação real: parte das casas dedica julho a Oxum, por causa do dia 16 (Nossa Senhora do Carmo), e casas de tradição de caça honram Odé e Otim. Conheça o dia de Nanã, 26 de julho e o dia de Oxum, 16 de julho.
Agosto: Obaluaê e Omulu
Agosto é o mês de Obaluaê, também chamado Omulu, o Orixá da cura e das doenças, o médico dos pobres, sincretizado com São Roque em 16 de agosto. É um mês de cuidado com a saúde do corpo e do espírito. Também aparece Oxumarê, o Orixá do arco-íris, em 24 de agosto. Veja quem é Obaluaê (Omulu).
Setembro: Ibeji, o mês das crianças
Setembro é o mês dos Ibeji, os Orixás gêmeos da infância, sincretizados com Cosme e Damião em 27 de setembro. É uma das festas mais queridas do povo de santo, com caruru e doces distribuídos às crianças. No fim do mês, 30 de setembro, Xangô reaparece em algumas casas, com São Jerônimo.
Outubro: Oxum
Outubro é o mês de Oxum, a Orixá das águas doces, do amor e da fartura, associada a Nossa Senhora Aparecida, celebrada em 12 de outubro. Como Aparecida é a padroeira do Brasil, essa regência é forte e muito querida. No candomblé baiano, porém, a grande data de Oxum é 8 de dezembro. Saiba mais sobre quem é Oxum.
Novembro: o mês da própria Umbanda
Novembro não tem um Orixá regente clássico. É o mês da Umbanda, celebrada em 15 de novembro, e da Consciência Negra, em 20 de novembro. Um mês de celebrar a religião como um todo e a ancestralidade negra que a sustenta, mais do que uma única divindade.
Dezembro: Iansã e Oxum
Dezembro é um mês cheio. Abre com Iansã (ou Oyá), senhora dos ventos e dos raios, em 4 de dezembro, junto de Santa Bárbara. Segue com Oxum em 8 de dezembro, e ainda celebra Oxalá no Natal. Iemanjá fecha o ano na virada de 31 de dezembro, quando o mar recebe as oferendas de Ano-Novo.
Nem todo mês tem um orixá regente
Esta é a parte que muitos sites escondem. A regência mensal não é uma lei fechada, e três meses mostram isso com clareza:
- Março: sem regência forte, ligado a Oxalá só em algumas casas.
- Maio: dividido entre Obá e os Pretos-Velhos, de forma mais simbólica.
- Novembro: mês da Umbanda e da Consciência Negra, não de um Orixá.
A razão é simples. O “mês do orixá” deriva da festa católica sincretizada que cai naquele mês. Onde há uma grande festa, a regência é forte. Onde não há, a associação fica frouxa. Forçar um Orixá para cada mês seria inventar tradição, e este guia não faz isso.
As três camadas do tempo sagrado
O povo de santo organiza o tempo em três camadas diferentes, e confundi-las gera muita dúvida:
- O mês do orixá: o mês inteiro que a festa da divindade tinge, tema deste guia.
- O dia da semana regente: o dia que se repete toda semana, como Exu na segunda e Ogum na terça. Veja o guia dos dias da semana dos orixás.
- A data anual da festa: o dia exato da celebração no ano, como Ogum em 23 de abril e Oxum em 8 de dezembro.
Se você quer a data exata da festa de cada Orixá, veja o calendário dos orixás completo. Aqui o foco é a regência do mês. Esse jogo de datas nasce do sincretismo, que foi estratégia de resistência histórica, não equivalência, e hoje as religiões de matriz africana são patrimônio cultural brasileiro reconhecido pelo IPHAN. Se você está começando, comece pelo guia sobre o que são os Orixás.
Perguntas frequentes
Julho é mês de qual orixá?
Julho é predominantemente o mês de Nanã, a Orixá mais anciã, celebrada em 26 de julho com Sant’Ana. Algumas casas, porém, dedicam julho a Oxum, por causa do dia 16 (Nossa Senhora do Carmo), e casas de tradição de caça honram Odé e Otim. As três leituras são válidas.
Qual é o orixá de cada mês do ano?
Em resumo: janeiro é de Oxalá e Oxóssi; fevereiro de Iemanjá; abril de Ogum; junho de Xangô e Exu; julho de Nanã; agosto de Obaluaê; setembro de Ibeji; outubro de Oxum; e dezembro de Iansã e Oxum. Março, maio e novembro têm regência fraca ou simbólica.
O mês de cada orixá é igual na umbanda e no candomblé?
Nem sempre. A base é a mesma, mas há divergências. A maior é Oxum: a umbanda a celebra muito em outubro (Aparecida), enquanto o candomblé baiano dá sua grande data em 8 de dezembro. As Águas de Oxalá, em janeiro, também pesam mais no candomblé.
Como saber de qual orixá é o meu mês?
Basta localizar o mês na tabela acima. Mas atenção: o “mês do seu aniversário” não define o seu Orixá de cabeça. O Orixá que rege a sua vida é revelado no jogo de búzios por um pai ou mãe de santo, não pela data de nascimento.
Qual a diferença entre o mês do orixá e o dia do orixá?
O mês do orixá é a regência do mês inteiro, ligada à festa que cai nele. O dia do orixá pode ser o dia da semana regente, que se repete toda semana, ou a data anual exata da festa. São camadas distintas do mesmo calendário sagrado.
Onde honrar o orixá do seu mês
Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para celebrar o Orixá de cada mês com respeito e tradição:
- Velas rituais por cor de Orixá: branca para Oxalá, dourada para Oxum, vermelha para Iansã, roxa para Nanã
- Ervas e banhos: frescos ou secos, para banhos e defumações de cada Orixá
- Imagens de Orixás: para o seu altar ou congá
- Guias e elementos de oferenda: mel, contas e itens ritualísticos
- Defumadores: para preparar o ambiente nas festas do mês
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