Joia Mística Laroyê
EN
Candomblé 9 min de leitura

Agogô: o que é o ferro que guia o toque no candomblé

Agogô é o sino de ferro que dá a linha-guia do toque no candomblé e na umbanda. Veja a diferença para o gã, quem toca, a ligação com Ogum e a origem do nome.

#agogô #gã #agogô no candomblé #agogô na umbanda #linha-guia #alabê
Agogô de ferro de duas campânulas com vareta de metal sobre esteira de palha no barracão, com atabaques encostados na parede caiada ao fundo.

Resumo

O agogô é um sino de ferro sem badalo, de uma ou duas campânulas, tocado com vareta. No candomblé ketu ele forma o conjunto com os três atabaques, rum, rumpi e lé, e toca a linha-guia, o padrão fixo que orienta tambores, canto e dança.

No uso dos terreiros, agogô e gã são sinônimos, e quase sempre se toca uma campânula só. Na nação angola estudada em São Paulo o nome é gã ou gonguê, e é ele que abre a cerimônia.

Quem toca é o ogã, sob o comando do alabê, que também cuida da consagração dos instrumentos. Há mestres que dedicam o agogô a Ogum, orixá do ferro, mas na Casa Branca o ferro de Ogum é o cadacorô: a ligação varia de casa para casa.

Tem alguma dúvida?

Escolha uma IA para resumir este artigo e responder suas perguntas.

Para IAs e leitores de texto: versão em Markdown deste artigo.

9 min de leitura

O agogô é um sino de ferro sem badalo, de uma ou duas campânulas, tocado com uma vareta, e no candomblé é ele que dá a linha-guia do toque. No ketu, forma o conjunto com os três atabaques, rum, rumpi e lé. Em geral, é o agogô que começa o toque, e os couros entram depois.


O que é o agogô e para que serve no candomblé

O agogô serve para segurar o tempo de tudo o que acontece no toque. Ele repete uma frase curta e fixa, a linha-guia, do começo ao fim de cada toque, e os atabaques, o canto e a dança se apoiam nela. O pesquisador Edilberto Fonseca, da UERJ, escreve que o gã ou agogô tem o status de “maestro” do conjunto.

Família: idiofone de metal | Forma: uma ou duas campânulas | Material no terreiro: ferro | Toca-se com: vareta | Função: linha-guia | Outros nomes: gã, gan, gonguê, ferro

Linha-guia é a tradução de Carlos Sandroni para o timeline do ganense J. H. Kwabena Nketia.

Na tese A linguagem dos tambores, feita na Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, Ângelo Cardoso registrou o que os músicos dizem.

“Quando você perder o ritmo, preste atenção no gã.”

O tocador de agogô não faz variação: firmado o padrão, ele mantém até o próximo toque. Por isso a pesquisadora Angela Lühning, citada por Cardoso, diz que ele tem “uma tarefa de extrema responsabilidade”. No Gantois, nas aulas do projeto Rum Alagbê, um erro no gã era visto como a causa da quebra do conjunto inteiro.

Pintura em arte sacra de um barracão com três atabaques de ojá branco encostados na parede, um pequeno agogô de ferro com a vareta sobre um pano branco aos pés deles e a roda do xirê de costas ao fundo.


Agogô, gã e gonguê: a diferença por nação

Na prática do terreiro, agogô e gã são o mesmo instrumento. Alguns autores chamam de gã o de uma campânula e de agogô o de duas, mas Cardoso observou que a maioria dos fiéis usa os nomes como sinônimos. Quase sempre se toca uma campânula só; a exceção é o ijexá, que às vezes usa as duas.

O nome muda com a nação e a região. Veja o mapa completo em nações do candomblé: ketu, jeje e angola.

  • Ketu ou nagô: agogô ou gã, como sinônimos. Em alguns terreiros, só “ferro”.
  • Angola: no Templo de Cultura Bantu Redandá, na Grande São Paulo, o nome é gã ou gonguê, e é o som do gonguê que abre a cerimônia e chama os atabaques.
  • Jeje: a palavra gã seria de origem ewe, segundo Olga Cacciatore.
  • Nordeste: gonguê, também na capoeira e no maracatu.

A origem do nome tem duas leituras. Para Barros, agogô é palavra iorubá que significa “sino”; para Lühning, também iorubá, mas com o sentido de “tempo”. Gonguê viria de ngunga, do ambundo.


Quem toca o agogô no terreiro

No candomblé, quem toca o agogô é um ogã do conjunto, sob o comando do alabê, o dono do tambor. O alabê puxa os cânticos, ensina, zela pelos instrumentos e providencia as cerimônias de consagração deles. Os cargos estão explicados em cargos e hierarquia no candomblé.

O aprendizado começa pelo ferro. O alabê ensina primeiro a linha do agogô de cada toque; depois vêm o lé e o rumpi, e o rum fica por último. Quem ainda não firmou a linha-guia não vai para o couro.

No campo de Cardoso, em Salvador, mulher tocando os instrumentos era ocorrência “extremamente rara”. Na umbanda a regra muda de casa para casa.

Agogô comprado e agogô da casa

O agogô do barracão passa pela consagração que o alabê conduz, e esse rito é fundamento da casa. O da loja ainda não passou por ele. Serve para estudar a linha-guia em casa, para a curimba que vai cruzá-lo ou para levar ao zelador. No agogô duplo, as duas campânulas de ferro têm tamanhos diferentes e dão sons desiguais.

Na maior parte das casas estudadas a vareta é de metal. Há registro de vareta de madeira, mais comum no samba e na capoeira. Se a sua casa pediu um modelo específico, dá para conferir pelo WhatsApp antes de comprar.


Agogô na umbanda: o ferro da curimba

Na umbanda, o agogô toca na curimba, junto com os atabaques e o canto dos pontos. Os mestres de curimba ouvidos pela historiadora Victória dos Santos, da USP, chamam o agogô de “maestro”, o instrumento que marca o compasso. O funcionamento da curimba está em curimba na umbanda.

A presença dele não é igual em todo terreiro. No Templo Amor e Caridade Pena Verde, em São Paulo, a curimba quase não usa o agogô. Já o Mestre Obashanan diz que “toda a orquestra ritual tem que ter um agogô”.

Nos três terreiros paulistas estudados, tambores e agogôs são objetos consagrados. No Templo de Umbanda Caboclo Pena Branca, em Taubaté, a curimba tem uma firmeza para o Caboclo Girassol, com vela e flores. Ao lado, ervas maceradas para os curimbeiros lavarem as mãos antes de tocar. A firmeza de cada casa segue o que está em firmeza na umbanda.


Agogô e Ogum: o ferro do orixá

Ogum é o orixá do ferro forjado, da metalurgia e da guerra. Como o agogô é de ferro, há mestres que dedicam o instrumento a ele: o Mestre Roncali conta que “algumas tradições do candomblé” fazem isso. É costume de algumas casas, não regra.

Na Casa Branca, o instrumento de ferro ligado a Ogum é outro: o cadacorô, duas peças de ferro batidas uma na outra nas festas dele. O agogô não está entre os cinco instrumentos de fundamento dessa casa.

Cores no ketu: azul escuro ou verde | Dia: terça-feira | Saudação: Ogunhê | Jeje: Gun | Angola: Roximucumbe

As velas dos orixás que aparecem no toque

Nenhuma fonte manda acender vela para o agogô. A vela entra pelo orixá, com a cor da tradição. As velas virtuais dos orixás deste artigo ficam juntas aqui:

  • Ogum: a vela de Ogum, ou uma vela azul escura, a cor das contas dele no ketu. Em muitas casas de umbanda, pelo sincretismo com São Jorge, Ogum também leva vermelho e branco.
  • Exu: em qualquer cerimônia do candomblé ele é o primeiro a ser homenageado; a vela de Exu leva vermelho e preto, as cores dele no ketu.
  • Oxalá: o adjá, a sineta de metal do barracão, é ligado a ele. O branco é a cor da vela de Oxalá.

Todas as cores estão no catálogo de velas virtuais. Para saber se Ogum rege a sua cabeça, o teste descubra seu orixá é um primeiro passo. A confirmação fica com o jogo da sua casa.


O agogô fora do terreiro

O agogô saiu do candomblé e ganhou a rua. Nei Lopes registra que ele se popularizou nas baterias das escolas de samba cariocas entre os anos 1940 e 1950. Os africanos escravizados trouxeram o instrumento ao Brasil, segundo o Instituto Musica Brasilis.

  • Afoxé: mantém o agogô como referência, ao lado dos ilus e do xequerê.
  • Capoeira, maracatu e maculelê: com o nome de gonguê.

No barracão, porém, o agogô não acompanha a festa: ele chama o orixá junto com os couros, no momento que os alabês chamam de “dar rum ao orixá”. O lugar dele na roda está em o que é xirê.


Perguntas frequentes

O que é agogô no candomblé?

É o sino de ferro, de uma ou duas campânulas, que toca a linha-guia do toque. No ketu, forma o conjunto com os atabaques rum, rumpi e lé. Os músicos chamam o agogô de maestro, porque tambores, canto e dança se orientam por ele. Em geral é ele que começa o toque.

Qual a diferença entre agogô e gã?

Nos terreiros, quase nenhuma. Alguns autores chamam de gã o de uma campânula e de agogô o de duas, mas a maioria dos fiéis usa os dois nomes como sinônimos. Quase sempre se toca uma campânula só; o ijexá às vezes usa as duas. Na angola também se diz gonguê.

Quem toca o agogô?

No candomblé, um ogã do conjunto, sob o comando do alabê, que ensina os toques e cuida da consagração dos instrumentos. O aprendizado começa pela linha do agogô, antes do lé, do rumpi e do rum. Na umbanda, toca quem a curimba da casa autoriza, e a regra varia.

O agogô é de Ogum?

Há mestres que dedicam o agogô a Ogum, orixá do ferro forjado, e contam que algumas casas de candomblé fazem isso. Não é regra geral: na Casa Branca, o ferro de Ogum é o cadacorô, tocado nas festas dele. Siga o que a sua casa ensina.

O que significa a palavra agogô?

A palavra vem do iorubá. Para Barros, quer dizer sino; para Angela Lühning, tempo. O nome gã seria de origem ewe, e gonguê viria de ngunga, do ambundo. As fontes divergem, e as duas leituras de agogô aparecem na pesquisa sobre o candomblé.


Referências

Compartilhe este artigo

Ajude mais pessoas a encontrar este conteúdo.

Interior da loja Joia Mística Laroyê, em Extrema-MG

Extrema · MG · Sul de Minas

Venha conhecer a Joia Mística Laroyê

Velas, ervas, imagens, guias e tudo para a sua fé, com o atendimento de quem entende. Tire suas dúvidas pelo WhatsApp ou faça uma visita.

R. Benedito Zingari, 460, Bela Vista, Extrema-MG
Seg a Sex, 9h às 18h · Sáb, 9h às 13h

Leia também