O Hino da Umbanda tem letra do compositor português José Manoel Alves. Foi adotado como hino no 2º Congresso de Umbanda, em 1961, no Rio de Janeiro [C44, D1, D2]. Antes disso, ele era cantado nos terreiros como um ponto comum, com o nome “Refletiu a luz divina”. A música é creditada ao maestro Dalmo da Trindade Reis [C44, C45].
Quem escreveu o Hino da Umbanda
A letra é de José Manoel Alves, que assinava J. M. Alves. Ele nasceu em Monção, no norte de Portugal, e era músico de banda. A melodia é creditada, nas fontes umbandistas, ao maestro Dalmo da Trindade Reis, da banda da Polícia Militar do Rio [C44, C45].
Título original: Refletiu a luz divina | Letra: José Manoel Alves | Música: creditada a Dalmo da Trindade Reis | Adotado como hino: 1961 | Gravado: 1962 | Forma: quatro estrofes de quatro versos
O hino foi gravado em disco em 1962, com o cantor Araripe Barbosa, segundo um jornal da época citado pelo historiador umbandista Diamantino Trindade. Uma dissertação da UFF credita a cantiga como “de J. M. Alves, 1962”.
Do ponto ao hino oficial: o congresso de 1961
O hino virou hino por decisão de um congresso. O 2º Congresso Brasileiro de Umbanda, de 1961, teve como sede o Maracanãzinho, no Rio, e reuniu umbandistas de vários estados. Foi ali que “Refletiu a luz divina” ganhou o título de Hino da Umbanda [C44, D1].
O primeiro congresso tinha acontecido vinte anos antes, em outubro de 1941, também no Rio. Para a dissertação de Marcelo Bichara, da UFRRJ, o de 1961 admitiu as origens africanas do culto, e o hino é desse mesmo ano. Bichara chama o hino de “ponto cantado mais amplamente aceito na prática umbandista”.
Depois, nos anos 1970, o Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda (CONDU) também o reconheceu como hino oficial. As fontes divergem sobre o ano: uma diz 1971, outra diz 1976 [C44, D5].
O autor era um clarinetista de Monção
A biografia do autor tem uma fonte de fora do meio religioso: o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Pelo verbete, J. M. Alves nasceu em 5 de agosto de 1907. Dos 12 aos 22 anos, tocou clarineta na Banda Tangilense, na terra natal.
Em 1929 ele veio para o Brasil. Morou no interior de São Paulo e, no mesmo ano, entrou na Banda da Força Pública da capital, onde se aposentou como capitão. Seu maior sucesso foi o dobrado “Quarto centenário”, feito com Mário Zan. Ele também compôs outros pontos de umbanda, gravados por vários intérpretes no começo dos anos 1960.
A dissertação da UFF o chama de “músico erudito português, radicado no Brasil”. É um retrato diferente do que muita gente imagina: o autor do hino era um músico de banda militar, com carreira na música popular.
A história do compositor cego
Conta-se que o autor era cego e procurou o Caboclo das Sete Encruzilhadas em busca de cura. Na versão mais repetida, ele não recuperou a visão, virou umbandista e ofereceu a letra ao Caboclo, que a teria batizado de Hino da Umbanda. A história aparece até numa dissertação acadêmica, numa nota sem fonte.
Mas o historiador Diamantino Trindade é direto: “Até hoje ninguém comprovou esta história”, e as fotos que existem do autor não mostram que ele era cego. Em 1972, um jornal do Paraná chegou a escrever que o hino “não tem autor conhecido”. O hino ficou mais famoso que quem o escreveu.
O que diz a letra do Hino da Umbanda
A letra abre assim, nos versos de José Manoel Alves:
“Refletiu a luz divina / com todo seu esplendor” (José Manoel Alves, Hino da Umbanda) [C44, D1]
O hino fala de uma luz que vem “do reino de Oxalá” e se espalha pelo mundo [C47, D6]. Termina com a imagem de levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá [D5, D6]. São quatro estrofes de quatro versos de sete sílabas, a redondilha maior da poesia popular.

Por que só um trecho aqui? A letra ainda é protegida por direito autoral. Pela Lei 9.610, os direitos duram 70 anos depois da morte do autor, e J. M. Alves estava vivo em 1978 [C46, C45]. A mesma lei permite citar trechos para estudo, com o nome do autor. Cantar o hino na gira é uma coisa. Publicar a letra inteira é outra.
Por que cada casa canta de um jeito
A mesma música chega com pequenas diferenças de uma casa para outra. As fontes registram estas variações:
| Trecho | Uma versão | Outra versão |
|---|---|---|
| verso 2 | ”com todo seu esplendor" | "em todo seu esplendor” |
| verso 3 | ”Vem do reino de Oxalá" | "É do reino de Oxalá” |
| verso 8 | ”Para tudo iluminar" | "Para nós iluminar” |
As versões vêm de casas do Rio e de trabalhos acadêmicos feitos no Rio, em Niterói e em Sobral, no Ceará [C44, C47, D1, D2, D6]. Há casas que repetem os versos finais duas ou três vezes.
Há também quem peça a letra sem mudança nenhuma. Diamantino Trindade conta que o autor pediu que não se mudasse “sequer uma vírgula” e que só pedia que mantivessem seu nome. Nenhuma versão é errada: é a mesma fé cantada com o sotaque de cada casa.
Quando e como se canta o Hino da Umbanda
Na abertura da gira. Há casas que põem o hino como primeiro canto dos trabalhos. Num centro do Rio, ele abre a folha de pontos, antes da chamada dos caboclos. A ordem dos cantos na gira está em curimba na umbanda.
De pé e com a mão no peito. Em 1972, no encerramento do 1º Congresso de Umbanda do Paraná, o público cantou “de pé”. Diamantino Trindade orienta a cantar com a mão direita sobre o coração, pedido que atribui ao próprio autor. É costume de muitas casas, não regra escrita de todas.
No Dia da Umbanda. Em 15 de novembro, o hino entra nas festas das casas e nas sessões públicas. Na Câmara de Niterói, em 2021, a sessão solene teve lavagem da escadaria, defumação e o hino. A data, a lei e o jeito de comemorar estão em Dia da Umbanda.
Na sua casa o hino é cantado de branco, com vela acesa no congá? Se precisar repor a vela branca ou a roupa da gira antes do dia 15, a Joia Mística confere com você pelo WhatsApp.
Hino e ponto cantado: qual a diferença
O hino nasceu como ponto. A diferença é de função. O ponto chama, sustenta ou despede uma linha, e cada casa tem os seus. O hino não chama entidade: é um canto de louvor de toda a umbanda, adotado por congresso, com autor de nome e sobrenome [C44, D1, D2]. Os tipos de ponto estão em pontos cantados na umbanda.
Perguntas frequentes
Quem escreveu o Hino da Umbanda?
A letra é de José Manoel Alves, o J. M. Alves, compositor português nascido em Monção e músico da Banda da Força Pública de São Paulo. A melodia é creditada, nas fontes umbandistas, ao maestro Dalmo da Trindade Reis, da banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Quando o Hino da Umbanda virou oficial?
Em 1961, no 2º Congresso de Umbanda, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. Até então, a música era cantada como ponto, com o nome Refletiu a luz divina. O hino foi gravado em disco em 1962 e, nos anos 1970, reconhecido também pelo Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda.
O autor do Hino da Umbanda era cego?
Conta-se que sim, e que ele buscou cura com o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Mas nunca foi comprovado. O historiador umbandista Diamantino Trindade afirma que ninguém comprovou a história e que as fotos do autor não mostram um homem cego.
Precisa cantar o Hino da Umbanda de pé?
Não há regra escrita que valha para todas as casas. Há registro do hino cantado de pé em 1972, no Paraná, e Diamantino Trindade orienta a pôr a mão direita sobre o coração. Siga o costume da sua casa e a orientação do seu dirigente.
Referências
- SANTOS, Rafael Sant’Anna. Dissertação, UFF, 2022. Firma ponto, bambeia com fé
- BICHARA, Marcelo Raphael Rocha. Dissertação, UFRRJ, 2015. Luz que veio de Aruanda
- Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. J. M. Alves
- FERNANDES, Stéfani Martins; HENN, Leonardo Guedes. Religare (UFPB), 2018. As voltas da religião
- TRINDADE, Diamantino Fernandes. Rádio Caminhos, 2017. José Manoel Alves e o Hino da Umbanda
- TRINDADE, Diamantino. Rádio Caminhos, 2018. Vamos cantar corretamente o Hino da Umbanda
- Confraria dos Pretos Velhos de Umbanda. Hino da Umbanda
- Presidência da República. Lei nº 9.610, de 1998, direitos autorais