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Umbanda 8 min de leitura

Hino da Umbanda: quem escreveu, a história e como cantar

O Hino da Umbanda tem letra do português José Manoel Alves e virou oficial no congresso de 1961. Veja a história, a lenda do autor cego e como as casas cantam.

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Clarineta antiga de madeira sobre toalha branca bordada, com vela branca acesa e rosas brancas, e um atabaque ao fundo contra a parede caiada.

Resumo

O Hino da Umbanda tem letra do compositor português José Manoel Alves, o J. M. Alves, e nasceu como um ponto chamado Refletiu a luz divina. Foi adotado como hino no 2º Congresso de Umbanda, em 1961, no Rio, e gravado em 1962.

J. M. Alves era clarinetista e músico da Banda da Força Pública de São Paulo. A história de que ele era cego e buscou cura com o Caboclo das Sete Encruzilhadas circula até em trabalho acadêmico, mas nunca foi comprovada.

Cada casa canta o hino com pequenas diferenças de letra. Há casas que abrem a gira com ele, e ele é cantado nas festas do Dia da Umbanda. A letra ainda é protegida por direito autoral, por isso aqui só aparecem trechos.

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8 min de leitura

O Hino da Umbanda tem letra do compositor português José Manoel Alves. Foi adotado como hino no 2º Congresso de Umbanda, em 1961, no Rio de Janeiro [C44, D1, D2]. Antes disso, ele era cantado nos terreiros como um ponto comum, com o nome “Refletiu a luz divina”. A música é creditada ao maestro Dalmo da Trindade Reis [C44, C45].


Quem escreveu o Hino da Umbanda

A letra é de José Manoel Alves, que assinava J. M. Alves. Ele nasceu em Monção, no norte de Portugal, e era músico de banda. A melodia é creditada, nas fontes umbandistas, ao maestro Dalmo da Trindade Reis, da banda da Polícia Militar do Rio [C44, C45].

Título original: Refletiu a luz divina | Letra: José Manoel Alves | Música: creditada a Dalmo da Trindade Reis | Adotado como hino: 1961 | Gravado: 1962 | Forma: quatro estrofes de quatro versos

O hino foi gravado em disco em 1962, com o cantor Araripe Barbosa, segundo um jornal da época citado pelo historiador umbandista Diamantino Trindade. Uma dissertação da UFF credita a cantiga como “de J. M. Alves, 1962”.


Do ponto ao hino oficial: o congresso de 1961

O hino virou hino por decisão de um congresso. O 2º Congresso Brasileiro de Umbanda, de 1961, teve como sede o Maracanãzinho, no Rio, e reuniu umbandistas de vários estados. Foi ali que “Refletiu a luz divina” ganhou o título de Hino da Umbanda [C44, D1].

O primeiro congresso tinha acontecido vinte anos antes, em outubro de 1941, também no Rio. Para a dissertação de Marcelo Bichara, da UFRRJ, o de 1961 admitiu as origens africanas do culto, e o hino é desse mesmo ano. Bichara chama o hino de “ponto cantado mais amplamente aceito na prática umbandista”.

Depois, nos anos 1970, o Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda (CONDU) também o reconheceu como hino oficial. As fontes divergem sobre o ano: uma diz 1971, outra diz 1976 [C44, D5].


O autor era um clarinetista de Monção

A biografia do autor tem uma fonte de fora do meio religioso: o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Pelo verbete, J. M. Alves nasceu em 5 de agosto de 1907. Dos 12 aos 22 anos, tocou clarineta na Banda Tangilense, na terra natal.

Em 1929 ele veio para o Brasil. Morou no interior de São Paulo e, no mesmo ano, entrou na Banda da Força Pública da capital, onde se aposentou como capitão. Seu maior sucesso foi o dobrado “Quarto centenário”, feito com Mário Zan. Ele também compôs outros pontos de umbanda, gravados por vários intérpretes no começo dos anos 1960.

A dissertação da UFF o chama de “músico erudito português, radicado no Brasil”. É um retrato diferente do que muita gente imagina: o autor do hino era um músico de banda militar, com carreira na música popular.

A história do compositor cego

Conta-se que o autor era cego e procurou o Caboclo das Sete Encruzilhadas em busca de cura. Na versão mais repetida, ele não recuperou a visão, virou umbandista e ofereceu a letra ao Caboclo, que a teria batizado de Hino da Umbanda. A história aparece até numa dissertação acadêmica, numa nota sem fonte.

Mas o historiador Diamantino Trindade é direto: “Até hoje ninguém comprovou esta história”, e as fotos que existem do autor não mostram que ele era cego. Em 1972, um jornal do Paraná chegou a escrever que o hino “não tem autor conhecido”. O hino ficou mais famoso que quem o escreveu.


O que diz a letra do Hino da Umbanda

A letra abre assim, nos versos de José Manoel Alves:

“Refletiu a luz divina / com todo seu esplendor” (José Manoel Alves, Hino da Umbanda) [C44, D1]

O hino fala de uma luz que vem “do reino de Oxalá” e se espalha pelo mundo [C47, D6]. Termina com a imagem de levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá [D5, D6]. São quatro estrofes de quatro versos de sete sílabas, a redondilha maior da poesia popular.

Pintura de luz branca descendo das nuvens sobre o mar e o litoral, com uma casinha caiada de porta acesa.

Por que só um trecho aqui? A letra ainda é protegida por direito autoral. Pela Lei 9.610, os direitos duram 70 anos depois da morte do autor, e J. M. Alves estava vivo em 1978 [C46, C45]. A mesma lei permite citar trechos para estudo, com o nome do autor. Cantar o hino na gira é uma coisa. Publicar a letra inteira é outra.


Por que cada casa canta de um jeito

A mesma música chega com pequenas diferenças de uma casa para outra. As fontes registram estas variações:

TrechoUma versãoOutra versão
verso 2”com todo seu esplendor""em todo seu esplendor”
verso 3”Vem do reino de Oxalá""É do reino de Oxalá”
verso 8”Para tudo iluminar""Para nós iluminar”

As versões vêm de casas do Rio e de trabalhos acadêmicos feitos no Rio, em Niterói e em Sobral, no Ceará [C44, C47, D1, D2, D6]. Há casas que repetem os versos finais duas ou três vezes.

Há também quem peça a letra sem mudança nenhuma. Diamantino Trindade conta que o autor pediu que não se mudasse “sequer uma vírgula” e que só pedia que mantivessem seu nome. Nenhuma versão é errada: é a mesma fé cantada com o sotaque de cada casa.


Quando e como se canta o Hino da Umbanda

Na abertura da gira. Há casas que põem o hino como primeiro canto dos trabalhos. Num centro do Rio, ele abre a folha de pontos, antes da chamada dos caboclos. A ordem dos cantos na gira está em curimba na umbanda.

De pé e com a mão no peito. Em 1972, no encerramento do 1º Congresso de Umbanda do Paraná, o público cantou “de pé”. Diamantino Trindade orienta a cantar com a mão direita sobre o coração, pedido que atribui ao próprio autor. É costume de muitas casas, não regra escrita de todas.

No Dia da Umbanda. Em 15 de novembro, o hino entra nas festas das casas e nas sessões públicas. Na Câmara de Niterói, em 2021, a sessão solene teve lavagem da escadaria, defumação e o hino. A data, a lei e o jeito de comemorar estão em Dia da Umbanda.

Na sua casa o hino é cantado de branco, com vela acesa no congá? Se precisar repor a vela branca ou a roupa da gira antes do dia 15, a Joia Mística confere com você pelo WhatsApp.

Hino e ponto cantado: qual a diferença

O hino nasceu como ponto. A diferença é de função. O ponto chama, sustenta ou despede uma linha, e cada casa tem os seus. O hino não chama entidade: é um canto de louvor de toda a umbanda, adotado por congresso, com autor de nome e sobrenome [C44, D1, D2]. Os tipos de ponto estão em pontos cantados na umbanda.


Perguntas frequentes

Quem escreveu o Hino da Umbanda?

A letra é de José Manoel Alves, o J. M. Alves, compositor português nascido em Monção e músico da Banda da Força Pública de São Paulo. A melodia é creditada, nas fontes umbandistas, ao maestro Dalmo da Trindade Reis, da banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Quando o Hino da Umbanda virou oficial?

Em 1961, no 2º Congresso de Umbanda, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. Até então, a música era cantada como ponto, com o nome Refletiu a luz divina. O hino foi gravado em disco em 1962 e, nos anos 1970, reconhecido também pelo Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda.

O autor do Hino da Umbanda era cego?

Conta-se que sim, e que ele buscou cura com o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Mas nunca foi comprovado. O historiador umbandista Diamantino Trindade afirma que ninguém comprovou a história e que as fotos do autor não mostram um homem cego.

Precisa cantar o Hino da Umbanda de pé?

Não há regra escrita que valha para todas as casas. Há registro do hino cantado de pé em 1972, no Paraná, e Diamantino Trindade orienta a pôr a mão direita sobre o coração. Siga o costume da sua casa e a orientação do seu dirigente.


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