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Oxalá no Batuque: o pai que fecha a linha dos orixás

Oxalá no Batuque é o orixá mais velho, o pai que fecha a linha, de Bará a Oxalá. Veja seus caminhos, a cor branca, o dia, as comidas e o sincretismo gaúcho.

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Quartinha e panos brancos com flores e um cajado de metal, o axé de Oxalá que fecha a linha do Batuque.

Resumo

Oxalá é o grande Pai da Criação, o mais velho e reverenciado dos Orixás, responsável por fechar com chave de ouro a linha das rezas e toques no Batuque do Rio Grande do Sul.

Cultua-se no Batuque em suas duas grandes idades: Oxalá Moço (Oxaguiã, o guerreiro jovem do pilão de marfim que come inhame) e Oxalá Velho (Oxalufã, o ancião sereno do cajado opaxorô que veste branco imaculado).

Suas comidas sagradas são totalmente brancas e sem sal ou azeite de dendê (canjica branca cozida com mel e coco ralado, acaçás brancos). Suas contas são de miçangas brancas leitosas, e seu axé traz a paz universal, saúde mental e harmonia familiar.

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No Batuque do Rio Grande do Sul, toda festa caminha do orixá mais novo ao mais velho, e é Oxalá quem fecha a linha. Ele é o pai de todos os orixás, o senhor do Alá, o dono da paz, da sabedoria e do branco. Quando as cantigas chegam nele, a roda inteira já se recolheu em reverência.

Este guia mostra o papel de Oxalá no Batuque gaúcho: por que o pai da criação encerra a linha, quais são os seus caminhos na tradição do Sul, a cor, o dia, as comidas e o sincretismo com o Senhor do Bonfim. Tudo com respeito à variação de cada nação e de cada casa.


O mais velho: quem fecha a linha do Batuque

Os orixás do Batuque são saudados numa ordem própria, que vai do mais jovem ao mais velho. A linha abre sempre com Bará, o que movimenta e destranca os caminhos, e termina no pai da criação. Por isso o senhor do Alá ocupa o último lugar: é o mais antigo, aquele de quem tudo veio.

O verbete do Batuque na Wikipédia registra essa lógica. O culto começa por Bará, homenageado antes de qualquer outro, e sobe em idade até chegar ao pai de todos. Fechar a linha não é detalhe de protocolo. É o modo de a tradição gaúcha dizer que o velho recolhe e abençoa tudo o que os mais novos movimentaram.

No Batuque, costuma-se separar os orixás em “novos” e “velhos”. O senhor da paz pertence aos velhos, ao lado de Oxum e Iemanjá, os que encerram a festa. Cada um tem sua otá, a pedra que guarda o axé, e sua quartinha, cuidadas pelo babalorixá ou pela ialorixá.


Os caminhos de Oxalá no Batuque

Como todo orixá, o pai da criação se apresenta em caminhos (ou qualidades), cada um com sua história e seu fundamento. No Batuque do Sul, conforme registram as casas de tradição nagô, alguns dos mais citados são:

  • Obokun: o mais jovem dos caminhos, ligado ao ancestral que fundou Ijexá. Aparece associado às conchas e ao mar.
  • Olokun: o senhor do mar, presente nos búzios e nos elementos das águas profundas.
  • Dakun: ligado ao algodão, matéria branca por excelência do orixá.
  • Oromilaia: um dos mais velhos, associado ao jogo de búzios. Alguns o descrevem já muito idoso.
  • Oxalá Velho: representado curvado, apoiado no cajado (o paxorô), imagem da idade e da sabedoria.

Vale um cuidado de precisão. Os nomes Oxaguiã (o jovem, senhor do inhame pilado) e Oxalufã (o ancião do paxorô) são a dupla mais famosa, mas vêm sobretudo do candomblé baiano. No Batuque, os caminhos ganham nomes próprios da tradição gaúcha. É por isso que sempre vale ouvir o fundamento da sua casa: a relação exata muda de nação para nação.


Cor, dia e comidas do senhor do Alá

No Batuque, cada orixá tem seus sinais que ajudam o filho de santo a reconhecê-lo e a honrá-lo. Os do pai da criação são os mais sóbrios de toda a linha.

Cor: branco | Dia: sexta-feira | Domínio: criação, paz, pureza | Símbolo: o Alá (pano branco) e o paxorô

O branco é a marca absoluta do orixá. É a cor da pureza, do Alá que ele estende sobre o mundo, e por isso sexta-feira, o seu dia, é o dia de vestir branco em muitas casas. As comidas seguem a mesma sobriedade. A principal é a canjica branca (o axoxô de milho branco), preparada sem dendê, além de acaçá e da massa de inhame.

A ausência do dendê nas comidas não é acaso. O azeite de dendê traz calor e movimento, e o pai da criação é do campo da paz, do frio, do sereno. Honrar esse orixá é buscar a serenidade que ele representa.

Guias e velas brancas acompanham a devoção. Como sempre, a receita certa e a medida das oferendas pertencem ao fundamento da casa e à orientação do zelador.


Por que algumas casas não dão a cabeça a Oxalá

Um traço curioso do Batuque é este: nem toda casa assenta o pai da criação como orixá de cabeça. A explicação vem da própria natureza do orixá. Sendo o mais velho de todos, muito idoso, algumas famílias de santo entendem que ele teria dificuldade de “reger” a vida corrida de um filho, e por isso preferem não dar a cabeça diretamente a ele.

Outras casas, porém, dão a cabeça normalmente, e o cultuam como orixá de frente. Não há regra única: a decisão pertence ao fundamento de cada nação e à leitura dos búzios feita pelo babalorixá ou pela ialorixá.

Vale reforçar um ponto de respeito. Saber quem é o orixá de cabeça de alguém não se descobre por data de nascimento nem por autoteste. Isso se define no jogo de búzios, dentro de uma casa de Batuque, com um zelador de santo. O assentamento e a feitura são do mundo do iniciado, e não se fazem por conta própria.


O sincretismo: Senhor do Bonfim e Jesus Cristo

Durante a escravidão e a repressão às religiões africanas, o povo de santo associou seus orixás a figuras católicas para poder cultuar sem ser perseguido. Foi assim que o pai da criação foi ligado a Jesus Cristo e, muito fortemente, ao Senhor do Bonfim.

Esse sincretismo é estratégia histórica de resistência, não é dizer que orixá e santo sejam a mesma coisa. São entidades de tradições distintas, que a fé do povo aproximou por semelhança e por necessidade de sobrevivência.

A ligação com o Bonfim tem força especial no Sul e na Bahia, onde a devoção ao Senhor do Bonfim se mistura ao branco do orixá nas grandes festas. Vestir branco em sexta-feira, para muitos, é honrar as duas pontas dessa história ao mesmo tempo.


Oxalá no Batuque, no candomblé e na umbanda: o que muda

O mesmo orixá aparece nas três tradições, mas cada uma tem o seu jeito. Vale não confundir.

  • No Batuque (RS): ele fecha a linha, é cultuado com caminhos de nome próprio (Obokun, Olokun, Oromilaia) e firmado na otá e na quartinha, conforme a nação.
  • No candomblé baiano: a dupla mais conhecida é Oxaguiã (jovem) e Oxalufã (velho), e há o famoso ritual das Águas de Oxalá.
  • Na umbanda: é vibração ligada à paz e à fé, muitas vezes trabalhada de forma mais devocional que iniciática.

Para conhecer o orixá para além do Batuque, com sua história iorubá e seus mitos, vale ler o perfil completo de quem é Oxalá. Aqui, o foco é a casa gaúcha, onde ele reina como o pai que recolhe toda a festa.


Perguntas frequentes

Quem é Oxalá no Batuque?

Oxalá é o orixá mais velho do Batuque, o pai de todos os orixás, senhor da paz, da pureza e do branco. Na linha da religião, que vai do mais novo ao mais velho, é ele quem encerra a sequência, depois de Oxum e Iemanjá. Representa a criação e a serenidade.

Por que Oxalá fecha a linha do Batuque?

Porque a linha segue a ordem de idade dos orixás, do mais jovem ao mais velho. Como o pai da criação é o mais antigo de todos, cabe a ele o último lugar. Fechar a festa é o modo da tradição gaúcha dizer que o velho recolhe e abençoa tudo o que os novos movimentaram.

Qual é o dia e a cor de Oxalá?

A cor é o branco, marca da paz e da pureza que o orixá representa. O dia dedicado a ele é a sexta-feira, quando muitos filhos de santo vestem branco em sua honra. Suas comidas, como a canjica branca, são preparadas sem dendê, seguindo a mesma sobriedade.

Por que algumas casas não dão a cabeça a Oxalá?

Por ser o mais velho, muito idoso, algumas famílias de santo entendem que ele teria dificuldade de reger o dia a dia de um filho, e preferem não o assentar como orixá de cabeça. Outras casas dão a cabeça a ele normalmente. Isso varia conforme o fundamento de cada nação.

Oxalá no Batuque é o mesmo do candomblé?

É o mesmo orixá, mas cultuado de formas diferentes. No Batuque ele fecha a linha e recebe caminhos de nome próprio da tradição gaúcha. No candomblé baiano, a dupla mais conhecida é Oxaguiã e Oxalufã, e há o ritual das Águas de Oxalá. Cada tradição tem o seu fundamento.


Onde encontrar artigos para honrar Oxalá

Na Joia Mística Laroyê, você encontra o que precisa para cultuar o pai da criação com respeito ao fundamento da sua casa:

  • Velas brancas: para a sexta-feira e para os momentos de prece ao senhor da paz
  • Guias e fios de conta brancos: nas contas do orixá, para quem tem ligação com ele
  • Alá e panos brancos: o branco que é a sua marca maior
  • Louças e quartinhas: para os fundamentos, sempre com a orientação do babalorixá ou da ialorixá
  • Imagens do Senhor do Bonfim e de Oxalá: para o altar e a devoção

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Referências

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