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Orixás 13 min de leitura

Quem é Oxalá: o orixá da paz, da criação e da pureza

Quem é Oxalá, o pai dos orixás? Veja a cor, o dia, a saudação Epa Babá, as qualidades Oxaguiã e Oxalufã e o sincretismo com o Senhor do Bonfim.

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Tudo em branco: pano, velas e um cajado prateado sobre pedra clara banhada por luz suave, a paz do orixá Oxalá.

Resumo

Oxalá (Obatalá) é o supremo Orixá da criação, da paz inabalável, da pureza e da luz divina, sendo o pai de todos os seres humanos e o mais venerado de todo o panteão afro-brasileiro.

Manifesta-se em duas formas mais conhecidas no Brasil: Oxaguiã (o guerreiro jovem do pilão, que come inhame pilado) e Oxalufã (o ancião curvado do cajado opaxorô, que veste só branco).

Veste branco, tem como interdições o dendê, o vinho de palma e o sal, e é o último a ser saudado nas cerimônias. Sua saudação é "Epà Babá!", que significa "Salve o Pai".

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13 min de leitura

Oxalá é o orixá da criação e da paz, o mais velho do panteão e pai de quase todos os outros orixás. Veste branco, rege a sexta-feira, recebe a saudação Epa Babá! e corresponde ao Senhor do Bonfim no sincretismo.

Ele se manifesta em duas qualidades, Oxaguiã, o jovem guerreiro, e Oxalufã, o ancião que anda apoiado no paxorô. No mito mais conhecido, foi Oxalá quem modelou do barro os corpos dos homens.


Quem é Oxalá, o pai de todos os orixás

Esse orixá é a divindade da criação na tradição iorubá. Seu nome em terra africana é Obatalá, que significa algo como “rei do pano branco”, como registra o verbete sobre Obatalá. No Brasil, ele é cultuado como o orixá mais ancião, o funfun (o branco) por excelência, o pai de quase todos os outros orixás e da própria humanidade.

Nos mitos que Reginaldo Prandi reuniu, Olodumaré, o ser supremo, encarrega Oxalá de criar o mundo. Oxalá, que não fez as oferendas, é vingado por Exu com uma grande sede, bebe vinho de palma, adormece embriagado, e é Odudua, o irmão mais novo, quem apanha o saco da criação e desce para criar a terra. Ao acordar, Oxalá recebe a tarefa de criar os seres vivos: modela os seres humanos em barro, e o sopro de Olodumaré os anima. Por isso é chamado de o oleiro do mundo. Prandi conta assim, e Odudua aparece de outro modo em Pierre Verger, para quem ele é “mais personagem histórico do que orixá”, rival de Oxalá e fundador de Ifé. As leituras de cada autor sobre Odudua estão em qualidades de Oxalá.

As interdições de Oxalá têm mais de uma origem nos mitos. Em Prandi, Olodumaré proíbe Oxalá de beber vinho de palma para sempre, e a proibição vale também para os descendentes dele. Em outro mito, Exu amarra uma cabaça de sal nas costas dele, que acorda corcunda, passa a proteger os corcundas, os albinos e outras pessoas com deficiência e fica para sempre proibido de consumir sal. O dendê tem ainda um terceiro mito, o do papagaio Ecodidé, em que “Orixalá não suporta dendê, é seu tabu”. Para situá-lo entre as outras divindades, vale ler o panorama sobre o que são os orixás.


Ficha técnica de Oxalá

Antes de aprofundar suas qualidades, vale fixar os elementos que identificam o orixá. As correspondências abaixo seguem majoritariamente a nação ketu (nagô), com as variações mais comuns na umbanda.

  • Domínios: criação, paz, pureza, serenidade, sabedoria e paternidade
  • Cor: branco, o branco leitoso de todas as coisas
  • Dia da semana: sexta-feira no candomblé ketu; em casas de umbanda, sexta ou domingo, conforme a casa (veja dia de Oxalá)
  • Elemento: o ar, a atmosfera, o céu
  • Símbolo: o paxorô (também opaxorô), um cajado de metal branco, em geral encimado por uma ave
  • Saudação: “Epa Babá!”, que é o mesmo que “salve, meu pai”
  • Oferendas: comidas brancas, com destaque para o ebô (canjica de milho branco cozida sem sal e sem tempero)
  • Quizilas: o azeite de dendê, o vinho de palma e o sal, interdições que Verger e Prandi registram; Gaia e Scorsolini-Comin somam o carvão
  • Origem: nagô-ketu, correspondendo a Obatalá em terra iorubá

Epa Babá, meu pai Oxalá! Saudar Oxalá é pedir a bênção do mais velho. Em muitas casas, a sexta-feira é o dia de vestir branco e baixar a voz, em sinal de respeito à paz que ele representa.

A cor branca não é detalhe estético. Ela carrega o sentido da pureza e da calma que o orixá pede de seus filhos, e por isso roupas, velas e flores brancas estão sempre presentes na sua devoção.


Oxaguiã e Oxalufã: o jovem e o ancião

Como outros orixás, Oxalá não se manifesta de uma forma única. As formas mais conhecidas no Brasil são duas, e as fontes divergem sobre o que elas são: Prandi fala em duas formas de Oxalá, e Gaia e Scorsolini-Comin escrevem que “não se trata de variações de um mesmo Òrisà”. Conhecer essa dualidade ajuda a entender por que o orixá é, ao mesmo tempo, guerreiro e sereno. A ficha de cada forma e as divergências estão em qualidades de Oxalá.

Oxaguiã é o aspecto jovem, dinâmico e guerreiro. Conhecido como “o senhor do inhame pilado”, recebe o inhame branco amassado como oferenda principal. É um Oxalá ativo, que ainda carrega o vigor da juventude e a disposição para a luta justa.

Oxalufã é o aspecto ancião. Anda curvado, apoiado no paxorô, com a lentidão de quem já viveu tudo. Representa a paz, a paciência e a sabedoria que só o tempo traz. É o velho Oxalá das Águas de Oxalá, ligado à humildade e à reverência.

Os retratos dos filhos de Oxalá na literatura divergem. Prandi os descreve como pessoas que “gostam do poder” e “mostram-se mandonas e determinadas”, e também como “calados e chatos”. Verger fala em pessoas “calmas e dignas de confiança”. Num estudo com um único filho de Oxalá, Augras e Correa o descrevem como “bastante teimoso e oposicionista”. São caracterizações de pesquisa, que variam de autor para autor, e não um teste: o orixá de cada pessoa se confirma na casa de axé.


As Águas de Oxalá: o mito do orixá preso

Entre todos os mitos do orixá, o das Águas de Oxalá é o mais celebrado, e Verger o descreve como a lenda que certos terreiros baianos, “particularmente naqueles de origem kêto”, comemoram todos os anos num ciclo de festas de três semanas. A história ensina, pela própria figura do orixá mais alto, uma lição de humildade.

Oxalufã decide visitar Xangô, o rei de Oyó, seu amigo, na versão de Verger. No caminho, Exu lhe pede ajuda três vezes, e Oxalufã concorda e não se queixa. Na versão da FUCESP, o babalaô aconselha o orixá a aceitar tudo o que lhe pedirem sem se queixar, e ele se mantém calmo diante de Exu. Mesmo assim, é preso por engano e passa sete anos no cárcere, enquanto sete anos de infelicidade se abatem sobre o reino de Xangô.

Quando Xangô descobre quem era o prisioneiro, manda todos, vestidos de branco e em silêncio, buscar água três vezes para lavá-lo. Em Prandi e Vallado, o rei e o povo se vestem de branco e pedem perdão ao grande orixá da criação. É esse gesto de água e de branco que as Águas de Oxalá repetem, e a data e o desenho do ciclo mudam de casa para casa. A descrição completa do rito está em Águas de Oxalá, e o rei que aparece no mito tem artigo próprio em quem é Xangô. A ficha do orixá em Verger pode ser conferida na página da obra Orixás.


Oxalá na umbanda e no candomblé

Embora seja o mesmo orixá, Oxalá não é vivido da mesma forma nas duas tradições, e confundi-las apaga o que cada uma tem de próprio.

No candomblé, Oxalá é um orixá cultuado no xirê, com seus assentamentos, suas qualidades (Oxaguiã e Oxalufã) e suas comidas votivas, sempre conduzido pelo pai ou mãe de santo. Oxalufã é o último reverenciado no xirê, e a dança dele o fecha.

Na umbanda, as casas e pesquisas abertas tratam Oxalá como o maior dos orixás. A federação FUCESP o diz “sincretizado com Jesus Cristo” e “o maior dos Orixás cultuados na Umbanda”, mas cada casa explica o sincretismo de um jeito: para a Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina, ele não significa que as duas figuras sejam “exatamente a mesma divindade”. Em casas como as que as pesquisas descrevem, pede-se licença a Oxalá para abrir a gira, e a cor de Oxalá é o branco. As seis posições de casa, o Jesus de braços abertos no congá, a linha de Oxalá e o dia estão em Oxalá na umbanda.

Na nação angola, de raiz bantu, a mesma energia da criação e da brancura é cultuada sob o nome do inquice Lembá (também grafado Lemba ou Lembarenganga). Mencionar a nação não é detalhe: tratar o candomblé como um bloco único apaga a diversidade real das tradições.


Oxalá é Jesus? O sincretismo com o Senhor do Bonfim

Esta é uma das perguntas mais comuns sobre o orixá, e a resposta pede cuidado. Durante a escravidão, diante da proibição de cultuar os orixás, os africanos associaram suas divindades a santos católicos para continuar reverenciando sob outro nome. Sincretismo não é declaração de que orixá e santo sejam a mesma coisa, e as fontes dão mais de uma leitura da aproximação. Para Verger, Oxalá foi sincretizado na Bahia com o Senhor do Bonfim “sem outra razão aparente” que o enorme prestígio dele na cidade. O antropólogo Vilson Caetano vê semelhanças: os dois são cultuados nas alturas e ligados à criação e à origem dos seres humanos. Gaia e Scorsolini-Comin entendem o sincretismo como estratégia de resistência cultural e escrevem que “parece não haver relações de Òṣàlá” com Jesus Cristo ou com o Senhor do Bonfim.

Oxalá foi sincretizado com Jesus Cristo e, na Bahia, com o Senhor do Bonfim. A célebre Lavagem do Bonfim, em janeiro, quando baianas lavam as escadarias da igreja com água de cheiro, é a expressão mais visível desse encontro entre a fé católica e o axé de Oxalá. A Lavagem cai na quinta-feira anterior ao domingo do Bonfim, e a história da festa está em Senhor do Bonfim e Oxalá.

Dizer que “Oxalá é Jesus” simplifica demais. São figuras de tradições distintas, que a história aproximou, e na umbanda cada casa responde de um jeito, como mostra Oxalá na umbanda. Para acompanhar a data de Oxalá e das outras divindades ao longo do ano, consulte o dia de Oxalá e o calendário dos orixás.


Como homenagear o orixá da paz

A reverência ao orixá se faz com simplicidade e respeito à sua brancura. O que segue é uma referência devocional, lembrando que cada casa tem suas orientações e que oferendas de fundamento se fazem sob a condução de um pai ou mãe de santo.

  • Vista branco na sexta-feira, dia do orixá, e procure manter o dia em paz, sem discussões nem excessos
  • Acenda uma vela branca em local limpo, mentalizando serenidade, gratidão e clareza
  • Ofereça comidas brancas, como o ebô (canjica sem sal) ou o arroz branco, num prato limpo
  • Use flores brancas, como rosas e lírios, que traduzem bem a energia de pureza do orixá

Dica de devoção: Oxalá é o orixá da calma. A maior oferenda a ele não está no prato, mas na atitude de quem busca a paz no próprio coração e o respeito pelos mais velhos.

Como 2027 começa numa sexta-feira, Oxalá aparece entre os nomes do orixá regente de 2027, ao lado de Iemanjá; no candomblé, o regente só sai no jogo de búzios de cada casa. A sexta-feira é também um bom dia para acender velas com intenção. Para escolher a cor certa com consciência, veja o guia de velas rituais e seus significados. E entre as ervas ligadas a ele, o alecrim, erva de Oxalá é uma das mais usadas em banhos de paz e elevação.


Perguntas frequentes

Quem é Oxalá e o que ele representa?

Oxalá é o orixá mais velho e respeitado do panteão afro-brasileiro, o pai de todos os orixás e da humanidade. Ele representa a criação, a paz, a pureza e a sabedoria. Vestido de branco, é a divindade ligada à serenidade e ao equilíbrio da vida.

Qual é a cor e o dia de Oxalá?

A cor de Oxalá é o branco, símbolo da pureza e da paz. O dia da semana depende da tradição e da casa: nas fontes de candomblé ketu é a sexta-feira, quando os filhos de Oxalá vestem branco, e em casas de umbanda é sexta ou domingo. Em janeiro, a Lavagem do Bonfim aproxima o orixá do Senhor do Bonfim. O 15 de janeiro como “dia de Oxalá” não tem fonte, e o 25 de dezembro aparece como data de culto em algumas casas de umbanda. Os detalhes e a regra da Lavagem estão em dia de Oxalá.

Qual a diferença entre Oxaguiã e Oxalufã?

São as duas formas mais conhecidas do orixá no Brasil. Oxaguiã é o aspecto jovem e guerreiro, o senhor do inhame pilado. Oxalufã é o aspecto ancião, que anda curvado apoiado no paxorô e representa a paz e a sabedoria do tempo. Se são o mesmo orixá, as fontes divergem: veja qualidades de Oxalá.

O que são as Águas de Oxalá?

É um ciclo de festas que certos terreiros, particularmente de origem ketu, comemoram todos os anos. Ele rememora o mito em que Oxalufã foi preso por engano e depois lavado com água, com todos vestidos de branco. A data e o desenho do ciclo mudam de casa para casa, como mostra Águas de Oxalá.

Oxalá é o mesmo que Jesus?

Não exatamente. No sincretismo, Oxalá foi associado a Jesus Cristo e ao Senhor do Bonfim, e as fontes dão leituras diferentes dessa aproximação. São figuras de tradições diferentes que a história aproximou, e tratá-las como idênticas apaga a identidade própria de cada uma. Na umbanda, cada casa responde de um jeito: veja Oxalá na umbanda.


Onde comprar artigos para Oxalá

Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para honrar o pai dos orixás com respeito e paz:

  • Imagens de Oxalá com o paxorô, para o seu altar ou assentamento
  • Velas brancas de diversos tamanhos, na cor do orixá da pureza
  • Guias e contas brancas para devoção e proteção
  • Flores e itens brancos para oferendas de paz e elevação
  • Ervas e defumadores ligados à energia de serenidade, como alecrim e lavanda

Visite nossa loja em Extrema-MG e enviamos para todo o Brasil. Para orientação sobre o uso correto dos produtos e a melhor forma de reverenciar Oxalá, fale com a gente pelo WhatsApp.


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