O dia de Oxum na semana é o sábado. No ano, a data varia por região e casa: 8 de dezembro (Nossa Senhora da Conceição), 16 de julho (Nossa Senhora do Carmo) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida).
A mais citada no país é 8 de dezembro; no Nordeste, sobretudo no Recife, a festa é em 16 de julho. Há ainda datas locais em setembro. Cada casa segue a sua, e todas são legítimas.
Qual é o dia de Oxum?
O dia de Oxum na semana é o sábado, em qualquer época do ano. No calendário anual, não existe uma data única: cada região ligou a Orixá a uma invocação de Nossa Senhora, e a festa caiu no dia dessa santa. Por isso a mesma pergunta tem respostas diferentes em Porto Alegre, em São Paulo e no Recife.
| Data | Associação católica | Onde é mais lembrada |
|---|---|---|
| Sábado | Não se aplica | Dia da semana de Oxum em todo o Brasil |
| 8 de dezembro | Nossa Senhora da Conceição | A mais difundida; forte no Sul, como em Rio Grande (RS) |
| 16 de julho | Nossa Senhora do Carmo | Nordeste, com destaque para o Recife |
| 12 de outubro | Nossa Senhora Aparecida | Sudeste e Centro-Oeste |
| 15 de setembro | Nossa Senhora das Dores | Minas Gerais |
| 8 de setembro | Nossa Senhora de Nazaré | Norte, em Belém |
Segundo o verbete da Wikipédia sobre Oxum, a Orixá foi associada a diferentes invocações de Nossa Senhora pelo país. O portal Alma Preta registra que, na maioria dos estados, o sincretismo é com Nossa Senhora da Conceição, e por isso 8 de dezembro é a data que mais aparece quando se fala em dia de Oxum. No Rio Grande do Sul, o geógrafo Rogério Amaral Pereira estudou as homenagens a Oxum e à Imaculada Conceição feitas no mesmo 8 de dezembro em Rio Grande, num artigo da Revista Presença Geográfica. Em Salvador, há uma festa de Oxum fora dessas datas: na véspera da festa de Iemanjá, o Dique do Tororó recebe o presente de Oxum, o Sórodó, “palavra que significa o ato de levar oferendas para as águas”; segundo o Correio, o evento surgiu em 1990 e é feito com materiais biodegradáveis.
Sincretismo não é equivalência. A data católica foi o abrigo que permitiu manter o culto vivo sob perseguição. Oxum continua sendo Oxum, e a santa continua sendo a santa.
O ponto importante é não tratar nenhuma data como “a verdadeira”. Todas são legítimas, fruto da forma como a devoção criou raiz em cada canto do país. O sincretismo de Oxum com a padroeira nacional rende um capítulo à parte, contado no artigo sobre Nossa Senhora Aparecida e Oxum. Em dezembro, a festa de Oxum chega na mesma semana da de Iansã, celebrada no dia 4 de dezembro.
Dia de Oxum na umbanda e mês de Oxum
Na umbanda, vale a mesma regra: o sábado é o dia semanal da Orixá, e a festa anual segue a data que a casa adota; no Sul e no Sudeste, muitas casas ficam com 8 de dezembro ou 12 de outubro, e algumas lembram as duas. Quem procura um “mês de Oxum” não vai encontrar um mês fixo em todas as tradições; os meses que concentram as festas são dezembro, julho e outubro, conforme a data da casa. Na dúvida, pergunte ao seu terreiro qual é a data de lá.
Quem é Oxum, a mãe das águas doces
Oxum é a Orixá dos rios, das cachoeiras e das nascentes, a senhora das águas que correm doces e dão vida à terra. É fácil rotulá-la apenas como “a Orixá do amor”, mas isso encolhe o que ela representa. A tradição a chama de Iyalodê, título da mulher mais importante da cidade, a voz política e diplomática que decide com os homens os rumos do povo. Ela é riqueza, ouro, fartura, fertilidade e maternidade, além de amor.
Como ensina o sociólogo Reginaldo Prandi, professor emérito da USP e referência no estudo das religiões afro-brasileiras em sua obra Mitologia dos Orixás, a Orixá nasce de um rio real na terra iorubá e carrega o domínio daquilo que vale e que gera vida. Honrar a rainha das cachoeiras é reconhecer esse poder inteiro, não só a doçura.
Para conhecer a fundo a origem, os mitos e as qualidades da Iyalodê, vale ler o perfil completo sobre quem é Oxum. Aqui, o foco é a data e como reverenciá-la.
Ficha técnica de Oxum
Antes de chegar à data, vale fixar os elementos que identificam a Orixá. As correspondências seguem o que é mais consensual entre as casas, com as variações regionais sinalizadas ao longo do texto.
- Domínios: águas doces (rios, cachoeiras, nascentes), amor, riqueza e ouro, fertilidade, gestação, maternidade e diplomacia
- Cores: amarelo-ouro e dourado
- Elemento: água doce
- Símbolo: o abebê, leque ou espelho circular dourado, ligado à beleza e à vaidade da Iyalodê
- Dia da semana: sábado
- Saudação: “Ora yeyê ô!”, do iorubá Òóré Yéyé ó!, uma reverência à mãe bondosa
- Oferendas: mel, frutas amarelas (melão, pêssego, banana), flores amarelas, quindim e o omolocum (feijão-fradinho com camarão, dendê e ovos)
- Sincretismo: plural, conforme a região, como veremos a seguir
Ora yeyê ô, Mamãe Oxum! A saudação é o gesto de quem busca colo na mãe das águas doces, a que acalma o coração e faz a vida prosperar como o rio que nunca para de correr.
Por que o dia de Oxum é 16 de julho
Quem procura a festa da Orixá no calendário de muitas casas, especialmente no Nordeste, encontra o 16 de julho. A razão está no sincretismo com Nossa Senhora do Carmo, cuja data litúrgica católica cai justamente nesse dia.
A história ajuda a entender. Durante a colonização, diante da proibição de cultuar os orixás, os africanos escravizados associaram suas divindades a santos católicos para continuar reverenciando sob outro nome. Foi estratégia de sobrevivência e de resistência, não declaração de que Orixá e santa fossem a mesma coisa. A senhora das águas doces, mãe que acolhe e nutre, espelhou-se na figura mariana da mãe que protege sob o manto.
Em Recife, onde Nossa Senhora do Carmo é padroeira, essa ligação é especialmente forte: lá, diferente do resto do país, Oxum é associada à santa e celebrada nos terreiros em julho, como lembra uma coluna da Folha de Pernambuco. O Festival Água Doce, por exemplo, foi criado para exaltar Oxum na data da padroeira do Recife, segundo a reportagem da Folha de Pernambuco sobre o festival. Vale guardar uma nuance importante: o sagrado não é matemático, e cada terreiro vive essa associação ao seu modo.
Essa lógica de ligar cada Orixá a um santo e a uma data é a mesma que organiza o ciclo das festas afro-brasileiras, como mostra o calendário dos orixás.
Oxum na umbanda e no candomblé
Embora seja a mesma Orixá, a senhora das águas doces não é vivida da mesma forma nas duas tradições, e confundi-las apaga o que cada uma tem de próprio.
Na umbanda, a Orixá costuma ser chamada com carinho de Mamãe Oxum e atua como uma vibração ligada ao amor, à família, à fertilidade e à prosperidade. O catolicismo popular está mais presente aqui, e as datas marianas, como 16 de julho e 12 de outubro, marcam o calendário das giras e das homenagens. Como cada casa situa a orixá, a cor que usa e quem desce na gira em nome dela está em Oxum na umbanda.
No candomblé, ela é uma iabá cultuada com seu assentamento, seus fundamentos e suas comidas, e aparece em diferentes qualidades, cada uma com sua história e seu temperamento. A data da festa varia conforme a nação e o ciclo do terreiro, e o sábado é o dia consagrado. Vale registrar ainda que parte do povo de santo defende hoje a chamada desincretização, separando o Orixá do santo católico para afirmar a identidade própria da religião. São posturas que conversam com respeito: o sincretismo é fato histórico de resistência, e a separação é afirmação de autonomia.
Para entender o lugar de Oxum no conjunto das divindades, vale ler o panorama sobre o que são os orixás.
Como homenagear Oxum no dia dela
A devoção à mãe das águas doces se faz com gratidão e respeito. O que segue é uma referência devocional para reverenciá-la em casa, lembrando que cada casa tem suas orientações e que oferendas de fundamento e assentamentos se fazem sempre sob a condução de um pai ou mãe de santo.
- Vista o amarelo-ouro no dia dela, seja 8 de dezembro, 16 de julho ou 12 de outubro, a cor da Iyalodê, como gesto de pertencimento e alegria
- Acenda uma vela amarela em local limpo e seguro, mentalizando gratidão e pedindo serenidade, amor e prosperidade
- Ofereça flores amarelas, como rosas, girassóis e palmas, num cantinho de devoção ou à beira de um rio
- Leve frutas e mel como gesto de carinho, sabendo que em algumas casas o mel é quizila da Orixá por causa de um itan, e que, quando usado, deve ser de boa procedência
- Procure uma água doce, um rio ou uma cachoeira, para um momento de prece, sempre cuidando da natureza
Dica de devoção: recorra à senhora das águas doces para pedir equilíbrio no amor, harmonia na família e prosperidade que circula e gera vida. A Iyalodê ensina que a abundância, como o rio, precisa correr para não estagnar.
Um cuidado essencial fecha o gesto: ao levar oferendas à água, nunca use plástico, vidro, isopor ou itens que deixem resíduo. Honrar Oxum é também respeitar a casa dela, a natureza que ela rege. Prefira o que é biodegradável e recolha o que sobrar.
A escolha consciente da vela faz parte da reverência. Para entender o significado de cada cor, veja o guia de velas rituais e seus significados. E para um banho devocional com as ervas da Orixá, do pescoço para baixo, consulte o passo a passo do banho de ervas para Oxum. Os cuidados com cada item levado à Orixá estão no guia de oferenda para Oxum.
Perguntas frequentes
Qual é o dia de Oxum?
Na semana, o dia de Oxum é o sábado. No ano, a data varia conforme a região e a casa: 8 de dezembro (Nossa Senhora da Conceição), a mais difundida, 16 de julho (Nossa Senhora do Carmo), forte no Nordeste, e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida), no Sudeste e Centro-Oeste.
Por que o dia de Oxum é 8 de dezembro?
Porque, na maioria dos estados, Oxum foi sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, cuja festa católica é em 8 de dezembro. A data é celebrada por muitas casas de umbanda e candomblé e, no Sul, chega a reunir homenagens à Orixá e à santa no mesmo dia, como em Rio Grande (RS). Onde o 8 de dezembro é de Oxum e onde é de Iemanjá está em Nossa Senhora da Conceição e Oxum.
Por que o dia de Oxum é 16 de julho?
Porque a Orixá foi sincretizada com Nossa Senhora do Carmo, cuja festa católica cai em 16 de julho. No tempo da escravidão, associar a mãe das águas doces a uma santa permitiu manter o culto vivo sob a perseguição, e a data ficou na tradição de muitas casas, especialmente no Recife.
Qual é o mês de Oxum?
Não há um mês fixo para Oxum em todas as tradições. As festas anuais se concentram em dezembro (dia 8), julho (dia 16) e outubro (dia 12), conforme a data que cada casa adota. Durante o ano inteiro, o sábado é o dia dela.
Qual é o dia de Oxum na umbanda?
Na umbanda, o dia semanal de Oxum é o sábado, e a festa anual segue a data da casa. Muitas casas do Sul e do Sudeste celebram em 8 de dezembro ou em 12 de outubro; no Nordeste, 16 de julho é comum. Vale perguntar ao seu terreiro qual data ele segue.
Qual é a saudação de Oxum?
A saudação tradicional é “Ora yeyê ô!”, do iorubá Òóré Yéyé ó!, uma reverência à mãe bondosa e graciosa. É a forma carinhosa de saudar a Iyalodê, dirigida à mãe das águas doces como quem fala com a própria mãe.
Onde comprar artigos para Oxum
Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para honrar a mãe das águas doces com respeito e devoção:
- Imagens de Oxum com o abebê dourado, para o seu altar ou cantinho de devoção
- Velas amarelas e douradas, nas cores da Iyalodê
- Flores e arranjos amarelos para as oferendas devocionais
- Guias e contas amarelo-ouro e cristal para a sua fé
- Ervas, mel e perfumes ligados à energia da senhora das águas doces
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Referências
- Reginaldo Prandi (USP): Mitologia dos Orixás
- Folha de Pernambuco, coluna Inspiração Recife, 16/02/2024: Recife tem encantos mil
- Germana Macambira, Folha de Pernambuco, 13/07/2022: Festival Água Doce no Morro da Conceição
- Wikipédia: Verbete sobre Oxum
- Lucas Veloso, Alma Preta, 06/12/2019: No Dia de Oxum, contamos um pouco sobre esta orixá
- Yasmin Oliveira, Correio, 01/02/2024: O reino das águas doces no Dique do Tororó recebe o presente de Oxum
- Rogério Amaral Pereira, Revista Presença Geográfica, v. 5, n. 2, 2018: Espacialidades da fé: devoção a Oxum e Nossa Senhora da Imaculada Conceição em Rio Grande-RS