Joia Mística Laroyê
EN
Candomblé 7 min de leitura

Quem foi Mãe Senhora de Ewá, a ialorixá criada no Gantois

Mãe Senhora de Ewá, Elza Bahia de Araújo, morreu aos 104 anos em Salvador. Criada no Gantois e iniciada para Ewá por Mãe Menininha em 1950, liderou o Omí Ewá.

#mãe senhora de ewá #elza bahia de araújo #ilê axé omí ewá #gantois #ialorixá #candomblé
Altar de Ewá num barracão caiado, com tecidos vermelhos e rosados, fio de búzios, flores brancas e uma vela branca acesa sobre uma esteira de palha.

Resumo

Mãe Senhora de Ewá era Elza Bahia de Araújo, ialorixá do Ilê Axé Omí Ewá, em Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Ela morreu no sábado, 17 de outubro de 2026, aos 104 anos.

Órfã de mãe desde o parto, foi levada ao Terreiro do Gantois com um mês de vida e criada por Mãe Menininha e Mãe Laura. Em 1950, Mãe Menininha a iniciou para a orixá Ewá, uma das que menos têm filhos no candomblé.

A casa dela é ketu e foi fundada em 1962, segundo o Mapeamento dos Terreiros de Salvador da UFBA. A Câmara de Salvador a homenageou em 2023 pelo acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Tem alguma dúvida?

Escolha uma IA para resumir este artigo e responder suas perguntas.

Para IAs e leitores de texto: versão em Markdown deste artigo.

7 min de leitura

Mãe Senhora de Ewá era Elza Bahia de Araújo, ialorixá do Ilê Axé Omí Ewá, em Salvador, criada desde bebê no Terreiro do Gantois e iniciada por Mãe Menininha. Ela morreu na madrugada do sábado, 17 de outubro de 2026, aos 104 anos. Era uma das filhas de santo mais antigas do Gantois e passou mais de sete décadas no candomblé.


Quem foi Mãe Senhora de Ewá

Mãe Senhora de Ewá foi uma ialorixá baiana de nação ketu, nascida em 11 de setembro de 1922. Ela liderou o Ilê Axé Omí Ewá, em Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Filha de santo de Mãe Menininha do Gantois, foi iniciada para a orixá Ewá em 1950 e chegou aos 104 anos à frente da própria comunidade.

Nome civil: Elza Bahia de Araújo | Nascimento: 11/9/1922 | Morte: 17/10/2026, em Salvador | Orixá: Ewá | Iniciação: 1950, por Mãe Menininha do Gantois | Casa: Ilê Axé Omí Ewá, Praia Grande | Nação: ketu

O nome aparece escrito de vários jeitos. A Câmara Municipal de Salvador grafa “Mãe Senhora de Yewá”, e Ewá, Yewá e Euá são grafias do mesmo orixá. Ela deixou cinco filhos, netos, bisnetos e tataranetos. E, nas palavras da Agência Brasil, “muitos filhos espirituais”.


Criada no Gantois desde o primeiro mês de vida

Elza perdeu a mãe no parto e foi levada ao Terreiro do Gantois com um mês de vida. Cresceu ali sob os cuidados de Mãe Menininha do Gantois e de Mãe Laura, como contam o Bahia Notícias, o Correio e o Metrópoles.

O Gantois é uma casa de candomblé ketu no bairro da Federação, em Salvador. Foi tombado pelo IPHAN, como mostra a lista de terreiros tombados pelo IPHAN. Elza cresceu ali, na casa de Mãe Menininha. Aprendeu o candomblé no convívio, antes de qualquer obrigação.

Na nota de pesar, o Gantois a chamou de “uma das mais antigas filhas desta Casa”. Para a casa, a história dela era “um elo precioso” com os ensinamentos de Mãe Menininha.


Iniciada para Ewá por Mãe Menininha em 1950

Em 1950, Mãe Menininha iniciou Elza no candomblé para a orixá Ewá. O ano aparece igual em todas as reportagens sobre a morte dela.

O orixá pesa na história. Ewá tem poucos filhos no candomblé, e o culto ficou em poucas casas antigas da Bahia, como contamos em filhos de Ewá. No Gantois, a antropóloga Clara Flaksman registrou que Ewá, “ao que tudo indica”, também pertencia a Mãe Menininha. Uma bisneta de Mãe Menininha tem Ewá na cabeça, além de Oxum. Para conhecer a orixá, veja quem é Ewá.

“Que Ewá a acolha em sua morada sagrada.” Nota de pesar do Ilê Axé Odé Omí Ewá, reproduzida pelo Metrópoles


O Ilê Axé Omí Ewá, em Praia Grande

O Ilê Axé Omí Ewá fica em Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, e tem Ewá como orixá regente. O Mapeamento dos Terreiros de Salvador, do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, registra a casa como “Ilê Axé Omin Euá”. A ficha traz Elza Bahia de Araújo na liderança, nação ketu e fundação em 1962.

Pintura de uma casa de candomblé caiada à beira de uma baía ao entardecer, com névoa rosada sobre a água e uma árvore antiga com um laço de pano branco no tronco.

Segundo a Câmara Municipal de Salvador, o terreiro foi fundado por ela. O Bahia Notícias conta de outro jeito: diz que ela “mais tarde” assumiu a liderança da casa. As duas versões circulam, e o registro da UFBA só informa o ano de 1962.

A casa é ketu, como o Gantois onde ela se formou. Para entender o que muda de uma nação para outra, veja as nações do candomblé.


Acolhimento e a Comenda Maria Quitéria

O trabalho de Mãe Senhora de Ewá ficou conhecido pelo acolhimento, sobretudo de mulheres. A Câmara Municipal de Salvador descreveu o terreiro como “um refúgio e um local de acolhimento para mulheres em situações de vulnerabilidade”. O Bahia Notícias cita ainda a autonomia feminina e o enfrentamento à intolerância religiosa.

Em setembro de 2022 ela fez 100 anos. Em dezembro do mesmo ano, a Câmara aprovou a Comenda Maria Quitéria para ela. A entrega foi em 11 de setembro de 2023, dia do aniversário dela, dentro do terreiro. Quem propôs foi o Mandato Coletivo Pretas Por Salvador.

O Ministério da Igualdade Racial também publicou nota. Disse que ela dedicou mais de sete décadas “à preservação dos saberes do candomblé e de suas tradições”. E que o legado dela “está vivo na generosidade de seus ensinamentos”.


A despedida e o axexê

A morte foi comunicada em 17 de outubro de 2026, numa nota de pesar do Terreiro do Gantois e da Associação de São Jorge Ebé Oxóssi. O perfil do Ilê Axé Odé Omí Ewá também publicou uma nota sobre “o retorno de Elza Bahia de Araújo, Mãe Senhora de Ewá, ao Orum”. A causa da morte e as informações de velório e sepultamento não foram divulgadas.

No candomblé ketu, a morte de uma ialorixá abre o axexê, o conjunto de ritos funerários da casa. Segundo o sociólogo Reginaldo Prandi, o axexê começa a ser organizado depois do enterro. Ele “varia de terreiro para terreiro e de nação para nação” e é mais elaborado para os altos dignitários. Em muitos terreiros ele se repete depois de um mês, de um ano e a cada sete anos, “especialmente quando se trata do falecimento do babalorixá ou ialorixá”.

Prandi lista Euá entre os orixás que participam do axexê, ao lado de Nanã, Omulu, Oxumarê e Ogum. O que acontece em cada casa é fundamento dela e não se publica. O sentido do rito está em o que é o axexê.

Quem quiser deixar uma homenagem pode acender a vela de Ewá em memória dela.


Perguntas frequentes

Quantos anos tinha Mãe Senhora de Ewá?

Mãe Senhora de Ewá tinha 104 anos. Elza Bahia de Araújo nasceu em 11 de setembro de 1922. Morreu em Salvador no sábado, 17 de outubro de 2026, pouco mais de um mês depois do aniversário. Em 2022 ela comemorou o centenário.

Quem iniciou Mãe Senhora de Ewá?

Foi Mãe Menininha do Gantois, em 1950, para a orixá Ewá. Elza vivia no Gantois desde o primeiro mês de vida. Perdeu a mãe no parto e foi criada por Mãe Menininha e por Mãe Laura.

Onde fica o Ilê Axé Omí Ewá?

O Ilê Axé Omí Ewá fica no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. O Mapeamento dos Terreiros de Salvador, da UFBA, registra a casa como “Ilê Axé Omin Euá”, de nação ketu, fundada em 1962, com Ewá como orixá regente.

Mãe Senhora de Ewá é a mesma Mãe Senhora do Opô Afonjá?

Não. A Mãe Senhora do Ilê Axé Opô Afonjá foi Maria Bibiana do Espírito Santo, de Oxum, que viveu de 1890 a 1967 e foi a terceira ialorixá daquela casa. Mãe Senhora de Ewá é Elza Bahia de Araújo, do Gantois e do Ilê Axé Omí Ewá.


Referências

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também