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Umbanda 8 min de leitura

Pontos cantados na umbanda: o que são e para que servem

Pontos cantados na umbanda: o que são, para que servem, os tipos (abertura, chamada, firmeza, subida) e a diferença para o ponto riscado dentro da gira.

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Três atabaques de couro alinhados no salão do terreiro, os instrumentos que embalam os pontos cantados da umbanda sob luz suave.

Resumo

Os pontos cantados são preces em forma de música que estabelecem a ponte vibratória entre o plano material e as falanges espirituais da Umbanda. Cantados em uníssono pela assistência e sustentados pelos atabaques da curimba, eles afinam o padrão mental do terreiro e criam o campo magnético indispensável para a gira.

Classificam-se em diferentes categorias rituais conforme sua finalidade: pontos de abertura (para saudar as forças do congá), pontos de chamada (para invocar a aproximação dos guias), pontos de sustentação (para manter o axé durante as consultas), pontos de descarrego (para corte de demandas) e pontos de subida (para a despedida harmoniosa das entidades).

A letra e a melodia dos pontos tradicionais contêm ensinamentos doutrinários, histórias de superação e descrições dos mistérios dos Orixás. Cantar com respeito, entusiasmo e devoção fortalece a corrente mediúnica e potencializa a cura espiritual de todos os presentes.

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Quando o atabaque começa a bater e o terreiro inteiro levanta a voz, algo muda no ar. É o ponto cantado, o cântico sagrado que abre a gira de umbanda e chama os guias para trabalhar. Mais do que música, ele é oração em forma de canto, uma prece que move as energias e sustenta o trabalho do início ao fim.

Neste guia, você entende o que são os pontos cantados, para que serve cada tipo, qual a diferença deles para o ponto riscado e por que nenhuma gira acontece sem eles.


O que são os pontos cantados

Os pontos cantados são os cânticos rituais da umbanda. São preces melodizadas que saúdam os orixás, chamam as entidades, firmam a corrente e encaminham cada etapa da gira. Cada linha de trabalho e cada guia tem o seu repertório próprio, transmitido de terreiro para terreiro, muitas vezes só de boca a ouvido.

Não são música de entretenimento. O ponto cantado é uma ferramenta espiritual: ele impregna o ambiente de certas energias e limpa outras, elevando a vibração de quem canta e de quem assiste. Por isso se diz que, na umbanda, cantar é rezar duas vezes.

O canto une a corrente. Quando todos entoam o mesmo ponto, os médiuns, os cambones e a assistência vibram juntos numa só intenção. Essa união é parte do fundamento: o ponto certo, cantado com fé, firma o trabalho e chama a força da entidade que vai descer.

Boa parte desse repertório nasceu da tradição oral. Os pontos foram compostos e guardados de cabeça, passados de geração em geração dentro dos terreiros, e por isso o mesmo canto pode ter pequenas variações de letra de casa para casa. Muitos carregam a herança dos cânticos africanos e da religiosidade popular brasileira, o que faz dos pontos cantados um patrimônio vivo, reconhecido inclusive em registros culturais do país. Aprender um ponto é receber um pedaço dessa memória.


Ponto cantado e ponto riscado: qual a diferença

Aqui mora uma confusão comum. Ponto cantado e ponto riscado são coisas diferentes, ainda que o nome se pareça.

  • Ponto cantado: é o cântico, feito com a voz e sustentado pela curimba. Ele soa no ar e movimenta a energia pelo som.
  • Ponto riscado: é o desenho traçado no chão ou no quadro com a pemba, o giz sagrado. Funciona como a assinatura e o selo da entidade, um símbolo que firma sua presença.

Um se ouve, o outro se vê. Os dois se completam num mesmo trabalho: a entidade pode riscar o seu ponto para se identificar e, ao mesmo tempo, ter o seu ponto cantado entoado pela corrente. Para entender o desenho em detalhe, veja o nosso guia sobre o ponto riscado na umbanda.


A curimba: quem conduz os pontos

Nenhum ponto cantado se sustenta sozinho. Quem o conduz é a curimba, o grupo de médiuns responsável pela música do terreiro. Ela reúne os ogãs ou curimbeiros, que tocam o atabaque e os instrumentos, e os cantadores, que puxam a voz para a corrente acompanhar.

O toque do atabaque não é enfeite. O ritmo marca a vibração de cada linha e sustenta a incorporação. Um ponto de caboclo pede um toque firme e marcado; um ponto de preto-velho pede um andamento mais lento e sentido. Para conhecer esse trabalho por dentro, veja o guia sobre a curimba na umbanda.

A fé que canta é uma prece a mais. O ponto não precisa de voz bonita, precisa de intenção limpa. Cante com respeito, e a força vem.


Os tipos de ponto cantado

Cada momento da gira pede um tipo de ponto. Conhecer essa lógica ajuda o médium a entender o que está acontecendo em cada etapa do trabalho.

  • Ponto de abertura ou licença: inicia a gira, pede licença e proteção aos orixás e ao congá, o altar do terreiro.
  • Ponto de defumação: acompanha a defumação que limpa o espaço, os médiuns e a assistência antes do trabalho começar.
  • Ponto de saudação ao congá: reverencia o altar e as forças que regem a casa.
  • Ponto de chamada: convida a entidade ou a linha a se aproximar e incorporar nos médiuns.
  • Ponto de firmeza ou sustentação: mantém a energia firme e elevada durante todo o trabalho.
  • Ponto de subida ou despedida: encaminha a saída das entidades ao fim da gira, com gratidão.
  • Ponto de descarrego e fluidificação: limpa energias densas e carrega os elementos de trabalho, como a água e as ervas.

Além desses, cada guia tem os seus pontos de fundamento, que contam a história e o campo de atuação da entidade. Um ponto pode dizer de onde vem o caboclo, o que trabalha o preto-velho ou qual a alegria da criança.


Pontos por linha de trabalho

Na umbanda, cada linha de guia tem o seu jeito de cantar. O ponto muda de melodia, de ritmo e de imagem conforme quem chega.

  • Caboclos: pontos firmes, ligados à mata, às cachoeiras e às flechas. Veja mais sobre os caboclos na umbanda.
  • Pretos-velhos: pontos mais lentos e sentidos, que falam de senzala, rosário e sabedoria. Conheça os pretos-velhos na umbanda.
  • Crianças (erês): pontos alegres e simples, cheios de doçura.
  • Exus e pombagiras: pontos de encruzilhada, entoados na gira específica dessas entidades.
  • Baianos, boiadeiros, marinheiros e ciganos: cada povo com o seu ritmo, do coco baiano à toada do boiadeiro.

Para entender como essas linhas se organizam, vale ler sobre as 7 linhas da umbanda e o panorama dos guias da umbanda.


Como aprender e cantar com respeito

O ponto cantado se aprende na convivência. Frequentando a gira, o médium vai gravando as melodias, os nomes e os fundamentos de cada canto. Não existe atalho: é o tempo de casa que ensina.

Alguns cuidados ajudam a manter o respeito. Cante com a corrente, sem se destacar por vaidade, porque o ponto é da casa, não do solista. Evite gravar os trabalhos sem a autorização do dirigente, já que muitos pontos guardam fundamento. E lembre que a força não está na afinação, e sim na fé com que se canta. Para quem está começando o desenvolvimento mediúnico, aprender os pontos é parte do caminho.


Perguntas frequentes

Qual a diferença entre ponto cantado e ponto riscado?

O ponto cantado é o cântico, feito com a voz e sustentado pela curimba, que movimenta a energia pelo som. O ponto riscado é o desenho traçado com a pemba, o giz sagrado, e funciona como a assinatura da entidade. Um se ouve, o outro se vê, e os dois se completam no trabalho.

Para que servem os pontos cantados na umbanda?

Servem para abrir e fechar a gira, saudar os orixás, chamar as entidades, firmar a corrente, defumar o espaço e encaminhar as energias. Mais do que música, são preces cantadas que elevam a vibração e sustentam todo o trabalho espiritual, do início à despedida das entidades.

O que é ponto de firmeza e ponto de subida?

O ponto de firmeza mantém a energia elevada e estável durante o trabalho, sustentando a corrente e a incorporação. Já o ponto de subida, também chamado de despedida, é entoado no fim da gira para encaminhar a saída das entidades com respeito e gratidão, fechando o ciclo do trabalho.

Preciso saber cantar para trabalhar na umbanda?

Não. A umbanda valoriza a intenção, não a voz bonita. O importante é cantar com fé e acompanhar a corrente. Com o tempo de casa, o médium naturalmente aprende as melodias e os fundamentos de cada ponto, gravando o repertório na convivência com a gira.

Pode cantar ponto de umbanda em casa?

Sim, com respeito. Cantar pontos em casa, ao acender uma vela ou fazer uma prece, é uma forma de manter a conexão e estudar o repertório. O que exige o terreiro e a orientação do dirigente é o trabalho de gira em si, com incorporação e atendimento.


Onde encontrar itens para a sua gira

Se você trabalha na umbanda e quer preparar a sua casa de fé, na Joia Mística Laroyê você encontra:

  • Atabaques e instrumentos: para a curimba conduzir os pontos
  • Velas coloridas: para firmar a linha de cada guia
  • Defumadores e ervas: para os pontos de defumação e descarrego
  • Pembas coloridas: para os pontos riscados que acompanham os cantados
  • Guias e roupa branca: para compor o seu axé com respeito

Conheça também o nosso guia de como montar um altar de umbanda. Visite a nossa loja em Extrema-MG ou chame no WhatsApp com entrega para todo o Brasil.

Fontes: Pontos cantados (Wikipédia) e Pontos Cantados (Diário de Umbanda).


Referências

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