O tarô dos orixás é um oráculo que traduz a sabedoria dos orixás para a linguagem das cartas cada lâmina carrega a força de uma divindade, suas cores, seus símbolos e seu recado. Diferente do tarô tradicional europeu, ele nasceu olhando para o axé brasileiro, e por isso conversa diretamente com quem já vive a espiritualidade de matriz africana.
Mas há uma confusão que precisa ser desfeita logo de início: o tarô dos orixás não é o jogo de búzios, e não substitui o oráculo sagrado do terreiro. Neste guia você vai entender o que ele é de verdade, como funciona, o que cada carta revela e como cuidar do seu baralho com respeito.
O que é o tarô dos orixás
O tarô dos orixás é um oráculo cartomântico contemporâneo, criado no Brasil ao longo dos anos 1990, que associa cada carta a um orixá do panteão cultuado na umbanda e no candomblé. A autora mais citada como referência do baralho é Eneida Duarte Gaspar, com a obra Tarô dos Orixás (Pallas Editora), embora hoje existam várias versões assinadas por diferentes autores.
A ideia por trás dele é simples e bonita: usar a estrutura simbólica do tarô com seus arquétipos universais para refletir as energias dos orixás. Quando uma carta sai na leitura, ela não fala só de um acontecimento; fala da qualidade de axé que rege aquele momento da vida do consulente. Se sai a lâmina ligada a Oxum, por exemplo, o tema costuma girar em torno de afeto, autoestima e prosperidade. Se sai a de Ogum, o assunto é abertura de caminhos, trabalho e luta.
É importante guardar uma palavra desde já: o tarô dos orixás é uma ferramenta de autoconhecimento e orientação, não um rito de terreiro. Ele ajuda a pensar, a se localizar, a enxergar o que estava embaçado não promete resolver a vida nem prevê a sorte com garantia.
Tarô dos orixás x jogo de búzios: a diferença essencial
Essa é a parte que mais gera dúvida, então vamos com calma. O tarô dos orixás e o jogo de búzios são coisas diferentes, com origens e funções distintas.
O jogo de búzios também chamado de merindilogun é o oráculo tradicional do candomblé, herdeiro do sistema Ifá dos povos iorubás da Nigéria e do Benim. Ele é jogado com dezesseis búzios lançados sobre a esteira ou o peji, e cada caída remete a um odu, um signo do destino ligado a determinados orixás. Quem conduz é o babalorixá ou a ialorixá, com iniciação e fundamento não é leitura para qualquer pessoa fazer. O sistema Ifá, base dos búzios, é tão antigo e relevante que foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2005.
O tarô dos orixás, por outro lado, é um produto editorial do século XX, inspirado nos orixás mas construído sobre a lógica do tarô europeu. Qualquer pessoa que estude o baralho pode consultá-lo. Ele não acessa os fundamentos religiosos reservados à liturgia, não indica ebó e não fala “pela boca” do orixá no sentido litúrgico.
| Aspecto | Tarô dos orixás | Jogo de búzios (merindilogun) |
|---|---|---|
| Natureza | Oráculo cartomântico contemporâneo | Oráculo litúrgico tradicional |
| Origem | Brasil, anos 1990 | África iorubá, milenar (sistema Ifá) |
| Quem conduz | Qualquer estudioso do baralho | Babalorixá / ialorixá iniciado |
| Instrumento | 22 (ou mais) cartas ilustradas | 16 búzios sobre a esteira |
| Função | Autoconhecimento, orientação | Comunicação ritual com os orixás |
Pense assim: o tarô dos orixás é uma porta de entrada simbólica ao universo dos orixás; o jogo de búzios é o oráculo sagrado do terreiro. Um não anula o outro mas também não se confundem.
Para entender melhor as tradições por trás desses orixás, vale ler antes o que são os orixás e a diferença entre umbanda e candomblé. (Você encontra também a fundamentação histórica do jogo de búzios na enciclopédia colaborativa, útil para quem quer se aprofundar.)
Quantas cartas tem o tarô dos orixás
Aqui vem outra resposta que depende do baralho e não de um modelo único e oficial.
- 22 cartas a versão mais popular, formada só pelos arcanos maiores, cada um ligado a um orixá ou entidade. É a edição de Eneida Duarte Gaspar e também a de Monica Buonfiglio, entre outras.
- 77 cartas O Tarô Sagrado dos Orixás, de Zolrak e Durkon (1995), com forte componente numerológico: cartas dos orixás, cartas de símbolos (como Karma e Anjo da Guarda) e cartas dos quatro elementos.
- 78 cartas versões que seguem a estrutura completa do tarô de Marselha, com arcanos maiores e menores.
Por isso, ao comprar um baralho, vale conferir qual modelo ele segue: o número de cartas muda a forma de jogar e o nível de detalhe da leitura. Para quem está começando, a versão de 22 cartas é a mais direta e a mais usada.
Os orixás e os arcanos: o que cada carta revela
No tarô dos orixás, cada arcano maior empresta seu arquétipo a um orixá. A leitura considera o orixá em si, mas também as cores, o cenário e os objetos da cultura iorubá presentes na lâmina. A tabela abaixo reúne as correspondências mais citadas mas atenção: elas variam de um baralho para outro. Não existe uma tabela canônica única, e isso é natural num oráculo contemporâneo.
| Arcano | Orixá (correspondência mais comum) | Tema |
|---|---|---|
| O Mago | Ossaim | folhas, cura, segredo das ervas |
| A Imperatriz | Iemanjá | maternidade, acolhimento, fertilidade |
| O Imperador | Xangô | justiça, autoridade, decisão |
| O Carro | Ogum | trabalho, conquista, abertura de caminhos |
| A Força | Iansã (Oyá) | coragem, mudança, ventania |
| A Temperança | Oxumaré | ciclos, equilíbrio, transformação |
| A Estrela | Oxum | amor, prosperidade, autoestima |
| O Sol | Ibejis | alegria, novos começos, criança interior |
Algumas correspondências são muito estáveis entre os baralhos Oxum quase sempre aparece na Estrela, Ogum no Carro, Xangô no Imperador. Outras mudam: Oxalá pode surgir tanto no Hierofante (na forma jovem, Oxaguiã) quanto no Mundo (na forma velha, Oxalufã), e o orixá do Tempo, Iroko, ora é a Torre, ora o Louco.
Vale notar ainda que esses baralhos misturam camadas: ao lado dos orixás aparecem pretos-velhos e a ancestralidade (Babá Egum), que não são orixás, mas entidades e linhas de força da umbanda. Isso reforça o caráter sincrético e contemporâneo do oráculo. Se quiser conhecer as energias por trás de cada nome, comece pelos artigos da seção de orixás do blog, como o guia sobre quem é Iansã.
Uma palavra sobre Exu e a carta do Diabo
Na maioria dos baralhos, Exu aparece associado ao arcano O Diabo e isso assusta quem não conhece. Então é preciso dizer com todas as letras: Exu não é o demônio. A correspondência existe apenas por causa do arquétipo europeu da carta, que fala de instinto, materialidade e força vital nunca porque Exu tenha qualquer relação com o diabo cristão.
Exu é o orixá dos caminhos e da comunicação entre os mundos. É o primeiro a receber oferenda em qualquer ritual, o que abre as porteiras para que o axé circule. Quando a carta de Exu sai numa leitura, o recado costuma ser sobre movimento, escolhas e o que precisa ser destravado e não sobre “coisa ruim”. Tratar essa lâmina com respeito é parte de ler o tarô dos orixás com seriedade.
Como funciona uma leitura: os métodos de tiragem
Os baralhos costumam vir com um livreto que ensina diferentes formas de tirar as cartas. As três mais comuns são:
- Três cartas a tiragem mais simples, ótima para começar. A primeira carta mostra a energia do passado que ainda influencia; a segunda, o momento presente; a terceira, a tendência para os próximos meses.
- Cinco cartas uma leitura intermediária, que detalha melhor a situação, os obstáculos e os caminhos possíveis.
- Mandala o método mais completo, em que as cartas se dispõem em círculo para uma visão ampla da questão.
Antes de qualquer tiragem, concentre-se na pergunta. O oráculo responde melhor a questões abertas (“o que preciso enxergar sobre o meu trabalho?”) do que a perguntas de “sim ou não”. E lembre: a carta orienta, ela não condena nem garante desfecho. A leitura é um ponto de partida para a reflexão, não uma sentença.
Como consagrar e cuidar do seu baralho
Entre os consulentes de tarô, é tradição preparar o baralho antes de usá-lo pela primeira vez. Não se trata de um fundamento de terreiro, mas de um cuidado simbólico que ajuda a criar conexão com o oráculo. As práticas mais comuns são:
- Reservar uma toalha branca exclusiva, usada apenas para abrir as cartas.
- Escolher um ambiente calmo e limpo, de preferência à noite.
- Tocar uma sineta de metal ou cristal antes de cada consulta, para marcar o início do momento.
- Alguns colocam, nos cantos da toalha, símbolos dos quatro elementos: um copo d’água (água), uma flor ou planta (terra), uma vela acesa (fogo) e um incenso (ar).
Dica: guarde seu baralho sempre embrulhado no mesmo pano e em lugar tranquilo. O cuidado com o objeto é também um cuidado com a sua intenção e cartas bem guardadas duram anos.
Para acender as velas durante a consagração ou a leitura, vale entender o significado de cada cor no nosso guia sobre velas rituais.
Perguntas frequentes
O tarô dos orixás é o mesmo que jogo de búzios?
Não. O jogo de búzios (merindilogun) é o oráculo litúrgico tradicional do candomblé, conduzido por babalorixá ou ialorixá iniciados, herdeiro do sistema Ifá. O tarô dos orixás é um oráculo de cartas contemporâneo, de inspiração afro-brasileira, que qualquer estudioso pode consultar. São ferramentas diferentes, com funções diferentes.
Quantas cartas tem o tarô dos orixás?
Depende do baralho. A versão mais comum tem 22 cartas (só os arcanos maiores), mas existem edições de 77 cartas (Zolrak e Durkon) e de 78, que seguem a estrutura completa do tarô de Marselha. Para quem está começando, a versão de 22 cartas é a mais prática.
Preciso ser de religião afro para usar o tarô dos orixás?
Não é obrigatório, mas é fundamental ter respeito pelas tradições que inspiram o baralho. Estudar quem são os orixás, entender que ele não substitui o jogo de búzios e tratar cada carta inclusive a de Exu sem preconceito é o mínimo para uma leitura séria.
O tarô dos orixás prevê o futuro?
Ele aponta tendências e energias do momento, não um destino fixo e garantido. A proposta é de autoconhecimento e orientação: a carta mostra o que merece atenção, e a decisão continua sendo sua. Desconfie de qualquer leitura que prometa resultado certo ou prazo exato.
Como escolher o meu primeiro baralho?
Comece pela versão de 22 cartas, que é mais simples de aprender, e prefira baralhos com livreto explicativo em português. Ilustrações claras dos orixás ajudam muito no início. Com o tempo, você pode explorar edições maiores, como as de 77 cartas.
Onde comprar seu tarô dos orixás
Na Joia Mística Laroyê, você encontra tudo para começar e cuidar do seu oráculo:
- Baralhos de tarô dos orixás edições de 22 cartas com livreto explicativo, ideais para iniciantes
- Toalhas brancas para leitura exclusivas para abrir as cartas
- Sinetas de metal e cristal para marcar o início de cada consulta
- Velas e incensos para a consagração e o ambiente da leitura
- Imagens e guias de orixás para montar seu espaço de estudo
Quer ir além das cartas? A Joia Mística também oferece leitura de tarô e orientação espiritual com atendimento personalizado. Visite nossa loja na R. Benedito Zingari, 460 Bela Vista, Extrema-MG, ou fale com a gente pelo WhatsApp com entrega para todo o Brasil. Conheça também nossa página de tarot para ver as opções disponíveis.