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Batuque 9 min de leitura

O que é Batuque: a religião dos orixás do Rio Grande do Sul

Entenda o que é o Batuque, a religião dos orixás do Rio Grande do Sul: as nações, os 12 orixás, as saudações, o sincretismo e como funciona um terreiro.

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Atabaques do Batuque, fios de conta coloridos e quartinhas de barro reunidos num salão de nação gaúcho, luz natural suave.

Resumo

O Batuque é a religião afro-brasileira de culto aos Orixás originada no Rio Grande do Sul no século XIX a partir da resistência de povos escravizados de nações iorubás (Nagô, Ijexá, Oyá), fons (Jeje) e bantos (Cabinda).

Sua teologia é monoteísta em relação a Olodumare (Deus supremo) e politeísta no culto às divindades intermediárias (os Orixás), que personificam as forças cósmicas e naturais e governam o destino e o ori de cada ser humano.

Presente com vigor no Sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina, o Batuque destaca-se pela sua música sagrada percutida no tambor de mão, pelas danças circulares da roda de xirê, pela leitura oracular do Merindilogun (jogo de búzios) e pelo forte vínculo comunitário.

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O Batuque é a grande religião de matriz africana do Rio Grande do Sul uma tradição de culto aos orixás tão antiga e estruturada quanto o candomblé baiano, mas com nome, ritmo e história próprios. Onde a Bahia diz “candomblé” e Pernambuco diz “Xangô”, o Sul diz Batuque, e dentro dele guarda um dos cultos afro mais preservados do país.

Neste guia você vai entender o que é o Batuque, como ele nasceu no Rio Grande do Sul e o que são as suas nações. Também vê quais orixás são cultuados, como funciona um terreiro e por que ele não se confunde com a umbanda nem com a quimbanda.


O que é o Batuque

Batuque é o nome genérico das religiões afro-brasileiras de culto aos orixás no Rio Grande do Sul, de onde se espalhou também para o Uruguai e a Argentina. É uma religião de raiz africana sudanesa fruto das tradições dos povos da Guiné, do Benim e da Nigéria, trazidos pela escravidão e por isso é parente próxima do candomblé da Bahia e do Xangô do Recife, ainda que tenha se formado por caminhos independentes.

A palavra “batuque”, no senso comum, virou sinônimo de barulho ou de “feitiçaria”. Convém desfazer o engano logo: Batuque é religião com teologia, sacerdócio, calendário litúrgico e ética próprias, não folclore nem feitiço. Quem o pratica cultua os orixás, divindades da natureza e dos destinos humanos, da mesma família espiritual cultuada em toda a diáspora iorubá.

No Batuque, dizer o nome de um orixá é também saudá-lo. Por isso o terreiro responde em iorubá: “Káwó Kabiyesilé!” para Xangô, “Odoyá!” para Iemanjá, “Eparrei!” para Iansã.


A origem do Batuque no Rio Grande do Sul

O Batuque se estruturou no Rio Grande do Sul ao longo do século XIX, sobretudo entre 1833 e 1859, com os primeiros terreiros nas regiões de Rio Grande e Pelotas portos por onde passou grande parte da população escravizada do Sul. Em jornais de 1878 já há registros do culto, e Porto Alegre o documenta no fim do século XIX.

Diferente do que muitos imaginam, a presença afro-religiosa no Sul é enorme: o Rio Grande do Sul tem mais de 60 mil terreiros. As religiões de matriz africana representam parcela maior da população do que no Rio de Janeiro ou na própria Bahia, segundo levantamentos reunidos pela UFRGS. O Batuque é o coração mais africano desse complexo aquele em que a língua litúrgica é o iorubá e a referência é a “nação” africana.


As nações do Batuque

No Batuque, “nação” (também chamada de lado) é a tradição de origem que define a língua ritual, os toques de tambor, a ordem das rezas e os fundamentos de cada casa. As cinco nações principais são:

  • Oyó (Oió) de raiz iorubá. Marca-se pela ordem das rezas, que toca primeiro para os orixás masculinos e depois para os femininos, encerrando com Iansã e Xangô, o casal real de Oyó.
  • Ijexá também iorubá e hoje a nação predominante, com o maior número de casas e filhos de santo. Tem Oxum como rainha e liturgia em iorubá.
  • Jeje vinda do antigo Daomé (atual Benim). Identifica-se pelo toque rápido dos tambores e pela dança coletiva na gira, em que todos repetem a mesma coreografia.
  • Cabinda de influência banto, em que originalmente se falava o quimbundo. A iniciação começa pelo cemitério e o ritmo dos tambores lembra a ginga da capoeira.
  • Nagô de base iorubá, próxima das nações Oyó e Ijexá.

Com o tempo, a nação Ijexá foi absorvendo elementos das demais, e muitas casas hoje trabalham de forma mista. Ainda assim, perguntar “de que nação é a sua casa?” continua sendo a pergunta de fundamento entre praticantes do Batuque.


Os doze orixás do Batuque

O Batuque cultua doze orixás (contando os Ibeji, as crianças). São as mesmas divindades da tradição iorubá, com grafias e funções próprias do Sul. A cada orixá correspondem uma cor, um dia, uma comida, uma ferramenta, um canto e uma saudação e, no sincretismo gaúcho, um santo católico (que varia conforme a casa e a nação):

OrixáDomínioSincretismo (geralmente)Saudação
BaráCaminhos, comunicação, movimentoSanto AntônioAlupô!
OgumFerro, guerra, trabalhoSão JorgeOgunhê!
Oiá / IansãVentos, raios, espíritosSanta BárbaraEparrei!
XangôJustiça, trovão, pedreirasSão JerônimoKáwó Kabiyesilé!
Odé e OtimCaça, mata, farturaSão SebastiãoOkê arô!
OssanhaFolhas e ervas sagradasSão RoqueEwé ô!
ObáForça, lealdade, águasSanta CatarinaObá Xirê!
XapanãSaúde, doença, terraSão LázaroAtotô!
OxumÁgua doce, amor, fertilidadeN. Sra. da ConceiçãoOra yê yê ô!
IemanjáMar, maternidadeN. Sra. dos NavegantesOdoyá!
OxaláCriação, paz, axé maiorSenhor do BonfimEpa Babá!
IbejiInfância, alegriaCosme e Damião

Dois sincretismos são marca registrada do Sul: Xangô como São Jerônimo, festejado em 30 de setembro, e Iemanjá como Nossa Senhora dos Navegantes, cuja procissão em 2 de fevereiro reúne multidões em Porto Alegre. Para conhecer os orixás em profundidade, vale ler o nosso guia sobre o que são os orixás.


Como funciona um terreiro de Batuque

A casa de Batuque chama-se ilê. Quem a dirige é o babalorixá (pai de santo) ou a ialorixá (mãe de santo), sacerdotes que passaram pela iniciação e por anos de aprendizado. A tradição pede no mínimo sete anos após a feitura para se “prontar de cabeça”, isto é, completar os rituais de todos os santos.

Alguns elementos definem o espaço e a prática:

  • Quartinha o jarro de barro ou porcelana com tampa que se vê à entrada de muitos ilês. Sua presença anuncia que ali é espaço sagrado.
  • Otá e assentamento a pedra sagrada que aloja a força do orixá, tratada ritualmente com azeite de dendê e oferendas. É o “corpo” material da divindade dentro da casa.
  • Axé a força vital e sagrada que move tudo. Recebe-se, alimenta-se e transmite-se o axé; o “axé de búzios”, por exemplo, é o dom da vidência.
  • Tambor instrumento central, feito com couros preparados, tocado em ritmos específicos de cada nação, ao lado do agogô e do agê (cabaça coberta de contas). É o tambor que chama os orixás à roda.
  • Obrigação o ciclo ritual que cada ilê cumpre ao menos uma vez por ano, com duração média de 10 a 16 dias, podendo passar de um mês nas grandes feituras.

Toda casa de Batuque guarda fundamentos que só se aprendem com o tempo e o pertencimento. O respeito à hierarquia do filho de santo ao babalorixá é parte da própria religião.


Batuque, Umbanda, Candomblé e Quimbanda: as diferenças

Confundir essas tradições é o erro mais comum de quem chega de fora. Em resumo:

  • Batuque cultua exclusivamente os orixás, em língua iorubá e com referência às nações africanas. É a expressão mais africana do complexo afro-gaúcho próxima, em espírito, do candomblé baiano.
  • Umbanda nasceu no Brasil no século XX e trabalha com caboclos, pretos-velhos e outras entidades, misturando orixás, catolicismo popular e espiritismo. Veja a diferença entre umbanda e candomblé para entender o contraste.
  • Quimbanda trabalha com Exus e Pombagiras. É uma tradição própria, muitas vezes lado a lado com a umbanda explicada no nosso guia sobre o que é a quimbanda.

No Sul, muitas casas seguem a chamada Linha Cruzada, que reúne sob o mesmo teto o Batuque (orixás), a Umbanda (caboclos e pretos-velhos) e a Quimbanda (exus e pombagiras), cada qual em seu dia e sua sessão. Mas reunir não é igualar: cada linha mantém seus fundamentos, seus toques e suas entidades.


Perguntas frequentes

O Batuque é uma religião?

Sim. O Batuque é uma religião de matriz africana, com teologia, sacerdócio (babalorixá e ialorixá), templos (os ilês), calendário litúrgico e ética próprios. O uso popular da palavra como sinônimo de “barulho” ou “feitiçaria” é fruto de preconceito, não de descrição correta da fé.

Qual a diferença entre Batuque e candomblé?

São religiões irmãs de culto aos orixás, mas se formaram em regiões e épocas distintas. O candomblé estruturou-se na Bahia; o Batuque, no Rio Grande do Sul, no século XIX, com nações próprias (Oyó, Ijexá, Jeje, Cabinda, Nagô) e toques de tambor característicos do Sul.

Quais orixás são cultuados no Batuque?

Doze orixás: Bará, Ogum, Oiá (Iansã), Xangô, Odé e Otim, Ossanha, Obá, Xapanã, Oxum, Iemanjá, Oxalá e os Ibeji. Na nação Ijexá, predominante hoje, Oxum é a rainha e a liturgia é cantada em iorubá.

O que significa “nação” no Batuque?

Nação, ou “lado”, é a tradição africana de origem que define a língua ritual, a ordem das rezas e os toques de tambor de cada casa. As cinco principais são Oyó, Ijexá, Jeje, Cabinda e Nagô, sendo a Ijexá a mais difundida atualmente.

Batuque e Umbanda são a mesma coisa?

Não. O Batuque cultua apenas os orixás, em iorubá; a Umbanda, nascida no Brasil, trabalha com caboclos, pretos-velhos e outras entidades. Em casas de Linha Cruzada elas convivem, mas mantêm fundamentos e sessões separados.


Onde comprar artigos para o Batuque

Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para casa, obrigação e devoção no Batuque:

  • Quartinhas e alguidares de barro e porcelana para assentamentos e oferendas
  • Imagens e ferramentas dos orixás Bará, Ogum, Xangô, Oxum, Iemanjá e todo o panteão
  • Velas e contas (guias) nas cores de cada orixá
  • Ervas e banhos para limpeza, defumação e firmeza
  • Azeite de dendê, mel e itens de oferenda para o trato dos assentamentos

Visite nossa loja física em Extrema-MG ou fale com a gente pelo WhatsApp, com entrega para todo o Brasil. Quer entender melhor a religião antes de começar? Confira também a categoria Batuque aqui no blog.


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